Pensei muito antes de decidir escrever o que estou escrevendo tendo como eixo principal a constatação de que o Clube dos Prefeitos dos atuais prefeitos é o pior Clube dos Prefeitos da história iniciada em dezembro de 1990 com o pontapé da liderança de Celso Daniel.
Não é fácil chegar a essa definição, principalmente quando a trajetória do Clube dos Prefeitos não é de um time repleto de craques e tampouco de resultados. Muito diferentemente disso. É um time de alguns craques municipais e muitos pernas de pau regionais que jamais chegaram ao estágio de produtividade institucional necessário para conter a degringolada econômica do Grande ABC.
É preciso ser acima de tudo iletrado em regionalidade ou refratário em caráter, quem sabe sabujo incorrigível, para sugerir em qualquer tipo de abordagem que o atual Clube dos Prefeitos tem alguma conexão com qualquer coisa que lembre efetividade transformadora. Trata-se, resumidamente, de uma garotada que faz da titularidade do Estado Municipal uma algazarra marqueteira deliberadamente voltada a fulanizar a agenda econômica e social da região. São industrializadores de esparadrapos sociais que abundam na medida em que a corrida em busca de recursos públicos estaduais e federais supera largamente raríssimas incursões produtivas internas.
PORTFÓLIO PRETENSIOSO
O Clube dos Prefeitos atual é uma turma que repete outras turmas, com a diferença exponencial de que procura vender um Grande ABC emoldurado de maravilhas imaginárias. O Grande ABC segue cavando a própria sepultura de desligamento das tomadas de Desenvolvimento Econômico. A desindustrialização está longe de terminar e nada, absolutamente nada, chegou para substituir em alguma escala de valor as perdas acumuladas.
Chegamos a tão diversificado portfólio de impropriedades que gente que se pretende conhecedora de Economia confunde Jesus de logística industrial com Genésio de logística comercial. Gente que comemora a chegada de centros logísticos de suprimento do comércio eletrônico sem se dar conta dos estragos nos pequenos comércios.
O pior Clube dos Prefeitos da historia não se manca. Insiste em populismos, vende ilusões insistentemente e ao que tudo indica vai continuar nessa toada até o último dia de mandato. Tudo porque tem as costas largas da mídia submissa, quando não interesseira. O Grande ABC da mídia que se rende aos poderosos prefeitos de plantão e que paradoxalmente enquadra os prefeitos de plantão no canto da sereia de falsos positivismos mostra um território dos sonhos, mas todo santo dia é humilhado diante das mazelas fora das torres de marfim dos paços municipais.
POBRE EMPREENDEDORISMO
O pior Clube dos Prefeitos da história do Grande ABC é uma plataforma múltipla de individualidades municipalistas ocupada por gente completamente desatenta a perturbadores indicadores sociais e econômicos que alguns violam com sofisticadas mentiras.
A Prefeitura de Santo André, campeã em Carga Tributária, continua esbanjando desrespeito aos contribuintes em geral ao persistir na política de comunicação transgressora dos fatos. Gilvan Júnior repete a Prefeitura de Santo André do mestre das artes cênicas e cínicas Paulinho Serra.
Ainda ontem chegou-se à estupidez de comemorar o saldo de criação de empresas no ano passado. Só não disseram que a contabilidade é viciada, porque a maioria que forma o valor líquido é integrada por Microempreendedor Individual, também conhecido em larga parte por desempregados com fachada de pequenos empresários. Sem falar que o crime da delinquência informativa acondicionou a incongruência estatística de que brotaram mais empresas no balanço geral do que a contratação de trabalhadores.
APENAS POLÍTICA
O noticiário que dá conta das andanças do Clube dos Prefeitos é de muita imaginação e servilismo. Gente que não entende bulhufas de regionalidade considera regionalidade, por exemplo, o evento eleitoreiro de Lula da Silva em Mauá, nesta semana. Cinco dos prefeitos estiveram presentes, posaram para votos, declararam-se felizes, mas a banda continua a tocar fora de ritmo.
O Clube dos Prefeitos não teve a capacidade de gerenciar um ponto de inflexão que transmitisse independência do governo federal, assim como insistentemente o faz quando da visita do governador Tarcísio de Freitas. Que ponto seria esse? No caso atual, de ataque sistemático dos chineses, a entrega de manifesto diplomático que reforçasse o pleito do Clube das Montadoras, preocupadíssimo com o futuro do setor automotivo, carro-chefe da economia regional.
Um e outro defensor dos asiáticos e crítico da ineficiência industrial do Brasil poderiam considerar o pleito um anacronismo de proteção ao mercado interno, e que por isso mesmo deve ser invadido pelos asiáticos em nome da eficiência. Bobagem. A diferença básica entre os dois Estados é que o Estado Chinês é autoritário, tem dinheiro para subsidiar as empresas, não segue o manual internacional de relações trabalhistas, enquanto o Estado Brasileiro é perdulário, recordista em cobrança de impostos e faz da indústria automotiva galinha dos ovos de ouro agora submetida também a interesses ideológicos.
