Vamos deixar a modéstia de lado? Modéstia nesse caso seria desinformação, ou vácuo de informação, parente próximo de falsa humildade, essas coisas que regram o politicamente correto e se tornam factualmente desastrosas. O que os leitores vão ler em seguida corresponde a 54.346 caracteres. Cada letra, número, símbolo de pontuação ou espaço usado, chama-se caractere. Pois esse total aí em cima, somando-se todos os caracteres, corresponde a 13 páginas de formato revista.
Se você não tem tempo para ler hoje, leia no final de semana. Mas leia. Vagarosamente. Mastigadamente. Leitura digital é um perigo e por ser um perigo precisa de disciplina. Os olhos costumam correr em velocidade muito maior que a reflexão. O resultado? Embananamento geral.
O que segue abaixo é uma modelagem inédita no jornalismo brasileiro. Peguei em setembro de 2024 pelo colarinho da análise indispensável os três prefeitos da região que completaram dois mandatos em 2024.
Dividi e multipliquei tudo por 10 quesitos que compõem a partitura de um ranking que procura dar a dimensão exata do significado de prefeiturar. Prefeito prefeitura e por isso mesmo é prefeito sujeito ao escrutínio um pouco mais apurado e depurado de quem tem responsabilidade social além da própria individualidade. É assim que funciona o jornalismo que conheço.
ORLANDO, MELHOR
O resto dessa história está explicado no conjunto dos textos abaixo. Portanto, não serei repetitivo, mais do que já estou sendo. O resultado final da minissérie -- e vou antecipar porque consta apenas da quinta e última análise – coloca Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, na dianteira. O então titular do Paço de São Bernardo foi superior a José Auricchio, de São Caetano, e a Paulinho Serra, de Santo André.
Os leitores vão perceber o quanto este jornalista foi severo com o desempenho dos três prefeitos. Tanto severo fui que Orlando Morando, numa escala de Zero a Dez, não chegou à média Seis. Dureza, dureza mesmo.
Este é mais um dos textos que selecionei para a megasssérie que reproduz em alguma escala significativa 60 anos de jornalismo. São apenas 60 textos de mais de nove mil que também passaram por filtro de seletividade. Notem os leitores que tudo foi publicado em edições seguidas sequenciais de CapitalSocial. Um dia depois de outro e outro dia depois do dia anterior. De 24 a 30 de setembro de 2024. Pouco antes das eleições municipais que encerraram os respectivos mandatos dos três prefeitos. Boa leitura.
PRIMEIRA ANÁLISE
A primeira análise da serie sob o título “Quem é o melhor entre prefeitos reeleitos? Foi publicada na edição de 24 de setembro de 2024:
Praticamente completado o ciclo de dois mandatos sequenciais de quatro anos cada, já está na hora de fazer um balanço geral, embora breve, dos prefeitos José Auricchio Júnior, Orlando Morando e Paulinho Serra, que também são Orlando Morando, José Auricchio e Paulinho Serra, como também Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio, entre várias combinações possíveis.
Uma ciranda nominal politicamente esperta no bom sentido de esperteza porque a pergunta simples, com a escolha da uma única versão, poderia sugerir que o primeiro seria o primeiro, o segundo seria o segundo e o terceiro seria o terceiro. Com a embaralhada acima, vou manter o segredo que revelarei apenas nos próximos dias.
No caso do prefeito José Auricchio, formalmente foram sete anos de gestão, porque durante 2021 foi afastado do cargo pela Justiça Eleitoral. Mas a estrutura administrativa não sofreu ruptura com o prefeito interino Tite Campanella. Foi apenas, portanto, um intervalo para comerciais burocráticos ditados por instâncias legais.
Selecionei 10 quesitos que entendo indispensáveis sobre a atuação de um chefe do Executivo Municipal como balizamento a qualquer análise. O resultado médio geral que só vou anunciar nos próximos dias com as devidas justificativas, explicações e nuances, não é favorável ao conjunto dos prefeitos de dois mandatos, mas é menos ainda a um deles, enquanto um segundo fica em posição intermediária de notas e o ocupante da dianteira sofre com a dificuldade média geral de atender às exigências determinantes a transformações.
Se a linha de corte for a nota média cinco, apenas um deles passou pelo teste de competência. Um ficou no meio do caminho. E o outro foi um fracasso. Quem será o melhor, o intermediário e o pior?
DIFICULDADES ENORMES
Jamais qualquer jornalista se deu ao trabalho de fazer o que estou fazendo porque o que estou fazendo é uma obrigação que me assaltou a consciência, metido que estou em escrutinar os gestores locais.
Da mesma forma que, sem falsa modéstia, me deleitei na edição de hoje da série sobre as pesquisas eleitorais, que trata da disputa presidencial de 2018, espero que, num futuro não muito distante, possa retomar a leitura desse material e confrontar as atuações individuais desse trio, bem como a ação coletiva desse mesmo trio, e, quem sabe, chegar à conclusão que os prefeitos de safras que virão após dois mandatos consecutivos seriam mais atuantes.
E não será fácil que sejam mais atuantes quando confrontados com os desafios embutidos nos indicadores que elencamos em seguida.
A nota média do primeiro colocado desse trio poderia ser considerada uma nota média baixa para quem está há oito anos no poder, mas não é necessariamente o caso. Há mesmo dificuldades de dar conta às exigências de CapitalSocial.
DESEQUILIBRIO ESTRUTURAL
Praticamente nenhum prefeito desse país varonil alcançaria uma nota próxima de oito numa escala de zero a dez porque para tanto teria de sair do casulo de mesmices gerenciais públicas que infestam o País.
O nível de oxigenação no gerenciamento público municipal está aquém da imperiosidade social e dos desafios econômicos.
No caso do Grande ABC, o Poder Público está muito acima da Sociedade e dos Empreendedores como fonte de comando e controle social. E isso é péssimo. O equilíbrio dá dinamicidade ao processo civilizatório, crítico e construtivo. Quando o Estado em qualquer esfera governamental dá as cartas e joga de mão, é sinal de que a situação se agravou a ponto de determinar dissuasão permanente e irrecuperável.
Sem perda de tempo, vejam os quesitos que determinarão as notas individuais e as notas médias finais dos três prefeitos.
1. GESTÃO POLÍTICA.
2. ADMINISTRAÇÃO FISCAL.
3. REGIONALIDADE.
4. LEGADO.
5. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS.
6. RELAÇÕES SOCIAIS.
7. SUCESSÃO ELEITORAL.
8. TRANSPARÊNCIA.
9. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO.
10. INFRAESTRUTURA SOCIAL.
Exposta essa vitrine de desafios, porque são mesmo desafios, vamos aos conceitos que darão suporte técnico-interpretativo às notas de cada prefeito e ao conjunto dos prefeitos.
