Política

TERRITORIALISMO
E PREFEITOS-ANÕES

DANIEL LIMA - 16/07/2025

O Grande Teatro de Horrores dos Prefeitos-Anões da região instalou ontem em Brasília, a Malvada, uma extensão da inutilidade-central com sede em Santo André. A pretexto de defender a regionalidade, os políticos que ali se apresentaram em nome da região querem mesmo é infiltrar tentáculos soberanos e inquestionáveis, quando não opressivos, de territorialismo.  É uma trama bem articulada.

Entre regionalismo e territorialismo há gigantesca cratera filosófica, doutrinária, econômica, política e social. Mas, inegavelmente, prevalece proximidade, quando não compatibilidade, mesmo que inadvertidamente ingênua, na avaliação dos eleitores.

Pior que isso: para o público em geral, regionalismo não tem distinção prática. Mais que isso: territorialismo é um contraponto totalmente desconhecido como alerta. Os grupos de interesse jamais permitiriam o uso de territorialismo como estratégia aplicada.

É fácil comprar gato por lebre quando falta cidadania. E quando a cidadania não só  falta como também é substituída por adesismo às forças de controle, tudo fica ainda pior. Por bem ou por mal. A artilharia é pesada.

DUPLO PADRÃO

Reparem no tratamento, por exemplo, que políticos não alinhados aos preceitos dos territorialistas recebem da mídia. E os privilégios dedicados à fanfarraria triunfalista. O mal sempre está apenas de uma lado. Os divinos do outro. Diferentemente, vejam só, do que se verifica no ambiente nacional, já deformado, onde o mal e o bem estão seletivamente distribuídos entre a direita e a esquerda, em muitas situações dependendo do ângulo de observação.   

Regionalismo é o capital social na essência, em que a sociedade produtiva,  a gestão administrativa e o engajamento da sociedade navegam no mesmo barco de propostas e ações com medidas incrementais. Uma sinfonia finíssima de prosperidade.

Territorialismo é o domínio do espaço regional por um determinado grupo político, espertos agentes econômicos e silêncio da sociedade. É um conto do vigário vendido à mídia como a salvação da lavoura do futuro que sempre se agrava.

PEÇA DE FICÇÃO

Vou reproduzir abaixo duasmatérias que dão conta da mesma coisa, a coisa no caso é a Sala do Grande ABC em Brasília. Compete aos leitores distinguirem ou não o conjunto de informações e o que chamaria de contrapontos desta publicação.

Não custa lembrar que regionalismo é especialidade dessa casa. Somente dessa casa. Ou seja: um atestado confesso de estupidez. Regionalismo é uma peça de ficção desde que os separatistas do século passado dividiram o território da região que nem ABC Paulista era, em sete pedaços disformes, egoístas e conflitivos diante dos desafios que já se manifestavam.

A promessa de efetivação de um grupo apartidário em defesa do Grande ABC, como foi colocado ontem em Brasília, não passa de embromação. É  um jogo de palavras e de cartas marcadas. Eles, os políticos ali presentes, não contam com respaldo público de setores produtivos e da sociedade como um todo. Instituições diversas não constam do organograma da regionalidade necessária.

O que se quer mesmo é fortalecer as próprias bases eleitorais. Isso vale principalmente às individualidades presentes. Quando houver vantagens mútuas, o espírito de corpo político-eleitoral será acionado. Quando colorações político-partidárias se juntam por alguma coisa o melhor mesmo é desconfiar.

A base à definição de que os prefeitos anões regionais que formam o Clube dos Prefeitos Pedintes do Grande ABC (prefeitos anões regionais não são necessariamente prefeitos anões municipais, claro) é que inexiste qualquer retaguarda técnica minimamente competente para abastecer os participantes de luzes rumo ao futuro.

FALTA O BÁSICO

Sem planejamento estratégico, concentrado de início no setor econômico, os prefeitos-anões e os deputados federais pigmeus vão apenas tapar ou tentar tapar um buraco aqui, outro ali, sem repercussão sistêmica. Mas isso não interessa a eles, de fato.