BASE VALIOSÍSSIMA
O noticiário que envolve o Clube dos Prefeitos e alguns farrapos de pretensa regionalidade são peças promocionais que não resistem a um sopro de crítica independente.
Sabem os leitores quantos textos já produzi nos últimos 36 anos desta publicação com endereçamento direto ou indireto ao Clube dos Prefeitos, marca que adotei a partir de agosto de 2007? Exatamente 1.207.
Convém lembrar que antes disso o Clube dos Prefeitos foi objeto de análises e informações ainda sob a denominação formal de Consórcio de Prefeitos. Foram 338 textos, dos quais o inaugural em 1997.
Mas ainda há muito mais, conforme registros no acervo desta publicação, referindo-se a instituição com outras marcas. Nada menos que 584 estão capturados como “Consórcio Intermunicipal”.
Tradução? Não existe qualquer outra mídia que tenha o Clube dos Prefeitos como centro de atenção e análises. Daí, nada absolutamente nada que se refira à instituição inaugurará o placar de abordagem. Praticamente tudo que se refere a esse colegiado de araque está nestas páginas e na memória deste jornalista.
Não pensem que exponho essas informações com outra finalidade senão transmitir aos leitores a independência, preocupação, responsabilidade e qualificação no trato do Clube dos Prefeitos.
Com tudo isso exposto, decidi conferir à atual turma dos prefeitos do Clube dos Prefeitos o título de pior Clube dos Prefeitos da história. Nenhum dos atuais ocupantes dos cargos de prefeitos municipais tem um mínimo de compreensão do que significaria ser prefeito regional.
O mais velho dessa turma, Tite Campanella, na casa de seis décadas de vida, é filho de um separatista de São Caetano, sempre teve visão e ações limitadas a São Caetano e relutou em se juntar aos atuais prefeitos. Nada contra os valores municipalistas que professa, mas também nada a favor quando se trata de regionalidade.
MODERNIDADE FAJUTA
Os demais prefeitos são mais jovens e caem no conto do vigário de que basta juntarem-se, decidirem por investimentos na área de Segurança Pública com compra de drones e equipamentos, discursar em nome de determinadas ações e está tudo resolvido. Bobagem. Eles são prefeitos municipalistas como praticamente todos que ocuparam o Clube dos Prefeitos ao longo da história. Menos Celso Daniel, criador e incentivador da integração regional.
O atual Clube dos Prefeitos é o pior Clube dos Prefeitos porque além de fazer muito pouco tem a cara de pau de propagar que faz muito. Não há como resistir a cobrar mais e a exigir mais e a querer mais de um grupamento que sai do quadradismo da incompetência coletiva e se lança na praça como bastiões da modernidade em regionalismo. Bobagem total.
PERDIDO NO PEDAÇO
Ainda outro dia tive a paciência de acompanhar um podcast do jornal Repórter Diário com o titular da Agência de Desenvolvimento Econômico (suposto braço técnico do Clube dos Prefeitos) e também secretário-executivo do mesmo Clube dos Prefeitos. Aroaldo Oliveira da Silva, indicado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, está completamente perdido como pretenso orientador e mobilizador da regionalidade.
Enquanto o circo das montadoras mais tradicionais pega fogo com a chegada de predadores chineses, Aroaldo reúne-se com representantes da Colômbia para descobrir veios que possam ser ocupados por produtores da região.
Como Aroaldo Oliveira da Silva é desinformado a ponto de falar em cadeias de produção industrial do Grande ABC numa quadra em que só temos para valer mesmo o Polo Petroquímico e as empresas químicas de um lado e o setor automotivo de outro, cadeias de produção cheiram à ignorância total.
O que torna o Clube dos Prefeitos da turma atual o pior Clube dos Prefeitos da história é a dramaticidade que se apresenta no ambiente nacional com consequentes repercussões locais. A indústria nacional está ameaçada, quando não fragilizada, em vários setores. O Grande ABC, por exemplo, perdeu metade de participação do Valor Adicionado neste século. A participação de trabalhadores industriais caiu também pela metade no mesmo período. A hecatombe dos anos 1990, com quebra de 100 mil trabalhadores industriais com carteira assinada e estrondosa baixa no Valor Adicionado do setor, poderia ter sido o fundo do poço que o novo século trataria de estabilizar. Nada disso. Houve mesmo mais descida da ladeira.
Prefeitos municipalistas que se fingem prefeitos regionalistas são os piores prefeitos possíveis, porque entre todas as razões para se chegar à razão maior, eles só fingem terem perdido a autenticidade individualista dos antecessores e oferecem um jogo de cena que os ignorantes festejam.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL