Economia

BRASIL JAMAIS SERÁ
SÃO CAETANO DE HOJE

DANIEL LIMA - 28/07/2026

Os números são implacáveis ao medir a riqueza acumulada pelos moradores de São Caetano contrapostos aos dados médios do Brasil. A distância é estratosférica e permite que Nostradamus seja acionado: jamais, jamais e jamais, o País que insiste em patinar chegará aos pés do que é São Caetano hoje.

Afinal, se São Caetano já é bastante superior à média dos melhores municípios brasileiros, imaginem então quando se trata da média nacional. O Brasil deu errado demais para ser São Caetano. E mesmo que São Caetano erre demais, o que seria inusitado na trajetória histórica, não se aproximaria do Brasil sempre mal-ajambrado.

Talvez os próprios moradores de São Caetano, 170 mil almas, não tenham a dimensão do significado econômico e social dos 15 quilômetros quadrados de território mais privilegiado da Região Metropolitana de São Paulo e um dos melhores do Brasil no critério de Qualidade de Vida.

SÃO CAETANO SABE?

Cantada em prosa e verso neste dia de aniversário, São Caetano precisa ser retratada em números para que o conceito mais abrangente de Qualidade de Vida seja compreendido na dimensão exata.

Os moradores de São Caetano estão tão acostumados com o melhor endereço urbano metropolitano que talvez tenham naturalizado e por isso mesmo se descuidado sobre  o que é desejado e inalcançável pela vizinhança regional e que está anos-luz à frente da média nacional. Por isso, possivelmente nem consideram a realidade vivida digna de comemorações ainda mais festivas.

Talvez a percepção de exclusividade em atributos de infraestrutura urbana e social dos moradores de São Caetano seja mais aguçada por quem  todos os dias vive a experiência de sair e retornar dos limites cartográficos. Nesse caso, não tem mesmo como deixar de sentir o peso da diferença e do sortilégio que a caótica Região Metropolitana de São Paulo expõe com crueza a cada esquina. 

MUITO, MUITO MAIOR

Afinal, São Caetano  é simplesmente 80% mais rica que a média nacional num dos indicadores mais relevantes quando se pretende medir a embocadura econômica dos municípios. O PIB de Consumo, derivativo do PIB Tradicional, é provavelmente o navegador mais sustentável para quem pretende entender nuances da Economia. 

A diferença entre PIB Tradicional e PIB de Consumo é que o primeiro cresce com a geração de riqueza em produtos e serviços. Já o outro, o PIB de Consumo, é a consolidação da riqueza na composição de renda e salários.

O PIB de Consumo geralmente corre em raia privilegiada de mensuração ao não incorporar  a banda podre do PIB Tradicional. No PIB de Consumo riqueza acumulada é riqueza acumulada. No PIB Tradicional a geração de riqueza em produtos e serviços pode ter gênese de desperdício, de descuidos, de acidentalidades.

Uma residência em chamas gera PIB Tradicional no processo de recuperação da estrutura e de tudo o mais. Um acidente de trânsito também desencadeia custos que se traduzem em PIB Tradicional. Não à toa o PIB Tradicional é tratado como o pior indicador econômico, exceto os demais. Algo como a Democracia no campo político-institucional.

QUASE R$ 7 TRILHÕES

Sem que se coloque a questão como projeção fora de propósito, porque não o é, os brasileiros destes dias por mais que vivam jamais conseguirão ver o País alcançar o nível de São Caetano. Oitenta por cento de superioridade de São Caetano sobre o Brasil não se desfazem ou se equiparam numa centena de anos. Somente uma catástrofe poderia alterar o roteiro de distanciamento entre os dois espaços demográficos.

O PIB de Consumo Nacional previsto para esta temporada pela empresa mais tradicional da área, a Consultoria IPC, dirigida pelo pesquisador Marcos Pazzini, terá o total de R$ 8.608,683,873 trilhões disponíveis. Na média, para cada um dos 214.211,9234 milhões de brasileiros, serão R$ 40.187,69 mil.

Agora, se o Brasil fosse São Caetano, o PIB de Consumo per capita saltaria para R$ 72.515,542 mil. Quando se multiplica esse valor por habitante pelo total nacional, o resultado coletivo é de R$ 15.533.680 trilhões. Nada menos que um adicional  geral de R$ 6.924.997 trilhões sobre o montante nacional.

COMPOSIÇÃO ECONÔMICA

A composição econômica de São Caetano é muito superior à média brasileira nas duas  categorias mais privilegiadas, a Classe Rica e a Classe Média Tradicional. E também é significativamente inferior, e portanto melhor, quando comparadas à Classe Média Precária, aos Pobres e aos Miseráveis. É esse mapeamento socioeconômico forjado ao longo da história que torna impossível no futuro mais distante acreditar que um dia o Brasil será uma São Caetano.

No caso da Classe Rica, o Brasil conta nesta temporada com 2.161.541 de famílias, que significam 3,3% do total de 69.941 residências espalhadas pelo território nacional. Se o Brasil de Classe Rica fosse São Caetano com os 9,8% de residências, num total de 64.477 famílias, teria alcançado nesta temporada 6.463.449 milhões de residências. Três vezes mais.