Basta rápida curadoria sobre o que já fizeram --principalmente os mais experientes – em defesa do Grande ABC para se confirmar o zero no placar de credibilidade. E olhem que todos eles trabalham com dinheiro dos outros, dos contribuintes.

As emendas parlamentares obrigatórias são o combustível da operação. Cada parlamentar da região em Brasília conta com R$ 70 milhões anuais para incrementar incessantemente campanha eleitoral que o levaria à nova vitória nas urnas. É dinheiro a rodo, geralmente pouco vigiado. Os escândalos de emendas parlamentares são rotina na mídia nacional.

É assim que funciona a democracia brasileira. Antes, quando o Executivo controlava o orçamento, os escândalos com o dinheiro público contavam com outra partitura.

BAIXO CONHECIMENTO 

Não é exagero afirmar que todos os políticos que aparecem na foto de primeira página do Diário do Grande ABC (exceto o prefeito da Capital, que não tem nada a ver com essa tragédia) não passariam por uma sabatina de conhecimento sobre a situação econômica e social da região.

Talvez eles saibam alguma coisa caso se deem ao desfrute ocasional de ler esta revista digital. Nesse caso, caso confessem o que seus assessores fazem diariamente, estariam cometendo crime explícito de descaso com o interesse público. Afinal, não teriam tomado providência alguma.

Duvido que, por exemplo, desconheçam o que tenho  enfatizado nos últimos dias: o PIB do Grande ABC deste século cresceu 77% abaixo da média da velocidade nacional que, por si só, é uma vergonha mundial.

Não serão emendas parlamentares que vão corrigir a rota da derrocada. Dinheiro público precisa trafegar por caminhos previamente planejados e em sintonia com resultados agregados, distinguindo-se prioridades como medidas propulsoras.

Um novo viaduto aqui e ali sem levar em conta a infraestrutura logística não é fonte de competitividade, tampouco de logística interna. É um quebra-galho. Os maiores especialistas do País não cansam de denunciar a baixa efetividade de emendas parlamentares ditadas por interesses individuais ou mesmo de grupos organizados.

Seguem as matérias publicadas hoje pelo Diário do Grande ABC e também pelo Repórter Diário: 

 

DO DIÁRIO DO GRANDE ABC

Sala Grande ABC vira espaço

de união suprapartidária

O Consórcio Intermunicipal inaugurou nesta terça-feira (15) em Brasília a Sala Grande ABC, localizada no Victoria Office Tower, próximo à Esplanada dos Três Poderes. Segundo o colegiado de prefeitos, o espaço reforça o novo momento de união e trabalho integrado entre as sete prefeituras da região e a Capital paulista, oferecendo estrutura para que prefeitos, secretários e técnicos utilizem durante agendas no Distrito Federal. 

A agenda de terça-feira (15) se tornou encontro suprapartidário. Participaram, além de seis prefeitos do região – Tite Campanella (PL), de São Catano, foi a única ausência –, os deputados federais Alex Manente (Cidadania), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), e Fernando Marangoni (União Brasil), bem como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT). 

A reunião de lideranças de diversas legendas vem ao encontro do discurso adotado pelo presidente do Consórcio e prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), que não vê cor partidária e que a entidade vive um novo cenário, de união e longe dos tempos de “vaidades” entre os prefeitos.  

Luiz Marinho afirmou que presidiu o Consórcio por quatro anos e destacou momentos importantes da entidade, como o nascimento, sob a liderança do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), e a força do colegiado na conquista de obras para as cidades que não conseguiriam com o próprio orçamento em momentos de crise econômica, 

Já Alex Manente considera muito importante a abertura do novo espaço. “Fortalece a região e coloca o Grande ABC no patamar adequado , uma das maiores economias do País”, pontuou o cidadanista.  

