Administração Pública

VEJA A SELEÇÃO DO
PREFEITO PERFEITO

DANIEL LIMA - 26/01/2026

O Prefeito Perfeito do Grande ABC a partir das eleições de 1988 não é, evidentemente,  Prefeito Perfeito de identidade única. É uma mistura de qualidades filtradas de 12 marcadores que poderiam compor uma cartilha de competências registradas durante os respectivos mandatos. O Grande ABC tem o Prefeito Perfeito de quatro faces resplandecentes avaliadas com critério, com cuidados técnicos, mas nem por isso indevassáveis a críticas e mesmo a eventuais substituições.

Tudo depende de cada cabeça. Escolhi o Prefeito Perfeito do Grande ABC nos últimos quase 40 anos (a disputa começa em 1988 e termina provisoriamente em 2024) com base em experiência vivida na prática. Celso Daniel não aparece por acaso em seis dos 12 quesitos. Luiz Tortorello, Orlando Morando e Oswaldo Dias completam o desenho idealizado. Seria praticamente impossível contar com o Prefeito Perfeito único. Veja como ficou o quadro final do Prefeito Perfeito: 

1. POSTURA PÚBLICA – CELSO DANIEL.

2. PLANEJAMENTO MUNICIPAL – CELSO DANIEL.

3. PLANEJAMENTO REGIONAL – CELSO DANIEL.

4. EMPATIA POPULAR – LUIZ TORTORELLO.

5. TRANSPARÊNCIA – CELSO DANIEL.

6. CONFIABILIDADE – OSWALDO DIAS.

7. RESPONSABILIDADE FISCAL – ORLANDO MORANDO.

8. INDEPENDENCIA CRÍTICA – LUIZ TORTORELLO.

9. HONORABILIDADE – OSWALDO DIAS.

10. GESTÃO COMPARTILHADA – CELSO DANIEL.

11. GESTÃO INSTITUCIONAL—CELSO DANIEL.

12. GESTÃO REFORMISTA – ORLANDO MORANDO. 

Na sequência, os leitores vão ter a oportunidade de acompanhar os motivos que determinaram essa seleção de valores que resultaram no Prefeito Perfeito. Não há muito a acrescentar nessa apresentação. Além do Prefeito Perfeito, teremos também na próxima semana a definição do Prefeito Predador, que obedecerá o ritmo da chuva de valores escrutinados do Prefeito Perfeito, com a diferença, claro, de que serão sinais trocados.

Já contamos com a rigorosa definição do Prefeito Predador. O que podemos adiantar é que nem tudo que reluz na politica regional sob controle de marqueteiros desalmados de fato é digno de constar do manual de responsabilidade social de gestores públicos.

Se de um lado a gestão de Celso Daniel foi, em muitos quesitos, um show de competências ao deixar legado tão precioso que chega a ser covardia qualquer comparação com sucessores tanto em Santo André  quanto da região como um todo, o Prefeito Predador esculpido de semelhantes exigências métricas se converterá em alerta às gerações que se deixam engabelar pelo espetáculo acima da cidadania. Acompanhe cada uma das métricas do Prefeito Perfeito: 

 POSTURA PÚBLICA

Entenda-se postura pública como especificidade em que um prefeito não é avaliado necessariamente por eventuais vulgaridades de palanque, tampouco por retóricas de campanhas eleitorais Postura pública é o comportamento de um prefeito em cerimônias oficiais, encontros com representantes da sociedade, apresentações em geral. É um somatório de qualidades diplomáticas, por assim dizer, dignas do cargo. Como discrição ao falar, sensibilidade diante de interlocutores e espectadores. Esses apetrechos definem a polidez e a elegância como ferramentas indissociáveis da marca de um gestor que se preocupa em não parecer oportunista, tampouco populista, muito menos alarmista. Celso Daniel rejeitava tudo isso e, com isso, diferentemente dos prefeitos barulhentos destes tempos, prefeitos que parecem concorrer ao troféu de trombeteiros do ano, Celso Daniel primava por algo que muitos chamam de timidez, inegável mas não eliminatória de outra porção pouco aprovada no futuro em forma de hoje: sabia o quanto cada encontro significava de responsabilidade social de olho que sempre estava no futuro que não chegou para ele. 

