Se o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo fosse avaliado com a rigidez e a importância que a pasta exige, teria sido demitido sem lero-lero nem biro-biro, assim como médicos o foram no ano passado pelo prefeito Marcelo Lima. A projeção irresponsável e especulativa (denunciada aqui com clareza desde o princípio) de que São Bernardo acumularia saldo positivo de novos 100 mil empregos com carteira assinada ao fim de 48 meses do primeiro mandato do prefeito está cada vez mais se confirmando como anedota de analfabeto econômico.
Passados 13 meses de 48 previstos, os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) não deixam margem a qualquer dúvida sobre a bola cantada aqui há um ano. O anúncio é descabido e os resultados do futuro que sempre chega devem ser ainda piores que os já apresentados. O ambiente regional e o ambiente macronacional indicam tempos difíceis. A gastança do governo federal cobra um preço elevado e a inapetência dos prefeitos quando o assunto é Economia é vexatória. Eles procuram manchetes fáceis, populistas, e contam com todo o apoio da mídia regional. É assim que a banda mambembe toca.
Em 13 meses já consolidados, São Bernardo criou apenas 4.706 empregos em todos os setores. Com isso, acumulou apenas 4,71% do total necessário para chegar aos 100 mil empregos formais do secretário desastrado. Rafael Demarchi é um ramal da frondosa família que fez sucesso no Grande ABC na chamada Rota do Frango com Polenta. É claro que não participou do período de glória dos familiares.
ACOMPANHAMENTO EMBLEMÁTICO
Acompanhar os resultados de São Bernardo, especialmente de São Bernardo, no placar regional de emprego formal nos quatro anos do prefeito Marcelo Lima é algo muito maior e emblemático que a quantidade e o período em si. O empregômetro tem objetivo reto e direto: desmascarar um agente público que se tem mostrado totalmente incompetente para gerir a pasta na Capital Econômica do Grande ABC.
Marcelo Lima fez a escolha em agradecimento aos votos que Rafael Demarchi teria garantido na disputa eleitoral justamente no Bairro Demarchi. O secretário escolhido só não é muito diferente, até agora, passados 13 meses, dos demais que ocupam cargos análogos nas demais prefeituras da região: rigorosamente nenhum deles tem se revelado à altura da dramática situação econômica da região que, neste século, como se não bastassem as duas décadas anteriores, registra perdas consecutivas de riqueza. Tudo acompanhado ao longo desse período por CapitalSocial.
Com a projeção insustentável de que São Bernardo geraria saldo líquido de 100 mil empregos nos quatro anos de Marcelo Lima, Rafael Demarchi estabeleceu métrica que já foi para o vinagre: em média, São Bernardo teria de anunciar a cada ano o total líquido de 25 mil contratações. Nada mais absurdamente desconectado da realidade. Nos últimos quatro anos, de 2022 a 2025, tendo 2021 como base, São Bernardo registrou saldo total de 32.375 novas contratações. Exatamente isso: 32.375 contratações, um terço do total da região, que alcançou 106.280 trabalhadores com carteira assinada.
SEM ENGANAÇÃO
Ao antecipar a patetice de saldo líquido de 100 mil empregos formais anunciado pelo secretário Rafael Demarchi no ano passado, não exerci nada que tenha parentesco com futurologia metafísica. Fui aos dados históricos, conferi ano após anos o comportamento da Economia e do emprego formal em São Bernardo e no Grande ABC como um todo. Nem precisava ser tão detalhista, porque acompanho essa bagaça regional há 300 anos, mas não brinco com dados.
Estava sacramentado no passado de oscilações e de depressões com Dilma Rousseff e o Coronavírus tudo que se referia especificamente a São Bernardo. Fosse o indicado pelo prefeito Marcelo Lima cuidadosamente avaliado, jamais teria assumido o cargo pago com recursos dos contribuintes. E se o nomeasse, como o nomeou, o prefeito Marcelo Lima deveria ter demitido o correligionário assim que o correligionário declarou a estupidez dos 100 mil empregos.
Entretanto, como exigir do prefeito Marcelo Lima algo assemelhado se a política fala mais alto e o próprio prefeito não entende bulhufas de Economia? Rafael Demarchi não é contido, sequer modesto. Seque desfilando declarações desconectadas da realidade. É um festival de impropriedades e abusos.
SOBE O SARRAFO
Voltando ao que espera por Rafael Demarchi nos próximos tempos, a perspectiva de chegar ao proposto é uma bolha de sabão que se desfaz a cada novo anuncio do Ministério do Trabalho. Os 95.294 empregos que ainda faltam para se chegar ao total de 100 mil prometidos significam que a média para os 35 meses restantes terá de registrar 2.722 novos trabalhadores. Muito acima, portanto, da então praticamente inatingível média mensal de 2.083 contratações demarcados em janeiro do ano passado.
Tratar a declaração inicial de Rafael Demarchi sem a devida responsabilidade analítica ou, mais que isso, com ufanismo gataborralheiresco, não é o que se recomenda à intermediação entre autoridades pública e consumidores de informação. Por isso, CapitalSocial não deixou passar despercebida a barbaridade proclamada. Diferentemente, portanto, da mídia regional que simplesmente desdenhou a aberração. O que não se leva em conta é que a declaração de uma autoridade pública, qualquer que seja a autoridade pública, sempre leva perspectiva, certezas e definições dos empreendedores, especialmente.
