Política

PAULINHO DÁ SHOW DE
NARCISISMO POLÍTICO

DANIEL LIMA - 06/08/2026

Na entrevista publicada hoje no Diário do Grande ABC o ex-prefeito e candidato a deputado federal Paulinho Serra expõe sem pudores o agravamento do narcisismo político de sempre. O resumo da ópera é que Paulinho Serra se considera, embora omita, um Celso Daniel redivivo. Mais que isso: ao utilizar dessa  deformidade cognitiva, acredita-se capaz de ser a grande liderança política regional,  espécie de centro catalizador e difusor de tudo que se referir à regionalidade. Chamem os médicos, chamem os médicos!

Dizer como estou dizendo que Paulinho Serra se considera um Celso Daniel redivivo mas, contraditoriamente, esconda essa associação, significa o seguinte: embora seja o que estou escrevendo,  Paulinho Serra também é esperto porque se expuser o referencial de Celso Daniel como paralelismo, estará simultaneamente expondo uma fraude homérica. É melhor, portanto, Paulinho Serra omitir a referência porque, com isso, parecerá original aos ignorantes, desinformados ou tecnicamente incapazes de conhecer o passado.

O narcisismo político de Paulinho Serra é uma enfermidade que precisa ser combatida porque faz muito mal à sociedade pela simples razão de que é o drible da vaca na verdade dos fatos que três décadas de vida política denunciam.

CRISE INTERNA

A gravidade do quadro de delírios de Paulinho Serra talvez seja ainda mais acentuada do que o já comprovado no passado. Afinal, está pressionado internamente, no eleitorado que deverá lhe garantir a vitória em outubro próximo. Um vereador campeão de votos decidiu atrapalhar os planos de Paulinho Serra e da mulher Carolina Serra, que busca a reeleição como deputada estadual. Bahia do Lava-Rápido trocou a candidatura a deputado federal por deputado estadual e tudo indica que os mais de 10 mil votos amealhados em 2024 para vereador fugirão do controle do casal Serra, ao qual já não estaria mais aliado.

Vou tratar desse caso em outra situação. Fui atropelado pela reportagem esclarecedora do Diário do Grande ABC de hoje. Sim, esclarecedora, porque quanto mais o jornal ouve  Paulinho Serra, mais Paulinho  Serra troca os pés da sensatez pelas mãos da estupidez. Paulinho Serra insiste em desperdiçar a generosidade do jornal. Domingo sim e domingo também Paulinho Serra e a Inteligência Artificial tratam de polarização em coluna especial do jornal.

APENAS TANGENCIAL

Mas, voltemos ao narcisismo político de Paulinho Serra. O que ele propõe hoje nas páginas do Diário do Grande ABC conta com duas patentes de originalidade e empenho que Paulinho Serra ignora por ser analfabeto em regionalidade ou despreza porque o narcisismo sempre falará mais alto.

Paulinho  Serra pretende o que este jornalista, no âmbito da mídia, é pioneiro já na primeira edição da revista de papel LivreMercado, em março de 1990. Meses depois, ao liderar a criação do Clube dos Prefeitos,  Celso Daniel adotou e foi adiante na área  da Administração Pública.

Paulinho Serra sugere tardiamente e sem respaldo de qualquer resquício de interesse pelo tema desde que se meteu em política que o Grande ABC trate de um Planejamento Estratégico Regional tendo, claro, ele, Paulinho Serra, como grande condutor das peças. Possivelmente veja essas mesmas peças como marionetes a serviço do autoendeusamento.

O modelo tangencialmente surrupiado por Paulinho Serra como bandeira eleitoral rumo a Brasília já foi aplicado e desativado há muito tempo e teve como condutor humilde e de lastro técnico infinitamente maior o então prefeito Celso Daniel. “Modelo tangencialmente surrupiado” tem o sentido de dizer que a proposta de Paulinho Serra além de estelionato autoral e oportunismo eleitoral evoca apenas uma parte do conjunto de agentes a serem catequisados à empreitada de regionalidade. O que tivemos no passado com Celso Daniel à frente foi algo muito mais amplo. Contava com agentes políticos, sociais, sindicais e empresariais de diversas instâncias e inclusive da esfera estadual, Mario Covas, governador, à frente.

INSPIRAÇÃO ENVERGONHADA

No fundo o que o narcisístico Paulinho Serra pretende e que não se viabilizaria jamais porque fere o conceito jamais alcançado de respeitabilidade como liderança regional, é que todos se juntem a ele e o consagrem ao patamar de maior expressão política da região.

O mais lamentável mesmo – e insisto -- , e daí a constatação do narcisismo despudorado, é que Paulinho Serra, mais uma vez, omite algo obrigatório no ambiente político regional: que Celso Daniel é o grande inspirador de qualquer iniciativa que se tome nesse sentido. Paulinho Serra pretendeu em oito anos de dois mandatos desastrosos em Santo André algo como tornar-se o sucessor legítimo do legado de Celso Daniel sem, entretanto, sequer mencionar o nome do maior chefe de Executivo em regionalidade da história da região. 

Praticamente tudo o que os leitores vão acompanhar na reportagem do Diário do Grande ABC de hoje, que reproduzo em seguida, deverá ser observado com extremo cuidado. O narcisismo grotesco de Paulinho Serra é resultado de desvarios administrativos.

FUTURO SUCATEADO

Um exemplo, além da fértil imaginação de que seria a bola da vez em representatividade pública da região, é a menção ao projeto Santo André 500 Anos, subtraída sem citação autoral da gestão de Celso Daniel. “Santo André Cidade Futuro”, de Celso Daniel, projetava a cidade para o ano 2020, que já passou. Uma programação meticulosa e fartamente publicada e analisada por este jornalista acabou esquecida depois do assassinato do prefeito que seria um dos homens de ouro do primeiro mandato presidencial de Lula da Silva.

E o Santo André 500 Anos não passou de carta de intenções de Paulinho Serra que o prefeito Gilvan Ferreira, pragmático e responsável, tratou de desativar. Desativar não é bem o termo. Apenas oficializou a eutanásia de uma falsificação de pés de barro. O mesmo Gilvan que na mesma edição do Diário do Grande ABC e na mesma página da entrevista com Paulinho Serra mostra que está muito além do provincianismo festivo do antecessor. Está lá, Gilvan Ferreira, articulando e executando relações institucionais e administrativos com altas patentes políticas nacionais, casos do governador paulista Tarcísio de Freitas e do governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. 

SEM INTEGRAÇÃO

Ainda a propósito do objetivo grandiloquente de virar o prefeito dos prefeitos do Grande ABC,  mesmo estando fora do jogo dos prefeitos do Grande ABC,  não custa lembrar que Paulinho Serra ocupou durante anos o cargo de prefeito de Santo André e em várias temporadas de prefeito dos prefeitos do Clube dos Prefeitos.

Se à frente da Prefeitura mesclou fanfarronices e ficção com um senso apuradíssimo de assistencialismo de resultados eleitorais, o que não pode ser desprezado porque nesse caso não se trata nem de pioneirismo nem de exclusividade, na arena regional Paulinho Serra foi um desastre.

Paulinho Serra teve várias temporadas para fazer alguma coisa que o colocasse em situação de credibilidade agora que vai para Brasília. Entretanto, o que tivemos foram omissões, descasos e despreparo como prefeito dos prefeitos. Basta atentar para a atuação  à frente daquela instituição durante e após a pandemia do Coronavírus. Nada, absolutamente nada de tecnicamente integrativo foi levado adiante. Mais que isso – nada vezes nada foi sequer cogitado tendo a regionalidade como meta.

MELHOR ESQUECER

Quando se estende essa gelatina de oportunismo político de prefeito dos prefeitos e de  outros campos de interesse regional, a atuação de Paulinho Serra no Clube dos Prefeitos foi igualmente patética. Fosse menos egocêntrico, Paulinho Serra e seus marqueteiros deveriam esquecer qualquer coisa que lembre regionalidade, porque regionalidade jamais foi a praia desse político da velha guarda.

Não pensem os leitores que tenho prazer em escrever mais uma análise sobre Paulinho Serra e suas aberrações. Preferia mil vezes tê-lo como protagonista sem mistificações. Mas a obrigação funcional me impõe essa desagradável manifestação crítica. Paulinho Serra é um agente público nocivo à sociedade do Grande ABC. E muito mais que qualquer outro ao longo deste século, entre outras razões porque nenhum deles teve a assessoria de gente socialmente irresponsável a instrumentalizar fluviais pregações que colidem com o ambiente regional neste século de perdas continuadas.

REPORTAGEM DO DIÁRIO

Segue agora, como testemunha da história, a reportagem-entrevista com Paulinho Serra.  

 

Paulo Serra defende ‘plano diretor’

da região para unificar deputados 

 O presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, candidato a deputado federal nas eleições de outubro, defendeu a criação de um planejamento estratégico regional que sirva de base para a atuação conjunta da futura bancada do Grande ABC em Brasília. Afirmou que a proposta é construir um “plano diretor” da região, elaborado a partir das prioridades estruturais apontadas pelos sete prefeitos, acima das diferenças político-partidárias. 

Segundo Paulo Serra, a iniciativa teria como foco garantir que projetos considerados estratégicos para a região sejam defendidos coletivamente em Brasília. “Eu sou um entusiasta e vou propor, se tiver essa oportunidade, de fazer algo do tipo de um plano diretor do Grande ABC para que a bancada, em coletivo, tente convencer o governo federal desses programas importantes para a região”, disse o líder tucano durante o podcast Política em Cena, do Diário. 

O tucano afirmou que já vem dialogando com os prefeitos da região para identificar as principais demandas de cada município e citou a experiência de Santo André como modelo. “Fiz isso quando criei o Santo André 500 Anos, um planejamento estratégico da cidade por 30 anos. Independentemente de quem esteja na Prefeitura, essas obras, ações e programas deixamos prontos. Então, é fazer um planejamento do Grande ABC, quais são as prioridades das cidades e aí creio que conseguiremos fechar uma bancada da região, porque os interesses são comuns”, pontuou.

Paulo Serra destacou ainda que os programas e ações implementados em sua gestão impulsionaram seu nome em pesquisas de intenções ao governo de São Paulo, quando ainda havia expectativa de que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputasse a Presidência e não a reeleição. “Cheguei a pontuar 12%, representando o Grande ABC com muito protagonismo. Isso me deixou muito feliz, não pelo número em si, mas porque foi fruto do trabalho de gestão que fizemos em Santo André”, afirmou.  

Questionado sobre os projetos e programas implementados durante sua gestão e mantidos pelo sucessor, Paulo Serra afirmou que o prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) tem dado continuidade às principais iniciativas, ao mesmo tempo em que imprime seu próprio estilo de governo. 

“Isso é gradativo, mas a continuidade tem sido feita, claro, com estilos diferentes. A cidade escolheu isso. Então, nada mais justo do que continuar aquilo que deu certo e a semente que a gente plantou”, disse o tucano. 

Ao comentar a expectativa do PSDB para eleger deputados por Santo André, Paulo Serra destacou a candidatura à reeleição de Ana Carolina Serra e seu próprio nome para a Câmara Federal, sem descartar outros candidatos do partido e da federação com o Cidadania. “A gente quer ampliar esse grupo”, disse o presidente dos tucanos paulistas. 

Sobre o impasse envolvendo o vereador andreense Bahia do Lava-Rápido (PSDB), que teve o nome avalizado para disputar vaga de estadual, e não mais a federal, Paulo Serra afirmou que a decisão ainda não é definitiva. “Será levada ao diretório nacional, que é quem decide nas grandes cidades”, disse. 

A entrevista completa de Paulo Serra ao podcast Política em Cena pode ser assistida nos canais digitais do Diário.


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