Economia

PIB CATASTRÓFICO
DE SANTO ANDRÉ

DANIEL LIMA - 22/12/2025

O PIB por habitante durante sete dos oito anos já contabilizados de Paulinho Serra à frente da Prefeitura de Santo André foi uma catástrofe que prefeitos igualmente eleitos em 2016 e reeleitos em 2020, casos de Orlando Morando em São Bernardo e José Auricchio, em São Caetano, transformaram em sucesso.

Com Paulinho Serra no comando de Santo André, o PIB per capita caiu 8,15% no período de sete anos. Ao se somarem os resultados dos dois últimos anos de Dilma Rousseff, a queda chega praticamente a um terço – 27,86%. São Bernardo reagiu mais vigorosamente que São Caetano e reduziu o prejuízo do período que começa em 2014, antecedente à maior recessão da história econômica do Grande ABC. São Caetano também quebrou a corrente de estragos de Dilma Rousseff, mas ainda segue com déficit elevadíssimo no período de nove anos.

Os resultados foram divulgados na sexta-feira pelo IBGE e passaram por algumas correções nesta segunda-feira, sem alterar o resultado final.  Houve ajuste na tabela de população, que centraliza os cálculos por habitante.

Badalado como a fina flor de gestão pública, a máscara de incompetência administrativa de Paulinho Serra está expressivamente registrada no que é o melhor e mais confiável indicador econômico. A torcida organizada de Paulinho Serra terá dificuldades em fugir da realidade. Se Santo André já era um caso grave antes de Paulinho Serra, se tornou ainda pior com Paulinho Serra. Afinal, aumentar perdas depois das perdas gigantescas de Dilma Rousseff é mesmo o fim da picada.

É preciso entender que é um recorte relevante dar preferência aos três prefeitos de dois mandatos entre os sete prefeitos da região que ocupavam os respectivos paços municipais em dezembro de 2023, marca da atualização do PIB dos Municípios Brasileiros divulgado sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

SEM SOLAVANCOS

E mais relevante é quando se filtram os dados dos três prefeitos eleitos a dois mandatos seguidos. Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio esticaram mandatos até dezembro do ano passado. Somente em dezembro do ano que vem o IBGE vai completar o ciclo de oito anos dos dois prefeitos, quando se descobrirá, portanto, o PIB dos Municípios de 2024.

Não haverá grandes mudanças quando os dados de 2024 forem anunciados. O peso dos sete anos é imensamente maior que o complemento de apenas uma temporada. PIB  não é autorama que muda de direção assim de repente.

CapitalSocial vai analisar nesta edição, última do ano, apenas as gestões dos três prefeitos de dois mandatos. Uma análise ainda superficial, mas fortemente sustentável porque o balizador do PIB per capita é implacável na sedimentação do terreno analítico. Os demais municípios ficarão para o ano que vem juntamente com outros desdobramentos tradicionalmente analisados por este jornalista. 

ILHA DE FRACASSO

Mas, não custa antecipar o resultado de cada endereço municipal em dezembro de 2023: considerando-se os mesmos sete anos dos prefeitos eleitos em 2016 e reeleitos em 2020, somente Paulinho Serra deixou um rastro de perdas provavelmente inigualáveis. Os demais municípios, de prefeitos de um mandato e que estavam à frente de Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grade da Serra, contaram com resultados positivos no mesmo período de sete anos – ou seja, pós-desastre de Dilma Rousseff.  

Também vamos deixar para o começo do ano que vem detalhes minuciosos sobre o desempenho de sete anos de Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio. Mas há fatores que fortalecem a garantia de que o titular do Paço de Santo André não teve mesmo capacidade de gerenciar a cidade como os demais.

Por mais que o PIB seja um medidor com forte influência externa, e por mais que especificidades econômicas também pesam, o fato é que Paulinho Serra não conseguiu reagir à herança maldita deixada por Dilma Rousseff em 2016. Diferentemente de Orlando Morando e de José Auricchio. 

