A vice-prefeita Regina Maura faz oposição ao prefeito Tite Campanella porque é aliada do ex-prefeito José Auricchio que é adversário de Tite Campanella e pai do deputado estadual Thiago Auricchio que vai contar com o apoio eleitoral de Regina Maura que é candidata a deputada federal. Esse forrobodó político tem mais ingredientes emocionantes. Orlando Morando e Carla Morando, aliados do prefeito Tite Campanella, botam fogo na canjica eleitoral ao transformarem o que seria um quarteto de complicações em sexteto de competitividade.
Todo esse cenário de São Caetano compõe aparentemente a mais complexa disputa eleitoral desta temporada no Grande ABC. Resta saber quem vai sair vitorioso. E quem perderá capital eleitoral. A batalha de outubro faz parte da guerra sucessória de 2028 em São Caetano.
Tem-se como certo pelas andanças eleitorais que Regina Maura candidata a deputada federal encontrará muitas dificuldades em superar o balão de convicção popular que a colocaria como boa de gestão da saúde, mas ruim de votos. Há certeza de que Regina Maura mais uma vez ficará a ver navios na expectativa de tornar-se protagonista política. Isso seria tão certeiro quanto a incerteza de que, pensando no futuro, agregaria densidade de votos para eventual suporte à provável candidatura de um representante da família Auricchio ao Palácio da Cerâmica em 2028.
RELAÇÕES CORTADAS
Regina Maura Zetone perdeu em 2012 a possibilidade de suceder a José Auricchio ao concorrer à Prefeitura com o também médico Paulo Pinheiro. Numa campanha encardida, Regina Maura viu os votos esfarelarem na reta de chegada e não alcançou mais que um terço do total numa disputa de turno único.
São Caetano não conta sequer com 200 mil habitantes, quanto mais com 200 mil eleitores necessários à rodada subsequente.
Num acordão cheio de nuances, Regina Maura Zetone fez dupla em 2024 com o então vereador e um pouco antes prefeito interino de São Caetano Tite Campanella e chegou ao Palácio da Cerâmica em janeiro do ano passado.
Tite Campanella e José Auricchio, o ex-prefeito, romperam relações políticas e Regina Maura, vice-prefeita, o fez igualmente. Há escaramuças entre Tite Campanella e José Auricchio, ex-companheiros de Administração. O rompimento é público. O prefeito não assinou atestado de ingenuidade ao delegar à vice-prefeita outra função senão a protocolar e legal, sob pena de fertilizar os planos de Regina Maura reforçar a família Auricchio. Nada que seja surpreendente.
ATENÇÃO MÁXIMA
Seria impreciso limitar esse cenário político e eleitoral de São Caetano à figura geométrica metafórica de quadrado enroscado. De fato, o que se tem para valer mesmo é um hexágono maluco que estimula a imaginação. Além de Tite Campanella, Regina Maura, Thiago Auricchio e José Auricchio emergem Orlando Morando e Carla Morando.
Isto posto, não custaria usar a imaginação com base na pressuposição que deriva da especulação para tentar traçar o destino a médio prazo desses personagens.
O prefeito Tite Campanella não está jogando parado. Terá um painel senão de controle, mas de observações que pesquisas eleitorais internas, para consumo próprio, poderão permitir encontrar quem sabe o mapa da mina de medidas que o tornariam mais forte à reeleição em 2028.
O peso relativo de Regina Maura na casadinha eleitoral com Thiago Auricchio ou José Auricchio em 2028 poderá de alguma forma ser aferido, mesmo com vulnerabilidade metodológica, em outubro próximo. Teria Regina Maura votos locais para deputada federal de modo a influenciar para valer em outubro de 2028? Qual é o eleitorado potencial efetivo de Regina Maura como parceira da futura candidatura de um dos Auricchio?
PRESTÍGIO EM ALTA
Tudo isso é muito complexo porque existe uma peça adicional nesse tabuleiro de potencialidades. Uma peça não, duas peças. O ex-prefeito de São Bernardo e ex-secretário de Segurança Pública da Capital, Orlando Morando, revolucionário na ampliação de tecnologia, infraestrutura material e de profissionais na área, é apoiado pelo prefeito Tite Campanella em São Caetano. Tanto Orlando para deputado federal quanto Carla Morando, deputada estadual que concorre a novo mandato estadual.
