Sabe aquela projeção alardeada como previsão ou mais que isso, proferida como irreversivelmente atingível, envolvendo o Secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo? Pois é: como prometemos acompanhar a marcha da contagem, antecipadamente garantida por este jornalista como uma das maiores anedotas econômicas do Grande ABC, temos o resultado após 16 meses da posse do prefeito Marcelo Lima.
O mesmo Marcelo Lima que caiu na lábia do secretário Rafael Demarchi porque Marcelo Lima é um homem que confia nos indicados.
Passados 16 meses já contabilizados da gestão de Marcelo Lima, São Bernardo totaliza saldo líquido de 8.141 empregos formais em todos os setores de atividades. Não temos a discriminação desses empregos no balanço geral do Ministério do Trabalho, mas isso não importa nesse momento. O saldo positivo significa que São Bernardo atingiu apenas 8,14% da meta de 100 mil empregos – média mensal de 509 contratações. E tudo indica que por mais que o País melhore no futuro próximo, previsão da qual também divirjo, restaria uma tonelada de empregos a ser registrados.
ABAIXO DO PROMETIDO
Para que São Bernardo alcançasse o total de 100 mil empregos formais prometidos pelo secretário Rafael Demarchi seria indispensável que a média mensal mantivesse o ritmo de 2.083 contratações líquidas a cada novo mês. Como se vê pelos números expostos, a soma de 16 meses corresponde a apenas 24,43% da parcela média projetada.
Esse tipo de fake news de um analfabeto econômico, caso de Rafael Demarchi, deveria ser registrado em cartório como um dos mais vexatórios insumos de estupidez de um gestor público. Escrevo isso e já escrevi mais sobre isso com absoluta tranquilidade. A sociedade não pode ser ludibriada de forma tão indecorosa como o foi pelo então secretário.
Trata-se de um golpe na confiança dos contribuintes que também são empreendedores. Uma manchete com tamanho disparate e o propagandismo populista nas redes sociais – e foi exatamente isso o que ocorreu, já que, como era esperado Rafael Demarchi é candidato a deputado nestas eleições – levam muita gente a investir recursos financeiros crentes de que encontrarão um paraíso diante dos olhos.
CONTO DO VIGÁRIO
Os leitores que acompanham CapitalSocial sabem que de imediato, após as declarações estapafúrdias de Rafael Demarchi, registrei em análise minha indignação. E expliquei detalhadamente os motivos daquele conto do vigário. Tudo está no acervo dessa publicação. E se volto ao tema hoje é porque, como já disse, prometi acompanhar os números não só de São Bernardo como do Grande ABC como um todo. Algo que faço há 36 anos neste CapitalSocial, sucessora de LivreMercado em papel.
Para os leitores terem ideia mais precisa daquela lorota do então secretário Rafael Demarchi, além de tudo que já escrevi, o resultado dos 16 meses dos novos gestores municipais do Grande ABC, que tomaram posse em janeiro do ano passado, é simplesmente brochante. É claro que não os estou responsabilizando pelos números, até porque os números no contexto dos últimos 16 meses são números relativamente saudáveis. Sem contar que a influência de prefeitos com tão escasso tempo de mandato na geração de postos de trabalho com carteira assinada é bastante reduzida. A macroeconomia comanda o espetáculo.
Vamos então aos números após 16 meses dos mandatos dos sete prefeitos da região? No conjunto da obra, o saldo líquido regional de contratações com carteira assinada é de 26.685 trabalhadores. Façam as contas e levem em conta tudo que acharem interessante e o chegarão à média regional de 1.668 empregos formais a cada mês.
OUTRA OPERAÇÃO
Agora faça uma nova operação: dividam o resultado por 16 (meses) e multipliquem por 48 meses (os quatro anos de mandatos) para constatarem que chegaríamos a 80 mil novos trabalhadores com carteira assinada em relação ao registrado em dezembro de 2024. Menos, portanto, que os 100 mil empregos trombeteados para São Bernardo, apenas para São Bernardo, pelo secretário que já não é mais secretário.
