Jogue no lixo da simplificação a ideia de que as eleições parlamentares de outubro próximo fazem parte do convencionalismo sintetizado no pressuposto de que cada voto é um voto. Nada disso. Os votos que serão votados e conferidos em outubro próximo são espécies de títulos de capitalização no mercado político-eleitoral a serem resgatados até outubro de 2028, quando das disputas pelas prefeituras do Grande ABC.
Ou seja: o Clube dos Prefeitos que tomará posse em janeiro de 2029 e que governará o Grande ABC no início da próxima década começa a ser gestado nesta temporada. A linha de montagem dos futuros comandantes do Grande ABC já está em operação de forma prática, porque agora o negócio é pensar somente naquilo que tem quatro letras e que simboliza o sistema democrático, mesmo que o sistema democrático seja em muitos casos uma farsa.
Um exemplo? um presidente de sindicato decadente de trabalhadores eleito com quase 100% dos votos está longe de representar democracia trabalhista. Para quem não sabe, é o que ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo recentemente.
SALDO POSITIVO
A multiplicação ou a redução do valor do voto votado em outubro próximo muitas vezes é ignorada e outras vezes dissimulada para que não pareça aos olhos dos eleitores o que é de fato. E o que é de fato? O voto votado em outubro próximo definirá os grupamentos que a partir de então, entre vencedores e perdedores diretos e indiretos, vão se virar para observar o que poderão fazer às disputas municipais de 2028. Jogo jogado definitivamente porque os valores relativos dos grupos concorrentes nos sete municípios serão revelados sem choro nem vela. A canoa de representatividade pode virar em outubro.
A pergunta central em meio ao nevoeiro de especulações que já se fazem é a seguinte: quem sairá com mais saldo positivo depois que se conhecerem os resultados dos votos votados em outubro? Outra pergunta? Se haverá ganhadores municipais e regionais, quem seriam os perdedores?
Como são títulos de capitalização, por assim dizer, metaforicamente dizendo, quando do resgate ao fim da temporada eleitoral municipal de 2028, quem vai ter mais cacife para atuar como protagonista nos pesos e contrapesos que definirão os caminhos a serem determinados nos anos seguintes dessa roda-viva que a política?
ENSANDUICHADO
As duas disputas que separam a posse da nova turma do Clube dos Prefeitos em 2028 acondicionam interrogações, certezas e especulações. Como disputa eleitoral não é ciência exata, muito pelo contrário, o melhor mesmo é especular -- e isso faço de vez em quando.
Costumo dizer que escrever sobre politica e suas ramificações repletas de subjetividades é uma licença poética, já que sou escravo o tempo todo de fatos e dados sobretudo no campo econômico.
E nesse caso, claro que vou especular. Sempre com base na fotografia de momento que de alguma forma está presa ao filme do passado.
Querem um exemplo de especulação fundamentada em fatos, mas não garantido pela ciência? O deputado federal Alex Manente terá votação decepcionante em relação à disputa anterior e o ex-prefeito Paulinho Serra ficará distante do montante de votos que imaginava ao sair consagrado pelos eleitores ao completar oito anos de dois mandatos. Manente está ensanduichado por Paulinho Serra e Orlando Morando no espectro ideológico e prático, embora seja um velho politico que segue a lógica errática de biruta de aeroporto.
Mais alguma especulação: possivelmente Carla Morando será igualmente abalada internamente, em São Bernardo, pelas forças opositoras localizadas no Paço Municipal. Carla é deputada estadual mulher de Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo, assim como Carolina Serra, mulher do ex-prefeito Paulinho Serra. Entendo que nenhuma das duas chegará nos respectivos domicílios eleitorais às proximidades do voto votado nas eleições passadas. Estou escrevendo o obvio ululante de Nelson Rodrigues ou algo diferenciado poderia ocorrer? Duvido.
FORÇA DA MÁQUINA
A máquina pública faz muita diferença. Com a máquina, tudo fica mais fácil, por assim dizer. No caso de Carolina Serra, o vasto território ocupado por excluídos sociais administrados por voluntários de 120 entidades assistenciais já não lhe pertence majoritariamente.
É possível que quem mais ganhe com os resultados dos votos votados em outubro próximo seja o prefeito Gilvan Ferreira. O estoque de prestígio eleitoral do casal Paulinho-Carolina Serra será substancialmente inferior quando correlacionado com os tempos de comando do Paço Municipal. O oposicionismo de Paulinho e Carolina Serra, de olhos abertíssimos nas urnas municipais de 2028, poderá sofrer sérios danos. Caberá ao casal e a seus apoiadores uma definição estratégica que ditaria o futuro: conformarem-se durante quatro anos com cargos parlamentares que provavelmente ocuparão, e com isso reatarem as relações político-eleitorais com o prefeito Gilvan Ferreira, mirando as eleições municipais seguintes, ou correrem numa raia de embates de resultados imprevisíveis.
PAULINHO ENRASCADO
Paulinho Serra se meteu numa emboscada que imaginava ser a plataforma de consagração estadual. Acreditou na viabilidade eleitoral da Terceira Via disfarçada de combate sistemático à polarização entre bolsonaristas e lulistas. Seus badalados marqueteiros, Duda Lima à frente, deram com os burros nágua da empáfia e do sabetudismo arrogante.
A fotografia que o Diário do Grande ABC publica hoje sobre o resultado da parceria PSDB-Cidadania às disputas de outubro é o resumo de uma ópera-bufa. Quem tem Soninha Francine como candidata ao Senado e um exército de Brancaleone aos dois parlamentos explicita publicamente o quanto Paulinho Serra se meteu numa enrascada. O PSDB está morto e enterrado há muito tempo. Desde que João Doria acabou com a farsa que unia o partido sorrateiramente ao PT.
A presidência estadual do PSDB ocupada por Paulinho Serra tem tanta importância política quanto o presidente do Jabaquara na hierarquia do futebol paulista. O erro de Paulinho Serra foi acreditar no conto do vigário de que seria potencialmente Fernando Henrique Cardoso redivivo. O diminutivo do nome substituído porque exalaria infantilismo deu ao sobrenome robustez propagandística para efeitos eleitorais por remeter a nova identidade a um parentesco fantasioso com José Serra, ex-governador e ex-senador da República. Paulinho Serra virou Paulo Serra com efeitos evidentes nas pesquisas eleitorais.
MORANDO EM ALTA
Quem se deu melhor nos últimos anos como ex-prefeito, é Orlando Morando. Dos três titulares de paços municipais que se reelegeram em 2020, Orlando Morando acumulou muito mais conquistas. José Auricchio, em São Caetano, está ocupado com a reeleição do filho a deputado estadual e, com isso, provavelmente, em caso de vitória, prontíssimo para concorrer à Prefeitura na temporada de 2028.
Já Orlando Morando fez tanto sucesso como Xerifão da Segurança Pública na Região Metropolitana de São Paulo, à frente da pasta na Capital, que a eleição a deputado federal é considerada macuco no bornal. A dúvida é apenas sobre a quantidade de votos.
Quanto mais votos tiver, mais poderá ocupar a Prefeitura em 2029. Estou me referindo à Prefeitura da Capital, como indicado do atual prefeito, Ricardo Nunes. Se for um título de capitalização com tamanho valor, Orlando Morando se tornaria o maior fenômeno político da história do Grande ABC. Lula da Silva não entra nessa conta porque Lula da silva não saiu do ventre político-eleitoral-administrativo da região. É fruto de um cinderelismo de elites paulistanas sustentado pelo trabalhismo revolucionário.
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27/07/2026 AGENDÃO REGIONAL A SALVO DE ELEIÇÕES