A diferença que separa a Classe Média Tradicional de São Caetano e a Classe Média Tradicional do Brasil também é gigantesca. Em São Caetano, 37,3% das moradias estão no segundo estrato econômico mais elevado, enquanto a média nacional não passa de 20,0%. Quase o dobro, portanto. Se o Brasil fosse São Caetano, os atuais 13.180.207 milhões de moradias de Classe Média Tradicional seriam 24.581.086 milhões de moradias. Quase o dobro.

MENOS É MAIS

Já a Classe Média Precária, que mais flerta com a Classe dos Pobres do que com a Classe Média Tradicional, teria forte redução de participação relativa no total de moradias brasileiras se os dados de São Caetano pudessem ser transplantados. O Brasil conta com 49,7% de moradias de Classe Média Precária, enquanto São Caetano registra 40,2%. Se São Caetano fosse o Brasil, o total dessa espécie de Terceira Divisão do ranking de riqueza acumulada contaria com 26.508.392 milhões de famílias, ou seja, abaixo das atuais 32.796.095 milhões de moradias.

Já o quarto estrato socioeconômico do PIB de Consumo brasileiro, formado por Pobres e Miseráveis, seria reduzido em mais de 15 pontos percentuais, ou abaixo da metade da realidade destes dias. São Caetano conta com 12,7% de famílias de pobres e miseráveis, enquanto o balanço nacional é de participação relativa de 27%. Em termos quantitativos, ao invés de o Brasil reunir 17.803.432 milhões de famílias de pobres e miseráveis, não teria mais que 8.374.541 milhões. 

EXCEÇÃO ESPECIAL

Ainda outro dia escrevi que São Caetano é um caso raro de desindustrialização consolidada ao longo dos anos e manutenção da estrutura socioeconômica. A rotina histórica nesses casos é de debilidade da produção industrial acompanhada de forte refluxo econômico a impactar os moradores de forma  contundente. Basta observar o que aconteceu com os vizinhos de São Caetano durante esse período. São Bernardo e Santo André foram duramente atingidos com quebra da mobilidade social e declínio da Qualidade de Vida em vários vetores. 

Pois São Caetano manteve-se equilibrada. Geografia e gestões municipais sem solavancos praticamente a blindaram. Tanto que  famílias de Classe Rica e de Classe Media Tradicional não perderam espaço no conjunto dos moradores em termos proporcionais. E não houve  catástrofe nos demais segmentos.

Só para se ter uma ideia razoavelmente esclarecedora sobre os estragos da desindustrialização ao longo dos últimos 40 anos, o estoque de carteiras assinadas no setor produtivo foi reduzido em 60%. De cada 10 empregos industriais em 1985, sobraram apenas quatro. Eram 30.173 trabalhadores com dísticos de industriais. E sobraram 12.021. Esses dados estão atualizados até dezembro de 2019. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) está devendo atualização pelo critério de ocupação setorial. Os metalúrgicos de São Caetano da General Motors e de dezenas de autopeças (que deixaram a cidade) eram mais da metade dos empregos industriais em 1985 (15.030 postos de trabalho ante o total geral de 30.173). Já em 2019 não passavam de 4.878 do total geral de 12.021.

O PIB Tradicional de São Caetano no mesmo período, sempre no setor industrial, sofreu queda equivalente.

Tudo isso e tantos outros percalços de um Brasil errante em políticas econômicas não retiraram São Caetano do topo de Qualidade de Vida. E a explicação é simples: com infraestrutura  material, social e educacional elevada para os padrões nacionais, São Caetano produz mão de obra qualificada e faz da vizinha Capital um canal de escoamento de talentos que não abrem mão de residir no berço esplêndido original.

Para completar, com a introdução intensiva de tecnologia digital na área de Segurança Pública, o prefeito Tite Campanella eliminou o calcanhar de Aquiles  que tornava São Caetano paraíso de roubos e furtos de veículos, já que homicídios sempre foram baixíssimos.  Agora só está faltando desbravar uma vereda na área de serviços de alta tecnologia para São Caetano dar um salto que a distanciaria ainda mais do pobre Brasil de todos os nós.



Leia mais matérias desta seção: Economia

Total de 2034 matérias | Página 1

23/07/2026 QUANDO A EMENDA É PIOR QUE O SONETO
22/07/2026 PREFEITOS FICAM SEM R$ 333 MILHÕES DE IPVA
21/07/2026 SOMOS UMA FÁBRICA DE MADRES TEREZAS
16/07/2026 VEJA O QUE RESTA DO SETOR AUTOMOTIVO
13/07/2026 SINDICALISMO DE CONVENIÊNCIAS
30/06/2026 DILMA FURAÇÃO É INSUPERÁVEL
29/06/2026 AFINAL, QUEM FOI PIOR: COLLOR, FHC OU DILMA?
24/06/2026 GOL ESCANCARADO NO SETOR AUTOMOTIVO
23/06/2026 PATRIANI É VÍTIMA DE FRONDOSA ARMADILHA
18/06/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (5)
15/06/2026 MOBILIDADE URBANA E LOGÍSTICA PRODUTIVA
11/06/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (4)
09/06/2026 VEXAME CONSOLIDADO DOS 100 MIL EMPREGOS
08/06/2026 SÃO BERNARDO VIROU A CARA DE DIADEMA
04/06/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (3)
01/06/2026 INVASORES BÁRBAROS, LIVRES, LEVES E SOLTOS
27/05/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (2)
26/05/2026 VAMOS ORGANIZAR O CLUBE DAS INDÚSTRIAS?
19/05/2026 NÃO ESPEREM MILAGRES DA REFORMA TRIBUTÁRIA