1. GESTÃO POLÍTICA.
Trata-se do desempenho estritamente de ordem político-administrativa que tem como ponto culminante, independentemente de qualquer juízo de valor consequencial, a aprovação popular. Esse indicador visto de forma autônoma, individualizada, tanto pode abrir as cortinas explicativas ao sucesso de uma gestão como um todo como, também, uma cortina de fumaça que poderia dar um suporte de qualificação muitas vezes confundida com popularidade. Ou seja: nem tudo que brilha nas pesquisa de aprovação popular do eleitorado seria necessariamente a argamassa de sucesso de uma gestão pública, da mesma forma que o reverso poderia ser verdadeiro, ou seja, um gestor mal avaliado popularmente pode ter empreendido mudanças que somente os mais críticos e comprometidos com o futuro poderiam observar.
2. ADMINISTRAÇÃO FISCAL.
Esse indicador é implacável no sentido de que os números definirão até que ponto o gestor se preocupou para valer com as finanças públicas ou fez de investimentos e arrecadação uma combinação tóxica porque voltados exclusivamente a interesses imediatos. Há fontes preciosas de informações que fogem do controle de manipulações. Mais que isso: a métrica não se restringe a comparação do município em determinado período com o mesmo município em outro período, mas o que for possível de enfrentamentos correlativos. Um Município pode ter elevado ou piorado a capacidade de administrar finanças, mas somente com embates internos e externos à região será possível chegar a conclusões menos sujeitas a imperfeições.
3. REGIONALIDADE.
No caso do Grande ABC não há como eliminar a atuação do Clube dos Prefeitos de qualquer conjectura. Mais que isso: o Clube dos Prefeitos é o ponto máximo a avalições porque supostamente ali se dá o centro de atenção do regionalismo desse espaço demográfico de quase três milhões de habitantes. O resultado individual e do trio de prefeitos seria um fracasso gigantesco ou há alguma válvula de escape que teria sido acionada para configurar média individual e coletiva elevada?
4. LEGADO.
Por conta de tudo o que cada prefeito fez ao longo de oito anos, e principalmente do que teria plantado de semente ao sucessor, qual perspectiva poderia ser alimentada como matriz de entusiasmo ou de preocupação? Legado é um indicador elástico porque abrange provas de fogo materializáveis e subjetivas. Um administrador de qualidade transfere ao sucessor insumos de continuidade para valer do que efetivamente foi plantado, da mesma forma que usurpadores de expectativas são sacos vazios de programas que não param em pé.
5. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS.
Qual foi o nível de interações institucionais que cada um dos três prefeitos manteve internamente, no mesmo barco do Município em que atuaram durante oito anos? Interações institucionais são a aproximação, o questionamento, a colaboração entre o Poder Público e entidades locais em uma série de iniciativas que plantam propostas e ações colaborativas transformadoras à sociedade.
6. RELAÇÕES SOCIAIS.
É a atuação do prefeito junto à comunidade uma fórmula de sucesso ou de fracasso ao entendimento do conjunto de agentes que estabelecem valores de comprometimento com o futuro econômico e social. Até que ponto um prefeito de oito anos manteve para valer relações construtivas com os moradores?
7. SUCESSÃO ELEITORAL.
Como foram os três prefeitos de dois mandatos da região na hora em que tiveram de decidir o nome do sucessor eleitoral? O que cada um deles fez para harmonizar interesses sucessórios de cunho estritamente eleitoral? Quem alcançou o registro mais produtivo entre os três, de modo que a indicação do candidato de cada Paço Municipal seguisse a lógica da tranquilidade e equilíbrio, ao invés de complexidades, discordâncias, duvidas e eventuais estragos?
8. TRANSPARÊNCIA.
O que fizeram os três prefeitos de dois mandatos para dar à gestão de oito anos o que se poderia chamar de ampla transparência comunicacional? Quem se saiu melhor no dispositivo de confiança dos contribuintes ao tomarem conhecimento permanente de questões relevantes que marcaram os já quase completados 96 meses de administração? Como se saiu cada prefeito diante de acusações da mídia e de adversários políticos? Até que ponto cada prefeito compreendeu a importância de relacionar-se com frequência com os contribuintes, utilizando-se de mecanismos que não se restringissem à oficialidade?
9. DESENVLVIMENTO ECONÕMICO.
O que cada prefeito analisado fez efetivamente para de alguma forma alterar o ritmo da chuva de ácido de desindustrialização que tem caracterizado cada Município da região ao longo das últimas três décadas? Quais medidas podem ser consideradas estruturantes e reformistas? Como cada administração saiu-se diante da herança maldita que receberam em janeiro de 2017, quando, ao tomarem posse, encontraram os cofres públicos abalados pelos dois anos mais recessivos da história da economia regional, os anos 2015 e 2016 de Dilma Rousseff, quando a região perdeu 100 mil empregos com carteira assinada?
10. INFRAESTRUTURA SOCIAL.
Como se comportaram as áreas de Educação, Saúde e Segurança Pública? Qual é a situação Santo André, São Bernardo e São Caetano em indicadores nacionais e estaduais permanentemente atualizados por centros de estudos respeitáveis? Até que ponto indicadores que explicitam eficiência e produtividade obtiveram destaque em cada Administração?
SEGUNDA ANÁLISE
A segunda análise foi publicada na edição de 25 de setembro de 2024:
É muito ruim o resultado geral e também individual dos dois primeiros indicadores do balanço da Administração dos três prefeitos da região que conquistaram a reeleição em 2020. O céu da Nota 10 de “Gestão Política” contrasta com o inferno de Nota Zero de “Transparência”. O peso relativo dos dois indicadores é de 1,5 ponto no total, com 0,5 para o primeiro e 1,0 para o segundo. Ainda faltam oito quesitos a serem expostos e avaliados. José Auricchio Junior (São Caetano), Paulinho Serra (Santo André) e Orlando Morando (São Bernardo) começam a enfrentar uma bateria de requisitos. O Grande ABC vive há muito tempo situação grave sob todos os aspectos. Por isso precisa ser visto como um território em alerta permanente. Chega de trombetearem falsos resultados. Mais responsabilidade faz bem à cidadania.
Dessa forma, na contagem inicial dessa largada de um confronto que se provará instigante, há empate numérico entre os três prefeitos. A Nova 10 de Gestão Pública significa Nota 0,5 na classificação geral, porque tem peso de 0,5 ponto. A Nota Zero no indicador Transparência tem peso 1,0 na classificação geral. Desta forma, Auricchio, Paulinho e Morando somam cada um 0,5 ponto de um total máximo possível de 10 pontos que, agora, passa a ser oito pontos.
Na edição de amanhã serão analisados quatro indicadores: 1) Regionalidade, 2) Relações Institucionais, 3) Relações Sociais e, 4) Legado. Em conjunto, os quatro indicadores valem 3,5 pontos na escala de Zero a Dez. Na edição de sexta-feira os indicadores de Sucessão Eleitoral e Desenvolvimento Econômico somarão novas avaliações que valem 2,5 pontos. Na edição de segunda-feira se completa o ciclo avaliativo com os dois indicadores finais: Administração Fiscal e Infraestrutura Social, com peso de 3,5 pontos do total. Seguem agora as análises dos dois primeiros indicadores:
GESTÃO POLÍTICA
Os três prefeitos reeleitos em 2020 obtiveram grande conforto em Gestão Política. Nesse caso, não cabe relativizar o resultado, que comporta variáveis interpretativas. Estamos sendo pragmáticos no sentido de que os três prefeitos deram conta do recado diante de oposicionistas raros durante quase todo o período. Menos, claro, nesse período eleitoral, situação que confirma a regra geral de que há seletividade temporal no jogo político. Os motivos não competem ser esmiuçados agora.
