Administração Pública

GILVAN SERÁ MELHOR
QUE CELSO DANIEL?

DANIEL LIMA - 26/08/2026

Uma das perguntas que mais ouço  de leitores não recomenda resposta simples. Perguntar em mensagens de aplicativo se o prefeito Celso Daniel será superado, finalmente, por um sucessor, no caso o prefeito atual Gilvan Ferreira, comporta várias avaliações. Não é uma resposta simples, mas pode ser uma resposta simplíssima. Para se tornar uma resposta simplíssima, e acho que é sobre que se trata a pergunta-chave,  bastaria especificar o que seria o mais provável embutido no questionamento: Gilvan Ferreira será melhor prefeito econômico que Celso Daniel?

Nesse caso, que parece o caso central, minha resposta é a seguinte: por mais que brilhe e por mais que alcance proximidade com os resultados gerais de Celso Daniel, é praticamente impossível Gilvan Ferreira chegar lá como melhor prefeito econômico de Santo André nos últimos 30 anos mensuráveis sem correr o risco de grande equívoco. Essa é a resposta fruto de complexidades a observar atentamente.

MULTIPLICIDADE DE FATORES

Talvez o PIB seja o indicador mais apropriado, mas mesmo assim precisa sempre de ajustes argumentativos. Um prefeito medíocre bafejado pela sorte de contar com uma macroeconomia dinâmica, ou relativamente superior a outros períodos quadrienais, pode transmitir a ideia de que o prefeito medíocre é prefeito bom para cacete. 

O inverso também é verdadeiro. Um bom prefeito, de ânimo transformador e de legado ajustado às premissas de desenvolvimento social e econômico pode ser atropelado pela conjuntura nacional e internacional.

Por conta disso e de tantas outras coisas um bom governo municipal deve ser mensurado com preponderância das questões locais em que meteu a mão para curar as feridas do tempo. A influência externa tanto premiadora quanto depreciativa da gestão, independente do desempenho local da gestão, é uma tremenda armadilha que pode consagrar incompetente travestido de bom gestor. 

CONCEITOS DESBRAVADORES

Numa das análises que estou selecionando como coletânea de 60 anos de jornalismo, publicada há poucos anos nesta revista digital, fiz um esquadrinhamento geral dos três prefeitos eleitos no Grande ABC em outubro de 2016 e que somente deixaram os respectivos cargos em dezembro de 2024.

Fiz ali um apanhado geral que poderia ser traduzido como espécie de ranking.  Restringi o trabalho aos três prefeitos, Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio, porque entendia e entendo que quatro anos não são tempo suficiente a incursões analíticas que exijam tanto quanto aquela proposta levada a cabo. Em quatro anos é pouco provável que os conceitos sejam plenamente alvo de curadoria.

Também pesou na definição dos três protagonistas o fato de que atuaram nas respectivas prefeituras durante os mesmos oito anos do calendário gregoriano. Dessa forma, sofreram individualmente os mesmos reveses e também foram premiados pelas mesmas vantagens do quadro nacional e internacional. É verdade que mesmo assim é preciso levar em conta as características morfológicas de cada Município no âmbito econômico, principalmente. Uma derrocada no setor automotivo estilhaça mais as vitrines de São Bernardo e de São Caetano que têm a atividade como Doença Holandesa. Já uma produção elevada de petroquímicos favorece particularmente Santo André da Doença Holandesa do Polo Petroquímico.

Para o leitor ter ideia do que se tratou aquele trabalho, puxo para esta análise apenas os referenciais de gestão sobre os quais me debrucei, sem entrar em detalhes. O conjunto da obra vai estar na megasssérie Arca de Noé Contra o Gataborralheirismo. Duvido que os leitores encontrem no jornalismo nacional e nas academias algo semelhante.

ARROGÂNCIA E IGNORÂNCIA

Tudo isso não é arrogância. É constatação fática. Arrogante é quem se atribui virtudes sendo ignorante. Aliás, muito ignorante tem por prática preferencial atribuir arrogância a quem não consegue admirar porque a inveja é muito maior.

Tenho loucura por gente qualificada, independente de sexo, religião, cor da pele e tudo que a esquerda coloca na prateleira de identitarismo cada vez mais desmoralizado. Tenho igualmente menos apreço por gente que se pretende impecável apenas porque arvora-se filho de Deus e defende valores conservadores.  Competência é algo muito mais abrangente. Uma das melhores colunistas da Folha de S. Paulo assina mulher mas já foi homem. Há quem não suporta a simples sugestão de ler uma mulher que já foi homem porque um homem não pode ser mulher. E nenhuma mulher ser homem. O que é diferente de transgêneros que se pretendem defensores de equipes sem transgêneros. Viu como essa vida é complexa?

QUESITOS INDISSOCIÁVEIS 

Voltemos ao que interessa. No caso, os pontos cardeais que, sem qualquer dúvida, destroem o simplismo de considerar bom ou mau prefeito o mandatário que, mesmo medíocre, dá de braçadas por causa dos efeitos internos do ambiente externos e, também, os bons gestores que fracassam numericamente em economia porque foram solapados por circunstâncias externas.

O conceito-base daquele trabalho precisa ser reiterado para ser compreendido na exata dimensão do ineditismo que o envolve. Os 10 quesitos elencados, conceituados e destrinchados em série especial foram concebidos tendo-se em conta que são indissociáveis mutuamente. Não existe a mínima possibilidade de um prefeito ser bom prefeito de fato e de um mau prefeito de fato virar bom prefeito por obra do acaso se não existir um caminho amplo e muito além de números econômicos. Números econômicos que não podem ser ignorados, porque fazem parte do coquetel de desafios à interpretação justa dos fatos, mas também não podem ser idolatrados a ponto de se tornarem exclusivos às definições.

Finalmente, vejam a lista de desafios que eleitores em geral devem inspecionar junto aos  prefeitos em geral. No caso da disputa dos três prefeitos que dirigiram Santo André, São Bernardo e São Caetano durante oito anos, Orlando Morando foi o melhor, José Auricchio o segundo e Paulinho Serra o terceiro. A nota média do melhor não chegou a sete numa escala de zero a dez. Somente Celso Daniel de dois mandatos incompletos, aproximou-se do teto proposto, recuperando-se de um primeiro mandato em que a inexperiência administrativa e o sindicalismo bravio atrapalharam um bocado.

Gilvan Ferreira tem um ambiente macroeconômico desafiador e tantas outras questões a superar. Independentemente dos resultados econômicos, sempre demorados, pode plantar as sementes que os antecessores extirparam direta ou indiretamente. Ser melhor prefeito que Celso Daniel seria uma resposta apressada tanto para o bem quanto para o mal. Agora, entre nós, ser melhor prefeito que todos os demais, isso já se apresenta em campo. Vamos aguardar os próximos tempos. E os próximos tempos não só já podem ter sido iniciados como, quem sabe, serão incrementados com mais fôlego e visibilidade? 

1. GESTÃO POLÍTICA.

2. ADMINISTRAÇÃO FISCAL.

3. REGIONALIDADE.

4. LEGADO.

5. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS.

6. RELAÇÕES SOCIAIS.

7. SUCESSÃO ELEITORAL.

8. TRANSPARÊNCIA.

9. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO.

10. INFRAESTRUTURA SOCIAL. 



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