Há pesquisas internas que indicariam prestigio imenso do casal Morando, visto pelos eleitores de São Caetano como representante dos interesses locais. O sucesso na área de Segurança Pública de São Caetano, com apoio de Orlando Morando, ajudou muito a preencher expectativa de que não haveria separação geográfica que reduziria reciprocidades de São Caetano ao casal de São Bernardo.
Afinal, quanto votos teria Orlando Morando em São Caetano para deputado federal com o apoio do prefeito Tite Campanella e quantos votos teria Regina Maura apoiada pela família Auricchio? E na disputa à Assembleia Legislativa, qual seria a votação de Thiago Auricchio e de Carla Morando?
NÚMEROS RELATIVOS
O significado da disputa para deputado estadual e deputado federal em São Caetano poderá fugir da bitola da simplificação de que quem teria mais votos seria automaticamente proclamado vencedor nessa disputa paralela. Seria precipitação qualquer projeção quantitativa e comparativa que estabelecesse juízo de valor sobre vencedores e perdedores. Por isso é melhor mesmo esperar. O futuro sempre abre portas a respostas.
Certo mesmo é que o prefeito Tite Campanella estaria com prestígio em alta entre outros pontos porque fortalece-se internamente com as medidas na área de Segurança Pública ao mesmo tempo em que estreitou relações políticas com o governador e com o prefeito da Capital, Ricardo Nunes, sempre contando com articulações institucionais de Orlando Morando e Carla Morando.
O Smart Sanca, réplica do Smart Sampa, tocou fundo na melhoria do ambiente criminal em São Caetano. O calcanhar de Aquiles de roubo e furtos de veículos, tragédia que se repetia ininterruptamente ao longo deste século, foi implacavelmente impactado. As estatísticas praticamente zeraram ocorrências. As câmaras inteligentes espalhadas por São Caetano são um espantalho aos criminosos.
A corrida eleitoral desta temporada provavelmente fornecerá pistas adicionais à calibragem e maturação de projetos e programas que se traduziriam em apoio dos eleitores e moradores de São Caetano.
SEGURANÇA PÚBLICA
Produto prioritário da cesta básica de expectativas da sociedade brasileira, Segurança Pública aparentemente deixou de ser inquietação coletiva em São Caetano exatamente porque o prefeito Tite Campanella foi pragmático em aproximar-se de Orlando Morando, espécie de Xerifão da Grande São Paulo.
Maior reduto de Classe Rica e Classe Média Tradicional do Estado de São Paulo, e com baixíssima participação relativa de Pobres e Miseráveis entre as quase 60 mil residências e 170 mil moradores, São Caetano é um endereço típico dos conservadores. É um terreno fértil aos liberais, defensores da livre-iniciativa.
O suporte à candidatura da dupla Orlando e Carla Morando caberia exatamente no figurino econômico e social. Isso significa que o prefeito Tite Campanella teria acertado em cheio na composição eleitoral.
Secretário preferido do prefeito da vizinha Capital, Orlando Morando é avaliado internamente em São Caetano como representante político com identificação local que trafega sem desgaste nas correntes de apoio tanto de Tite Campanella quanto da família Auricchio, que passaram a dividir o eleitorado local onde a esquerda petista não passa de nicho sem influência política. Muito menos que Flavio Palacio, derrotado nas eleições de 2024 por Tite Campanella, do qual teria se aproximado nos últimos tempos.
MUITA CONCORRÊNCIA
São Caetano é um reduto eleitoral em plena efervescência. São perto de 148 mil eleitores que, divididos por centenas de concorrentes no Estado, não asseguram vitória aos parlamentos no próprio território, mas de resultados sempre influenciam na disputa municipal seguinte. Nas eleições de 2022, para deputado estadual, Thiago Auricchio foi o mais votado em São Caetano, com 29,47% dos votos válidos. Muito acima do segundo colocado, Eduardo Suplicy, com 4,32% do total. Carla Morando (4,10%) e Carolina Serra (2,65%) vieram na sequência. O desempenho de Thiago Auricchio nesta temporada é uma grande interrogação. Quantos votos teria sem a máquina municipal a impulsionar sua candidatura, como o foi há anos, com o pai no comando do Palácio da Cerâmica?
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12/08/2026 PAULINHO ATACA A REGIONALIDADE