A contraface do Prefeito Perfeito que publicamos na semana passada é o Prefeito Predador que publicamos nesta edição. A metodologia e os conceitos já foram explicados. O Prefeito Predador do Grande ABC desde 1988, dois anos antes da criação do Clube dos Prefeitos, é uma associação prevalecente dos prefeitos Paulinho Serra e Aidan Ravin, de Santo André. Eles tomaram conta do barraco de fragilidades administrativas de nove dos 12 marcadores estabelecidos para esculpir aquilo que seria o pior modelo de gestão pública municipal. Seis registros pegam Paulinho Serra pela incompetência. Três foram registrados por Aidan Ravin. Celso Daniel, Luiz Tortorello e Carlos Grana completam o perfil de Prefeito Predador com participação individual mínima, de apenas um apontamento.
O contraste entre a dominância que estruturou o Prefeito Perfeito já publicado e o Prefeito Predador logo abaixo envolve diretamente a Prefeitura de Santo André. Na conta que leva em conta a definição das duas seleções é preciso entender não só a importância social e econômica regional como também o destaque midiático. Os holofotes no Município influenciam diretamente o modelo de gestão das demais cidades.
Mas não é apenas isso que se leva em consideração no contraste exposto. Santo André especialmente das últimas nove eleições conheceu dois modelos de gestão pública que não são novidades no País, mas num mesmo endereço causa impactos imensos.
OS DOIS MODELOS
O primeiro modelo reuniu medidas sob direta influência, restrições críticas e modernismo de Celso Daniel, enquanto o segundo, sob controle compartilhado por territorialistas que encontraram em Paulinho Serra o instrumento de ação, aprofundou o que existe de pior em gestão pública quando se coloca o futuro como objetivo social. Paulinho Serra é um prefeito-perfeito para aqueles que o tem como ponta de lança político-partidário.
Dos 12 quesitos que aplicamos para definir quem ocuparia individualmente cada um dos predicados e pecados de gestão pública no Grande ABC, de modo a concorrer às duas macrométricas estabelecidas, Celso Daniel concentrou seis marcadores nobres da categoria de Prefeito Perfeito e Paulinho Serra seis marcadores devastadores de Prefeito Predador.
Quem leva em conta em eventuais avaliações individuais de gestores públicos o nível de reconhecimento ou execração popular provavelmente desconhece a história política do País. Nem sempre popularidade é acompanhada de notabilidade. Diferentemente disso. Não é preciso recorrer à história recente. Ou seria preciso? Lula da Silva terminou o segundo mandato presidencial, em 2010, com mais de 80% de aprovação popular, mas deixou uma bomba-relógio econômica e fiscal de custos permanentes e receitas circunstanciais para Dilma Rousseff. Todos sabem o que aconteceu.
POLÍTICAS OPOSTAS
Diferentemente disso, muito diferentemente disso, Celso Daniel deixou uma Santo André azeitada, pronta para decolar em meio a uma desindustrialização destrambelhada, provocada principalmente por Fernando Henrique Cardoso e 85 mil empregos destruídos na região no setor em oito anos.
Lamentavelmente, o legado de Celso Daniel foi jogado no lixo pelos sucessores. E, mais que isso, mistificado oportunisticamente por Paulinho Serra. Uma patetice inigualável porque juntou incapacidade técnico-gerencial e ambições políticas incontroláveis dos grupos de controle.
1. Postura Pública.
2. Planejamento Municipal.
3. Planejamento Regional.
4. Empatia Popular.
5. Transparência.
6. Confiabilidade.
7. Responsabilidade Fiscal.
8. Independência Crítica.
9. Honorabilidade.
10. Gestão Compartilhada.
11. Gestão Institucional.
12. Gestão Reformista.
Acompanhem em seguida definições que compuseram o Prefeito Predador do Grande ABC dos últimos 38 anos de derrocada econômica que não cessa:
POSTURA PÚBLICA
Quando um administrador público não tem planos definidos para enfrentar gargalos econômicos e sociais, o melhor mesmo e recomendável é manter a discrição. Paulinho Serra subverteu essa regra básica de compromissos sociais ao se especializar em eventos inócuos e espetaculares, quando não mistificadores. Nada que dispensasse coerência. Afinal, o então prefeito de Santo André sempre olhou o futuro como símbolo de urna eletrônica. Paulinho Serra e vibrantes marqueteiros fizeram de espumas a sustentação e o incremento de popularidade. A Secretaria de Efeitos Especiais, imaginária no organograma oficial, foi a mais brilhante e procrastinadora peça de engabelação do futuro durante os oito anos de Paulinho Serra à frente da Prefeitura de Santo André. Basta verificar os resultados práticos de políticas públicas que deveriam provocar transformações. A superficialidade de Paulinho Serra é uma marca registrada. Várias iniciativas de Paulinho Serra miraram projetos e ações de Celso Daniel. Uma corrida hilariante, porque inconsistente e frustrante. Um exemplo? Santo André Cidade Futuro de Celso Daniel virou Santo André 500 Anos de Paulinho Serra, descartada agora pelo sucessor Gilvan Júnior. Afinal, por que dar seguimento ao que não existe ou não passa de farrapos populistas?
