Economia

VEJA O DESASTRE DE
PAULINHO PREFEITO

DANIEL LIMA - 24/08/2026

Os oito anos de Paulinho Serra prefeito de Santo André foram os piores anos de um prefeito do Grande ABC nos mesmos anos de Paulinho Serra prefeito de Santo André. Ainda falta uma temporada para se completar o ciclo da derrocada.

A temporada de 2024 ainda não está contabilizada pelo IBGE, mas a diferença é tanta que os leitores podem repetir o que acabei de escrever. E o que escrevi e repito é que Paulinho Serra é o pior prefeito da leva de sete prefeitos que assumiram em 2017 e ficaram dois mandatos no cargo. Casos de Orlando Morando e de José Auricchio. Os demais, de mandato único até então, também podem ser colocados nesse balaio de dados. Paulinho Serra perde feio para todos.

Não é novidade alguma aos leitores que acompanham esta publicação o que produzimos ao longo dos anos principalmente sobre a Economia do Grande ABC vinculada à regionalidade do Grande ABC e  a tudo que diz respeito ao Grande ABC. O caso de Paulinho Serra poderia ser minimizado, como os demais  prefeitos, se houvesse um mínimo de humildade. Entretanto, como conta com um grupo de marqueteiros irresponsáveis, que inventam histórias inclusive colocando Paulinho Serra no pedestal de experiente aluno de Harvard, quando se sabe que Paulinho Serra não passou mais que 15 dias naquela universidade de ponta dos Estados Unidos, como tem essas características de Administração, repito, Paulinho Serra precisa ser esquadrinhado de cabo a rabo.

DESEMPENHO VEXATÓRIO

As peripécias econômicas de Paulinho Serra são vexatórias, independentemente da anedota construída tendo Harvard como palco iluminado de falsos holofotes.

Para se ter uma ideia do quanto Paulinho Serra é leigo em Economia, ao anunciar na Avenida dos Estados um novo Craisa, com investidores da pesada, o então prefeito de Santo André afirmou que o PIB da cidade avançaria 10% no ano seguinte. O anunciado investimento acabou virando pó com o escândalo do Banco Master. Uma pena, porque, se realizado, permitiria explicitar na prática o que a teoria consistente jamais abriria mão: Paulinho Serra ardia em febre populista ao proclamar os 10% de crescimento do PIB. Fosse assim tão fácil, tão ingenuamente ou não realizável, o PIB de qualquer cidade do Grande ABC cresceria algo semelhante. Bastaria um empreendimento semelhante. Paulinho Serra de Harvard não passaria no vestibular do Mobral de Macroeconomia.

Por isso e por tantas outras razões, tratá-lo como um prefeito qualquer como tantos que passaram pela região é um erro crasso. Paulinho Serra fez escola de fanfarronices publicitárias que redundaram em prestígio popular em todas as camadas sociais. Principalmente nas periferias de Bolsa Família, propriedade de Lula da Silva nas disputas nacionais.

O interessante, nesse ponto, é que os mesmos que criticam o assistencialismo lulista que faz do Nordeste a maior reserva eleitoral da história, fecham os olhos para as lambanças de Paulinho Serra.

HABILIDADE ASSISTENCIAL

Não nego que é preciso ter certas habilidades para controlar o voto da periferia, que o voto da imensa parcela de excluídos do Grande ABC e que decide as eleições municipais como o imenso Nordeste decide as eleições presidenciais, mas uma coisa não exclui a outra. É possível e necessário que um bom governo atenda as demandas dos desvalidos, mas trate de investir no futuro para tornar os desvalidos menos numerosos.

O tiro de largada dos dados que se seguem é de janeiro de 2015, tem base nos registros de dezembro de 2014 e segue até dezembro de 2023. São, portanto, nove anos. Ou seja: pega-se o PIB (Produto Interno Produto) de 2014, ano que que o Grande ABC já apresentava perda real do PIB, mas nada alarmante, passa pelos dois anos mais tenebroso da história regional (2015 e 2016) com Dilma Rousseff no comando do foguete, e chega-se ao final do primeiro ano do terceiro mandato de Lula da Silva, em 2023, depois da pandemia de 12 mil mortes na região e 700 mil no Brasil, entre 2020 e 2021.

Antes de revelar os dados de Santo André, convém contextualizar brevemente a Administração de Paulinho Serra. Exceto na área assistencial, que garantiu a ele e à mulher tanto prestígio que arrasaram nas urnas de 2020, tanto na reeleição à Prefeitura como à vitória no Legislativo, exceto, repito, à dinâmica industrialização de votos que a cada vez mais pobre Santo André patrocina, Paulinho Serra foi um prefeito de baixíssima categoria. Em inúmeros indicadores.

Como cansei de mostrar e provar com base em métricas de variadas organizações nacionais especializadas em ranqueamentos. Portanto, sou escravo confesso de terceiros especializados. 

FRACASSO MEDIDO 

No campo econômico a comparação é cruel. Afinal, é uma comparação compatível em metodologia e resultados com os demais vizinhos e toda sorte de municípios. Nesse caso, a correlação entre o PIB Nacional e o comportamento do PIB Municipal elucida todas as eventuais dúvidas.

