Política

CAÇA AOS DIMINUTIVOS
É OBRA DOS HERODES

DANIEL LIMA - 09/07/2025

Não é por acaso que Paulinho Serra virou Paulo Serra e que Gilvan Júnior agora é Gilvan Ferreira. Fosse Marcelo Lima Marcelinho Lima, também viraria Marcelo Lima. Tite (Campanella) é um Titezinho disfarçado. Takinha Yamauchi seria o que já é,  Taka Yamauchi. Marcelinho Oliveira seria Marcelo Oliveira. Guto Volpi teria botado Gutozinho Volpi para correr.  Akirinha Auriani seria Akira Auriani sem dó nem piedade.

A caça aos diminutos que poderiam sugerir nanismo político foi instaurada no Grande ABC. Os marqueteiros contam com manual de decisões que miram um único objetivo; dar vida longa, muito longa, aos políticos de estimação, adoração e votação. Tudo isso não combinaria com a marca pessoal supostamente infantilizada.

A manjedoura popular que transformou um e outro em diminutivos no tratamento social e político não serve de sustentação aos objetivos contidos na matança. A porção de Herodes invadiu a praça regional seletivamente, claro. Só está a serviço de quem tem o que oferecer como contrapartida. Mesmo que a contrapartida não seja necessariamente apenas dos beneficiários. 

FALTA ESSÊNCIA

Outras medidas populistas emergem explicitamente ou não das equipes que cuidam do polimento de imagens de chefes de Executivo da região. Somos uma terra de mediocridades depois que a terra de oportunidades virou pó com desindustrialização e inação social.

Vale muito mais a embalagem de individualidades a serviço de grupos organizados do que o conteúdo que demandas econômicas e sociais insistem em esfregar na cara de todos.

Quem subestima o estágio de profissionalismo do marketing dos poderosos de plantão no Grande ABC é muito mais que descuidado. Não  está dando importância ao que decide a sorte regional a cada dia em que o grupo de territorialistas impõe agenda em que regionalismo é letra morta.

Aliás, o territorialismo cada vez mais pronunciado se nutre do regionalismo político desse mesmo grupo. O propagandismo de regionalidade no sentido amplo de ser,  a regionalidade institucional criada por Celso Daniel, não passa de papo furado. É uma engenharia de engabelação para ludibriar  incautos.

MUITA RETÓRICA

Regionalismo em todos os sentidos, no sentido de guarda-chuva que respaldaria árvores frondosas de atividades econômicas, sociais e institucionais, dá muito trabalho. É preciso agir democraticamente para valer. Sem cores partidárias e ideológicas. Sem lengalengas retóricas. Tudo que os prefeitos municipais ignoraram como pretensos prefeitos regionais.

A operação Herodes não muda os conceitos e tampouco a memória documentada de CapitalSocial.

Tanto Paulinho Serra como Gilvan Júnior continuarão a ser Paulinho Serra e Gilvan Júnior nas páginas digitais de CapitalSocial.

O servilismo que repouse em outros endereços midiáticos. Paulo Serra e Gilvan Ferreira que sirvam à finalidade com que foram concebidos no ventre de marqueteiros que vendem até a própria mãe.

A mídia fora dos redutos da região, que, aos poucos, vai descobrindo políticos locais, que fique com os novos batismos. Até porque, no caso, não serão novos batismos. Quando não há registros anteriores, tudo que se transforma em mudança de fato mudança não aparece nem parece.

PATERNIDADE

É claro que nenhum marqueteiro de Santo André e de São Bernardo (ou que atue no Grande ABC como um todo num consórcio de medidas que visam dar uniformidade aos poderosos de plantão)  vai assumir a paternidade dessa alteração no placar nominal.

É muito pouco provável que Herodes recalculados e reprogramados queiram carregar a identidade de restauradores de formatos de agentes políticos. Mas não se deve duvidar de milagres. É possível que marqueteiros em formato de Herodes decidam chamar a medida de obra de Deus.