Há em comum entre eles, portanto, o domínio de cena em cada Município. O poder emanado de cada Paço Municipal é intenso como auto equilíbrio de uma governança pouco suscetível a crises de ordem gerencial no manuseio convencional da arte de fazer política no sentido estrito do termo.
O que diferencia o prefeito Paulinho Serra de José Auricchio e Orlando Morando foi o tratamento editorial de um veículo de imprensa da região.
Trata-se do Diário do Grande ABC, implacável como crítico de dois prefeitos e, na mesma intensidade, inversamente, adepto da gestão de Paulinho Serra.
O prefeito de Santo André é santificado pelo Diário do Grande ABC. Alguém que caia do andaime geográfico e desembarque na região não compreenderá jamais como é possível organizar uma Administração politicamente tão extraordinária tendo a vizinhança mais próxima trafegado em sentido oposto.
Mesmo com a linha editorial do jornal mais tradicional da região ostensivamente contrária, tanto Orlando Morando quando José Auricchio Júnior passaram com louvor nos seguidos testes de fidelidade dos quadros funcionais das respectivas administrações, bem como do entorno. Eles governaram com tranquilidade.
REDES COMPENSATÓRIAS
Contrapontos nas redes sociais minimizaram potenciais estragos. A invenção de maquininhas diabólicas (e seus fabulosos efeitos especiais) contrapõe-se ao que em tempos passados se converteria em matrizes de crises governamentais.
Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio ergueram pontes internas e externas de diálogo inabaláveis diante de situações supostamente incômodas. Os três prefeitos foram habilidosos em produzir um ambiente político-administrativo salubre, inclusive com alianças com caciques estaduais e nacionais da política. Até mesmo José Auricchio saiu-se bem do impedimento imposto pela Justiça Eleitoral a assumir o cargo. Um ano depois, tudo foi resolvido. Tentáculos judiciais da política estadual e nacional foram acionados.
Como nunca em outros tempos, a gestão pública na região no nicho de relacionamentos político-partidário, ultrapassou barreiras e passou a compor um escopo mais amplo. E com isso se protegeram e avançaram no controle do ambiente doméstico.
Numa escala de Zero a Dez, Auricchio, Serra e Morando recebem Nota 10. O peso relativo de Gestão Política na grade geral é de 0,5 ponto,
TRANSPARÊNCIA
O modelo de Transparência que integra o Decálogo Temático de qualificação dos três prefeitos reeleitos em 2020 contempla exigências que Orlando Morando, José Auricchio e Paulinho Serra sequer resvalaram. Há uma ordem geral entre eles: o uso intensivo e facilitador da mídia impressa e digital como ferramentas de informações oficiais que se antepõem a articulações contrárias de alta octanagem incendiária.
O propagandismo oficial impera nas relações entre gestores públicos e veículos de comunicação na região. As exceções só confirmam essas regras não-escritas.
Um grande desafio aos três prefeitos em análise, e também aos demais, se revestiria de uma grandeza extraordinária, já sugerida por este jornalista. Deveriam fazer parte de cada programa do gestor público encontros periódicos para dirimir dúvidas, esclarecer pontos de vista, intensificar políticas específicas. Encontro com representantes da mídia e também de lideranças de várias organizações, além de representantes da sociedade. Tudo teria um efeito extraordinário em forma de cidadania.
Vou dar um exemplo clarificador do que significaria Transparência na gestão pública municipal. Já imaginaram se cada prefeito convidasse interlocutores para esclarecimentos sobre o patrimônio imobiliário do Município que constaria de um plano de desmobilização, ou seja, de negócios?
Até prova em contrário, patrimônio público em forma de terrenos e construções não deveria jamais estar fora do foco de negócios. Realidades ocupacionais e necessidades orçamentárias se impõem. Seria preciso descer a detalhes de como um grande imóvel público pode ser vendido e transformado em condomínio de apartamentos?
EXEMPLO EMBLEMÁTICO
Vamos ao exemplo, ou exemplos, de fatos que marcaram São Bernardo em momentos diferentes neste século. Um imenso terreno virou em condomínio residencial e de serviços após leilão realizado em 2008, durante a Administração de William Dib. Tempos depois, praticamente defronte àquela área, um terreno similar foi negociado para empreendimento residencial em fase de execução.
O preço do metro quadrado, atualizado conforme a inflação do mercado de construção, foi escandalosamente diferente. O primeiro empreendimento, de obscuridade total no processo licitatório, denunciado por este jornalista, custou muito menos que o segundo. Terrenos semelhantes, momento econômico privilegiado ao setor no primeiro exemplo, e uma distância quilométrica de valores.
O problema entre um leilão fajuto que favoreceu um empreendedor imobiliário denunciado por este jornalista e um leilão dentro de referenciais de mercado, é que faltou transparência. Uma maracutaia comprovada é comparada a uma negociação coerentemente mais robusta. Mas nenhuma das duas seguiu preceitos de Transparência no sentido mais profundo do indicador.
No caso do mercado imobiliário, setor sempre sob desconfiança, um encontro de prestação de contas reunindo exclusivamente construtores e incorporadores não seria uma boa ideia. A sociedade deveria ser chamada. E esse pressuposto valeria como impedimento de uma farsa de grupos organizados.
Há algumas dezenas de situações que recomendariam o chamamento democrático de formadores de opinião como interlocutores de gestores públicos. Ouvidorias alardeadas pelos prefeitos de plantão não servem para nada quando se trata de relações independentes da máquina pública. São puxadinhos legais do Poder Executivo, assim como Câmeras de Vereadores homologatórias de políticas públicas dos respectivos paços.
A nota média e a nota geral é Zero, tanto individual quanto coletiva para os três prefeitos.
TERCEIRA ANÁLISE
A terceira analise de minissérie foi publicada na edição de 26 de setembro de 2024:
Com novos três quesitos avaliados (agora faltam cinco do total de 10), o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior está liderando a disputa que vai apurar o melhor prefeito reeleito em 2020 no Grande ABC. Apenas Auricchio, Orlando Morando (São Bernardo) e Paulinho Serra (Santo André) gozam dessa condição. Orlando Morando está em segundo e Paulinho Serra em terceiro nessa contagem ainda provisória.
CapitalSocial avalia na edição de hoje os três prefeitos nas temáticas “Regionalidade”, “Sucessão Eleitoral” e “Relações Sociais”. A análise de cada um desses quesitos está em seguida. Na edição de amanhã outros três indicadores serão escrutinados. Na edição de segunda-feira serão conhecidos os dois últimos e a classificação.
Os 10 indicadores que hierarquizam o desempenho de Orlando Morando, Paulinho Serra e José Auricchio contam com pesos relativos mensurados de acordo com importância geral. 0Dessa forma, há diferenças que vão definir o resultado final.
