O prefeito Gilvan Júnior vai ter a oportunidade especial de marcar a diferença durante os quatro anos de mandato, que pode ser o primeiro de dois sequenciais, se ocorrer na pasta de Saúde o que é mais previsível e possível: mostrar que é um prefeito bem melhor que o antecessor, Paulinho Serra, do qual foi secretário de várias pastas, inclusive da Saúde. Mas como secretário é secretário e prefeito é prefeito, o que vale mesmo é a bola na rede do que vai fazer nos próximos três anos, além do primeiro ano já consumado.
Os resultados que utilizo nessa análise faz parte do Campeonato Brasileiro de Gestão Pública, oficialmente Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros, produzido pela rigorosa organização Centro de Liderança Pública. A competição na área de saúde conta com dois macroindicadores e nove indicadores.
Entre os seis prefeitos que estão sendo rastreados no ranking nacional dos macroindicadores Acesso à Saúde e Qualidade da Saúde (Rio Grande da Serra não tem porte demográfico para concorrer), existe um paradoxo que pode consagrar Gilvan Júnior e castigar Tite Campanella.
DESAFIO EM SÃO CAETANO
Tite Campanella recebeu do antecessor José Auricchio, prefeito de quatro mandatos, uma São Caetano muito bem colocada no ranking dos 418 municípios com mais de 80 mil habitantes diagnosticados no ranking. Portanto, Tite Campanella precisa manter o ritmo do jogo de time competitivíssimo. O palmeirense Tite Campanella recebeu do palmeirense José Auricchio um vitorioso Palmeiras e precisa caprichar no mandato para não deixar a bola murchar. Pegar um time com presente vitorioso é uma responsabilidade e tanto. Melhorar o que já é bastante positivo torna o futuro desafiador.
Por outro lado, como Santo André de Paulinho Serra e antecessores fizeram gestões na área de Saúde que deixaram muito a desejar, como se verá mais adiante, é compulsório que qualquer resultado positivo que Gilvan Júnior ofereça à sociedade poderá melhorar os péssimos indicadores do Município. Gilvan Júnior é aquele técnico que pega um time em divisão inferior e tem a oportunidade de conseguir acesso. A Saúde de Santo André é de Terceira Divisão no Campeonato Brasileiro de Competitividade. A de São Caetano é de Primeira Divisão.
O ranking de Saúde integra o painel de controle de informações que devem ser cuidadosamente avaliadas para que não se permitam arroubos de sucesso apressados e sem a devida consolidação e comprovação. É evidente que não será o primeiro ano de um mandato que ditará o destino dos novos prefeitos, eleitos em 2024, ou mesmo de quem iniciou a caminhada na eleição anterior e foi reeleito, casos dos prefeitos de Mauá e de Ribeirão Pires, Marcelo Oliveira e Guto Volpi. Um ano ou mesmo o quinto ano de dois mandatos é pouco, mas sinalizaria sim até que ponto é possível um diagnóstico sobre o futuro que sempre chega.
SANTO ANDRÉ VAI MAL
O caso da Saúde de Santo André no Ranking dos Municípios Brasileiros é mesmo dramático. Não há similaridade entre o PIB Geral e posicionamento entre os pouco mais de 400 municípios.
Mantendo o foco especificamente na área de saúde, o que temos é uma Santo André herdada de Paulinho Serra e antecessores na posição 114 em Acesso à Saúde e na posição 168 em Qualidade da Saúde. Somente Mauá viveu, segundo dos dados de 2024, situação mais grave, com a posição 120 em Acesso à Saúde e a posição 305 em Qualidade da Saúde. São Caetano se salva para valer entre os seis municípios da região, com a posição 86 em Acesso à Saúde e a sexta posição em Qualidade da Saúde.
A herança de Orlando Morando e antecessores em São Bernardo é mais discreta que a de Santo André e menos brilhante que a de São Caetano: ocupou em 2024 a posição 39 em Acesso à Saúde e a posição 62 em Qualidade da Saúde. A Diadema socialista apresentou dados menos satisfatórios na soma dos dois posicionamentos: 27ª colocada em Acesso à Saúde e 154 em Qualidade da Saúde.
Completando o Grande ABC, a saúde de Ribeirão Pires deu-se relativamente bem ao longo dos anos, conforme os dados de 2024: ficou na posição 236 em Acesso à Saúde e na posição 23 em Qualidade da Saúde. Como se observa, Santo André e Mauá são mesmo os casos duplamente mais complicados.
CORREDOR POLONÊS
Passar pelo corredor polonês do ranking de saúde não é tarefa fácil. A complexidade de uma das mais intensas demandas da sociedade está expressa em nove indicadores que, exatamente por serem numerosos e intrinsecamente correlacionados, exigem atenção máxima muito além de determinado corte. É a soma dos fatores que determina o resultado final.
Pinço um dos nove indicadores para tentar explicar que uma andorinha de Acesso à Saúde ou de Qualidade da Saúde, ou mesmo dos dois critérios, não faz verão. Ribeirão Pires ficou em primeiro lugar no ranking nacional em Qualidade da Saúde no quesito de Mortalidade Materna, mas não passou da posição 225 de Atendimento Pré-Natal, entre outras variáveis do macroindicador.
Mais um exemplo? São Bernardo ficou na posição 24 em Mortalidade por Causas Evitáveis, o melhor resultado nos nove indicadores, mas desabou para a posição 174 em Mortalidade Materna. Melhorar esse indicador, como li outro dia nas páginas do Diário do Grande ABC, o que deverá ser confirmado ou não pelos ranqueadores, é ínfima tarefa para mudança geral na área de saúde. Por isso, devagar com o andor do entusiasmo específico porque o santo de múltiplas variáveis é de barro.
POTENCIAL DE AVANÇO
Há latente potencial de Santo André surpreender e quem sabe dar um salto e tanto na métrica de Acesso à Saúde. Basta que o Poupatempo da Saúde apresente os resultados espetaculares que a todo instante salta nas páginas de jornais como a descoberta do século.
O conceito e as primeiras práticas, além da marca Poupatempo da Saúde, foram copiados da gestão Aidan Ravin pelo então prefeito Paulinho Serra e o então secretário da Saúde Gilvan Júnior. Até hoje não há reconhecimento público e formal da paternidade da iniciativa. Nem a família de Aidan Ravin está preocupada em reivindicar a inovação que se espalhou no território nacional. Não faltam interesses em jogo.
O Poupatempo da Saúde pode ser a redenção de Gilvan Júnior no ranking nacional. Convém lembrar, entretanto, que o macroindicador de Acesso à Saúde comporta quatro indicadores, casos de Atendimento Pré-Natal, Cobertura da Atenção Primária, Cobertura de Saúde Complementar e Cobertura Vacinal. Foi nesse bloco que Paulinho Serra entregou o presente de grego a Gilvan Júnior em forma da posição geral 114 no ranking.
Cumpridas as etapas de Acesso à Saúde, corre-se para novo escrutínio do setor, agora na forma de Qualidade de Saúde. Ou seja: isoladamente o Poupatempo da Saúde não representará muita coisa se não houver conciliação entre Acesso à Saúde e Qualidade da Saúde.
No caso do macroindicador Qualidade da Saúde, são cinco os indicadores: Desnutrição na Infância, Mortalidade Materna, Mortalidade na Infância, Mortalidade por Causas Evitáveis e Obesidade na Infância. Foi nesse bolo que a Santo André entregue por Paulinho Serra se classificou na 168ª colocação geral.
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26/02/2026 GILVAN VAI ESCLARECER MILIONÁRIA NOVA CEASA?