Economia

SÃO CAETANO TEM
MAIS DO MENOS

DANIEL LIMA - 15/12/2025

São Caetano perdeu mais PIB (Produto Interno Bruto) e outros indicadores econômicos neste século no Grande ABC e, como consequência lógica do que explicamos em análise anterior, ganhou muitos empreendimentos comerciais e de serviços. Consequência lógica no sentido de que o desempregado industrial sempre procura  saída para se manter ativo economicamente.

Trata-se, portanto, de ganho entre aspas. O que temos é uma forçada de barra proposital, porque mais empreendimentos nesse caso é perda de rentabilidade por força de concorrência mais contundente. Ou seja: mais negócios dos dois setores num período de enfrentamentos ingratos, na contramão do Desenvolvimento Econômico, significa mais problemas. 

Quando se divide o total de empreendimentos de comércio e de serviços de São Caetano por grupos de mil moradores, o resultado é preocupante. O que era no passado uma classe empreendedora com mobilidade social se transforma em enorme inquietação – como de resto no Grande ABC decadente há três décadas.

DEGRADAÇÃO ECONÔMICA

O fenômeno comercial e de serviços no Grande ABC é degradação econômica nas veias. Estão na raiz, principalmente, deserdados do setor industrial, desempregados ao longo dos anos 1990 numa  região incapaz de restaurar neste século a força perdida nas duas últimas décadas do século passado.

O deslocamento em massa de moradores do Grande ABC em direção a atividades comerciais e de serviços se transformou em tormenta. Afinal, deu e continua dando de cara com a chegada de grandes empreendimentos, principalmente na área comercial de shopping, atacadistas, supermercados, franquias e tudo o mais.

Como se tudo isso já não fosse suficiente, agora desembarcam na região condomínios logísticos que atenderão às grandes corporações do comércio eletrônico,  com entregas de última milha.  Há enorme probabilidade, portanto, de o mais do menos continuar saga autofágica. 

CONCORRÊNCIA MAIOR

O que já não passa em larga escala de empreendedorismo de sobrevivência poderia se tornar ainda mais dramático. Mas o que se pode fazer diante de comemorações de autoridades públicas, que ressoam na mídia, dando conta desses investimentos sem  estabelecerem projetos compensatórios?

São Caetano conta com 193,45 empreendimentos predominantemente de pequeno porte em comércio e em serviços para cada grupo de mil moradores. Um resultado muito acima da média dos sete municípios do Grande ABC (116,29%), da média do Estado de São Paulo (126,29) e também, e agora  muito além,  da média brasileira (94,90).

Esses dados que respaldam a análise deste jornalista são de exclusividade da Consultoria IPC, do pesquisador Marcos Pazzini, com base na Secretaria do Tesouro Nacional. A Consultoria IPC é especializado em PIB de Consumo, uma das mais relevantes plataformas de informações e dados empíricos utilizados por este jornalista.

Contar com mais do menos significa para São Caetano, para quem ainda não captou a mensagem de advertência e preocupação,  exatamente o seguinte, que vale para todos os municípios da região: quando o crescimento econômico não acompanha mudanças sociais e econômicas, caso do Grande ABC, e mergulha em perdas continuadas,  caso do Grande ABC, a transformação em rota de suposta fuga por meio de empreendedorismo privado se torna uma bomba-relógio que explode em forma de concorrência predatória. E concorrência predatória é altamente explosiva.   

RESULTADO NEGATIVO

A equação é simples: com menos recursos financeiros em determinado endereço municipal, e, consequentemente,  nesse mesmo endereço, a atividade econômica reflui, como tem ocorrido com o Grande ABC neste século e, principalmente, em São Caetano, o resultado só pode mesmo ser negativo.

Menos mal para o caso de São Caetano que São Caetano seja um endereço em que há ainda muita gordura de riqueza a ser consumida, caso permaneça a quebra do dinamismo econômico. Trata-se de situação bem diferente, por exemplo, na região, de Diadema, espécie de contraface do acumulado de ganhos de São Caetano ao longo dos anos.

São Caetano lidera o campeonato regional de empreendedorismo do comércio e de serviços neste século, uma liderança, repito, nefasta, mas quem mais cresceu relativamente ao estoque registrado em 1999, base dessas análises, foi Diadema. O crescimento relativo de comércio e serviços em Diadema para cada grupo de mil moradores foi de 523,57% neste século. Bem mais, portanto, que o crescimento de São Caetano, de 228,81%. 

FORA DA CURVA

O que precisa ser entendido para que não seja distorcido é que crescimento relativo no período deste século é uma coisa, participação quantitativa em cada grupo de mil moradores é outra coisa.

Não é porque cresceu mais relativamente ao estoque de 1999 que Diadema tenha assumido a liderança quantitativa regional. Os resultados da cidade ainda mais vermelha da região é de 95,30 empreendimentos de comércio e de serviços para cada grupo de mil moradores. Os resultados se assemelham aos de Mauá (80,87), Ribeirão Pires (94,57) e  nem tanto aos de Rio Grande da Serra (62,48).

São Caetano é mesmo um ponto fora da curva já preocupante de empreendedorismo dos dois setores que mais empregos (de baixa qualidade e salários )  geram na região. Santo André e São Bernardo são semelhantes no total para cada mil moradores: 124,39 e 116,39 empreendimentos – sempre para cada grupo de mil moradores. 

SITUAÇÃO NACIONAL

Não custa lembrar o que apontamos na análise anterior sobre as dimensões do empreendedorismo de comércio e de serviços no Grande ABC entre abril de 1999 e abril deste 2025: os sete municípios contavam na largada dos estudos com participação média de 26,66 empreendimentos dos dois setores para cada grupo de mil moradores, ante os atuais 116,29%, com crescimento relativo de 336,19%.

No caso do Estado de São Paulo, o crescimento relativo foi de 282,74%, já que contava com 33,60 negócios dos dois setores em 1999 e passou para 126,61 nesta temporada. No caso do Brasil, eram 23,81% empreendimentos de comércio e serviços em 1999 ante 94,90 nesta temporada, até abril.

Em números absolutos, o Grande ABC contava com 61.949 negócios de comércio e serviços em 1999, ante 1.187.296 no Estado de São Paulo e 3.857.240 no Brasil. Já na linha de chegada deste abril de 2025, o Grande ABC conta com 324.435 empreendimentos, o Estado de São Paulo com 5.926.459 e o Brasil com 20.253.290.

A participação relativa nacional do Grande ABC nos dois setores passou de 1,605% em 1999 para semelhante 1,601%. Um resultado também muito próximo da participação do Grande ABC tanto no PIB  Tradicional quanto no PIB  de Consumo do País.

O que coloca o Grande ABC em situação de desvantagem tanto diante do Estado de São Paulo quanto do Brasil já expusemos fartamente nesta revista digital: o PIB Tradicional e o PIB de Consumo crescem muito mais naquelas duas arenas do que nos sete municipais locais.



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