 PLANEJAMENTO MUNICIPAL

Não há candidato que vire prefeito que não chegue a um Paço Municipal munido do que normalmente chamam de planejamento estratégico. Mas entre a intenção muitas vezes de prevalecente fundo eleitoral e a prática executiva vai muita diferença. Nenhum prefeito da região chegou perto de Celso Daniel, depois do fracasso do mesmo Celso Daniel ao final do primeiro mandato, quando era um jovem ainda sob pressões de socialistas mais radicais. Celso Daniel eleito prefeito em 1996, e que dirigiu Santo André até ser assassinado, em 2002, tinha um painel de controle municipal que servia de bases às ações. Sem amarras, mais experiente e com capacidade organizacional com berço acadêmico, Celso Daniel fez série de incursões na gestão de Santo André. Era um prefeito-modelo muito além do PT, porque superou o ranço da agremiação de hostilizar a classe média e o empresariado em geral. Celso Daniel não foi chamado à toa para reforçar o planejamento do então candidato presidencial Lula da Silva. Ele era um contraponto de racionalidade ao voluntarismo do ex-sindicalista.

 HONORABILIDADE

Deixar a vida pública sem mácula não é propriedade exclusiva do então prefeito de Mauá, Oswaldo Dias, mas Oswaldo Dias fez da gestão pública partitura social com seriedade e impessoalidade dentro dos limites possíveis da política. As gestões de Oswaldo Dias foram pautadas pela simplicidade no gabinete principal do Paço Municipal. Oswaldo Dias foi um gestor comedido, não se encantou com o cargo, não fez da titularidade exibicionismo em conflito com as demandas de uma população fortemente migrante e em busca de mobilidade social.

 GESTÃO REFORMISTA

São Bernardo depois de dois mandatos de Orlando Morando virou uma cidade mais próxima da modernidade urbanística com laços logísticos fortes. A herança de prefeitos que o antecederam estava recheadíssima de deficiências urbanas estruturais que impactavam o potencial de exigências de competitividade econômica. São Bernardo de Orlando Morando rasgou ruas e avenidas e estabeleceu sincronia de encaixes que resultaram em mais fluidez de trânsito e mais horas para o descanso após um dia de trabalho. O reformismo na infraestrutura física de São Bernardo, especificamente ao aproximar pontos que pareciam interminavelmente distantes, virou herança bendita ao sucessor. Só faltou a Orlando Morando um projeto de desenvolvimento econômico que abrisse as janelas a um combate mais incisivo à herança maldita do governo Dilma Rousseff. 

 INDEPENDÊNCIA CRÍTICA

Luiz Tortorello fez de São Caetano território de resistência a determinada modalidade de jornalismo que, mais que exigente, invadia permanentemente a grande área da perseguição política por razões estranhas à própria administração. É verdade que o enfrentamento ao jornalismo incisivamente político levou Luiz Tortorello à radicalização. Tratou a mídia de maneira geral com baixa tolerância, instalando todos os veículos praticamente no mesmo cesto de desconfiança e hostilidade. Mas nada disso, entretanto, chegou ao extremo de interdição do diálogo com o jornalismo combativo mas não discriminatório. 

 GESTÃO COMPARTILHADA

Uma das maiores deficiências de chefes de executivos em geral é a dificuldade de compreender que não estão sozinhos numa administração. Os secretários fazem parte de pretensa orquestra de talentos que têm o dever cívico e funcional de dar respostas às demandas da sociedade, diretamente ou por intermédio da mídia. Basta acompanhar o noticiário para verificar que na quase totalidade dos casos os prefeitos parecem ocupantes solitários dos Paços Municipais. Celso Daniel era diferente. Todo o secretário integrava ativamente de relações com a sociedade. Tinham visibilidade. Ofereciam cardápio de competências, e mesmo de derivações contestáveis. Celso Daniel era um prefeito catalisador de demandas e propagador de respostas contando com ampla participação de assessores.

 EMPATIA POPULAR

Nessa arte que a maioria dos políticos exibe, porque é espécie de cromossomos compulsório da atividade, as relações do prefeito Luiz Tortorello com a população de São Caetano ultrapassaram os limites do entusiasmo. A conservadora Capital de Qualidade de Vida do Grande ABC dobrou-se durante anos à empatia popular de Luiz Tortorello em animadas festas populares. Ao liderar com o empresário Saul Klein o período mais vitorioso do futebol de São Caetano, equipe que chegou à decisão da Taça Libertadores da América, Luiz Tortorello caiu nos braços do povo como nenhum antecessor.  O futebol foi a cereja do bolo de comunicação social que Luiz Tortorello esbanjou durante todo o tempo.

