Administração Pública

SANTO ANDRÉ LIDERA
RESILIÊNCIA NO G-22

DANIEL LIMA - 01/09/2026

O prefeito Gilvan Ferreira surpreendeu tanto que  não precisou de mais que 12 meses do primeiro mandato para colocar Santo André na condição de campeã da temporada de 2025 no Indice de Resiliência Fiscal preparado por CapitalSocial e que envolve os 20 principais municípios do Estado de São Paulo. Esses municípios integram o G-22, lançado em 2012 por esta publicação.

A Capital do Estado não está na lista porque é tão gigantesca que provocaria desarranjos estatísticos. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra estão na relação do G-22, mas não entram na contabilidade porque não contam com tamanho econômico. As duas cidades só são incluídas em dados específicos que tratam do Grande ABC como um todo. O Grande ABC conta com as demais cinco cidades.

Os dados oficiais do Índice de Resiliência Fiscal é um recorte do Campeonato Brasileiro de Competitividade dos Municípios Brasileiros, criação do Centro de Liderança Pública (CLP), organização social que é referência em múltiplos estudos municipais e estaduais.

FÓRMULA SIMPLES

O conceito-base do Indice de Resiliência Fiscal é aparentemente complexo, mas facilmente decifrado. Trata-se de equação simples e que começa com o ranqueamento dos 20 municípios do G-22 por ordem de importância na classificação geral do Campeonato Brasileiro de Sustentabilidade Fiscal, um dos 65 indicadores daqueles estudos. Na outra coluna está a lista dos  municípios, mas em relação ao posicionamento no ranking de Desenvolvimento Econômico do mesmo Brasileiro de Competitividade.

Definidas as duas listagens, basta cruzar os resultados de cada participante do G-22. A classificação dos 20 concorrentes obedece a lógica do quanto maior a diferença de posicionamento no Brasileiro de Competividade envolvendo os dois indicadores, de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento Econômico, mais se caracteriza a definição do Indice de Resiliência Fiscal.

Vejam o caso de Santo André, campeã do estudo de CapitalSocial. O Município dirigido por Gilvan Ferreira abre a disputa como líder absoluto entre os 20 maiores municípios paulistas porque a distância que separa o resultado fiscal (24ª colocada no ranking nacional) e o resultado de Desenvolvimento Econômico (194ª colocação), caracteriza o critério de enfrentar borrascas econômicas sem se entregar à gastança.

No caso de Santo André, são 170 posições de diferença entre um indicador e outro. Ou seja: a Sustentabilidade Fiscal suportou a pressão do esvaziamento econômico neste século.

CONSTRASTE DE VIZINHOS  

Estar em posição de destaque em Sustentabilidade Fiscal e entre os piores em Desenvolvimento Econômico significa que ainda existem critérios de resistência de uma série de gestores públicos. Gilvan Ferreira corrigiu os oito anos do antecessor Paulinho Serra em apenas uma temporada. Afinal, Gilvan Ferreira avançou 67 pontos na classificação de Sustentabilidade Financeira. Com isso, Santo André saiu da posição 91 registrada no último ano de mandato de Paulinho Serra e se instalou na posição 24.

Para a compreensão do sentido crítico que moveu CapitalSocial a criar o Indice de Resiliência Fiscal, também está na região o exemplo oposto de Santo André. É o caso de Diadema, que ocupa a última colocação no Indice de Resiliência Fiscal  do G-22. Diadema ocupa a posição 280 no indicador de Sustentabilidade Fiscal (portanto, muito distante de Santo André e de tantos outros municípios) e está também ladeira-abaixo em Desenvolvimento Econômico, ocupando a posição 260.

Como se percebe, apenas 10 pontos separam um indice do outro em Diadema, mas numa perspectiva bombástica. Afinal, são almas gêmeas em complicações denunciadas nos dois posicionamentos fortemente comprometidos no ranking do Centro de Liderança Pública. Ao longo da história pós-Regime Militar, Diadema foi administrada preponderantemente por políticos de esquerda, vários ex-sindicalistas. Construiu-se uma cidade de gestão municipal fortemente socialista, de gastos excessivos sem a correspondente evolução econômica. Por isso, Diadema paga o preço pesado no Índice de Resiliência Fiscal.

CAMPINAS EQUILIBRADA

Campinas é outro exemplo do quanto a métrica de CapitalSocial é consolidadamente importante para entender o que se passa nos municípios quando desempenho  fiscal dos cofres públicos e desempenho econômico entram entrando em conflito ou ganham harmonia.

Campinas tem resultado (13ª) melhor que Santo André (24ª) em Sustentabilidade Fiscal no ranking do Centro de Liderança Pública, entretanto, o posicionamento em Desenvolvimento Econômico é muito mais confortável, com a 12ª colocação. A diferença registrada por Campinas é de apenas um ponto entre um indicador e outro. O critério de resiliência, como se observa, não faz parte do léxico administrativo. Há situação de evidente conforto histórico.

Os 170 pontos que separam os dois indicadores de desempenho de Santo André revelam não só desequilíbrio latente como também um desafio permanente a quem comanda a cidade do Grande ABC. Ou seja: manter o quadro fiscal tão próximo de Campinas mesmo com inferioridade latente no indicador de Desenvolvimento Econômico é algo extraordinário.

GESTÃO DESAFIADORA

Essa realidade torna a gestão de Santo André muito mais desafiadora. A resiliência de Santo André se contrapõe ao equilíbrio de Campinas. Um equilíbrio posicional entre dois indicadores que faz de Campinas um dos melhores endereços do ranking de competitividade nacional do CLP.

São Bernardo também é um exemplo regional de desequilíbrio entre os dois indicadores que compõem o índice do G-22. A resiliência fiscal é menos portentosa porque distancia-se 60 pontos do Desenvolvimento Econômico. E o resultado é negativo porque o indicador de Desenvolvimento Econômico é mais competitivo em termos nacionais do que o de Sustentabilidade Fiscal: 40ª colocação ante 104. Isso significa claramente que ao longo dos tempos São Bernardo comprometeu mais as finanças na correlação com o crescimento econômico, sempre levando-se em conta o ranking de competividade nacional.

São Caetano segue o mesmo figurino de São Bernardo, com 84 pontos de distância entre a 94ª posição em Sustentabilidade Fiscal e a 10ª posição em Desenvolvimento Econômico.  A lógica dos números, apenas a título de explicação, deveria ser mais equilibrada para que São Caetano fosse ainda mais competitiva. Tradução? Quando ajustar a situação financeira e se aproximar do batalhão dos 20 primeiros no indicador, São Caetano será praticamente imbatível.

Os dados de Mauá também são preocupantes quanto se procura encontrar equilíbrio positivo. Em Sustentabilidade Fiscal não passa da posição 312, uma das piores do ranking nacional, enquanto em Desenvolvimento Econômico ocupa a posição 205. Uma distância, portanto, de 107 pontos comprometedores.

Completando a relação dos municípios da região no Índice de Resiliência Fiscal, Ribeirão Pires ocupa a posição 118 no primeiro indicador e 206 no segundo. Uma diferença de 88 pontos de dois resultados preocupantes no ranking nacional de competividade dos municípios.

EQUILÍBRIO POSITIVO

Além de Campinas que mantém equilíbrio posicional positivo entre os dois indicadores, com a 13ª posição em Sustentabilidade Fiscal e a 12ª em Desenvolvimento Econômico, outros dois municípios exibem resultados semelhantes. No caso de São José dos Campos, a classificação nacional em Sustentabilidade Fiscal é igual à classificação nacional em Desenvolvimento Econômico: exatamente a 69ª  colocação.

Guarulhos tem falso parentesco com Campinas: ocupa a posição nacional de número 191 entre mais de 400 municípios brasileiros no indicador de Sustentabilidade Financeira e a posição 190 em Desenvolvimento Econômico. Um equilíbrio decepcionante porque retrata dados mais negativos que positivos envolvendo os dois indicadores -- o que a separada fortemente de Campinas.

A diferença entre um indicador e outro de 29 pontos envolvendo Piracicaba mostra resultados bem melhores que os de Guarulhos de igualdade entre os dois indicadores. A cidade do Interior do Estado está na posição 49 em Sustentabilidade Fiscal e na posição 78 em Desenvolvimento Econômico. O posicionamento nacional é muito mais avançado e faz toda a diferença. É também o caso de São José do Rio Preto, de 49 pontos de distância entre Sustentabilidade Fiscal (33 no ranking nacional) e Desenvolvimento Econômico (82 no mesmo ranking).

MARGEM CLASSIFICATÓRIA

Todos os municípios que constam da lista das 100 primeiras colocadas em Sustentabilidade Fiscal em combinação com a mesma margem classificatória em Desenvolvimento Econômico têm mais poderes de equilíbrio administrativo em relação aos municípios que deixaram ao longo dos tempos o descolamento entre um indicador e outro ou estabeleceram proximidade em posições de fragilidade geral.

Alguns exemplos de proximidade na lista dos 100 primeiros: Barueri em nono em Sustentabilidade Fiscal e 12ª em Desenvolvimento Econômico. Sorocaba na 81ª posição em Sustentabilidade Fiscal e 25 em Desenvolvimento Econômico. Ribeirão Preto na 79ª e 63ª. Osasco na posição 13 em Desenvolvimento Econômico e 41 em Sustentabilidade Fiscal.

Exemplos de situações menos confortáveis: Mogi das Cruzes na posição 53 em Sustentabilidade Fiscal e 196 em Desenvolvimento Econômico. Sumaré na posição 306 em Sustentabilidade Fiscal e 114 em Desenvolvimento Econômico. Santos na posição 174 em Sustentabilidade Fiscal e 28º em Desenvolvimento Econômico. Taubaté na posição 270 em Sustentabilidade Fiscal e 119 em Desenvolvimento Econômico. Paulínia na posição 113 em Sustentabilidade Fiscal e 16ª em Desenvolvimento Econômico.

Para entender a importância da líder Santo André no Índice de Resiliência Fiscal basta comparar os números. A antiga capital econômica do Grande ABC carrega o fardo de um Desenvolvimento Econômico fragilizado há mais de 30 anos, mas recuperou com o atual prefeito a envergadura da resistência fiscal. Registrar a 24ª posição em Sustentabilidade Fiscal e a posição 194 em Desenvolvimento Econômico é quase um resultado heroico.

O prefeito Gilvan Ferreira colaborou mesmo diretamente com isso no primeiro ano de mandato. Acertar o passo do Desenvolvimento Econômico depende demais de políticas governamentais fora de Santo André e do Grande ABC, mas o controle das finanças é atribuição própria do prefeito de plantão. Vale muito mais para qualquer tipo de avaliação de uma gestão um prefeito com destaque em resiliência fiscal num ambiente de deterioração econômica, como Santo André deste século. 

SUSTENTABILIDADE FISCAL   

O indicador de Sustentabilidade fiscal no contexto do CLP (Centro de Liderança Pública) é um pilar estratégico dos Ranking de Competitividade que mede a capacidade dos municípios de manterem as contas públicas equilibradas e garantirem recursos para investimentos e serviços. O indicador analisa a saúde financeira dos entes federativos com base em critérios essenciais: 

 Dependência fiscal: o quanto o governo depende de repasses externos (como verbas federais ou estaduais) em vez de receitas próprias.

 Taxa de investimento: a proporção da receita que é revertida em melhorias reais para a cidade ou estado.

 Despesa com pessoal: o controle dos gastos com o funcionalismo público em relação à Receita Corrente Líquida.

 Endividamento: o nível de obrigações financeiras e dívidas de longo prazo assumidas pela gestão. 

A importância da Sustentabilidade Fiscal também se mede pelos seguintes fatores: 

 Prestação de serviços: contas equilibradas asseguram a manutenção contínua de saúde, educação e infraestrutura.

 Atração de investimentos: a solidez fiscal gera credibilidade perante investidores e o mercado privado, estimulando novos negócios e a geração de empregos.

 Capacidade de planejamento: dá margem para que o poder público execute obras e planeje o futuro sem comprometer o orçamento básico. 

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 

No Ranking de Competitividade dos Municípios, o CLP organiza análise na Dimensão Economia que engloba quatro pilares para medir a saúde e atratividade local:

 Inserção Econômica: analisa a dinâmica de emprego, formalidade e renda da população.

 Inovação e Dinamismo Econômico: mede o crescimento do PIB local, atração de investimentos produtivos e ecossistema de novos negócios.

 Capital Humano: avalia a qualificação, nível educacional e produtividade da força de trabalho disponível.

 Telecomunicações: focado no nível de conectividade e acesso à internet, cruciais para a economia moderna.



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