Os quesitos avaliados nesta edição de CapitalSocial e os dois anteriores (Gestão Pública e Transparência) somam 4,0 pontos na classificação geral que chega a 10 pontos. O aproveitamento dos três prefeitos, até agora, está aquém do razoável. Enquanto José Auricchio soma 1,50 pontos, Orlando Morando registra 1,25 e Paulinho Serra apenas 1,00.
Na edição de amanhã vão ser analisados três quesitos: Administração Fiscal (peso 1,0), Legado (peso 1,0) e Relações Institucionais (0,50). Na edição de segunda-feira será a vez dos quesitos finais: Desenvolvimento Econômico (peso 2,0) e Infraestrutura Social (peso 1,50).
Seguem agora as avaliações dos três prefeitos em novos quesitos:
REGIONALIDADE
De Zero a Dez, a nota no quesito Regionalidade envolvendo os três prefeitos reeleitos em 2020 não passa de Zero. Zero mesmo. Se fosse possível atribuir nota individual mais rigorosamente autêntica, o prefeito Paulinho Serra seria contemplado como o maior predador institucional da região em todos os tempos. O Clube dos Prefeitos virou refém de um prefeito falsamente preocupado com a região. É um impostor. A tragédia da Covid é o ponto máximo da ineficiência.
Paulinho Serra praticamente reinou durante a maioria do tempo de dois mandatos à frente de uma entidade completamente divorciada da realidade em mais que isso, das necessidades dos sete municípios. O Clube dos Prefeitos é, reconhecido formalmente como Consórcio de Prefeitos.
O peso relativo (1,5 ponto ) de Regionalidade na grade que determinará a classificação individual e coletiva desse trio de mandatários na região nos últimos oito anos é elevado. Só perde em importância para Desenvolvimento Econômico, que vale 2,0 pontos, sempre na escala de Zero a Dez.
HISTÓRIA DE FRACASSOS
Para que se respeitem os leitores a não se comprem gato de mentira por lebre de inovação, não existe outra medida eticamente profilática do que afirmar com todas as letras que a instituição é um fracasso histórico que já completou 35 anos.
Somente em determinado período sob a liderança de Celso Daniel, o Clube dos Prefeitos pode ser relacionado como exemplo de algo que poderia ser o pontapé inicial às pretensões de o Grande ABC enfrentar os desafios do futuro que sempre chega – como se o presente já não bastasse.
Não por acaso, Celso Daniel foi o responsável pela criação do Clube dos Prefeitos, como também da praticamente enterrada Agência de Desenvolvimento Econômico e a já sepultada Câmara Regional do Grande ABC.
Ou seja: a região tem uma capacidade incrível de multiplicar assassinatos institucionais na mesma intensidade em que escorrega ladeira abaixo em todos os rankings econômicos e sociais. O Clube dos Prefeitos é muito eficiente em esconder tudo isso. E de manipular também.
José Auricchio Júnior e Orlando Morando afastaram São Caetano e São Bernardo da composição formal do Clube dos Prefeitos. A origem da debandada foram conflitos com Paulinho Serra e representantes do PT no organismo, casos de Diadema e Mauá.
O sumiço dos dois prefeitos não alterou a ordem do desfile da banda de inapetências da entidade. Com eles ou sem eles o sepultamento de expectativas não sofreria interrupção. O caso do Clube dos Prefeitos é estrutural como conceito de iniciativas. E se tornou nó político-partidário com a influência imperialista de Paulinho Serra e seu entorno.
POLITIZAÇÃO
Paulinho Serra politizou mais que qualquer outro prefeito uma entidade por si só condenada ao fracasso. Individualidades municipalistas são prioridade dos municipalistas individualistas. Raramente houve algo diferente disso nas mais de três décadas do Clube dos Prefeitos.
Paulinho Serra anexou a entidade à rede de interesses políticos para alimentar sonhos carreiristas. A presidência estadual do PSDB era um dos objetivos, concretizado, mas longe do que se imaginava. Trata-se de uma vitória de Pirro. Os tucanos desapareceram da face político-representativa do cenário paulista e brasileiro.
A influência nociva de Paulinho Serra no Clube de Prefeitos conta com um diploma que evoca o caos. O Grande ABC apresentou um balanço geral de mortes por Covid semelhante ao distrito de Sapopemba, da Capital. O Clube dos Prefeitos não saiu da pasmaceira de omissões estratégicas e dispersões municipalistas.
SUCESSÃO ELEITORAL
É importante que se registre de antemão que esse quesito não tem vinculação direta ou indireta com o resultado das eleições. É uma brevíssima tomada do pulso de coerências e incoerências que determinaram escolhas de candidatos à sucessão dos prefeitos que não podem concorrer pela terceira vez seguida.
Desta forma, a melhor nota é para a definição do prefeito José Auricchio Júnior. Qualquer indicado que não fosse Tite Campanella soaria estranhíssimo. Afinal, foi o então presidente do Legislativo que, por força de decisão judicial, assumiu o cargo de prefeito interino em 2021. Auricchio fora impedido de tomar posse por causa de denúncias de irregularidades na disputa anterior. E só passou a ocupar a Prefeitura em dezembro de 2021. Tite Campanella foi um prefeito-tampão fiel ao prefeito eleito. Nota dez.
Orlando Morando não teve o mesmo sucesso em São Bernardo (sempre lembrando que a adjetivação não se relaciona a resultado eleitoral) diante dos riscos que entendeu correr caso optasse pela escolha de Marcelo Lima, eleito vice-prefeito duas vezes. Marcelo Lima virou deputado federal, mas perdeu o mandato em caso conhecido, de preciosidades jurídicas sempre sujeitas a decisões que vão além da legislação e invadem o terreno político, de relacionamentos nem sempre republicanos.
Morando receava que adversários pudessem explorar a cassação do mandato de forma maliciosa, como vem ocorrendo nessa reta de chegada da disputa pela Prefeitura. A situação o levou a optar pela sobrinha Flávia Morando. Uma movimentação considerada arriscadíssima. Afinal, Flávia Morando não tem experiência em gestão pública e carrega o sobrenome do prefeito, estimulando idiossincrasias remissivas a regimes dinásticos. Por isso, a Nota Cinco nesse quesito parece suficiente.
Paulinho Serra é protagonista de um desastre (que, insisto não deve ser correlacionado aos resultados da disputa que se aproximam) ao distribuir fichas demagógicas de indicação a nove concorrentes que se consideravam individualmente preparados.
Surpreendentemente, Paulinho Serra e seu grupo escolheram Gilvan Júnior, jovem que pulou de secretaria em secretaria. O divisionismo gerou insatisfações múltiplas. Três dos prefeituráveis viraram competidores, casos do vice-prefeito Luiz Zacarias, do secretário de Segurança Pública, Coronel Sardano, e do vereador Eduardo Leite.
Para tentar superar problemas gerados pelo desastre de escolha, a Administração de Paulinho Serra, loteada até a medula por aliados de todos os cantos, gasta muito dinheiro na campanha eleitoral porque precisa resolver o jogo no primeiro turno. A ameaça de enfrentar coalisão de forças na potencial segunda etapa é um pesadelo.
