O novo e tenebroso balanço geral do PIB divulgado em dezembro pelo IBGE mantém o Grande ABC distante do brilho do passado de crescimento econômico e, pior que isso, agrava o desgaste do preocupante passado menos remoto, do período Fernando Henrique Cardoso. Um passado que lubrificou mudanças no comando da República a partir de janeiro de 2003 com a posse esperançosa de Lula da Silva. Mas o Lulacá-Lulalá vai seguindo num ritmo de fracassos continuados. São percalços que parecem não terminar. A colaboração de representações políticas do Grande ABC é enorme. Todos estão mais interessados em votos do que em planejamento estratégico. A próxima eleição é sempre mais importante. Sem contar o aumento da carga tributária municipal. A Sociedade Servil e Desorganizada mantêm-se em silêncio.
O IBGE revelou os dados gerais de 2023 em dezembro passado. Decidimos comparar (ou atualizar) o resultado da região com o último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Nesse período de 21 anos, o PT de Lulalá e o PT de Lulacá governou por 15 temporadas. Resultado? Um fracasso.
O Grande ABC não pode ser subestimado na crônica incapacidade de reagir às sucessivas perdas de vitalidade econômica e social. Vivemos numa região em que a apatia social se mistura â ganância político-eleitoral. Não há nada pior quando se tem como agravante uma Economia em frangalhos.
MUITA DIFERENÇA
No limite da exigência, perdemos no período de 21 anos já contabilizados nada menos que o equivalente a uma Santo André e a uma São Bernardo de geração de riquezas em produtos e serviços. Traduzindo: se o Grande ABC seguisse o ritmo molambento de crescimento médio do PIB Nacional, teria acrescentado o equivalente a tudo que Santo André e São Bernardo somaram de geração de riquezas em produtos e serviços na temporada de 2023 -- São Bernardo com R$ 71.965.791 bilhões e Santo André com R$ 36.931.351 bilhões.
Isso significaria mais de R$ 100 bilhões de diferença entre o efetivamente registrado e o que poderia ter sido acrescentado aos números de dezembro de 2002, quando Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência.
Quando terminaram os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995-2002, imperava no imaginário popular que o Grande ABC jamais repetiria tantas perdas acumuladas. Lula da Silva não ganhou por acaso as eleições daquela temporada, depois de várias tentativas. O PIB Geral do Grande ABC perdeu um terço do valor geral nos oito anos. O Grande ABC foi ao que se imagina fundo do poço. Nada menos que 85 mil empregos industriais foram para o ralo das mudanças macroeconômicas e microeconômicas pós-implantação do Plano Real de golpes fatais no processo inflacionário.
SUBINDO E CAINDO
Esperava-se, portanto, um Grande ABC fortalecido neste século. E a vitória de Lula da Silva, que tomou posse em janeiro de 2003, parecia indicar esse caminho da recuperação. E à base de gastança públicas com dinheiro principalmente de exportação de commodities para os chineses, o Brasil cresceu em média 4,4% ao ano nos oito anos de Lula da Silva. Menos que outros países em desenvolvimento, mas muito mais que o governo transformador de Fernando Henrique. Os chineses bancaram a festa de arromba.
Apesar desses resultados, o Grande ABC não recuperou integralmente os danos de Fernando Henrique Cardoso, mas ficou próximo a isso. Com Dilma Rousseff, sobretudo nos anos 2015-2016, o Grande ABC viveu a maior crise econômica da história. Sofreu queda de 20% no PIB Geral apenas naquelas duas temporadas. Três vezes superior às perdas médias nacionais. O PIB per capita da região desabou 30% naqueles 24 meses.
Nos seis anos seguintes, com Michel Temer e Jair Bolsonaro, mesmo com a pandemia, o Grande ABC mitigou uma parte do ritmo do desastre provocado pelo governo de Dilma Rousseff. O medidor nacional passou de 1.788% de 2016 para 1.678% de 2023. Uma queda acumulada de 0,110 pontos percentuais no período de sete anos. Bem menos que 0,686 ponto percentuais entre 2011 e 2016, ou seja, em seis anos com a marca de Dilma Rousseff.
A contabilidade linear desses 21 anos já apurados pelo IBGE inclui também o primeiro ano da terceira etapa de novos quatro anos de Lula da Silva, em 2023.
LINHA DO TEMPO
Há várias formas de construir os números relativos do Grande ABC para entender a temperatura econômica regional contraposta ao PIB Nacional. Não é adequado circunscrever os resultados do Grande ABC aos próprios resultados do Grande ABC. Essa operação esconderia verdades indesejáveis.
Isso quer dizer que não é inteiramente equivocado publicar que o PIB da região cresceu ou perdeu internamente alguns percentuais entre um ano e outro ano, ou mesmo num intervalo mais elástico.