Por mais que a culpa no cartório de debilidade do PIB deva ser atribuída sobretudo ao governo federal, há sempre uma porção de responsabilidade municipal a ser medida e explicitada.  Tanto é verdade e insofismável que inúmeros municípios brasileiros avançaram nesse período.  Inclusive no interior do Grande ABC, caso de Mauá.

A cobrança sobre o fracasso de Paulinho Serra não se deve a alguma suposta razão mais específica quando comparada aos demais municípios da região. Afinal, Paulinho Serra foi o prefeito daquelas levas de oito anos em que esteve no Paço Municipal o que mais propagandeou a mentira deslavada de crescimento econômico, mesmo sem ter absolutamente nada a apresentar. Muito pelo contrário.

Ainda antes de revelar os resultados dos sete municípios do Grande ABC no PIB medido pelo IBGE entre 2015 e 2023 com base em 2014 é preciso reforçar o que pareceria óbvio mas não é. Não existe relativização algum nessa contenda, porque todos os prefeitos passaram pelos mesmos dramas macroeconômicos. 

DOENÇA HOLANDESA

Aliás, no caso de Paulinho Serra a situação é particularmente pior porque, como provo abaixo, ele contou com a proteção da Doença Holandesa Pètroquica-Quimica, como Mauá e São Caetano, mas nem assim se livrou da derrocada.

Diria mais: como nem assim passou da debacle, tudo indica que as demais cadeias de produção, desmilinguidas ao longo dos anos, continuam a acusar novas perdas. Situação que vai exigir maior dependência do Polo Petroquímico e empresas-satélites , no caso, especialmente, as produtoras de pneus. Quem fica mais dependente de menos empreendimentos, mais cava a cova de complicações epidêmicas.

Ainda faltam estudos oficiais que constatarão esse modelo de desindustrialização coletiva de inúmeras atividades dentro da industrialização seletiva do Polo Petroquímico. Não bastasse a gravidade em si, entre outros pontos a baixa do emprego industrial mais qualificado em relação aos demais empregos prevalecentemente de salário-mínimo, o Polo Petroquímico gera poucos assalariados e muitas receitas fiscais.  Ou seja: é um engodo estatístico e social.

VEJAM OS NÚMEROS

Agora vamos aos números, começando pelo desastre de nove anos de Santo André, sempre lembrando que a métrica mais apropriada, embora não única, refere-se à participação percentual do PIB de cada Município no PIB Geral do Brasil. Nesse caso, a Santo André de 2014 registrava 0,4866%, enquanto na ponta extrema, de 2023, caiu para 0,3388. A queda relativa é de 43,62%. Ou seja: o PIB Nacional rodou com vantagem de 43,62% sobre o PIB de Santo André, o que representa uma queda média anual de 4,84%. Não é pouca coisa.

Agora, só para confirmar a diferença geral favorável à vizinha beneficiária em dose maior do Polo Petroquímico e cadeia do setor químico, Mauá, no mesmo período, apresentou crescimento relativo no PIB Nacional de 49,80%, média anual de 5,53%. Calculem os leitores o tamanho da encrenca de Santo André, em termos ainda mais explosivos, se não houvesse o auxílio de criação de riquezas em produtos e serviços do Polo Petroquímico.  A dependência de Santo André do Polo Petroquímico é metade do que Mauá registra. Portanto, o impacto seria enorme. Se Mauá cresceu relativamente no País 49,80% enquanto Santo André caiu algo semelhante, ou 43,62%, qualquer idiota juramentado asseguraria que a Economia de Santo André viveu durante os nove anos uma espetaculosa quebra de riquezas.

SÃO CAETANO EM SEGUNDO 

Depois de Santo André quem mais perdeu participação no PIB nacional foi a São Caetano do então prefeito José Auricchio. Dependente demais da General Motors e da distribuição petroquímica, São Caetano sofreu queda relativa de 34,60%. Em 2014 contabilizava 0,2785% do PIB Nacional, enquanto na ponta de 2023 registrou 0,2069.

O resultado de São Caetano é pior que o de São Bernardo do então prefeito Orlando Morando que, no mesmo período, sofreu queda relativa de 24,62% ao sair de 0,8228% em 2014 e registrar 0,6602% em 2023. Diadema, menos que São Bernardo mas muito dependente do setor automotivo, caiu 23,15% na comparação ponta a ponta daqueles nove anos, saindo de 0,2399% para 0,1948% em 2023. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que representam apenas 2% do PIB do Grande ABC, praticamente nada ganharam ou perderam. 

Na edição de amanhã vou dar números absolutos a todos os números relativos. E inclusive o resultado final do período envolvendo a participação do PIB do Grande ABC no PIB Nacional. A diferença é mais que preocupante. Estamos perdendo para um País que não encontra o futuro. Sempre é conveniente esclarecer, porque o passado registrado muitas vezes é esquecido, que a métrica do PIB é apenas ou sobretudo um indicador que comprova outros indicadores nos quais Santo André e o Grande ABC como um todo comeram poeira ao longo dos últimos 40 anos.



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