De Zero a Dez, é impossível não atribuir Nota Zero nesse quesito ao prefeito de Santo André. O peso relativo de Sucessão Eleitoral é de 0,50 ponto de 10,0 na escala total. Dessa forma, Paulinho não soma pontuação alguma, Orlando Morando soma 0,25 e José Auricchio 0,50.
RELAÇÕES SOCIAIS
Assim como em Gestão Política, os três prefeitos reeleitos na região em 2020 são bons também em Relações Sociais. Esse quesito, como explicado na primeira edição, trata de iniciativas junto ao contribuinte que também é eleitor. A relação direta com representantes do povo ganhou musculatura e força na medida em que as redes sociais e a mídia benevolente, quando não propagandística, foram lançadas à arena de sensibilização como motores de propulsão.
De Zero a Dez, a nota individual dos três prefeitos nesse quesito é 10,0, enquanto a nota coletiva, consequentemente, também é 10,0. O peso relativo de Relações Sociais no conjunto de 10 quesitos que representam o teto de Nota Dez é de 0,50 ponto.
Não é por acaso que antes dos dois últimos meses em que as disputas eleitorais passaram a ditar um novo ritmo de percepções dos eleitores e contribuintes, e mesmo assim sem grande impacto, os três prefeitos ostentavam índices de aprovação dignos de Lula da Silva no último ano de dois mandatos.
Vários fatores influenciaram e influenciam a percepção dos moradores em geral sobre a atuação de prefeitos na região. A equivalência da aprovação a Orlando Morando, Paulinho Serra e José Auricchio Junior, aproximando-se de 80%, é fruto de variáveis expostas aos leitores em outros textos.
O resumo é que, à parte juízo de valor sobre a competência desses administradores, e mesmo identidades sociológicas de cada Município, distintas entre si, prevalece distanciamento entre mandatários e opinião pública quando os cordéis são manipuláveis a favor ou deliberadamente contrários. As redes sociais da maquinaria pública e a imprensa condescendente ou omissa podem determinar ou não os rumos sensoriais de cada gestão.
QUARTA ANÁLISE
A quarta análise foi publicada na edição de 27 de setembro de 2024:
Na próxima segunda-feira vão ser conhecidas as três últimas notas individuais dos prefeitos reeleitos em 2020 em Santo André, São Bernardo e São Caetano. Dessa forma, CapitalSocial estará oferecendo aos leitores o balanço geral de dois mandatos que ocupam o Poder Executivo de 70% do PIB da região. Hoje apresentamos mais dois indicadores, totalizando sete. Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, ocupa a liderança.
Os dois indicadores de hoje valem o total de 1,50 ponto do total de 10,0 que envolvem uma dezena de métricas. Agora só faltam 4,50 pontos. Isso significa que já chegamos ao total consolidado de 5,50 pontos nos sete indicadores já esmiuçados. Orlando Morando lidera com 2,05 pontos, contra 2,00 de José Auricchio e 1,20 de Paulinho Serra.
Os três prefeitos receberam mais uma Nota Zero. O indicador Relações Institucionais é um desastre para eles. Diferentemente do que foi apresentado no formato de Relações Sociais. O outro indicador de hoje diz respeito à Administração Fiscal. É nesse quesito que Orlando Morando ultrapassou José Auricchio.
Na edição de segunda-feira vamos encerrar a contagem com a avaliação de três quesitos: Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura Social e Legado.
O que é preciso entender nesse balanço geral de prefeitos de dois mandatos seguidos é o nível de exigência imposto por CapitalSocial. Um nível tão elevado que não seria superado pelos respectivos antecessores, exceto Celso Daniel em Santo André.
RELAÇÕES INSTITUCIONAIS
Se no indicador de “Relações Sociais” os três prefeitos reeleitos em 2020 na região foram e são sucesso estrondoso, que pode ser medido entre outros dados na aprovação popular, no quesito “Relações Institucionais” atuaram de forma diametralmente oposta. São um fracasso de Nota Zero numa escala de Zero a Dez pontos. O peso ponderado dessa métrica na classificação geral é de 0,50 ponto.
O resumo da ópera desse indicador é o seguinte: os três prefeitos praticamente ignoraram as possibilidades de manterem permanente relação e interatividade prospectiva com organizações que representam o capital e também o trabalho na região, além de organizações educacionais convencionais e profissionalizantes, entre muitas alternativas que se oferecem à sensibilização sobretudo na área de Desenvolvimento Econômico.
Faltou à Administração dos três prefeitos uma política de governo efetiva nessa área, transformando em estratégia o que não se deu sequer como tática operacional.
Um exemplo que pode ser retirado com facilidade de uma caixinha de obviedades totalmente esquecidas pelos três prefeitos (e também pelos demais, de primeiro mandato) é a inutilidade da Universidade Federal do Grande ABC quando se observa a importância regional que teria caso não se voltasse para o próprio umbigo corporativista e ideológico de desprezo ao capital.
Especialmente os prefeitos Paulinho Serra e Orlando Morando, de municípios sediam braços da UFABC, poderiam ter acionados dispositivos de atuação incisiva junto ao governo federal. Como os antecessores, Paulinho Serra e Orlando Morando preferiram ignorar a UFABC para evitar eventuais desgastes.
A UFABC custa milhões de reais na rubrica “Grande ABC” do governo federal, mas é um osso de integração regional duro de roer. Está caminhando para duas décadas de atividades acadêmicas descolada de qualquer inserção regional vigorosa. CapitalSocial dispõe de acervo sobre a UFABC com dezenas de análises.
Também as representações econômicas, no caso as associações comerciais e as unidades do Centro das Indústrias (Ciesp) poderiam estar no rol de gestões públicas em cidades locais e na região como um todo que vive neste século durezas de perdas de riqueza.
A região como um todo e os três municípios de prefeitos reeleitos em 2020, em particular, porque representam 70% do PIB local, não se dedicam a aproximações entre capital, trabalho e sociedade com projetos reformistas. As relações institucionais que as prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano têm a oferecer como potencial estoque de acertos administrativos não existem de fato.
Medidas esporádicas e desfocadas de uma pauta de prioridades não alteram o rumo das águas da desindustrialização e da ausência de alternativas que potencializem o tecido econômico e social.
ADMINISTRAÇÃO FISCAL
O balizamento técnico da atuação dos três prefeitos da região reeleitos em 2020 no quesito “Administração Fiscal” se concentra nos dados oficiais do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros, que, na edição mais atualizada, referente ao ano passado, analisou os 405 maiores municípios brasileiros que contam com no mínimo 80 mil habitantes.
Nesse caso, a maior nota é de Orlando Morando, de São Bernardo, seguido de José Auricchio Júnior e, na sequência, de Paulinho Serra. Nota Oito para Orlando Morando, Nota Cinco para José Auricchio e Nota Dois para Paulinho Serra.
O Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros abrange três pilares, espécies de divisões temáticas. CapitalSocial nomeou as três áreas de Gestão Fiscal, Gestão Econômica e Gestão Social.
