Economia

UM ENTREVISTADO
NO MUNDO DA LUA

DANIEL LIMA - 08/09/2026

Não dá para definir de outra maneira a entrevista de página inteira do Diário do Grande ABC de ontem com Luíz Paulo Bresciani,  executivo sindical ligado ao Sindicado dos Metalúrgicos do ABC,  berço do presidente Lula da Silva. Bresciani  vive mesmo no mundo da lua. É impressionante como as declarações do entrevistado do Diário, de bons questionamentos do Diário, beiram a desfaçatez. Bresciani está completamente fora da órbita regional. 

A manchete da página do Diário do Grande ABC, retirada rigorosamente de uma das frases de Luís Paulo Bresciani, provavelmente define o grau de alheamento do entrevistado: “A região está pronta para receber todo tipo de indústria”.  Trata-se de uma barbaridade. Não conseguimos segurar o que restou depois de mais de três décadas de evasões. E, contraditoriamente, o entrevistado reproduz parte dos gargalos econômicos da região. É claro que a ideologia e o corporativismo, quando não as conveniências, determinam o mundo especial em que vive o entrevistado. 

Luís Paulo Bresciani é Coordenador da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O currículo acadêmico de Bresciani é estrelado. É doutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas. 

Como em tantas outras vezes, meto minha colher de chá crítica numa entrevista que tem relação com a regionalidade do Grande ABC e participo como penetra  no formato virtual. Faço contrapontos ao entrevistado do Diário do Grande ABC. O leitor que estabeleça juízo de valor do conteúdo.  

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Quais foram os principais fatores que contribuíram para a fragilização da atividade industrial na região? O Grande ABC, de fato, perdeu protagonismo? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- O Grande ABC não perdeu o protagonismo. O que ocorre é que a indústria se espalhou pelo Brasil. O impulso do setor foi nos anos 1930, um pouco antes da Segunda Guerra Mundial. A própria fundação dos grandes sindicatos é de 1933. Isso marca um momento de industrialização, que depois se repete com mais intensidade nos anos 1950, com a chegada das montadoras de automóveis e ônibus, caminhões no eixo da Via Anchieta. Esse protagonismo existiu naquela época, mas também existe agora. O Grande ABC é o segundo maior polo industrial do Brasil em termos de emprego. A economia é puxada pela atividade industrial, que interfere positivamente em serviços e comércio. O que aconteceu é que principalmente a atividade do setor automobilístico, que estava concentrada na Região Metropolitana de São Paulo, se espalhou pelo Brasil, rumo ao Sul. 

CAPITALSOCIAL – Não há desconexão entre uma coisa e outra, muito pelo contrário. O Grande ABC perdeu protagonismo econômico porque o Brasil ganhou mais amplitude com a descentralização industrial forjada principalmente com a desindustrialização locacional. Ou seja: tira-se de um lado o que brota em outro lado economicamente mais viável nos custos de produção. O entrevistado recorre a desgastada lenga-lenga de que somos o segundo polo industrial do País. Uma bobagem. A geografia produtiva há muito tempo ganhou nova configuração conceitual. Da mesma forma que a regionalidade do Grande ABC é fruto da integração  cartográfica informal dos sete municípios, outros territórios de características semelhantes, não necessariamente iguais, seguem aos olhos de investidores os mesmos princípios. Temos a Grande Sorocaba, a Grande Campinas, a Grande São José dos Campo, a Grande Jundiaí, a Grande Osasco e tantos outros gigantes produtivos que estão muito acima dos resultados do Grande ABC em Desenvolvimento Econômico.  Só na Região Metropolitana de São Paulo perdemos em PIB para a Grande Osasco e a Grande Guarulhos. Quanto à inserção de riqueza da indústria nas áreas e comércio e serviços, também aclamada pelo entrevistado, o que se registrou ao longo de décadas é a cristalização de atividades de baixo valor agregado, que pouco contribui às atividades produtivos. Há 30 anos, Celso Daniel advertia sobre o desafio de encurtar a distância entre indústria, comércio e serviços. E tudo ficou pior. Não temos os principais ramos de serviços que a vizinha e cinderelesca Capital absorve com gulodice típica de grande catalisadora metropolitana. A indústria na Capital é muito maior que a indústria do Grande ABC, mas relativamente participa em grau bastante discreto do PIB Geral. A diferença é que São Paulo perdeu no setor produtivo, mas incorporou atividades de comércio e serviços típicos de centros econômicos mundiais. O Grande ABC perdeu o tônus industrial sem recompor com outras atividades.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Quais fatores explicam a saída de importantes indústrias? Por que a região deixou de ser tão atrativa para a expansão do setor? 

