Economia

LULA ZERA ESTRAGO DE
DILMA APÓS NOVE ANOS

DANIEL LIMA - 03/02/2026

Calma que não é o que você está pensando, caso você esteja pensando no indicador dos indicadores., no caso o pedaço do PIB que Dilma Rousseff destruiu no Grande ABC entre 2015-2016. O que se trata é mesmo de emprego com carteira assinada. Com o saldo de 16.545 registrado no ano que acabou de acabar, e ainda faltando um ano para encerrar o terceiro mandato, Lula da Silva não só completou a operação de liquidar com o déficit gigantesco de Dilma Rousseff,  iniciada de Jair Bolsonaro, como registra saldo levemente positivo em relação à petista que o sucedeu.

Convém não tirar conclusões precipitadas ao misturar emprego com carteira assinada e geração de riquezas em produtos e serviços, que é outro departamento, o departamento do PIB, no qual ainda faltam dados atualizados do IBGE.

O que interessa hoje mesmo é comemorar o volume de emprego formal gerado nos três primeiros anos de Lula da Silva, depois de receber do antecessor Jair Bolsonaro salto relativamente discreto por causa da pandemia da Covid. O saldo líquido de 16.545 empregos no ano passado, combinado com os registros de quatro anos de Jair Bolsonaro,  anulou de vez o déficit de Dilma Rousseff de 100.132  entre 2015 e 2016, como também representa um saldo positivo de 4.910 empregos.

Também nesse sentido é melhor conter eventuais comemorações. Ainda estão longe de sair do fundo do poço dos dois anos finais de Dilma Rousseff, quando vivemos a maior recessão da história econômica do Grande ABC. O PIB do Grande ABC perdeu 30% do valor per capita, ou 22% quando se consideram apenas valores monetários. Empregos formais consumados não são garantia de recuperação econômica plena. Sobretudo no Grande ABC, fortemente influenciado pelo setor industrial de melhores salários. E o setor industrial ainda patina pós-Dilma. Trataremos disso numa próxima edição.

O estoque geral de trabalhadores formais do Grande ABC em dezembro de 2014, portanto antes dos dois anos terríveis de Dilma Rousseff, era de 831.370 trabalhadores. Agora em dezembro passou para 836.280. Faça as contas e chegará ao saldo de 4.910 empregos formais.  É muito pouco em qualquer cabeça que pense relativamente com responsabilidade. Mas é melhor do que nada. Só não pode ser fonte de fantasias, comuns entre os prefeitos do Grande ABC.

Para quem gosta da disputa entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, que nos últimos sete anos governaram o Brasil, os resultados do petista são bastante superiores. O saldo geral dos três anos de Lula da Silva, de novas 63.502 carteiras assinadas, é quase o dobro do balanço de Jair Bolsonaro, que deixou saldo positivo de 37.183. 

BOLSONARO E COVID

O balanço geral dos quatro anos de Bolsonaro apontou para a recuperação de 37% dos empregos com carteira assinada destruídos durante os dois últimos anos de Dilma Rousseff, quando o PIB Geral do Grande ABC caiu 22%. Nada sequer semelhante em todo o território nacional. A dependência do setor automotivo, a Doença Holandesa da região, é fatal nos dias tenebrosos.

Durante os 48 meses de presidência de Jair Bolsonaro, o Grande ABC acumulou saldo de 37.183 postos de trabalho. Em 2020, quando a Covid mudou a história, foram perdidos 48.948 postos de trabalho. Mais, portanto, que todo o saldo geral de quatro anos.

Embora os números finais sempre passem por ajustes, durante os dois anos finais de Dilma Rousseff houve perda líquida de 100.132 postos de trabalho nas empresas de todas as atividades na região. Isso significa que a cada mês, em média, foram destruídos 4.172 empregos formais.

Já o déficit do emprego industrial durante esse período dilmista alcançou 67.814 postos de trabalho. Com Fernando Henrique Cardoso e  desastrados oito anos na região, foram perdidos arredondados 80 mil empregos industriais. O impacto do governo Dilma Rousseff foi proporcionalmente muito maior. Afinal, um período de dois anos e um período continuo de oito anos são coisas diferentes.

TRÊS VEZES MAIS

A média mensal de empregos formais criados durante o governo de Jair Bolsonaro em quatro anos registrou 774. Bolsonaro garantiu saldo positivo de 9.295 carteiras assinadas a cada temporada – ou seja, a cada 12 meses. O saldo líquido mensal dos três últimos anos com Lula da Silva é de 2.133 empregos formais.

O déficit do emprego industrial em 2016, com Dilma Rousseff, chegou a 63.674 trabalhadores, ante o resultado final de Lula da Silva, em 2010.  Quando Lula da Silva deixou a presidência depois de oito anos de governo  a bordo de um PIB  que cresceu 7,5% em 2010, turbinado pela gastança pública, a região contabilizava saldo positivo de 55.638 empregos no setor, contando-se a partir de janeiro de 2003, em substituição a Fernando Henrique Cardoso, que deixou um buraco de mais de 80 mil empregos. Dilma Rousseff superou Fernando Henrique Cardoso na média anual de perda de emprego industrial. O que veio depois de Lula da Silva em forma de Dilma Rousseff foi um desastre: perdemos a cada mês 758 trabalhadores industriais.

A cronologia do emprego industrial é devastadora na região. Em 1994, primeiro ano do Plano Real, que colocou ordem na casa monetária do País e provocou série de grandes mudanças microeconômicas e macroeconômicas, o Grande ABC contava com 276.650 empregos no setor. Mesmo nos anos dourados de Lula da Silva, ao final de 2010, o Grande ABC não chegou muito perto disso ao contabilizar 249.472 trabalhadores no setor. O Grande ABC contava então com 831.370 trabalhadores com carteira assinada e todos os setores. Ao fim de 2016, completando o ciclo de dois anos de recessão dilmista, o estoque regional apontou  732.238.   

ANTES DE LULA-3

Por conta da pandemia, a gestão econômica de Jair Bolsonaro perdeu o fôlego inicial do primeiro ano de mandato, quando registrou saldo positivo líquido de 19.391 contratações formais no Grande ABC.  A temporada de 2020 foi trágica com quebra de 48.948 postos de trabalho. No ano seguinte, em 2021, por conta de políticas de ativação da economia que envolveram diferentes iniciativas que influenciaram o ambiente nacional,  o Grande ABC voltou a respirar com saldo positivo de 37.014 novas carteiras assinadas.  

E no ano seguinte, com o incremento de políticas de desoneração fiscal, entre outras, inclusive do Auxílio Brasil, o Grande ABC voltou a acumular contratações, agora de 29.726 novos postos de trabalho.  

Em números absolutos, ou seja, quando se expressam valores tendo como base a quantidade, quem mais contratou trabalhadores em todas as atividades nos três anos de terceiro mandato de Lula da Silva  foi São Bernardo. Nesse período, 20.283 trabalhadores de São Bernardo tiveram acesso à carteira assinada em várias atividades.

SÃO BERNARDO NA FRENTE

Santo André vem em seguida com 19,426 novas contratações. São Caetano registrou 6.217, Diadema 7.038, Mauá 8.559, Ribeirão Pires 1.904 e Rio Grande da Serra 75.

Numa próxima edição, vamos analisar detalhes desses números, considerando um ponto que essencial à dinâmica interpretativa e que consiste na tradução do saldo líquido de empregos formais em confronto com o estoque anterior ao período analisado. É nessa equação que o maior saldo líquido nem sempre é o melhor saldo líquido. Tudo vai depender do resultado de uma equação que elimina as distorções do tamanho  dos municípios. Um exemplo: a Capital do Estado pode ter tido um comportamento inferior no ritmo do emprego formal que muitos municípios brasileiros, mas em regra na contabilidade bruta, por força da grandeza do mercado de trabalho, sempre aparecerá com maior saldo de contratações. A divisão do saldo líquido do período pelo estoque anterior resolve a questão. Nem sempre mais é mais quando se trata de eliminar inconformidades interpretativas. 

NO BRASIL

O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de 1.279.498 empregos com carteira assinada, resultado de 26,59 milhões de admissões e 25,32 milhões de desligamentos registrados entre janeiro e dezembro. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged)  foram divulgados quinta-feira, 29 de janeiro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com o sistema, que monitora a evolução do emprego formal no País, o estoque de trabalhadores celetistas cresceu 2,71% ao longo do ano, passando de 47,19 milhões para 48,47 milhões de vínculos ativos. Trata-se do maior estoque registrado na série histórica do Novo Caged desde 2020. O desempenho positivo em 2025 foi observado também nas cinco regiões do País e nas 27 Unidades da Federação.

A região com maior número de empregos gerados em 2025 foi a Sudeste, com saldo de 504,97 mil vagas ao longo do ano (+2,10%), seguida pela Nordeste, que registrou 347,94 mil (+4,38%), e pela Sul, que gerou 186,12 mil vagas (+2,16%). A região Centro-Oeste apresentou saldo positivo de 149,53 mil postos (+3,56%), enquanto na Norte foi de 90,61 mil (+3,81%). 

Entre os Estados, os maiores saldos absolutos foram registrados em São Paulo, com 311.228 postos (+2,17%), Rio de Janeiro, com 100.920 (+2,60%), e Bahia, com 94.380 vínculos formais (+4,41%). Já as maiores taxas de crescimento do emprego formal ocorreram no Amapá (+8,41%), na Paraíba (+6,03%) e no Piauí (+5,81%). 

SERVIÇOS NA FRENTE 

No acumulado do ano, os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas apresentaram saldo positivo na geração de empregos formais. O maior avanço foi registrado no setor de Serviços, com a criação de 758.355 postos de trabalho (+3,29%), seguido pelo Comércio, que contabilizou 247.097 novas vagas (+2,3%). Dentro do setor de Serviços, os maiores avanços ocorreram nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que geraram 318.460 vagas (+3,12%), e em administração pública, educação, saúde e serviços sociais, com saldo de 194.903 postos (+3,12%). A Indústria também teve desempenho positivo, com 144.319 postos gerados (+1,6%). Na Construção, foram criadas 87.878 vagas (+3,1%), enquanto a Agropecuária manteve trajetória de crescimento, com saldo de 41.870 postos de trabalho (+2,3%). 

Em dezembro, mês que historicamente apresenta retração no mercado de trabalho formal, o saldo foi negativo, com a redução de 618.164 vagas. O desempenho foi negativo tanto para homens (-348,4 mil) quanto para mulheres (-269,7 mil). Entre os Estados, as maiores retrações foram registradas em São Paulo (-224,2 mil ), Minas Gerais (-72,7 mil) e Paraná (-51 mil). Nos grandes grupos de atividades econômicas, todos tiveram saldos negativos, em particular Serviços (-280,8 mil), Indústria (-135 mil) e Construção (-104 mil).

EM SÃO PAULO

O Estado de São Paulo criou 311.228 vagas de emprego com carteira assinada em 2025. Os dados são da Fundação Seade, com base nas informações do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. São Paulo foi o Estado que mais criou oportunidades no ano passado entre todas as Unidades da Federação -- o equivalente a 900 vagas por dia.

“O ano de 2025 foi um marco na criação de empregos com carteira assinada porque quem investe e empreende em São Paulo confia na gestão estadual. O Governo de São Paulo trabalha para reduzir burocracia e facilitar a vida de quem gera oportunidades. Nosso plano SP na Direção Certa está fazendo a diferença na vida da população”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas. O Estado de São Paulo criou 24,3% do total de vagas no País. A geração de emprego no Estado teve aumento de 2,17% em relação ao ano anterior. A região Sudeste registrou saldo de 504.972 postos de trabalho formal, avanço de 2,1% em relação a 2024. O Estado de São Paulo foi responsável por 61,6% do total de vagas da região.

O setor de Serviços foi o que mais gerou vagas formais em 2025 no Estado – foram quase 185 mil postos criados (60% do total). 

 Serviços: 184.858

 Comércio: 61.583

 Construção: 23.591

 Indústria: 22.638

  Agropecuária: 18.559

 

O Estado de São Paulo teve o maior salário médio de admissão do País no ano: R$ 2.597,14 (alta de 1,08%), seguido por Distrito Federal (R$ 2.443,02), Santa Catarina (R$ 2.334,28) e Rio de Janeiro (R$ 2.313,37). No Brasil, o salário médio ficou em R$ 2.294,62 (alta de 1,4%). O Sudeste foi a região com maior valor no país (R$ 2.449,16).



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