Política

MORANDO É O MELHOR
VOTO PARA A REGIÃO

DANIEL LIMA - 23/09/2026

Orlando Morando e Paulinho Serra deverão ser eleitos à Câmara Federal em outubro, enquanto Alex Manente poderá ser (embora corra riscos) mais uma vez reeleito. Dessas que chamaria de três principais estrelas das eleições para deputado federal nesta temporada, não tenho dúvidas em apontar o ex-prefeito de São Bernardo e até outro dia o xerifão da Segurança Pública da Capital e da Região Metropolitana de São Paulo como a melhor opção de voto regional. Fernando Marangoni, já deputado federal, corre por fora nos votos na região. O capital eleitoral de Marangoni espalha-se por várias cidades do Interior do Estado na medida em que reflui principalmente em Santo André.

Numa espécie de Bolsa de Valores de Voto Produtivo envolvendo diretamente os três jovens da mesma geração política ao longo deste século, Orlando Morando construiu carreira muito acima dos demais. É o voto mais qualificado da região. Quem sabe esse trio junto e misturado em Brasília dê largada em direção à regionalidade do Grande ABC no campo legislativo federal. É o que esperamos. Caso Marangoni reforce o quadro regional, melhor ainda.

Precisamos acabar com a Síndrome de Apagão que desde sempre caracteriza a atuação de nossos deputados federais. Nem Celso Daniel escapou da degola circunstancial de reputação que Brasília impõe ininterruptamente. Esse é um bom tema. Deverei voltar a esse assunto. A qualidade de mandato dos deputados federais da região sempre ficou subordinada a outros fatores.

MAIS É MELHOR

Diferentemente do que outro dia anunciou o candidato Paulinho Serra, espécie de centroavante que perde gol atrás de gol, os agentes públicos eleitos pela região e que estarão em Brasília na próxima legislatura não devem nem precisam atropelar os prefeitos do Clube dos Prefeitos com pautas arbitrárias, quando não oportunistas.

Legisladores federais que representem o Grande ABC podem fazer muito mais pelo Grande ABC se colaborarem ao fortalecimento institucional e operacional do Clube dos Prefeitos. Ciumeira e partidarismo poderão ser desativados com um comando menos personalista de um Clube dos Prefeitos oxigenado e uma organização coletiva dos legisladores conectada a assessores especializados em regionalidade.

Não acho que é um ato de coragem ou algo semelhante apontar como estou apontando o melhor voto regional para a Câmara Federal. A sociedade tem o direito de saber a opinião e a argumentação de quem ocupa alguma posição de orientação, por assim dizer, nestas alturas do campeonato eleitoral. De que valeria o acúmulo de conhecimento e testemunho se tudo for condensado como estoque de omissão deliberadamente conveniente?

DESEMPENHO SÓLIDO

Sei que haverá manifestação ante essa constatação que está longe de ser orientação ao voto na melhor regionalidade. Se me preocupasse em agradar a gregos fanáticos e a troianos interesseiros, não sairia da chuva ácida do posicionamento crítico.

Orlando Morando é o melhor voto regional por razões que estão acumuladas nesta publicação ao longo dos anos e, também, apesar de pecadilhos administrativos cometidos ao longo da carreira. Quem me apontar um agente público isento a reparos provavelmente estará no mundo da lua.

O que vale nesse caso entre três políticos da mesma geração, a geração deste século no Grande ABC, é o currículo até hoje consolidado. Resumidamente, Orlando Morando tem vários indicadores acima de Paulinho Serra e de Alex Manente, mas nem por isso o Grande ABC deve prescindir desse trio em Brasília. Os três podem fazer mais do que Morando faria isoladamente.

Talvez exista apenas uma barreira a impedir que o Grande ABC tenha esse trio em Brasília a partir do ano que vem. Alex Manente pertence à mesma federação partidária de Paulinho Serra (Cidadania-PSDB) e se a soma de votos da legenda não atingir a quilometragem mínima, apenas um deles estaria habilitado e, portanto, o outro ficaria no acostamento da desilusão. A linha de corte é o grande desafio de Manente. Há apostas em dois sentidos. Manente ultrapassaria a barreira e Manente não ultrapassaria a barreira.

BOLSA DE VALORES

Essa dúvida é resultado direto da baixíssima habilidade de Paulinho Serra, presidente estadual do PSDB. O ex-prefeito de Santo André fez tantas barbeiragens que comprometeu tanto o próprio projeto eleitoral como o de terceiros com os quais mantinha proximidade. Não fosse a reserva de votos em Santo André, Paulinho Serra estaria em idêntica situação à vivida por Manente, ou seja, rezando para que o quociente eleitoral não pregue uma peça.