LUÍZ PAULO BRESCIANI -- Algumas indústrias optaram por mudar para o Interior, ir para outros Estados ou até sair do Brasil. O principal motivo é o custo da terra. O valor imobiliário passou a ficar extraordinariamente alto na nossa região e a competir com as moradias. Mesmo assim, Mauá, por exemplo, segue com a forte convivência entre indústria, comércio, serviços e residências. As empresas saíram em uma grande proporção, mas ainda temos mais de 7.000 fábricas industriais espalhadas pelas sete cidades e quase 200 mil empregos. Vemos a deseconomia de aglomeração (quando um lugar cresce tanto que os problemas superam as vantagens de viver ou trabalhar ali). Aqui, há muitos congestionamentos. Isso começa a atrasar a entrega de produtos ou a saída de produtos das fábricas. As empresas optam por ir para um lugar que esteja menos lotado tanto de população quanto de veículos. Isso justifica o fato de que a indústria no Grande ABC deixou de se expandir. Essa ampliação poderia ter sido maior se não tivéssemos um processo de urbanização e de adensamento populacional igual o que tivemos. 

CAPITALSOCIAL – É impressionante como o corporativismo,  que se junta à ideologia e a tantas outras coisas,  coloca a nocaute a parcialíssima argumentação do entrevistado do Diário. Há pelo menos 10 fatores cruciais que provocaram o esvaziamento industrial e econômico do Grande ABC e um dos principais, pela longevidade de efeitos diretos e colaterais, tem nome e sobrenome: movimento sindical. Quem não mencionar a rebeldia com várias faces de razões mas tantas outras de excessos do sindicalismo inaugurado por Lula da Silva em São Bernardo como uma das principais fontes de o Grande ABC tornar-se Detroit à Brasileira precisa de repaginação mental. O autor dessa façanha provavelmente é dono de uma enfermidade incurável, ou seja, despreza a realidade histórica como se estivesse petrificado  diante do espelho condenatório. Dizer como disse o entrevistado que apenas “algumas” industriais deixaram o Grande ABC é a confissão tácita de que detém algum transtorno negacionista. Centenas de empresas e de empregos  se foram. Outros tantos empregos desapareceram da região mesmo com industrias que seguiram na região porque produtividade fruto de investimento tecnológico gera corte de mão de obra. E a mão de obra do Grande ABC jamais foi de primeira categoria. Confunde-se cultura de produção com qualidade de produção. A deserção industrial prova que adestrar mão de obra em sintonia com novas tecnologias exige muito mais que cultura industrial. Já analisamos dezenas de vezes os cromossomos da desindustrialização do Grande ABC. Aliás, já na primeira edição de LivreMercado, antecessora desta publicação, em março de 1990, esse foi o tema central da edição. E a reação dos acomodados e dos ignorantes não foi nada amistosa. Quanto ao gigantismo de sete mil indústrias no Grande ABC, trata-se da multiplicação, em larga escala, de pequenos empreendimentos. Gente egressa da condição de desempregado industrial  virou pequeno negócio de sobrevivência e de baixa aderência de crescimento sistêmico.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- As saídas da Ford e da Toyota reforçaram a sensação de perda de protagonismo industrial. Como o sr. avalia esse processo? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- A Ford saiu do País. A Toyota investiu no Interior. São escolhas diferenciadas de caso a caso. Quando essa fábrica fecha, é claro que aquele local individualmente sente um efeito muito grave em termos de emprego e renda. 

CAPITALSOCIAL – As duas deserções contaram com amplas dosagens de quebra da competitividade industrial no Grande ABC de mais de uma dezena de complicações concorrenciais. 

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Em meio à pluralidade de empresas, quais são os desafios para a região aproveitar a sua totalidade e conseguir uma expansão industrial? 

LUIS PAULO BRESCIANI -- O Grande ABC é essa diversidade, tanto econômica como industrial. Nós saímos de uma região que era majoritariamente e fundamentalmente industrial para uma que é totalmente diversificada. A gente tem uma indústria forte, serviços fortes, comércio forte. Nós temos o quarto maior potencial de mercado consumidor do Brasil. Mas dois setores são os principais. Um é o metal mecânico, que envolve automotivo, puxa fortemente vários outros subsetores, como plástico e borracha. O outro é setor químico e petroquímico. Essas são as duas grandes cadeias desde o início do século XX. Também temos alimentos e cosméticos. Há uma força de trabalho industrial preparada, que tem uma tradição de trabalho industrial. 