O que se pode garantir com base nessa operação de assassinato do passado nominal (é disso que se trata) é que provavelmente os caçadores dos diminutivos estejam prontos a novas operações, agora preventivas.

A identificação de potenciais integrantes do grupamento territorialista colocaria os marqueteiros de marcas pessoais a agir prontamente, retirando qualquer vestígio de suposta subalternidade nominativa antes que diminutos floresçam e se cristalizem.

E OS OPONENTES?

Se facilitarem, até nomes próprios seriam impactados, com eventuais substituições ante restrições não só de identificação propriamente dita como também de vertente fonética. Não custa nada pensar com a cabeça dos adversários para impedir ataques futuros.

Nesse ponto vai ser preciso mais que criatividade, mas também domínio cultural extremo. Qualquer marca político-individual está sujeita a guerra de guerrilhas. Por acaso Lula não virou Lulalelé, entre outras iniciativas oposicionistas? E Jair Bolsonaro, que de mito entre os seus virou fascista e genocida para os adversários?

Há iniciativas de todos os tipos. Geraldo Alkmin por acaso não virou Picolé de Chuchu? E outros mais que igualmente saíram do enquadramento de nominação para adjetivação muito mais desagradável?

Entregar a imagem dos Executivos Públicos da região a marqueteiros das aparências, ao invés de incursões às essências, mostra bem a que estágio chegou o que chamaria abusivamente de massa diretiva regional.

AMBIENTE SURREAL

Estamos vivendo um ambiente surreal que tem no Clube dos Prefeitos de Prefeitos Municipais não Prefeitos Regionais o nó górdio a soluções ou medidas corretivas, quando não medidas paliativas.

Joga-se de corpo e alma para a plateia de uma Sociedade Servil e Desorganizada. Conta-se para tanto, como tenho cansado de registrar, com o alheamento à regionalidade e mesmo à municipalidade ditado pelo ambiente federal dominador nas redes sociais.

Paulinho Serra virou Paulo Serra e Gilvan Júnior virou Gilvan Ferreira provavelmente sem provocar sequer um pontinho de interrogação dos consumidores de informações, a maioria caudatária acrítica de agendas que se distanciam das reais inquietações municipais e regionais.

Querem um exemplo do quanto o Grande ABC virou território desligado das reais preocupações locais? Qual foi o último movimento de reação a medidas de um prefeito? Quando foi e por que foi que um grupo relativamente expressivo da sociedade se mobilizou contra uma iniciativa compreendida como abusiva aos contribuintes? Quando de fato e para valer houve reação coletiva mesmo que embrionária e despida de paixões políticas e partidárias? Pense nisso. Encontrou a resposta ou não há resposta?

RECUO E AVANÇO

Puxando pela memória, encontro no início do primeiro mandato de Paulinho Serra, quando Paulinho Serra já virara Paulo Serra, uma invasão popular no Paço Municipal em protesto contra o aumento abusivo do IPTU.

A mobilização surtiu resultado, os valores foram rebaixados mas, também ou principalmente, serviu de base à contraofensiva dos poderosos de plantão.

Nos anos seguintes, e nos seguintes, os valores do IPTU subiram astronomicamente em Santo André, além da inflação e principalmente do PIB per capita, e não se moveram uma palha sequer em contraposição. A Sociedade Servil e Desorganizada entregou os pontos. Bastaram algumas medidas de contenção da rebeldia de peças populares mais agressivas.

Com diminutos ou sem diminutivos, com Herodes ou sem Herodes, o que temos na região é uma pequenez institucional que se reflete no choro frequente e justo de contribuintes mais atentos à degringolada econômica. Mas ainda estamos muito longe de um cavalo de pau de intolerância cívica.

JURADA NOTA 10

O espetáculo dantesco de uma Brasília em chamas, depois de décadas de uma Brasília de conveniências, segue dominando a pauta diária. Não  à toa  qualquer prefeito da região sai consagrado nas pesquisas de avaliação. O nível crítico lembra a benevolência de Marcia de Windsor, aquela jurada de televisão que distribuía nota 10 a todos os calouros.



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