Se algum leitor imagina que tenho satisfação em desmascarar políticos e outros agentes públicos, lamento muito pelo engano. Fico cada vez mais depressivo profissionalmente quando tenho que, como no caso de hoje, expor as barbaridades do ex-prefeito Paulinho Serra e do deputado federal Alex Manente. O dever me chama. Fui um bom atirador no Exército.
Os leitores precisam me perdoar porque no texto de hoje não vou ter o mínimo cuidado com algumas expressões e adjetivações. Preciso desabafar nesta noite de terça-feira. Costumo escrever à noite parte do que edito no dia seguinte. Se não der um descarrego textual, acho que nem dormir como deveria dormir vou conseguir. E olha que tenho todo o cuidado psicológico de dar uma zerada no placar para poder dormir em paz. É muito difícil que os registros do dia perturbem meu sono. As exceções são os casos mais complexos, que fogem do meu controle. O bicho pega nessas situações.
Representantes de nova geração de políticos da região, Paulinho Serra e Alex Manente são absolutamente sofríveis. Medíocres de cima a baixo. Paus mandados de grupos organizados. Paus mandados sem qualificações técnicas para alterarem o rumo dos acontecimentos na região. Eles, deve-se reconhecer, são bons em fazer política. Fazer politica partidária é uma atividade à parte da essência etimológica e cultural de capacitação e outros apetrechos. É mais esperteza.
CASO DE BURRICE
Paulinho Serra e Alex Manente são paus mandados e manipulados por grupos que os controlam na mesma intensidade com que os colocam em destaque e os transformam em candidatos vitoriosos num Grande ABC sem eira nem beira em cidadania e comprometimento da sociedade.
Vou me limitar hoje a mencionar apenas dois casos, um de cada, para mostrar o quanto é cansativo, triste mesmo, deprimente, tratar de política tendo Paulinho Serra e Alex Manente como passivos da região. Eles são impagáveis, mas não se dão conta disso. Aqueles que os cercam não passam de combinação acintosa de mandonismo abusivo e estupidez mobilizadora.
Somente quem é muito burro no sentido de burrice mesmo acreditou algum dia que Paulinho Serra, um prefeito sofrível à frente de Santo André, embora bom de voto porque para ser bom de voto basta ter a máquina pública à disposição, somente mesmo quem é muito burro acreditou que Paulinho Serra concorreria ao cargo de governador do Estado.
É verdade que os marqueteiros fizeram tudo bonitinho, lançando e fertilizando o nome de Paulinho Serra em pesquisas eleitorais mais que encomendadas, de modo a embalar a carreira rumo a outubro deste ano. Mas a disputa ao governo do Estado era pura enganação, como denunciei aqui. Tratou-se o tempo todo de uma maneira de colocar Paulinho Serra na vitrine e com isso lubrificar a disputa à Câmara Federal.
TUDO PELA FARSA
Até arranjaram um programa de televisão para Paulinho Serra com o apoio de caciques partidários estaduais para levá-lo a algumas praças do Estado. Paulinho Serra, um prefeito sofrível, repito, passou a dar aulas de gestão pública aos incautos. Da mesma forma – veja quanta ousadia – os mesmos marqueteiros transformaram os 15 dias em Harvard em aporte curricular que lustra uma carreira medíocre, repito de novo.
Como era esperado, até porque tudo foi direcionado a esse sentido, Paulinho Serra virou manchete no Diário do Grande ABC de ontem ao confessar, constrangido, o crime da mentira entabulada pelos marqueteiros: ele está pensando em concorrer a uma vaga como legislador federal. Não é demais mesmo?
No grande acordo que procurava colocar Paulinho Serra numa prateleira inviável, por pior que seja a quase totalidade dos políticos brasileiros, o lugar de uma estrela estadual, não faltam artifícios para levar adiante o projeto. A presidência estadual do PSDB, um partido que sumiu do mapa de potencialidade eleitoral, era a distinção que colocaria o ex-prefeito de Santo André num patamar de superioridade e exorcizaria o Complexo de Gata Borralheira mais que conhecido.
TROCA DOLOROSA
Paulinho Serra muito generoso como prefeito, porque abriu as portas ao exército de triunfalista e territorialistas, não pode reclamar de nada. Tem mesmo que aceitar todas a regras do jogo imposto, até porque sem essas regras do jogo não teria deixado de ser um vereador de baixo clero. Paulinho Serra vendeu tudo aquilo que você imagina para resplandecer como medíocre de sucesso.
Como Paulinho Serra também é atrapalhado, não está fora de cogitação que poderá estar caminhando para a maior zebra política de que se teria conhecimento. Qual zebra? Por conta de exigências do quociente eleitoral num partido desidratado e sem força coletiva para amealhar votos indispensáveis, seria barrado do baile de conquistar a vaga tão claramente óbvia em situação de normalidade.