QUASE UM TERÇO

Quando Paulinho Serra assumiu a Prefeitura em janeiro de 2017, o acumulado dos dois anos finais de Dilma Rousseff no governo federal era de baixa 18,24% no PIB per capita de Santo André. Sete anos depois, em dezembro de 2013, o PIB per capita de Santo André registrou queda 8,15%.  Quando se eleva o referencial para nove anos (base de 2014), considerando-se os dois anos de Dilma Rousseff e os sete posteriores de Paulinho Serra, sob a presidência de Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula da Silva, a queda acumulada de Santo André sobe para 27,86%. É isso mesmo: cada morador de Santo André sofreu, em média, perda de construção de riqueza de quase um terço.

O caso de São Bernardo de Orlando Morando era mais grave ao final de 2016, após os dois últimos anos de Dilma Rousseff. A Capital Econômica do Grande ABC registrava perda de 29,92% do PIB Tradicional per capita, sempre em relação à base de 2014. Portanto,  11 pontos percentuais acima de Santo André. Entretanto, durante os sete anos já contabilizados de Orlando Morando, São Bernardo reagiu, cresceu no período de 2017 a 2023 exatamente 18,18%. Com isso,  reduziu a queda geral do PIB per capita de nove anos para 9,94%. Portanto,  um terço da queda de Santo André no mesmo período.

Completando a disputa entre os três prefeitos eleitos em 2016, chegando-se, portanto, ao sétimo ano de atuação, durante esse período mais restrito São Caetano registrou reação no PIB per capita com crescimento 8,90%. Entretanto, quando se considera o período de nove anos, que inclui os dois anos tenebrosos de Dilma Rousseff, quando São Caetano perdeu 31,85%, a queda registrada ao final de 2023 tendo como base o ano de 2014, pré-recessão dilmista, registrou  21,08%. 

RESUMO RESUMIDO

Repetindo a equação para que não haja dúvida sobre o comportamento do PIB per capita nos dois períodos recortados, de 2015-2016 tendo 2014 como base, e de 2017 a 2023, tendo 2016 como base, os resultados são os seguintes:

a) O PIB per capita de Santo André caiu  18,24% ao se considerarem os dados restritos de 2015-2016, sob a presidência de Dilma Rousseff, tendo 2014 como base. Já o PIB per capita de Santo André caiu 27,86% ao se considerarem os nove anos (2015-2023) e caiu 8,15% entre 2017 e 2023, restritamente ao mandato de Paulinho Serra. 

b) O PIB per capita de São Bernardo caiu 29,92% nos dois últimos anos de Dilma Rousseff (2015-2016) e no acumulado de nove anos a baixa foi de 9,94%. Tudo porque no período de sete anos de Orlando Morando (2017-2023) o PIB per capita de São Bernardo cresceu 18,18%. 

c) O PIB per capita de São Caetano caiu 31,85% nos dois últimos anos restritos a Dilma Rousseff (2015-2016), caiu 21,08% nos nove anos subsequentes à base de 2014 (2015-2023) e acumulou ganho de 8,90% no período restrito de sete anos de mandato (2017-2023).   

VIVEIRO ASSISTENCIAL

Vamos apresentar na segunda semana do ano que vem todos os números detalhados do PIB do Grande ABC e uma série complementar de novas análises. O resumo da ópera é o seguinte: enquanto os prefeitos festejam quinquilharias administrativas e fazem fila no Palácio dos Bandeirantes e em Brasília em busca de emendas parlamentares e outros pedidos, o Grande ABC afunda. Nem a recuperação geral da região nos últimos anos pós-catástrofe de Dilma Rousseff zerou a conta do PIB em números absolutos e também por habitante.

O caso de Santo André é o mais preocupante entre todos porque a derrocada tem razões estruturais ainda mais graves, mas os festejos são incomparáveis como estratégia político-eleitoral. Não à toa, a mulher do prefeito Paulinho Serra, Carolina Serra, foi eleita deputada estadual com votação expressiva nas camadas mais miseráveis de Santo André. O Viveiro Industrial se transformou em Viveiro Assistencial.



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