Para aferir a qualidade da Administração Fiscal não há nada mais obrigatório do que confrontar os três municípios. A posição 128 de Santo André entre os 405 concorrentes é bastante comprometedora. Pior que a de São Caetano, que ocupa a posição 108. São Bernardo está na posição 39.
O que existe em comum entre as três administrações é que os resultados de 2023 foram aquém dos resultados do ano anterior. Santo André caiu 61 posições em Gestão Fiscal no período, ante a queda de 26 posições de São Bernardo e de 28 posições de São Caetano.
O Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros é recente e por isso não comporta linha de largada coincidente com a posse de José Auricchio Júnior, Orlando Morando e Paulinho Serra em janeiro de 2017, no primeiro mandato.
A ausência de dados pretéritos, entretanto, não inviabiliza a adoção desses indicadores como ferramenta de definição do quesito no balanço das três administrações municipais. Especialmente as temporadas 2023-2022 evidenciam o desempenho dos respectivos titulares de paços municipais.
Os indicadores de Gestão Fiscal do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros são numerosos e por isso mesmo dão respaldo a recortes locais. São 10 medições: a) Custo da Função Administrativa, b) Custo da Função Legislativa, c) Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, 4) Qualificação do Servidor, 5) Tempo para Abertura de Empresas, 6) Transparência Municipal, 7) Dependência Fiscal, 8) Despesa com Pessoal, 9) Endividamento, 10) Taxa de Investimento. As notas atribuídas aos três prefeitos em disputa Serra são resultado desses indicadores.
A terceira posição de Paulinho Serra entre os três prefeitos avaliados é natural para quem administra uma cidade que só se destacou num dos indicadores de Gestão Fiscal, no caso o quesito Tempo para Abertura de Empresas. Santo André ocupa a posição 298 entre os 405 municípios. Ou seja: um fracasso estrondoso quando confrontada com a propaganda oficial da Administração de Paulinho Serra. São Bernardo ocupa a posição 362 e São Caetano a posição 298, empatada com Santo André.
São Bernardo de Orlando Morando é líder em Gestão Fiscal na região em quatro quesitos: Custo da Função Legislativa, Qualificação do Servidor, Transparência Municipal e Despesa com Pessoal. Já São Caetano é a melhor da região em três indicadores: Custo da Função Legislativa, Tempo para Abertura de Empresas (juntamente com Santo André) e Dependência Fiscal.
Esses 10 quesitos do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros transplantados para o balanço de CapitalSocial estão divididos em duas categorias. A primeira, que reúne os seis primeiros indicadores de Gestão Fiscal, é o Funcionamento da Máquina Pública. E o segunda está ancorada na denominação Sustentabilidade Fiscal.
No Funcionamento da Máquina Pública, São Caetano ocupa a posição 167 entre os 405 municípios, Santo André é a 139ª colocada e São Bernardo é a 48ª. Já em Sustentabilidade Fiscal, Santo André está na posição 148, São Caetano na 80ª e São Bernardo é a melhor, na posição 67.
QUINTA ANÁLISE
A quina e conclusiva análise foi publicada na edição de 30 de setembro de CapitalSocial:
Acabou de acabar a produção do que poderia ser chamado de Ranking de Qualidade dos Prefeitos Reeleitos no Grande ABC em 2020, e que por isso mesmo completam oito anos de dois mandatos. O resultado final após a apuração de 10 indicadores coloca, numa escala de Zero a Dez, Orlando Morando em primeiro lugar com média geral de 5,45 pontos, seguido de José Auricchio com 4,80 pontos e por Paulinho Serra, com 2,70 pontos.
Não seria por falta de aviso que poderia haver surpresa na qualificação dos dados e interpretações. A situação econômica e social exige políticas públicas agressivas, organizadas e destemidas que faltaram no passado.
É relevante explicar que o carregamento de notas não é exclusivamente um retrato fiel do período em que os três prefeitos passaram a ocupar os respectivos paços municipais. Há para o bem e para o mal um processo cumulativo herdado dos antecessores. Sobremodo em questões estruturais de ordem social e econômica.
Mas a influência de Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio Júnior é predominante. Afinal, são oito anos de dois mandatos seguidos. No caso de José Auricchio, são quatro mandatos que se completam neste século, com intervalo dos quatro anos de outro mandatário.
Logo abaixo estão explicadas as notas de três dos últimos 10 indicadores selecionados e que serviram às avaliações. Nas áreas de Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura Social e Legado, têm-se o complemento de uma operação analítica inédita. Na edição de quinta-feira vamos reproduzir num mesmo espaço todos os capítulos dessa minissérie exclusiva e inédita de CapitalSocial. Um documento para ser guardado. O passado, o presente e o futuro do Grande ABC passam pelas páginas de CapitalSocial. Sem mistificações.
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Há duas ponderações mais que relevantes para definir a trajetória de oito anos dos três prefeitos reeleitos em 2020 nas cidades mais importantes da região, que representam 70% do PIB.
O primeiro é o passado remoto e o passado recente que os antecederam. O segundo é o que empreenderam, na etapa de dois mandatos na tentativa de alterar o ritmo da chuva ácida de desindustrialização e suas consequências sociais na região outrora mais rica do País.
Uma coisa e outra coisa podem ser a mesma coisa em termos de avaliação tanto para o bem quanto para o mal, mas também podem ser opostas, ou seja, não servem como regra geral. Os 10 indicadores desse ranking são esclarecedores.
As administrações municipais principalmente em grandes metrópoles são em larga escala mas não totalmente dependentes da macroeconomia nacional e internacional. Mas também têm uma banda suficiente larga para se virarem nos trinta e apresentarem resultados que fujam do atrelamento automático e de mesma gradação. Prova disso é que há inúmeros municípios no Estado de São Paulo que crescem apesar de tudo e apesar de todos.
O fato inarredável é que o Grande ABC perdeu o rumo e o prumo sobretudo desde a implementação do Plano Real, iniciativa com prós e contras que modificou o rumo de investimentos e de competitividade industrial movidos até então pelo processo inflacionário negligenciado e incrementador de raízes das desigualdades sociais que uma democracia populista mal dá conta.
Antes do Plano Real, entretanto, o movimento sindical e a guerra fiscal conduziram a economia do Grande ABC rumo ao desfiladeiro sem contenção. A participação absoluta e também a participação relativa do Produto Interno Bruta da região caíram ao longo de 50 anos. Estamos cada vez mais a cara do Brasil. Quer pior notícia?
Por isso, com essa breve exposição (o acervo de CapitalSocial oferece mais de três centenas de análises sobre desindustrialização e de outros fatores vinculantes à derrocada regional) criamos as condições mais que fundamentadas para concluir ao fim de 10 Macroindicadores o seguinte sobre os prefeitos Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio nos oito anos quase completos de governo municipal.