CAPITALSOCIAL – O entrevista do Diário do Grande ABC é ufanista irrecuperável. A região só conta com duas cadeias produtivas que podem ser cadeias de produção de verdade – a automotiva, majoritária em São Bernardo e em permanente processo de esvaziamento nacional,  e a químico-petroquímica, localizada em Mauá. As demais – e os dados estatísticos são cruéis quanto ao ritmo de deserções – são apenas figurantes que perdem fôlego a cada nova temporada. Somente neste século a participação do PIB Industrial no PIB Geral do Grande ABC sofreu perda superior a 50% em valores relativos e próximo disso em valores absolutos. A tragédia se repete quando o referencial geográfico é o Estado de São Paulo, que perde força nacional também continuamente. Ou seja: caímos tanto internamente, infra-região, quanto no Estado e no País. Um tricampeonato de fracassos.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Como o sr. avalia o futuro da indústria automobilística no Grande ABC diante da eletrificação e da transformação digital? A região está preparada para absorver essas novas tecnologias? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- Há duas missões que são transversais, não são serializadas: a transformação digital da indústria e a descarbonização. São processos que nós devemos estimular no tecido industrial como um todo e dar suportes, recursos e possibilitar fomento para que ambos ocorram, principalmente em empresas de pequeno porte, que normalmente têm menos capacidade própria para investir em mudanças intensas. A transformação digital já se iniciou nos anos 1980, na discussão sobre automação. Já sobre a descarbonização, ao contrário, temos pouca experiência anterior no Brasil como um todo. Precisa de muito recurso para modificar as matrizes energéticas das empresas industriais da região, para modificar o funcionamento, o tipo de máquina, para chegar em um resultado que seja o de menor emissão possível de gases de efeito estufa por parte da indústria. 

CAPITALSOCIAL – Esses são dois grandes desafios nacionais cujos resultados são mais desafiadores ainda no Grande ABC porque perdemos a embocadura transformadora do passado. Vamos ficar a reboque de políticas nacionais sempre erráticas e na maioria dos casos frustrantes. Entre cuidar do futuro que sempre chega em forma de presente e recolher os escombros de um passado que insiste em tornar o Grande ABC perdedor incansável, talvez o melhor mesmo seja rezar, rezar e rezar. Principalmente quando se tem interlocutores fantasiosos. As condições factuais de que o Grande ABC dispõe não recomenda maiores sonhos.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Diante do avanço das montadoras chinesas no Brasil, em quais segmentos o Grande ABC poderia buscar novas oportunidades dentro da eletromobilidade? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- A eletromobilidade é uma tendência internacional. Ela dialoga com essa demanda global pela redução das emissões de gases de efeito estufa e da poluição nas grandes metrópoles, que é também uma agenda de saúde coletiva. Existe uma pressão que vem lá do Acordo de Paris, dos painéis de mudança climática etc. E a indústria chinesa de automóveis saiu na frente. Desenvolveu tecnologia e passou a adotar esses recursos dentro e fora do território. É algo que nós iremos conviver nas próximas décadas e que, inclusive, vai demandar parcerias entre as chinesas e as montadoras ocidentais. No Grande ABC, há uma grande oportunidade de focar nos veículos pesados. Nós temos duas fábricas de veículos pesados produzindo caminhões e ônibus. Há uma demanda reprimida por ônibus menos poluentes. Nossa matriz de transporte de longa distância é majoritariamente rodoviária, não ferroviária. Quanto mais eficientes e menos poluentes forem esses caminhões, melhor do ponto de vista coletivo. Então, olhar para essa oportunidade de somar na eletromobilidade com veículos pesados é algo que nós temos potencial de aproveitar na própria região. 

CAPITALSOCIAL – Não serão nossas fábricas pesadas que produzem caminhões e ônibus que vão salvar a lavoura com a utilização da eletromotricidade que está chegando de forma arrasadora. Os chineses saíram na frente porque, entre outras razões,  os direitos trabalhistas tão exigidos pelos sindicalistas de São Bernardo são uma pauta descartada nos asiáticos, praticantes de dumping econômico, entre outros, porque se vive sob a ditadura de um capitalismo de Estado.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Como o sr. avalia a reação da indústria regional à decisão do governo de manter incentivos para a entrada de montadoras chinesas? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- A questão dos incentivos e a posição do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é priorizar a produção nacional. A permissão de entrada de veículos desmontados para uma simples montagem não é produção nacional propriamente. Uma coisa é ter uma fabricação completa, com um parque de fornecedores de autopeças e de componentes em torno da fábrica principal ou espalhado pelo Brasil. Outra coisa é trazer tudo desmontado e simplesmente fazer uma montagem muito básica aqui. Isso não interessa nem do ponto de vista comercial, nem do ponto de vista da geração de emprego e tecnologia. É importante que haja transferências de recursos tecnológicos. Existe um processo de transformação das atividades industriais, mas o Grande ABC está pronto para receber todo tipo de indústria, especialmente essas de maior intensidade tecnológica, que devem merecer mais interesse regional. 