PLANEJAMENTO MUNICIPAL
A concorrência para definir quem virou o Executivo municipal menos apetrechado para dar conta de planejamento municipal é imensa. O Grande ABC coleciona descuidos alarmantes. A definição da identidade do prefeito passa, como em todos os demais casos, pela relevância do Município. O peso da participação relativa no PIB é um ramal que deve mesmo ser priorizado. Por isso, não há como retirar a seta de apontamento da direção de Aidan Ravin. Santo André foi entregue ao sucessor de Aidan Ravin em estado lamentável como espaço de moradia e de trabalho. Deveria ser o oposto já que um vetor essencial a qualquer avaliação, o ambiente econômico nacional -- foi um dos melhores deste século -- em parte sob o segundo mandato de Lula da Silva, quando o PIB cresceu tremendamente com o suporte de exportação de commodities aos asiáticos, especialmente os chineses.
PLANEJAMENTO REGIONAL
Seguramente, Paulinho Serra perdeu a oportunidade mais clara para fazer da presidência e maior influenciador do Clube dos Prefeitos espaço especial no currículo de prefeito de Santo André. A Covid se apresentou como bilhete premiado à sensibilização, mas rigorosamente nada de ações que juntassem forças e estratégias das sete prefeituras foram deflagradas. A visibilidade midiática de um hospital de campanha constou de iniciativas promocionais. Nada que atenuasse a superioridade deletéria do índice de letalidade de Santo André e da região frente a média nacional. Em outras demandas sociais e principalmente econômicas, o Clube dos Prefeitos com o controle de Paulinho Serra não passou de trivialidades. Também a própria institucionalidade do Clube dos Prefeitos sob Paulinho Serra conheceu as trevas. Três prefeitos abandonaram o colegiado. Orlando Morando. José Auricchio e Clóvis Volpi romperam com Paulinho Serra.
EMPATIA POPULAR
Poucos políticos contavam e contam com uma preciosidade desperdiçada na breve carreira como o ex-vereador e ex-prefeito de Santo André, Aidan Ravin. Médico obstetra, Aidan Ravin catalisava o eleitorado nas atividades profissionais e nas jornadas populares, especificamente nas campanhas eleitorais. O corpanzil mais tarde reduzido por uma cirurgia bariátrica, o sorriso largo, o olho no olho do eleitorado, tudo fazia de Aidan Ravin a configuração de simpatia elevada às últimas potências. Mas Aidan Ravin jogou fora todo esse patrimônio de personalidade magnética. O despreparo para comandar a Prefeitura de Santo André extrapolou a razoabilidade . O que era uma espécie de reserva de respaldo social virou combustível de equívocos e impropriedades.
TRANSPARÊNCIA
Uma espetaculosa capacidade de transformar estratégia de marketing em transparência social. Essa é uma das heranças da gestão de Paulinho Serra em Santo André. Tudo não passou de um rastilho de pólvora que fez explodir uma Santo André fragilizada pela desindustrialização. A medida fez tanto sucesso que rompeu fronteiras municipais. Alojou-se num patamar de regionalidade ruinosa. Afinal, transparência vista sob o ângulo reverso de Prefeito Perfeito é munição de Prefeito Predador. Retirar esse mérito especial de Paulinho Serra e seus marqueteiros seria estupidez. É verdade que Paulinho Serra fez escola. Vários dos atuais prefeitos seguem a cartilha de triunfalismo a qualquer custo. Mas o melhor mesmo é Paulinho Serra que, além de desbravador, provavelmente se tornará inigualável na arte de manipular fatos e industrializar fantasias. É um Celso Daniel às avessas.
CONFIABILIDADE
O petista Carlos Grana perdeu a reeleição em Santo André por uma série de fatores locais e nacionais, inclusive ou principalmente porque o desastre chamado Dilma Rousseff o atingiu diretamente, assim como o então prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, que não fez sucessor. Carlos Grana fez um governo de coalizão informal com os tucanos representados pelo grupo de Paulinho Serra, vereador que virou secretário municipal e, em seguida, ao observar o barco petista afundar, foi levado por forças introduzidas na gestão petista a se lançar candidato de ocasião. Carlos Grana perdeu fôlego e prestígio nos dois últimos anos de mandato escasso em recursos orçamentários. Paulinho Serra associou-se ao barco petista, aconselhado pelos próprios petistas sutilmente contrários a Carlos Grana. A esses petistas, muitos da cúpula partidária, o mais importante era continuar no poder. Paulinho Serra foi o cavalo de Troia.
RESPONSABILIDADE FISCAL
O primeiro mandato do petista ainda com viés fortemente socialista Celso Daniel foi lamentável na medida em que praticamente se viu preso a duas situações conflitivas: agradar a sindicalistas e a acadêmicos de vieses esquerdistas que aquele começo dos anos 1990 incrementava, notadamente sob a força de um sindicalismo rebelde, e enfrentar a desconfiança da classe média de Santo André mais conservadora do que a da vizinha São Bernardo, formada por empreendedores de pequeno porte. Foi no embalo da inexperiência e da formação de um secretariado de baixa qualidade que Celso Daniel produziu uma bomba fiscal em 1992, com o aumento do salário do funcionalismo em 25%, muito acima dos limites de execução orçamentária. O estrago virou precatório que, durante muitos anos, drenou parte dos recursos de Santo André.
INDEPENDÊNCIA CRÍTICA
A vulnerabilidade da gestão de Paulinho Serra durante oito anos é proporcional à quantidade de vezes em que foi alçado às manchetes de papel como espécie de fenômeno incrivelmente dotado de erro zero. Para chegar ao nível de suposta perfeição, Paulinho Serra cumpriu rigorosamente os mandamentos de marqueteiros graduados na arte da sedução, quando não da submissão. Quando a esmola da ovação midiática é demais e sem restrições, o melhor mesmo é desconfiar. Poucas vezes se viu no jornalismo um chefe de executivo atuar com tanta desenvoltura e precisão. Paulinho Serra e seus inúmeros deslizes jamais foram contestados pela maioria da mídia regional. O milagre se explica no tratado simplificado de que uma mão lava a outra. No caso, o casamento de juntar a fome com a vontade de comer de relações mutuamente compensatórias. Tradução disso? Quem conhece os meandros de poderes divididos e autoprotegidos não tem dificuldade alguma em decifrar.
HONORABILIDADE
Não existe critério mais respeitável a interpretações, contemporizações e abrandamentos para definir gestor público com déficit de honradez administrativa que não seja o Judiciário. Quando uma sentença condenatória por corrupção determinada por instâncias judiciárias registra que falcatruas foram cometidas e deixaram provas materiais, tudo o que poderia ser visto como especulação vira realidade. Aidan Ravin fez da Prefeitura de Santo André uma arena de distorções escandalosas -- do setor imobiliário, principalmente. As chamadas licenças ambientais fizeram fortunas. Com assessores que também patrocinaram roubalheiras denunciadas e comprovadas anteriormente na Prefeitura de São Paulo, Aidan Ravin meteu-se em encrencas devastadoras. De fato, as denúncias do Ministério Público de Santo André formalizaram o estágio de desvios imobiliários . Até mesmo o principal dirigente do Semasa, autarquia responsável pela fiscalização, declarou o tamanho de irregularidades. Prédios de apartamentos completamente fora das normas foram erguidos e fizeram o milagre da multiplicação de rentabilidade de construtores e incorporadores.
GESTÃO COMPARTILHADA
A disputa pelo troféu de predador em gestão compartilhada é muito intensa. Afinal, integração municipal no sentido organizacional é uma operação que recomenda abertura participativa. O prefeito Paulinho Serra e o grupo no entorno capricharam na prática de isolar eventuais interessados em contribuir com políticas públicas. Não se recomenda a grupos imperialistas qualquer possibilidade de atrair colaboradores mesmo que voluntários. Há sempre o risco de vazamentos em forma de contraditório e independência. Por isso, a gestão de Paulinho Serra foi monolítica. E estabeleceu hierarquia de confiança e interesse entre os próprios participantes do grupo. Praticamente todas as instituições de Santo André, de cunho participativo da sociedade, se dobraram aos intentos de Paulinho Serra.
GESTÃO INSTITUCIONAL
O prefeito Luiz Tortorello se notabilizou no campo depreciativo de gestão pública pela insensibilidade no trato de questões de cunho regional. A São Caetano que comandou com zelo e responsabilidade era o seu mundo político e administrativo. O Clube dos Prefeitos não lhe apetecia porque, entre outras razões, contava com um Celso Daniel mais aplicado na integração regional e dono de perfil mais conciliador e intelectual. A regionalidade era um estorvo para Luiz Tortorello. Por isso, ao decidir entrar na guerra fiscal do ISS (Imposto Sobre Serviços) deflagrada muito antes por Barueri, Tortorello passou por cima de uma ação regional, destilada por Celso Daniel como a melhor alternativa para o Grande ABC compensar mesmo que parcialmente a perda de receitas industriais.
GESTÃO REFORMISTA
O prefeito Paulinho Serra fez plano mirabolante de mudanças em Santo André. Tudo copiado de iniciativas formuladas e executadas em parte por Celso Daniel. Mas nada efetivamente foi concluído. O projeto Santo André 500 anos, réplica de Santo André Cidade Futuro, de Celso Daniel, estacionou na superficialidade. No campo político-administrativo, Paulinho Serra aprofundou a repartição da máquina pública, inclusive com a parceria do PT, para cristalizar um poder de fogo jamais observado. A oposição praticamente desapareceu. Santo André fracassou em praticamente todos os indicadores econômicos e sociais de organizações comprovadamente respeitadas. O PIB desabou, com perda estadual de 34 posições per capita nos cinco primeiros anos de gestão já apurados pelo IBGE.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO