Economia

GATABORRALHEIRISMO
SEGUE ATIVO E CRUEL

DANIEL LIMA - 24/09/2026

O gataborralheirismo institucional e social do Grande ABC segue negligentemente vivo, escorregadio, deletério e improdutivo. A subalternidade controversa é nossa especialidade. Adoramos considerar o externo mais valioso e respeitoso, mas, contraditoriamente, alimentamos a estupidez de que, apesar de tudo, do próprio sentimento de inferioridade, somos bom das bocas. Essa dualidade é tão grotesca quanto suicida.

Escrevi um livro sobre isso em janeiro de 2002 e o lancei num Teatro Municipal de Santo André completamente lotado em abril do mesmo ano, em homenagem ao recém-assassinado Celso Daniel. “Complexo de Gata Borralheira” é, em resumo,  o Grande ABC no divã. E não saímos do divã.

Um exemplo: a visita do ministro de Desenvolvimento Econômico do destrutivo governo Lula da Silva embeveceu representantes do Clube dos Prefeitos. A boa-fé dos prefeitos se juntou à ausência de dados históricos que antecessores desses mesmos prefeitos desprezaram ao longo do tempo.

SADOMASOQUISMO

O ambiente em São Caetano teria sido uma longa sessão de sadomasoquismo estivesse este jornalista presente de corpo e alma. Deus me presenteou com a ausência. Sobraram lantejoulas ao dirigente federal num evento com todas as características de agenda político-eleitoral. Estamos fritos e mal pagos. Prefiro não responsabilizar os prefeitos presentes pela farsa gerada em forma de boas-maneiras. Nossos atuais prefeitos estão inseguros como coletivismo porque pegaram o abacaxi de um Clube dos Prefeitos sem eira nem beira. E todos sabem que ao se sentarem nas cadeiras de Executivos,  de atribuições gigantescas de uma região torpedeada por emergências,  mal conseguem respirar estratégia nas fronteiras municipais.

O encontro do ministro lulista com os prefeitos da região deveria e precisaria contar com formato completamente diferente sem que se perdesse a ideia de comprometimento produtivo entre as partes. Houvesse discernimento histórico de que o Grande ABC segue a cultivar ervas daninhas de improdutividades que afastam investimentos industriais, quando não os expulsam, o encontro alimentaria a esperança de dias menos tenebrosos, mesmo se considerando a possível exiguidade brevidade do cargo exercido por um representante de governo federal em fim de mandato sem maiores expectativas de que teria o contrato social renovado por novos quatro anos.

ATIVO INDISPENSÁVEL

Contasse o Clube dos Prefeitos com um ativo que canso de cobrar e que não seria justo imputar aos atuais prefeitos a responsabilidade por não ser ouvido ou atendido, a pauta do encontro seria mesmo outra. Muito diferente da louvação à indústria regional que somente neste século perdeu internamente metade do peso relativo no PIB Geral e que ao chegar ao inevitável 2040 teria perdido outra metade dos dados de 1999.Tudo por falta de competitividade generalizada e que vai muito além da operacionalidade das fábricas.

O que, afinal,  falta entre outros pontos ao Clube dos Prefeitos que mais uma vez explicito para refrescar a memória dos leitores? Um quadro de especialistas que entendam o significado de regionalidade de forma transversal, mas  prevalecentemente econômica.

Esse grupo desprezado em favor de direcionamentos político-partidários que aprofundam a defasagem de conhecimentos agregados deveria ser permanente. O que significa ser permanente? Ora, não ficaria sujeito a chuvas de eleições e tempestades de conveniências. Com isso,  ofereceria um banco de dados e conhecimentos que, em situação como essa em São Caetano, tornasse a pauta objeto de resoluções consistentes.

Ao reproduzir logo abaixo a reportagem de boa qualidade do jornal Repórter Diário, confesso que exponho duas intenções vinculantes. A primeira é oferecer aos leitores a oportunidade de expandir a audiência daquele encontro tendo como pressuposto a linearidade expositiva de uma reportagem tradicional, ou seja, sem interpretação. A segunda decorre da primeira, claro. Com tudo o que foi publicado na reportagem logo abaixo, tenho a matéria-prima suficiente para escrever o que estou escrevendo. Devo lembrar que já consumira aquele evento nas páginas do Diário do Grande ABC.  

O que mais lamento mesmo como idiota que está há mais de meio século no Grande ABC, vindo que vim na boleia de um caminhão do Interior de São Paulo, é que permaneço em estado de cretinice completa porque sempre acredito em algo que parece inatingível:  por razões variadas que se condensam no Completo de Gata Borralheira, continuamos a martelar sobre iniciativas que não se desgarram de ilusionismo perante a inação de mandachuvas e mandachuvinhas.