PAULINHO SERRA
No caso de Paulinho Serra, numa escala de nota de Zero a Dez, com valor relativo de 2,0 de Desenvolvimento Econômico na grade geral, não cabe outra avaliação acima de 3,0, com muitas boa vontade. Santo André é um caso praticamente perdido na geografia econômica da região se depender do setor industrial. E no setor de serviços vai de mal a pior. Mergulhou em empreendimentos de baixo valor agregado. Tudo que Celso Daniel temia no fim do século passado, quando fez vários alertas sintonizados com CapitalSocial, então LivreMercado.
É cada vez menor a fatia de trabalhadores industriais em Santo André. Pior que isso: há concentração proporcional cada vez mais expressiva no setor químico-petroquímico. Santo André sofre da Doença Holandesa Petroquímica. As demais atividades de transformação industrial foram dizimadas nas duas últimas décadas do século passado. A maioria deslocou-se ao Interior do Estado. Dezenas de unidades tiveram movimentações internas, às vizinhas Mauá e Diadema.
O prefeito Paulinho Serra só fez promessas de recuperação industrial de Santo André. Mesmo com a força químico-petroquímica, Santo André vai mal das pernas. O universo de trabalhadores industriais do setor é de baixa densidade ocupacional. Trata-se de uma atividade de uso intensivo de capital. Diferentemente, por exemplo, da indústria automotiva. O agregado transferível do Valor Adicionado, espécie de PIB, é muito menos capilarizado que a produção automotiva. Gera mais carga tributária por trabalhador, mas muito menos assalariamento e renda.
A Nota Três de Zero a Dez à gestão de Desenvolvimento Econômico de Paulinho Serra é uma generosidade. Tudo que você leu em várias mídias sobre a movimentação das pedras de empregos precisa ser relativizado. A massa salarial de serviços em Santo André é, na média de vencimentos por trabalhador, superada por São Bernardo, Mauá, São Caetano e Diadema. Santo André é pobre na criação de PIB per capita.
RECUPERAÇÃO LENTA
São Bernardo e São Caetano recuperaram nos últimos anos pós-desastre de Dilma Rousseff parte do que perderam com a maior recessão da história regional. Mas ainda é muito pouco. A Doença Holandesa Automotiva é um desafio à descoberta e exploração de novo filão de valor agregado.
Há dificuldades imensas porque a logística interna e externa não colabora. Menos no caso de São Bernardo, após obras estruturais do prefeito Orlando Morando. Mas só obras não resolvem. É preciso dispor de plano de metas transformador na área industrial. Uma tarefa e tanto. A competitividade é dilacerante. O Interior do Estado segue contratando especialistas para invadir o território da região. Eles seduzem empresários a trocar de endereço. Isso vem de longe.
Embora tenha faltado planeamento estratégico, a Administração de Orlando Morando é de longe a mais vitoriosa no campo de Desenvolvimento Econômico na medida em que tenta se mover apesar dos tentáculos dominantes do Estado e do governo federal.
Afinal, São Bernardo abriu as comportas de portentosas obras de logística interna para atrair investimentos e melhorar a qualidade de vida dos moradores. Mas ainda enfrenta o desafio do Rodoanel. A obra endeusada por triunfalistas e ignorantes se comprovou ruinosa demais à Economia da região. Orlando Morando recebe Nota Sete na mesma escala de Zero a Dez.
Já José Auricchio, sem qualquer iniciativa concreta e digna de uma força-tarefa, não neutralizou o descarrilamento econômico de São Caetano, por isso recebe a Nota Quatro como adequada.
MAL DAS PERNAS
O Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros, com 404 concorrentes na edição do ano passado, coloca Santo André na posição 207 em Desenvolvimento Econômico, com queda de 59 postos entre 2022 e 2023. São Caetano ocupa a posição 10, com subida de três pontos no ano passado. E São Bernardo ocupa a posição 49, com subida de seis postos na temporada passada.
Para uma avaliação sem distorções é preciso lembrar como um dos pontos nucleares da ação diferenças territorial, demográfica e de tipologia ocupacional entre os três municípios.
São Caetano é a cidade que mais PIB Geral perdeu na região neste século. É um processo aparentemente implacável. Por isso ainda goza de uma memória de dados do passado. O posicionamento nacional guarda, portanto, um viés protetivo que se desgasta a cada nova temporada.
A Economia de São Bernardo, no Ranking de Competitividade, ocupa a 128 posição em Capital Humano, a 17ª posição em Inovação e Dinamismo Econômico, a 72ª posição em Inserção Econômica e a 383ª posição em Telecomunicações.
Já a Economia de São Caetano é a 15ª colocada em Capital Humano, 33ª em Inovação e Dinamismo Econômico, 2ª em Inserção Econômica e a 314 em Telecomunicações.
Santo André tem situação dramática ao ocupar a posição geral 207 entre os 404 município. No indicador de Capital Humano está na posição 177, em Inovação e Dinamismo Econômico ocupa a posição 116, em Inserção Econômica não passa da posição 93 e em Telecomunicações vai mal como São Caetano e Santo André, na posição 386.
O pilar Econômico do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros reúne 19 indicadores nas quatro subdivisões mencionadas. Não custa mencionar a lista: Qualificação dos Trabalhadores em Emprego Formal, Taxa Bruta de Matrícula no Ensino Superior, Taxa Bruta de Matrícula no Ensino Técnico Profissionalizante, Complexidade Econômica, Crédito per Capita, Crescimento da Renda Média do Trabalhador Formal, Crescimento do PIB per Capita, Emprego no Setor Criativo per Capita, Recursos para Pesquisa e Desenvolvimento Científico, Renda Média do Trabalhador Formal, Crescimento dos Empregos Formais, Formalidade no Mercado de Trabalho, População Vulnerável, Acessos de Banda Larga, Acessos de Banda Larga de Alta Velocidade, Acessos de Banda Larga de Fibra Ótica, Acessos de Telefonia Móvel e Acessos de Telefonia Móvel 4G.
INFRAESTRUTURA SOCIAL
De novo o Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros é a matriz do comportamento das gestões de Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio à frente dos respectivos paços municipais desde janeiro de 2017. Como já alertamos, pós-reeleição de José Auricchio, período no qual ficou afastado, também integra essa contabilidade. Afinal, a máquina pública de São Caetano não sofreu interrupção nem mudança de diretrizes.
O prefeito José Auricchio recebe Nota 10 nessa nova rubrica desse balanço de oito anos. Com oscilações aqui e ali, naturais quando se observa o número de mais de quatro dezenas de competidores nacionais, São Caetano manteve a primeira colocação sem qualquer oscilação em Infraestrutura Social. Merece, por isso, Nota 10.
Já a Administração de Orlando Morando, que caiu 10 postos entre 2022 e 2023, mas mantém situação apreciável quando se consideram demografia, economia e território, ocupa a posição nacional de número 18 entre 404 municípios, a Nota Oito parece bastante razoável. Santo André caiu sete posições entre 2022 e 2023, ocupa a posição 67 no ranking nacional. Recebe Nota Seis na classificação de CapitalSocial. Poderia ser melhor, porque neste século, por causa da proteção da Doença Holandesa Químico-Petroquímica, a participação do PIB de Santo André foi menos afetada que a de São Bernardo e São Caetano.
