Os estragos de Dilma Rousseff na economia do Grande ABC foram incomparavelmente maiores que os estragos econômicos da Covid no Grande ABC. Mais que isso: os estragos de Dilma Rousseff no Grande ABC foram relativamente muito maiores e dilacerantes do que os estragos de todos os presidentes anteriores – e dos subsequentes.
Vamos provar tudo isso e muito mais numa série de análises que serão publicadas em datas aleatórias sob manchetíssimas específicas, ou seja, sem a característica visual de seriado. O material será incorporado, obrigatoriamente, à coletânea “Arca de Noé Contra o Gataborralheirismo”, de 60 anos de jornalismo.
É o PT Federal que tomará conta desta minissérie indispensável à curadoria de um desastre anunciado. O PT de Celso Daniel que poderia ter mudado a história do PT de viés sindicalista típico de Diadema morreu com Celso Daniel. O PT de Lula da Silva festejado por militantes ontem na Vila Euclides, na corrida pela tetrapresidência, prevalece. Nada pior para o Grande ABC.
SÓ SILÊNCIO É PIOR
Os petistas não podem nem pensar em sacrificar este jornalista, admirador confesso de conceitos e ações de duas gestões de Celso Daniel. E que também se opôs, com provas criminais, à versão de crime de encomenda política. Sou o não-petista (e também não-qualquer partido) mais insuspeito deste País para defender o PT de acusações levianas e, também, para assegurar que o PT é uma bola de neve de incompetências múltiplas.
Já escrevi muito sobre a catástrofe que Dilma Rousseff representou ao Grande ABC. Muito, mas muito pior do que representou para o Brasil. Mas há novas camadas a acrescentar. O Grande ABC viveu durante os anos 2015-2016 a maior derrocada da história.
E só existe uma notícia pior do que essa: a sociedade assistiu a tudo sem mover uma palha. Muitas das 929 análises desta publicação digital que fazem referência direta ou indireta à presidente que não completou o segundo mandato foram produzidas exatamente durante os últimos 24 meses em que esteve à frente da Nação. E também aos anos seguintes, sob os efeitos de novas informações.
ANOS ARRASADORES
Os últimos e arrasadores 24 meses do Grande ABC sob a presidência de Dilma Rousseff provocaram um rombo de 24,14% no PIB Geral. Não existe nada semelhante na história da região. Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, perdem para Dilma na intensidade do desastre. Fernando Henrique Cardoso causou uma queda de 33% em oito anos de dois mandatos. PIB Geral envolve todas as atividades econômicas. Num próximo texto vou dissecar o PIB Industrial desses 24 meses. É melhor tomar um calmante.
Em 2014, que marca o ponto de referência do comportamento da economia do Grande ABC na contabilidade dos dois últimos anos de Dilma Rousseff, o PIB Geral do Grande ABC, em valores nominais, ou seja, sem os efeitos da inflação, registrou R$ 118.248.125 bilhões. Vinte e quatro meses depois, em 2016, registrou também em valores nominais R$ 112.048.654 bilhões.
Se a queda, como se observa, se deu inclusive em valores nominais, ou seja, sem atualização monetária provocada pela inflação do período, imagine o que significou o rebaixamento do PIB em valores reais, com a atualização da moeda?
Como a inflação do período dos dois anos da maior recessão da história da região registrou 17,63%, o PIB Geral só poderia mesmo desabar. Tanto que a atualização do valor registrado em 2014 elevaria o PIB Geral do Grande ABC de 2016 a R$ 139.095.269 bilhões. Estava consumada a queda de 24,14%.
ESTABILIDADE NA COVID
Agora vem o contraponto com o PIB Geral no período de dois anos de maior incidência de casos letais da Covid-19, entre 2020 e 2021, quando foram registradas 700 mil mortes no País e 12 mil no Grande ABC. O leitor pode cair da cadeira se estiver imaginando dados dramáticos no campo econômico.
De fato, o PIB Geral do Grande ABC durante o maior fluxo de mortes do Coronavírus sofreu queda de apenas 0,265% em 24 meses. Numa contabilidade econômica fria, os 24 meses letais da Covid provocaram no Grande ABC uma estabilidade do PIB Geral tendo como base o ano imediatamente anterior, de 2019.
O PIB Geral do Grande ABC em 2019 correspondia a R$ 130.563.013 bilhões. Vinte e quatro meses depois com Covid e tudo o PIB Geral do Grande ABC chegou a R$ 150.186.633 bilhões. Corrigido pela inflação oficial do período, de 15,03%, o PIB Geral do Grande ABC deveria ter registrado o valor de R$ 150.576 bilhões em 2021. Basta comparar com o resultado muito próximo de R$ 150.186.633 bilhões para se chegar ao empate técnico.
VALOR POR HABITANTE
Numa contabilidade específica que leva em consideração o PIB Geral por habitante, que é a divisão do indicador pelo conjunto da população, o PIB Geral mais afetado no período de 2015-2016 pelo governo de Dilma Rousseff foi o de São Caetano, que sofreu queda nominal de 12,97%. O resultado sobe bastante quando se soma à inflação do período, de 17,63%. Ou seja: para que o PIB Geral per capita de São Caetano não sofresse qualquer abalo nos 24 meses de Dilma Rousseff seria necessário que crescesse na mesma proporção da inflação de 17,63%. São Caetano não só não chegou a esse nível como acusou perda nominal de 12,97%.
São Bernardo da indústria automotiva, mais que São Caetano da General Motors, também passou pelo mesmo torniquete econômico ao acusar perda nominal de 10,45% do PIB Geral nominal nos dois últimos anos de Dilma Rousseff.
Santo André, sempre sob o mesmo critério e salva pelo Polo Petroquímico que gera muita receita fiscal, perdeu apenas 0,52% em termos nominais por habitante, ou seja, muito abaixo da inflação de 17,63% do período. Situação que a coloca deficitária em quase 20% em dois anos, quando se considera a inflação.
Diadema, fortemente influenciada por empresas de autopeças, também viu o balanço do PIB Geral por habitante entre 2015 e 2016 mergulhar em prejuízo: perda de 3,14% em termos nominais, ou seja e repetidamente à compreensão dos leitores: abaixo dos 17,63% do período. Portanto, passa também dos 20% de quebra real da dinâmica econômica.
RAPA GERAL
Os demais municípios da região, que pesam muito menos na contabilidade final, subiram em termos nominais reais do PIB Geral por habitante, mas, também, abaixo da inflação do período, registrando, portanto, perdas de fato. Mauá avançou nominalmente 13,32%, Ribeirão Pires 12,69% e Rio Grande da Serra 11,60%.
A queda do PIB Geral de 24,14% em valores atualizados envolvendo os sete municípios e sem levar em conta o PIB Geral por habitante, que é muito maior, não poupou nenhum endereço durante os 24 meses de Dilma Rousseff. Com maior incidência ou não, os resultados foram todos negativos em termos reais.
Bem diferente, portanto, do PIB Geral por habitante dos dois anos sob a influência dramática da Covid, entre 2020 e 2021. Somente Santo André não alcançou crescimento nominal per capita acima da inflação de 15,03% do período, com registro de 11,24%. São Bernardo atingiu 17,45%, São Caetano 21,10%, Diadema 26,24%, Mauá 30,23%, Ribeirão Pires 27,88% e Rio Grande da Serra 34,66%.
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25/06/2026 QUANDO ABUNDÂNCIA VIRA GRANDE RISCO