Ricardo Nunes corroborou a declaração de Alex, reafirmando a importância da região e parabenizou Marcelo Lima por sua liderança à frente do colegiado, do qual participa como associado. “Tenho certeza que daqui (novo espaço) vão sair muitos frutos para a população”, afirmou.  

Marcelo Lima destacou que o trabalho continua. “O Grande ABC agora tem aqui não só a bandeira. Tem o espaço dele em Brasília e no governo federal, para que possa fazer captação de recursos e projetos. De forma alguma vamos deixar esquecido o Grande ABC. É a região unida para entregar mais trabalho e qualidade de vida para a população”, destacou o podemista.  

Com custo inicial previsto em R$ 7.000 mensais para locação e internet, a Sala Grande ABC resgata uma ideia que não é nova. A sede da entidade em Brasília chegou a ser inaugurada em junho de 2017, mas esbarrou em dois entraves: a pandemia da Covid-19 e o racha entre prefeitos da região. A entrega do espaça marca também a adoção de nova identidade visual. Ao invés da tradicional arte com as sete andorinhas, representando cada cidade da região, agora as representações têm formato de setas. Também houve mudanças na tipografia da nomenclatura da entidade.  

 

DO REPÓRTER DIÁRIO

De olho na articulação política,

Consórcio do ABC inaugura

sala em Brasília 

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC inaugurou nesta terça-feira (15/07) a Sala Grande ABC em Brasília. O presidente da entidade regional e prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima, ressaltou que o novo espaço reforça a atuação do órgão como principal articulador para o desenvolvimento de uma das regiões econômicas mais importantes do país.

“É mais um marco da unidade entre todas as cidades do ABC e a capital. Agora levamos nossa força conjunta para Brasília, em busca de mais presença, diálogo e conquistas para a região”, afirmou.

Participaram da inauguração em Brasília os prefeitos de Santo André, Gilvan Júnior; de Mauá, Marcelo Oliveira; de Diadema; Taka Yamauchi, de Ribeirão Pires, Guto Volpi; e de Rio Grande da Serra; Akira Auriani; e ainda de São Paulo, Ricardo Nunes, que passou a integrar recentemente o grupo.

O evento também contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que presidiu o Consórcio ABC em 2013, 2014 e 2016 enquanto prefeito de São Bernardo, e dos deputados federais Alex Manente, Fernando Marangoni, e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, com domicílio eleitoral no ABC.

A nova estrutura instalada na capital federal tem como objetivo ampliar a representatividade política do ABC junto aos três poderes, permitir que prefeitos, secretários e técnicos acompanhem de perto as discussões no Congresso Nacional, nos ministérios e nos tribunais superiores.

Em sua fala, o prefeito de São Paulo destacou a força econômica da região, valoriza a representação dos municípios junto ao PIB brasileiro. “Temos mais capacidade de conduzir juntos políticas públicas e melhorar a vida da nossa população “, declarou.

Já o ministro Luiz Marinho lembrou do tempo em que presidiu o Consórcio do ABC e defendeu a criação de autarquias conjuntas entre os municípios.

A aproximação institucional é estratégica para tratar de pautas prioritárias para os municípios, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)  66, que prevê novo prazo de parcelamento especial de débitos das prefeituras, com precatórios. O tema tem impacto direto nas gestões locais e já conta com o envolvimento de prefeitos da região, como Gilvan Ferreira e Taka Yamauchi, que participaram de agendas recentes em Brasília.

Segundo os organizadores, a estrutura da Sala Grande ABC foi pensada também para oferecer suporte técnico e logístico às equipes municipais, que com frequência se deslocam à capital federal para tratar de convênios, programas e projetos estratégicos. Com um espaço próprio, os profissionais do ABC passam a contar com melhores condições de trabalho, articulação e acompanhamento junto ao governo federal.

“Hoje é um momento de muita alegria para nós, pois trabalhamos para conseguir nesse ano reintegrar novamente todas as cidades da nossa região no Consórcio, ganhamos o reforço da Capital e abrimos a Sala aqui em Brasília”, afirmou Marcelo Lima.



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