CAPITALSOCIAL – Os metalúrgicos de São Bernardo, aos quais o entrevistado está intimamente relacionado, são cúmplices ideológicos de um estupro econômico e social praticado pelos chineses na área automotiva, entre outras atividades que não nos atingem na mesma proporção. O mundo democrático ocidental reage aos avanços dos chineses com políticas estatais que desprezam critérios civilizatórios. Enquanto isso, os sindicalistas de São Bernardo praticam a barbaridade de buscarem investimentos asiáticos. Trata-se de operação camicase porque,  na medida em que supostamente os chineses desembarcarem na região, mais acentuadamente vão destruir as chamadas conquistas trabalhistas iniciadas por Lula da Silva nos tempos de operário. Não há salvação em atrair investimentos chineses quando se coloca o Grande ABC como palco de operações porque aqui se desenvolveu um capitalismo de Estado protetor da indústria no nascedouro automotivo no País e os rescaldos de  ganhos trabalhistas prevalecem no setor, embora em nível inferior aos tempos de portos fechados.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Quais estruturas e instituições podem ajudar a região a avançar nessa agenda? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- Os parques tecnológicos são um agente importante para o fortalecimento da nossa indústria, assim como os institutos federais. A UFABC (Universidade Federal do ABC) faz muitas coisas em termos de apoio e suporte ao desenvolvimento industrial. Vários elementos que podem contribuir para impulsionar a produção e desenvolver as tendências tecnológicas que a gente ainda não tem ou não domina tanto, como é o caso da eletromobilidade. Apesar disso, temos a própria Eletra fabricando em São Bernardo. O importante é que estejamos presentes no processo de transição para uma indústria mais intensiva em conhecimento do que já temos. 

CAPITALSOCIAL – Os parques tecnológicos não fazem milagres, embora possam destilar ambiente de mudanças na região. Mudanças que só ganhariam tração mediante série de iniciativas a léguas de distância de qualquer movimento para valer. A Universidade Federal do Grande ABC não está apta tecnicamente para operar essa transformação porque é um reduto acadêmico voltado a teorias que ganham destaque em rankings internacionais. A UFABC não tem um único projeto, quanto mais ação, destinado ao Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. Mais que isso: há completa incompatibilidade operacional entre UFABC e representantes de organizações produtivas da região. Esse distanciamento perdura há duas décadas e não há sinalização prática que leve a projetar um cavalo de pau regenerador entre academia e forças econômicas desorganizadas do Grande ABC.

DIÁRIO DO GRANDE ABC -- Para o sr., os principais desafios do Grande ABC hoje são a transformação digital, a descarbonização e a busca por novos segmentos dentro da eletromobilidade. Há algum outro impasse para garantir maior competitividade regional? 

LUÍS PAULO BRESCIANI -- Não só isso. A modernização dos processos, principalmente relevante para as empresas de pequeno e médio porte industriais. Seja das ações produtivas ou até mesmo gerenciais. O que a gente chama de extensionismo tecnológico (levar conhecimento científico e técnico de instituições de ensino para resolver problemas reais de empresas, governos e comunidades). Isso é uma coisa importante, já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer. O parque tecnológico de Santo André, por exemplo, deve funcionar como apoio às empresas industriais do Grande ABC como um todo. Esse desafio é muito maior do que olhar apenas para a cidade. O Consórcio (Intermunicipal do Grande ABC), com a participação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), tem um projeto de quatro anos de pesquisa e de ação com a Universidade Federal do ABC, chamado de Reconversão Industrial, cujo espírito é olhar para as necessidades de setores ou empresas que precisam se transformar radicalmente, precisam mudar o seu modelo de negócios. A ideia é que a universidade desenvolva métodos e desenvolva estudos que permitam apoiar empresas com esse perfil. Esses são desafios que valem independentemente do setor. Em geral, as nossas empresas de pequeno e médio porte precisam de suporte financeiro e tecnológico. 

CAPITALSOCIAL – Reconversão industrial é um conceito de produção que precisaria ser esmiuçado a tal ponto que não permitiria divagações no sentido prático de ser. O Grande ABC é um saco de gatos de interesses e descasos difusos a ponto de não contar sequer como um banco de dados industriais, no mínimo industriais, para saber a localização real dos níveis de danos sofridos ao longo dos anos e, com isso, partir de forma organizada em direção a diretrizes básicas de reestruturação. Os dados de que dispomos são suficientes para concluir o descaminho ante o ambiente nacional. Estamos perdidos no tempo e no espaço. O propagandismo de recuperação se repete interminavelmente há pelos menos três décadas. O sindicalismo representado pelo entrevistado não contribuiu com nada nesse período. Pior que isso: ficou em silêncio durante todas as tempestades econômicas que impactaram a região. Perdemos 24% do PIB entre 2015 e 2016, durante a presidência de Dilma Rousseff. Não se ouviu absolutamente nada dos sindicalistas. Como agora, diante dos chineses invasores. Pior agora, claro, porque o silêncio com Dilma Rousseff foi substituído pelo aplauso aos asiáticos.


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