Para se ter ideia mais ajustada do quanto São Caetano está à frente de São Bernardo e de Santo André em Gestão Social, ocupa posições de vantagens sobre os dois competidores em 26 dos 36 indicadores. São Bernardo lidera em sete indicadores e Santo André também em sete. Há cumulatividades de resultados em alguns indicadores.
A Infraestrutura Social deste balanço geral de oito anos dos três prefeitos envolve seis grupos de indicadores. Em Acesso à Educação, São Caetano é a 5ª colocada nacional, São Bernardo a 53ª colocada e Santo André a 142. Em Acesso à Saúde, São Caetano ocupa a posição 61, São Bernardo a 41 e Santo André a 231. Em Meio Ambiente, São Caetano é a 396ª colocada, São Bernardo a 67 e Santo André a 82. Em Qualidade da Educação, São Caetano é a 12ª colocada, São Bernardo a 33ª e Santo André a 91ª. Em Qualidade da Saúde, São Caetano é a 12ª colocada, São Bernardo 145 e Santo André a 148. Em Saneamento, São Caetano é a oitava, São Bernardo a 120 e Santo André a 66. E Em Segurança Pública, São Caetano é a 7ª, São Bernardo a 92ª e Santo André a 110ª colocada.
LEGADO
Os três prefeitos que encerram dois mandatos sequenciais nesta temporada deixam como retrato fiel às próximas gerações uma distância de qualidade administrativa que não pode ser desprezada. Afinal, mais que um retrato que simboliza o presente, embora uma carga de tintas tenha ramificações profundas no passado, o ensaio geral para o futuro poderá ganhar novas tonalidades, preocupantes de um lado, esperançosas de outro.
O prefeito Paulinho Serra se mostrou Administrador impecável na arte da enganação. É um prefeito falastrão no pior sentido do termo. Santo André manteve nos oito anos uma continua propensão a perder musculatura econômica, em contraste com discursos que remetem o território ao paraíso. O marketing populista funcionou a pleno valor. Não à toa Paulinho Serra é bom de voto. Bom de voto e ruim de governo.
Os números são irrebatíveis e podem ser sintetizados nos 39 postos de queda no ranking do PIB per Capital no Estado de São Paulo nos primeiros cinco anos já contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.
Paulinho Serra fez do marketing, protegidíssimo pela mídia digital e impressa, o carro-chefe de propagandismo vazio. Ganhou popularidade numa região obscurecida pela vizinhança da Capital, foi mestre nos votos, inclusive da mulher eleita deputada estadual. Convergiu internamente para um monopólio político e social.
Tudo em nome de um imperialismo perigoso de perseguição aos adversários e de controle social de uma cidade violentada na Economia e subnutrida em capital social, cada vez mais fonte de extradição de mão de obra a outros endereços metropolitanos.
De Zero a Dez a nota máxima que pode ser atribuída a Paulinho Serra no quesito Legado é Nota Zero. Um legado miseravelmente recordista desde que se implantou reeleição nos municípios brasileiros. O grupo de Paulinho Serra se consagra nas urnas porque é imbatível na arte de vender ilusões. Até uma secretaria informal de Efeitos Especiais foi lubrificada com falsas verdades, meias-verdades e mentiras inteiras. Convenceu e ainda convence os ingênuos, quando não os fanáticos.
CONDOMÍNIO RESIDENCIAL
De Zero a Dez a nota ao prefeito José Auricchio Júnior é Cinco. Auricchio é um prefeito acomodado. E nessa contabilidade e conclusão não incluímos os dois mandatos anteriores do prefeito que sucedeu a Luiz Tortorello no início deste século.
Não há efetivamente um avanço de São Caetano nesse período no campo econômico, que é o centro de operações a grandes mudanças sociais. São Caetano é cada vez mais um condomínio residencial de certo luxo. Grande parcela dos moradores tem ocupações profissionais fora do território de 15 quilômetros quadrados.
São Caetano vive a esquizofrenia de se sentir endereço especial na Grande São Paulo, com a qualidade de vida acima da média, mas, por outro lado, vê o relógio da fragilidade de produção de riqueza econômica correr muito mais rápido rumo ao comprometimento do ecossistema social.
À falta de Desenvolvimento Econômico consistente, São Caetano recorre ao aumento da carga tributária municipal, que pesa cada vez mais no bolso dos contribuintes.
Morar em São Caetano está cada vez mais dispendioso. A tendência é a redução da diferença que a colocava bem à frente de municípios brasileiros de tamanho semelhante, incrustadas em regiões menos tormentosas que a metrópole paulista.
LEGADO MELHOR
De Zero a Dez a nota ao prefeito Orlando Morando é Nota Oito no quesito Legado. O peso preponderante se dá no campo até então mais cruel de uma cidade construída aos trancos e barrancos, de periferias transbordantes como Santo André. Trata-se da infraestrutura viária. São Bernardo ainda está distante do ideal, mas a logística interna e externa, tanto para uso econômico quando social, é disparadamente a melhor da região. E isso só foi possível com as obras priorizadas pela Administração do tucano.
Foram corredores viários em praticamente todas as regiões de São Bernardo, convergindo para áreas desbraváveis à exploração econômica e social. São Bernardo deixou de ter a gravidade extrema e insanável de cidade grande apertada por veículos que se amontoavam em ruas e avenidas que não levavam a outra direção senão ao caos.
Nesse ponto, as obras marcantes induzem a um salto em busca de um desafio ainda maior: estabelecer um marco de dinamismo econômico que mitigue os danos da desindustrialização que, goste-se ou não, vai seguir em frente. Não há como São Bernardo evitar mais perdas produtivas.
Orlando Morando e os demais prefeitos eleitos em 2020 assumiram paços municipais violados pela presidente Dilma Rousseff, que arrasou como País e com o PT nas eleições de 2020. Nos cinco anos já medidos, Orlando Morando recuperou uma parte dos 30% de perda do PIB per capita da cidade mais atingida pela recessão dilmista.
Mas não há milagre que salve a indústria de São Bernardo pelo menos até o fim dessa década. As condições de competitividade nacional são cada vez mais drásticas para o Grande ABC. Perdemos qualquer possibilidade de reação vigorosa. Os mandatários em geral agem como municipalistas empertigados num mundo em que geoeconomia é a expressão-chave.
A São Bernardo de obras viárias sem parar é um sopro de esperança à recuperação regional, mas não passa disso mesmo. A vizinhança do trecho do Rodoanel Sul, como alertamos há três décadas, é um presente de grego. Sem contar o ambiente beligerante do sindicalismo, a enrascada de uma metrópole de deseconomia de escala, a violência urbana, e tantas outras complicações.
Para completar o quadro de horrores, vem aí o último trecho do Rodoanel, o trecho Norte, que vai acelerar a destruição industrial da região. Guarulhos e vizinhos agradecem. E o então governador Geraldo Alckmin, propagandista da frase mais aplaudida e idiota deste século, seguirá como fantasma a incomodar a todos que tem um mínimo de discernimento. “A melhor esquina do Brasil” é a ponte que caiu.
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27/08/2026 ARCA DE NOÉ CONTRA O GATABORRALHEIRISMO (22)