A Bolsa de Valores de Voto Produtivo encontra em Orlando Morando uma combinação de experiência tanto no Executivo quanto no Legislativo Municipal e Estadual. Paulinho Serra passou pelo Legislativo de Santo André e como Executivo, em dois mandatos, provou bem provado que marketing faz parte da partitura de gestão pública com tamanha intensidade que pode ser suficiente para levar o eleitorado a aprovação indistintamente à capacidade de gerenciamento.

Manente se deu mal em todas as tentativas de virar prefeito em São Bernardo e por conta disso fez das disputas locais a alavanca para construir a carreira de legislador estadual e federal, após iniciar-se como vereador.

A disputa de outubro próximo, outubro próximo no caso é o domingo da semana que vem, contará com várias camadas à interpretação dos resultados que virão das urnas. Vejam alguns indicadores interessantes envolvendo Orlando Morando, Paulinho Serra e Alex Manente, além de Marangoni.

1. QUANTIDADE GERAL DE VOTOS.

2. QUANTIDADE MUNICIPAL DE VOTOS.

3. QUANTIDADE REGIONAL DE VOTOS.

A categorização do voto em três compartimentos poderá parecer desnecessária, mas tem muita importância quando observada sob olhares imediatistas e também como observatório que tenha o futuro próximo ou distante como fonte de atenção. A ideia de que bastaria analisar o voto sob a perspectiva de resultado bruto morre na praia da superficialização interpretativa porque restringiria análises importantes quando se considera a vida pública muito além da próxima disputa.

Um exemplo: a quantidade de votos municipais muito preponderante pode expor o fracasso de expansionismo planejado mas mal aplicado. Tanto quanto quantidade de votos gerais muito acima do voto municipalista exigiria avaliações reflexivas intensas. Por mais que o valor da vitória não tenha, para quem tem a vitória como quase obrigação, porque evidente, os valores periféricos e complementares podem indicar aperfeiçoamentos na trajetória a ser executada.

1. QUANTIDADE GERAL DE VOTOS.

No caso de Quantidade Geral de Votos, o enunciado já diz tudo. Afinal, quem ao final da disputa -- e conforme os dados oficiais -- terá obtido melhor resposta do eleitorado paulista? Nesse caso, não tem choro nem vela. Quantidade rigorosamente obedece à lógica, nesse caso, de quem somará mais votos. A redundância não tem parentesco com os melhores momentos de Dilma Rousseff. O mapa de votos não comportaria semântica. Tanto é verdade que exponho duas complementaridades. Em política tudo é possível, inclusive o impossível, mas vou testar meu palpitrômetro – Orlando Morando terá mais votos que Paulinho Serra e Alex Manente. E, adicionalmente, que Fernando Marangoni.

2. QUANTIDADE MUNICIPAL DE VOTOS.

Já na Quantidade Municipal de Votos, minha aposta é uma barbada. Apesar de todos os pesares e burradas, destruindo parte do potencial de votos que a memória eleitoral o favorece como ex-prefeito de muito sucesso de público, Paulinho Serra terá proporcionalmente muito mais votos locais que Orlando Morando e Manente, de origem eleitoral em São Bernardo. Tudo porque Paulinho Serra conta com parte da máquina pública como ativo, enquanto Orlando Morando encontra no prefeito Marcelo Lima um adversário determinado a atrapalhar inclusive com candidatos de fora do Grande ABC. Manente está entre as duas correntes eleitorais de São Bernardo, dos conservadores e de apoio discreto e estratégico do prefeito Marcelo Lima nos territórios ocupados por Orlando Morando e Carla Morando. Morando e Manente terão votos proporcionais locais muito aquém de Paulinho Serra. Marangoni sabe que Santo André é um campo minado e deverá aperfeiçoar a mágica além-fronteira, mais acentuadamente do que na eleição passada.

3. QUANTIDADE REGIONAL DE VOTOS.

Quanto à Quantidade Regional de Votos, a liderança será de Orlando Morando e o segundo lugar deverá ser ocupado por Manente. Ou seja: Paulinho Serra será um concorrente majoritariamente municipalista à reboque do passado recente. Morando ganhou amplitude e profundidade junto ao eleitorado fora de São Bernardo com a incursão no secretariado do prefeito Ricardo Nunes, na Capital. A mídia paulistana, com forte influência no eleitorado, destacou a atuação intensa de Orlando Morando na área abrasiva da Segurança Pública. Os resultados da artilharia tecnológica do Smart Sampa, com reforços materiais e do efetivo de agentes de segurança, expuseram uma das virtudes de Orlando Morando: a caça permanente a resultados práticos associada a um marketing naturalmente indispensável mas longe de camuflar ineficiência e fabricar sucesso. Muito, muito diferente disso. Orlando Morando foi um prefeito bom de voto e bom de governo numa cidade em que o PT é fortíssimo concorrente. Paulinho Serra foi um prefeito bom de voto e ruim de governo onde o PT municipal só falta ser enterrado.



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