ESPERANÇA

Ainda nutro esperança de que o Clube dos Prefeitos e outras instâncias da região acordarão para a realidade de que conteúdos como os extraídos da reportagem do Repórter Diário deixarão algum dia de constar das publicações. O ministro de Lula da Silva que esteve em São Caetano como agente de miraculosas ações em favor do Grande ABC deveria ter desembarcado na região com uma coleção de dados e informações na tentativa de subsidiar declarações que não passam de efeitos especiais e eleitorais. Como nenhum dos lados levou a sério a realidade do Grande ABC, fartamente conhecida dos leitores desta publicação, o que retiramos daquele encontro não passa mesmo de engabelação.

REPORTAGEM DO

REPÓRTER DIÁRIO

Em visita ao ABC para agendas com os prefeitos através do Consórcio Intermunicipal e da Agência de Desenvolvimento Econômico, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, acenou para as cidades da região com a possibilidade de estabelecer uma agenda, por setores econômicos, para fomentar a indústria local. Mobilidade eletrificada, data centers, e fomento aos polos Petroquímico e de Cosméticos estão no radar.

Na primeira agenda, no encontro mensal dos prefeitos através do Consórcio e que aconteceu no Palácio da Cerâmica, sede do governo municipal de São Caetano, Rosa ouviu o relato de prefeitos sobre o perfil econômico de cada cidade e diz que o Governo Federal deseja essa aproximação para elaborar projetos de fomento.

“Foi a primeira oportunidade de falar, olho no olho, de política nacional e de política regional. O ABC tem cinco cidades muito industrializadas e duas com vocação turística, temos o Polo Petroquímico, o Polo de Cosméticos, o prefeito Taka (Yamauchi – PMDB de Diadema) trouxe hoje que vai ter o protagonismo na questão dos data centers. Então essa é a importância do governo federal na nossa região para discutirmos o futuro dela”, resumiu o prefeito de Ribeirão Pires e presidente do Consórcio, Guto Volpi (PL).

O ministro diz que o potencial instalado da indústria do ABC pode ser impulsionado com tecnologia ou convertido para a área tecnológica. “O mérito é dos prefeitos da região que me convidaram para estar aqui para juntos discutirmos modos de atração de investimento. Temos uma vocação grande aqui no ABC para a indústria de transformação, em qualquer setor que se possa imaginar temos condições e possibilidades para atrair bons investimentos, seja para manter a indústria que já existe, seja para expansão ou para novas formas de produção. Aqui tem indústria automotiva, petroquímica, de cosméticos, inteligência artificial, pode pensar em qualquer tecnologia que aqui é bem-vinda. O Governo Federal tem uma política industrial, que se aplica ao Brasil todo e casa muito bem com o que se passa aqui no ABC, por isso que agradeço o convite e cumprimento a iniciativa e me comprometo a construirmos juntos políticas de desenvolvimento para o ABC”, disse Rosa.

Marcio Elias Rosa considera estratégico o país considerar as mudanças que chegam com a mobilidade eletrificada, seja com veículos elétricos puros ou híbridos. Na opinião dele a região tem já um parque industrial consolidado e que pode ser convertido para aproveitar essa onda elétrica. “Precisamos ter recurso, precisamos ter programa para isso porque essas são políticas transformadoras, mas aqui podemos encontrar diversas formas de expansão da atividade industrial porque já temos uma base muito bem consolidada, não é difícil realizar uma política local de desenvolvimento. Temos possibilidade de investir em Inteligência Artificial, de investir ainda mais no setor petroquímico, a eletrificação é um grande exemplo, ou seja, aqui casa bem com qualquer política de desenvolvimento econômico”, analisa. “Agora é importante que estejamos próximos, dialogando para que o governo federal possa alocar eventualmente linhas de crédito capazes de atrair investimentos nesta região e é o que desejamos fazer”.

A geração de empregos proporcionada pela indústria, com maior qualificação e salários é que trará mais desenvolvimento para a região, na ótica de Rosa. “A expectativa é que torne a crescer ainda mais, gerado empregos qualificados, de maior qualificação, mais duradouros, o emprego na indústria é o que melhor paga salários e que melhor capacita seus colaboradores, por isso é que essa é uma das regiões mais ricas do Brasil. É possível que nós continuemos trabalhando e o consórcio estar demandando. E vamos nos reunir lá em Brasília, setorialmente, por exemplo com o setor de cosméticos, ou de data center, à partir do Consórcio e levarmos boas ideias e bons projetos”, conclui o ministro.


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