Vou deixar para outra ocasião um balanço mais detalhado do mercado de trabalho do Grande ABC desde a posse dos atuais prefeitos. Dependo demais de fontes primárias que se mantêm lerdas na atualização dos dados. Mais que isso: o boletim informativo mensal do Clube dos Prefeitos, que acabo de escrutinar, me colocou a nocaute porque os números não conferem. Afinal, como o saldo em abril deste ano (o estoque geral, que vem desde que inventaram o emprego formal) totaliza 830.928 contratações liquidas se em dezembro do ano passado registrava 836.280 postos de trabalho e nesse período de 16 meses, como registrei acima, o saldo geral dos sete municípios é 26.685?
Há alguma coisa equivocada nesse cipoal de números que não confere com os próprios boletins emitidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego e regionalizado pelo Clube dos Prefeitos.
DADOS CONTROVERSOS
O boletim de abril último (os dados de maio serão publicados oficialmente na quarta semana de junho), confere o total 184.425 empregos industriais, o que significaria a média de 22,19% de participação relativa no estoque geral. Esse resultado acompanha com leve queda a média do setor de transformação nos últimos anos. No começo deste século a participação relativa do emprego industrial no conjunto do mercado de trabalho da região registrava, em números redondos, 48% do total. Perdemos praticamente a metade em termos relativos, além de queda acentuada em números absolutos.
A distribuição do emprego formal entre os sete municípios sem levar em conta um conjunto de variáveis ligadas à participação relativa no estoque e a massa salarial dos setores pode ser feita como algo que mata certo grau de curiosidade, mas não tem, necessariamente, valor econômico que permita avaliações mais profundas.
Somente um conjunto de dados, que o Ministério do Trabalho precisaria atualizar e divulgar sem barreiras, poderia dar a dimensão exata do que se passa na economia do emprego formal no Grande ABC.
SIMPLISMO DEMAIS
Se não estiver enganado (e agora não tenho tempo para conferir) os dados mais atualizados e mesmo assim exclusivamente do emprego industrial formal (o que é interessantíssimo) foram registrados em 2023. Nas temporadas anteriores acompanhamos de perto todos os setores, as respectivas médias salariais e a massa salarial setorial e total.
Por mais que o movimento do navio desses dados seja relativamente lento, permitindo desenhos críticos sem incorrer em grandes riscos avaliativos, nada melhor que ampla e minuciosa aferição de cada setor e do todo como um todo. E isso não temos. E se não temos não levo a sério qualquer movimentação de marketing oficial que conclua por determinadas sentenças propagandísticas com base em dados rasos. Dados, inclusive, que consideram apenas a quantidade de empregos criados sem o contraponto da participação relativa dos resultados tendo como base de sustentação o estoque geral. Essa prática é comum entre os marqueteiros em atuação nas prefeituras. Não existe virgem de sensatez nessa casa de massagens de abusos numéricos.
Aos leitores circunstanciais e mesmo aos leitores renitentes que supostamente duvidam que o então secretário Rafael Demarchi disse o que disse sobre os 100 mil empregos, reproduzo alguns trechos sequenciais do que escrevi na edição de 23 de abril do ano passado. Acompanhem e repartam comigo a dor dessa lembrança:
QUEM SEGURA DEVANEIOS
DO SECRETÁRIO DEMARCHI?
DANIEL LIMA -- 23/04/2025
O prefeito Marcelo Lima precisa dar um jeito no que parece não ter jeito, mas tem jeito sim: mande o secretário de Desenvolvimento Econômico Rafael Demarchi calar a matraca de lorotas. Afinal, cada vez que o subordinado abre a boca para preparar um prato requentado de frango estatístico com polenta especulativa só sai besteira. Garantir como o secretário garantiu ainda outro dia que o saldo líquido de empregos formais em São Bernardo após quatro anos de mandato de Marcelo Lima alcançará 100 mil trabalhadores é o fim da picada. É algo como estar no fim da fila de um restaurante self-service, aguardar durante longo tempo e quando chega a vez de preparar o prato, a comida acabou. O leitor está convidado a entender a razão de dizer com segurança que o secretário Rafael Demarchi endoidou de vez. É possível que ele sofra da Síndrome de Holofotes. Basta lhe dirigir uma câmera de televisão e ele desanda a dizer bobagem. Foi assim na primeira entrevista ao podcast ABC-EM-OFF. Foi assim a um podcast do Diário do Grande ABC.
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08/06/2026 SÃO BERNARDO VIROUA CARA DE DIADEMA