 PLANEJAMENTO REGIONAL

É compulsória a indicação e a consagração de Celso Daniel. É uma barbada. O cúmulo mesmo seria a ausência do único gestor público da história do Grande ABC que, para valer, para valer mesmo, se lançou durante pelo menos três anos à regionalidade sempre acossada pelo municipalismo autárquico. Na métrica de Planejamento Regional não existe, portanto, nada, absolutamente nada, que possa ser interposta para contestar a definição por Celso Daniel. O petista moderado que um dia seria Ministro do Planejamento do primeiro governo de Lula da Silva, assassinado antes que a campanha de 2002 saísse às ruas, esse petista criou as estruturas do Clube dos Prefeitos e da Agência de Desenvolvimento Econômico. Mais que isso: liderou com o governador Mario Covas a construção da Câmara Regional do Grande ABC com participação múltipla de representações coletivas e individualidades do Grande ABC, além do secretariado do governo do Estado. Celso Daniel é único. Esquecer seu legado é uma forma covarde de os medíocres tentarem despontar como salvadores da pátria regional.

 TRANSPARÊNCIA

Celso Daniel criou a primeira ouvidoria municipal no País ao iniciar o segundo e mais fértil mandato em Santo André.  O escolhido foi o empresário Saul Gelman, morto recentemente.  O modelo diretivo que norteou o processo de escolha,  com participação de representantes sociais, e também a estrutura operacional, de atuação efetiva, era inovador, mas sujeito a críticas, conforme se espera de regime participativo. O tempo e os interesses político-eleitorais esterilizaram o potencial de influência social do mecanismo.  Outros municípios da região e do País como um todo se utilizam da inovação administrativa. Entretanto,  os desígnios são outros. O atendimento varejista dos moradores em questões do cotidiano,  de pronto-socorro principalmente em zeladoria, fechou as portas a intervenções de grosso calibre. Nada que possa atingir o prefeito de plantão prospera em qualquer dos endereços municipais do País. E tampouco no âmbito estadual e federal com nuances específicas, mas de princípios, meios e fins semelhantes. Ouvidora virou um pedacinho do organograma de propagandismo oficial.  Uma maneira de fazer da transparência limitada falsa concepção de cidadania participativa. 

 CONFIABILIDADE 

Uma administração sem sinais interiores e exteriores de desmandos, materialismo e exageros ganha ressonância em forma de confiabilidade. Osvaldo Dias não se deixou levar pelo encantamento do poder.  Mauá conheceu um homem que não alterou a personalidade ao longo dos mandatos.  Oswaldo Dias era o conteúdo sem mixagens de alcançar e permanecer no poder máximo do Executivo. Eram outros tempos, sem as tecnologias de bolso que transformam prefeitos em propagandistas de qualquer iniciativa que gere audiência. Não se acredita que Osvaldo Dias se deixaria seduzir por marqueteiros e , com isso, viesse a integrar  essa infantaria muito mais barulhenta que transformadora da vida dos contribuintes. 

 RESPONSABILIDADE FISCAL

Somente nos últimos 10 anos, um pouco mais, um pouco menos, há organizações que se dedicam tecnicamente à apuração do andar da carruagem da área fiscal das prefeituras, bem como de outras instâncias de poder. Os dados do passado mais remoto são desconhecidos comparativamente entre os entes federativos, como se não bastasse também serem segredo na individualidade das próprias prefeituras. Por isso, o indicador só pode ser considerado válido e seguro a partir dessa realidade. E, nessa realidade, segundo estudos acompanhados por este jornalista, quem mais sustentou o equilíbrio das contas públicas no Grande ABC desde a hecatombe de Dilma Rousseff, que rebaixou o PIB per capita da região em 30% entre 2015-2016, foi o então prefeito de São Bernardo, Orlando Morando. A avaliação que o coloca à frente dos titulares das prefeituras de Santo André e de São Caetano, Paulinho Serra e José Auricchio, é compatível porque os três ocuparam o cargo coincidentemente durante oito anos seguidos.   

 GESTÃO INSTITUCIONAL 

Nenhum prefeito sequer se compara a Celso Daniel do segundo e do terceiro mandatos em relacionamentos com instituições em geral. Tanto Celso Daniel quanto secretários não se limitavam a atuar internamente, no Paço Municipal. Também se faziam presentes em encontros institucionais com representantes de organizações de Santo André. E um ponto se destacava nesse encadeamento de interações: o tom político-partidário e mesmo eleitoral não exalava como o principal ingrediente, o que seria natural e consequente nas relações com a sociedade organizada em seus respectivos nichos. Foram inúmeras as experiências práticas de contatos presenciais de Celso Daniel e assessores. Parecia, cada encontro, uma extensão do projeto de transformação de Santo André, não necessariamente uma atividade com finalidade política no sentido mais interesseiro da expressão. E mesmo alguns exageros aqui e ali faziam parte do roteiro. Nada comparável  à algazarra eleitoreira permanente destes tempos de tecnologia  portátil massificada.



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