Numa disputa entre quem é mais estúpido como político, considerando-se o conceito de estúpido aquela faixa de políticos sem brilho próprio, Alex Manente também corre o risco de ficar de fora da Câmara Federal. Afinal, não faltam concorrentes na região, inclusive Paulinho Serra.
DONO DO ELEITORADO
Chego à conclusão embora provisória de que Alex Manente é mais medíocre que Paulinho Serra porque Alex Manente fez uma declaração ainda recentemente que flerta com a insanidade. Sabem o que disse o deputado federal campeão de emendas regionais e eterno candidato à Prefeitura de São Bernardo? Afirmou categoricamente que garantiria dois milhões de votos no Grande ABC, montanha que o embalaria rumo ao cargo de Senador da República.
A declaração lunática de Alex Manente foi publicada, claro, nas mídias locais, e também, pasmem, na Folha de S. Paulo. Publicar uma asnice desse tamanho não seria um pecado mortal se não houvesse por conta dos editores das publicações o assentimento tácito, ou seja, a concordância matemática, quando não subserviente.
Os votos líquidos para senador no Grande ABC, ou seja, retirados os votos em branco, nulos e abstenções, não chegam a dois milhões de eleitores. Jamais qualquer candidato representante paulista registrou sequer 20% dos votos líquidos para o cargo anunciado por Alex Manente. O mesmo Alex Manente que, modesto, modestíssimo, conclamou os dois milhões de votos. Nem com o ressuscitamento de eleitores que ocupam todos os cemitérios da região seria possível fechar a conta.
CHUPANDO O DEDO?
Como provavelmente se deu conta de que a candidatura ao senado era o suprassumo da arrogância, Alex Manente parece ter decidido até mesmo desistir da reeleição. Manente descobriu que, salvo equívoco, foi a reeleição que o esqueceu. O potencial de votos que ostentou em todas as campanhas que o levaram a Brasília, sempre após capitalizar-se como candidato à Prefeitura de São Bernardo, está decididamente interditado. Bateram-lhe a carteira de probabilidades eleitorais.
Alex Manente fez de acrobacias oportunistas, ora ao lado do PT, ora ao lado de Orlando Morando, o projeto político assentado no Parlamento de olho no Executivo. Com isso, acabou sobrando agora que os grupos políticos dos quais se aproveitou teriam preenchidos as respectivas vagas potenciais entre fiéis parceiros.
O que mais lamento em tudo isso é que tanto Paulinho Serra quanto Alex Manente poderiam ter sido o que não são e se não são o que poderiam ter sido o melhor mesmo é que as máscaras caiam e deixem de enganar o distinto público.
Paulinho Serra precisa perder a autossuficiência de arvorar-se competente porque a gestão de oito anos em Santo André (com dados comprovadíssimos que utilizo como argumento dissuasivo aos mentirosos de plantão) foi um tremendo fracasso técnico. O populismo associado ao assistencialismo engatou a quinta marcha de voracidade eleitoral a um preço salgadíssimo às próximas gerações. O pior prefeito não é o prefeito que pouco fez e muito desperdiçou. O pior prefeito é aquele que contou com massa de controladores e apoiadores para transformar desperdícios em virtudes.
COLUNA TERCEIRIZADA
A coluna que Paulinho Serra assina aos domingos (e que não leio já faz algum tempo) é o Conto do Vigário de quem não tem domínio sobre o que expõe porque o que expõe não é de sua autoria e tampouco de seu arcabouço cultural.
Mais que isso: é um retrato da desfaçatez de apresentar-se como alguém que tem o domínio sobre os mais diversos assuntos. Pura mistificação. Se o leitor tem dúvidas sobre a falsidade daqueles textos, encontrem algo minimamente semelhante em qualquer declaração pública antecedente. Ou o coloquem cara-a-cara com este jornalista para escrever em tempo real sobre qualquer temática.
Alex Manente é, como Paulinho Serra, um novo-velho político sem lastro, sem sequer ter acrescentado à literatura de regionalidade do Grande ABC qualquer coisa que possa ser capturada como contribuição à sociedade, exceto os dinheiros dos contribuintes em forma de emendas parlamentes sobre as quais lança o propagandismo de provedor, quando não passa mesmo de repassador. Qualquer um o faria diante da farra que virou o sequestro do orçamento público federal.
Acho que posso parar por aqui nesta noite. Pretendo dormir em paz, mas está muito difícil viver no Grande ABC. Os medíocres festejados pela mídia acrítica tomaram conta do barraco. Minha saúde mental tem limites. E a dos eleitores e leitores também.
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10/02/2026 UM QUARTETO EM PASSOS DIFERENTES