Trata-se de um retrato que define trajetória de curta duração e que, em muitas situações, mascara o balanço do navio dos dados. Já houve várias situações assim no Grande ABC. Todas renderam manchetes entusiásticas da mídia cor de rosa com vocação a esquecer o passado porque o passado comprometeria o ufanismo.
Por isso, e essa é uma fórmula que utilizamos com frequência constante, o melhor mesmo é traçar valores comportamentais do PIB Geral ou mesmo do PIB per capita (tecnicamente mais recomendável, porque considera o movimento demográfico) e confrontar com a participação relativa da região em confronto com os números nacionais.
É justamente nesse caso que se chega à conclusão de que o Grande ABC perdeu uma Santo André e uma São Bernardo de enriquecimento quando confrontado com os resultados do País.
AJUSTES ESTATÍSTICOS
Frequentemente o IBGE faz ajustes em dados estatísticos por razões específicas e tecnicamente indispensáveis. Por isso, nem sempre os números do passado que então era presente se confirmam no futuro que se apresenta agora como presente. É o caso do PIB Geral do Grande ABC em 2002 (última ano do segundo mandato de FHC) que registrava em termos nominais, ou seja, sem considerar a inflação, R$ 39.246.092 bilhões. Como o PIB do Brasil daquela temporada registrou também em termos nominais R$ 1.489 trilhões, a participação relativa do PIB Regional representava 2,635% do PIB Nacional.
Se repetisse o pedaço do bolo de participação no PIB Nacional, ou seja, se mantivesse o índice de 2,635%, o total anunciado pelo IBGE em dezembro último seria de 288.348.050 bilhões. Mas a participação relativa dos sete municípios caiu efetivamente para 1,678% em dezembro de 2023, totalizando R$ 183.699.686 bilhões. Ou precisamente R$ 104.657.466 bilhões a menos. Um pouco mais que a soma do PIB de Santo André e o PIB de São Bernardo.
O resultado ao final do período em que o PT praticamente monopolizou o governo federal contou com nuances específicas. Os primeiros oito anos de Lula da Silva na presidência foi o melhor período dessa tragédia suplementar à tragédia regional de Fernando Henrique Cardoso. A participação do Grande ABC no PIB Nacional de 2,635% ao final do governo FHC foi reduzida com certa discrição, passando para 2.474% ao final dos dois primeiros mandatos de Lula da Silva. Um rebaixamento líquido de 6,50%.
DILMA, DILMA
Mas os anos seguintes, especialmente os dois últimos (e o impeachment) de Dilma Rousseff foram catastróficos: a participação do PIB Regional no PIB Nacional sofreu queda violenta que comprometeu o restante da trajetória até 2023, quando a marca de 1.678% decretou a desvantagem elástica em relação a Fernando Henrique Cardoso. O rebaixamento de participação relativa de 2,635% para 1,678% significou um mergulho de 0,957 pontos percentuais.
Tudo isso passa pelos dados de comportamento individual e coletivo do Grande ABC frente à média nacional. Em termos nominais, o Grande ABC dos 21 anos fortemente influenciados pelo governo do Partido dos Trabalhadores teve crescimento do PIB de 368,07%, sempre em termos brutos, sem considerar o fator per capita. O avanço nacional chegou a 634,92%. Tradução: superioridade de 72,50%.
Quem menos cresceu nominalmente no período foi São Caetano, com a marca de 256,14%. Santo André vem em seguida com 333,75%. São Bernardo registrou 370,05%, Diadema 388,86%, Mauá 543,27%, Ribeirão Pires 578,52% e Rio Grande da Serra 707,42%.
OUTRO EMBATE
Há também um segundo cálculo que poderia amenizar a situação do Grande ABC durante os últimos 21 anos já escrutinados pelo IBGE e que remeteria a uma defasagem menos impactante diante do confronto com a média nacional de crescimento. Numa disputa com a média de avanço do PIB do Estado de São Paulo, área geoeconômica mais sedimentada que a média nacional, e na qual o Grande ABC está inserido historicamente, a perda regional seria menos impactante, já que o crescimento nominal dos paulistas desde 2023 é inferior ao crescimento nacional, com avanço de 563,90% ante os 634,92% do País.
Em 2002, o Grande ABC de PIB Geral de R$ 39.246.092 bilhões representava 7,563% do total do PIB Paulista de R$ 518.878.815 bilhões. Já em 2023, com PIB Regional de R$ 183.699.686 bilhões ante R$ 3.444.814.033 trilhões do Estado de São Paulo, a participação relativa do Grande ABC caiu para 5,332%. Uma diferença de 41,84%. Mantivesse o quinhão de 2003, o Grande ABC teria sustentado equilíbrio do PIB ante os paulistas. Ao invés de R$ 183.699.686 bilhões, o PIB de 2023 teria registrado 260.554.804 bilhões. Nada menos que R$ 76.855.518 bilhões de diferença.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC