Esta breve análise sobre o que representaram à estrutura econômica e social do Grande ABC os governos Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff é o fertilizante argumentativo do terreno psicológico da Carta Aberta ao presidente Lula da Silva, o nosso Lulacá, programada para a próxima sexta-feira, antevéspera do lançamento oficial da candidatura a tetrapresidência do ex-metalúrgico. O Estádio Primeiro de Maio, na Vila Euclides, é o palco épico do sindicalismo brasileiro, incensado até hoje pela mídia cor-de-rosa.
Para dimensionar a nota zero de zero a dez que atribuo tanto ao tucano Fernando Henrique Cardoso quanto à petista Dilma Rousseff é preciso compreender que o território do Grande ABC é o foco especial e restrito dessa avaliação. Nada que tenham feito ou desfeito em âmbito nacional será considerado tão relevante a ponto de influenciar decisivamente no placar, embora pesem lateralmente no cômputo regional.
Essa análise é mais conceitual do que aprofundadamente técnico-estatística. Já cuidamos dessa banda de numeralhas em variados textos e por isso decidimos poupar o distinto público de reminiscências alarmantes.
MILHARES DE TEXTOS
Para o leitor ter ideia, o acervo desta publicação criada em 1990 com a marca LivreMercado e que a partir de 2001 incorporou paralelamente a marca CapitalSocial (e oficialmente a partir de janeiro de 2009) há nada menos que 845 matérias relativas à atuação de Fernando Henrique Cardoso e 856 de Dilma Rousseff.
Já a trajetória de Lula da Silva nesta publicação de duplicidade nominal e unicidade doutrinária chega a 2.315 análises e reportagens. Praticamente uma a cada cinco matérias do acervo faz referência direta ou indireta a Lula da Silva.
A expressão “Lulacá”, de minha inventividade, consta de 86 matérias, a partir de novembro de 2002. Ou seja: Lulacá chegou logo após Lula da Silva virar presidente da República. Alçamos Lulacá numa Reportagem de Capa histórica de LivreMercado. E repetimos a dose quatro anos depois, quando Lulacá foi reeleito.
Na edição de 2002 fizemos um repto de confiança com o “Lulacá, finalmente!!”. Quatro anos depois, numa entonação preocupante, anunciamos na Reportagem de Capa o “Lulacá, decididamente?”.
ANTES DE THE ECONOMIST
Tempos depois a revista britânica The Economist fez algo análogo com o Brasil. Em 2009, a Reportagem de Capa de The Economist apontou a economia brasileira como promissora. Anos mais tarde, a mesma publicação voltaria a tratar da economia do País de maneira diferente. O “Brasil decola”, de 2009, foi substituído pelo “Estragou tudo” de 2013.
Exponho esses números estatísticos de ocupação desse espaço editorial pelos três presidentes da República dos últimos 30 anos para encurtar a conversa. Quero dizer com isso que temos massa crítica suficiente para, como nesta breve intervenção, dizer com todas as letras e sem deixar margem a dúvidas que tanto um quanto outro, tanto FHC quanto Dilma, foram tormentos para o Grande ABC.
Já escrevi que Fernando Henrique Cardoso foi o pior presidente na história do Grande ABC. Imaginava que os oito anos a partir de 1995 seriam insuperáveis com o saldo negativo de 81 mil empregos industriais destruídos numa operação genocida de jogar os pequenos negócios industriais aos leões de competidores nacionais e internacionais de alto calibre de letalidade.
Mais tarde, no segundo mandato interrompido de Dilma Rousseff, tive que mudar de ideia porque os fatos e as consequências daquele desgoverno falaram mais alto.
DOIS ANOS TENEBROSOS
Só nos dois últimos anos de gestão de Dilma Rousseff, com total anuência e apoio do PT, entre 2015-2016, sempre com base nos dados de 2014, Dilma Rousseff destruiu 60 mil empregos industriais e o PIB Tradicional do Grande ABC mergulhou no maior buraco da história, com queda de 22%, três vezes a hecatombe nacional.
Vou repetir: nos dois últimos anos de presidência, Dilma Rousseff destruiu 60 mil empregos industriais no Grande ABC, o PIB caiu 22% em termos absolutos (per capita passou de 30%) e, como consequência, tingiu de vermelho-sangue o futuro regional a ponto de até agora o PIB perdido não ter sido recuperado.
O leitor precisa entender que utilizo critérios objetivos, transparentes, insofismáveis, para demarcar o terreno de barbaridades que tanto FHC quanto Dilma trafegaram. Não há conceitos definidores dos dois desempenhos que não passem pelo matadouro de estragos regionais. Tanto um quanto outro simplesmente trataram o Grande ABC a pontapés.
SEM RESISTÊNCIA
Nenhum FHC, nenhuma Dilma Rousseff contaram com uma viva alma sequer para se debruçar nesse território de quase três milhões de habitantes e, com isso, medir as consequências das múltiplas iniciativas no comando do País.
Sob esse ponto de vista, o Grande ABC também tem muita culpa no cartório. E sobre isso trataremos também num dos próximos textos, antes da Carta Aberta ao Lulacá na sexta-feira da semana que vem
Deveria incluir nesse balanço geral de atuação de presidentes do País no território do Grande ABC o caçador de marajás Collor de Mello, apeado do cargo depois de denúncias de escândalos. Poderia tratar o período em que Collor de Mello atuou de forma atabalhoada ao abrir os portos sem critérios de adaptações aos protegidos potentados industriais do País. Mas o período Collor-Itamar durou apenas quatro anos.
Tudo isso é muito pouco para uma análise mais contundente, embora aquele período tenha iniciado o processo de esfacelamento da economia do Grande ABC. Iniciado em termos, porque tudo começou nos anos 1980, com os efeitos de um sindicalismo bravio e a guerra fiscal insana que acadêmicos de meia tigela propagaram como necessidade de descentralização da produção da Grande São Paulo.
TEMER E BOLSONARO
Os dois anos suplementares de Michel Temer como presidente, tapando os rombos de Dilma Rousseff, e os quatro anos de Jair Bolsonaro, dois dos quais duramente influenciados pela Covid, também não entram nessa conta de presidentes da República que ferraram o Grande ABC de cabo a rabo.
No máximo, numa forçada de barra, poderiam ser acumulados os seis anos dos dois presidentes fora do esquadro ideológico dos antecessores petistas. O saldo geral seria positivo, porque adviria do estrondoso fracasso de Dilma Rousseff. Empatar com Dilma Rousseff seria grotesco. Perder, então, inadmissível.
Lembro os leitores que estou procurando adotar os mesmos critérios que me moveram a produzir uma série de análises que culminaram na qualificação de três prefeitos do Grande ABC que tiveram dois mandatos seguidos para demonstrar o que de fato produziram nos respectivos endereços. Orlando Morando foi muito melhor que José Auricchio Júnior e Paulinho Serra se comprovou um falastrão.
DILMA NA CABEÇA
Se o leitor me perguntar e insistir na pergunta e não se satisfazer com eventual silêncio sobre a conclusão a que cheguei envolvendo os destruidores Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, pensaria um pouco, mais um pouco e, finalmente responderia sem pestanejar: é Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores como um todo os maiores algozes do Grande ABC. Tanto Dilma quanto o PT foram irresponsáveis, perdulários, abusadores e pecaminosos.
O fio da meada à conclusão a que cheguei está na conjunção dos indicadores mais importantes e o período em que tudo se deu. Fernando Henrique Cardoso provocou a perca de 33% do PIB Tradicional do Grande ABC em oito anos de dois mandatos. O mercado de trabalho industrial foi bombardeado. Já Dilma Rousseff provocou a quebra da economia do Grande ABC em estratosféricos 22% em 24 meses. O que Lula da Silva recuperou em dois mandatos de oito anos, Dilma Rousseff botou fogo nos dois últimos anos.
Se os oito anos de Lula da Silva, entre 2003 e 2010, foram tão extraordinários assim, é de esperar que a Carta Aberta a Lulacá, na próxima sexta-feira, seja o reconhecimento tácito de que, afinal, tivemos um paraíso de gestão federal no Grande ABC. Estou equivocado ou o leitor compreendeu o contexto?
E LULACÁ?
Lulacá estaria, portanto, a salvo da governança federal no Grande ABC, tanto direta quanto indiretamente? Diretamente significa o que tenha feito tendo em vista a realidade dos sete municípios sob os efeitos econômicos nacional e internacional. Indiretamente seria o que as políticas públicas de Lulacá repercutiram favoravelmente no tecido econômico e social do Grande ABC, além do Brasil como um todo.
Certo é que tanto Fernando Henrique Cardoso como Dilma Rousseff fracassaram no Grande ABC. A diferença é que FHC foi um presidente ativo, reformista e transformador no ambiente nacional, enquanto Dilma Rousseff notabilizou-se na combinação de incompetência, arrogância e despreparo em todo o território nacional. Nada melhor para virar presidente de banco internacional quando se tem as costas político-partidária largas e uma mídia tradicional avessa a respeitar os fatos.
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