Rafael Demarchi cometeu um crime de lesa-informação que, como tantos outros, não é apenas subestimado. Mais que isso: serve de combustível para lustrar o prestígio dos prefeitos de plantão. Mas, como se sabe, Rafael Demarchi não é o único entre os secretários de Desenvolvimento Econômico da região que ocupam publicações e mídias digitais para vender ilusão. Como, também, praticamente nada fazem individualmente ou coletivamente para dar alguma esperança de que o Grande ABC não está morto institucionalmente na esfera pública para tratar com compromisso social o setor que define os rumos das próximas gerações. As lições das quatro últimas décadas em que o Grande ABC foi soterrado no processo de mobilidade social porque a indústria entrou em parafuso insistem em ser ignoradas, quando não ultrajadas. Caso dos 100 mil empregos do secretário Demarchi.
REPÓRTER DIÁRIO
Na sequência, vou reproduzir a reportagem do jornal Reporter Diário sobre o comportamento do emprego formal em janeiro sob o título “ Demissão no comércio derruba emprego na região; São Caetano e Diadema sofrem mais”:
Em movimento comum ao mês de janeiro, por conta da acomodação do mercado de trabalho em virtude dos cortes do pessoal temporário contratado no fim de ano, o ABC registrou saldo negativo de empregos motivado pelas demissões no comércio. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, referente ao primeiro mês de 2026, aponta que o ABC teve saldo negativo de 735 empregos, que é resultado das diferença entre as admissões e demissões no período. Com isso, a região teve uma variação relativa de -0,09% no estoque de postos de trabalho ocupados. Os piores resultados ficaram para São Caetano e Diadema e os melhores para São Bernardo e Rio Grande da Serra.
Em janeiro as sete cidades da região tiveram 39.776 admissões e 40.511 demissões, que resultaram na redução de 735 vagas no mercado de trabalho. A indústria e a construção civil até avançaram neste início de ano, fechando janeiro com 648 e 197 postos de trabalho como saldo, porém esse avanço não foi suficiente para impedir a queda do nível de emprego frente ao saldo negativo do comércio de 1.558 vagas. A região teve desempenho pior que o Estado, que teve variação positiva de 0,11% no saldo de empregos em janeiro. O ABC também ficou atrás da região Sudeste que teve alta de 0,05% nos empregos e o país que ficou com alta de 0,23% em postos de trabalho.
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Apesar da queda do nível de emprego na média regional, São Bernardo se destaca com o melhor saldo da região e que ficou no positivo. A variação relativa sobre o estoque de vagas na cidade ficou em 0,16%. No município foram contratados em janeiro 13.959 trabalhadores e demitidos 13.492. O município ficou com saldo positivo de 467 empregos, resultado do melhor desempenho dos setores indústria, serviços e construção civil, a cidade conseguiu superar o saldo negativo do comércio, que ficou em 508 vagas.
Além de São Bernardo, só Rio Grande da Serra ficou com saldo positivo de empregos, com variação de 0,15% no seu estoque de postos de trabalho ocupados e saldo de quatro vagas. As empresas da cidade contrataram 84 pessoas e demitiram 80 em janeiro. Indústria, serviços e construção civil superaram o déficit de trabalho no comércio, que ficou teve saldo de -13 vagas.
A pior variação do nível de emprego foi verificada em São Caetano, onde o estoque de vagas teve variação negativa de 0,29%. Na cidade foram admitidas 5.261 pessoas em janeiro e demitidas 5.605 resultando em um saldo negativo de 344 vagas. A cidade foi a única em que não foi só o comércio o responsável pelo saldo negativo de empregos. O setor de serviços demitiu mais que o comércio na cidade. O saldo no comércio ficou em -107 vagas e em serviços o saldo ficou em -392 empregos.
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Considerando a variação negativa do nível de emprego, o segundo pior resultado da região ficou para Diadema, com variação relativa de 0,27%. Na cidade foram admitidos em janeiro 3.499 trabalhadores e demitidos 3.760, que resultaram no saldo de -261 vagas. Na cidade, não só o comércio – com queda de 242 vagas – foi responsável pela baixa significativa do nível de emprego, a indústria também demitiu mais que contratou ficando com saldo de -93 vagas, além do comércio que ficou -242 postos de trabalho de saldo.
Santo André também amargou a posição entre as cidades com os piores níveis de emprego. Foram contratados na cidade em janeiro 12.920 trabalhadores e demitidos outros 13.466, resultando no saldo negativo de 546 vagas, e variação relativa sobre o estoque de empregos de -0,24%. Todos os setores contribuíram para essa queda; indústria (-34 vagas de saldo), construção (-47), serviços (-91) e comércio (-374).
Com desempenho mais próximo do equilíbrio entre contratações e demissões ficou Mauá, teve variação relativa de 0,08% no nível de emprego. A cidade contratou 3.328 pessoas em janeiro e outras 3.366 perderam seus empregos, com isso o saldo ficou em -38 vagas. A indústria, com saldo positivo de 272 vagas, e o setor de serviços, com saldo de 30, foram os destaques, mesmo assim não conseguiram superar os saldos negativos da construção civil, de 30 vagas, e do comércio de 226.
Ribeirão Pires também teve desempenho do emprego mais perto do equilíbrio. O município teve variação relativa de -0,08% no seu estoque de trabalhadores empregados no mês de janeiro. No período foram admitidos 725 pessoas e demitidas 742, deixando um saldo de -17 vagas. Juntos os setores serviços e indústria somaram um saldo de 72 vagas, mas a construção e comércio deixaram saldo negativo de 89 vagas.
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19/02/2026 EMPREGO INDUSTRIAL VAI CHEGAR À META?