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Sociedade
Folha denuncia picaretagens
de premiações para quem paga
DANIEL LIMA 29/04/2010
A Folha de S. Paulo publicou domingo matéria de página quase inteira que denuncia organizadores que cobram para contemplar laureados. São premiações fajutas que ganham manchetes, principalmente de colunas sociais.
Uma pena que a Folha de S. Paulo não tenha feito contraponto. Poderia divulgar a relação de premiações que levam ao extremo da transparência a metodologia de reconhecimento individual e corporativo.
É verdade que seriam poucas, muito poucas. O que mais se imprime no mercado são tatuagens de delinquência em forma de festas e de discursos sob encomenda.
O outro lado da moeda corresponderia a ouvir este jornalista, durante uma década e meia coordenador-geral do Prêmio Desempenho, maior evento regional do País. A frequência anual de edição só foi interrompida ano passado. Um estelionatário ético chamado Walter Sebastião dos Santos, dono da Best Work e então proprietário da revista Livre Mercado, não honrou o compromisso de compartilhar o evento com este jornalista, conforme consta de contrato registrado em cartório. Walter Sebastião dos Santos preferiu sofismar e procrastinar.
Recebo dezenas de solicitações para reativar o Prêmio Desempenho em suas três denominações (Prêmio Desempenho Empresarial, Prêmio Desempenho Social e Prêmio Desempenho Cultural). Explico aos interlocutores que entre os motivos que me impedem de ir adiante está a condicionalidade contratual de compartilhamento do Prêmio Desempenho Empresarial com a Best Work Consultoria Empresarial, de desdobramentos na esfera judicial.
Tenho alternativas para seguir com a premiação, mas prefiro dar tempo ao tempo. A base do Prêmio Desempenho exige série de providências. Caso, por exemplo, de uma publicação que produza cases corporativos privados, públicos e sociais, além de um Conselho Editorial que se entregue para valer na avaliação e na atribuição de notas. Também nas categorias individuais da premiação é indispensável a participação dos conselheiros. Ninguém jamais recebeu troféu algum simplesmente por vontade protetora do coordenador-geral. E tampouco deixou de receber também por eventual perseguição do coordenador-geral. O Conselho Editorial sempre foi soberano.
A picaretagem quase geral e irrestrita da maioria das premiações é uma das melhores explicações para 15 anos de sucesso do Prêmio Desempenho. Sempre cuidei pessoalmente do evento. Criei o Conselho Editorial, que chegou a contar com mais de 250 integrantes. A medida adveio do padrão de baixarias de premiações em geral e também para neutralizar infiltrações deletérias de agentes comerciais da Editora Livre Mercado.
Quando desconfiei que havia ameaças internas, da Editora Livre Mercado, para vender gato por lebre, tratei de blindar a premiação. O Conselho Editorial foi criado não só para atribuir notas aos cases e para decidir os melhores individualmente como também para fiscalizar a lisura do empreendimento.
E a melhor maneira para que todos tivessem completo controle dos princípios do Prêmio Desempenho foi transformar cada conselheiro em fiscal. As notas atribuídas eram transpostas rigorosamente às planilhas, repassadas a todos. Os conselheiros se reconheciam nas respectivas notas pelo código individual, o qual os mantinham fora da zona de coerção de terceiros. Ou seja: as notas corporativas e as escolhas individuais seguiam ritual de confessionário. Apenas o coordenador-geral tinha acesso ao material.
Sei que se torna bastante árido descer a detalhes do processo de transparência e interatividade do Conselho Editorial. Resumiria a operação como algo tão sólido no respeito à individualidade dos jurados e dos protagonistas da premiação que jamais tivemos qualquer contestação. Muito pelo contrário: o que obtivemos em 15 anos foi a consagração em forma de credibilidade.
É dispensável afirmar que jamais os resultados do Prêmio Desempenho foram vinculados a receitas publicitárias, embora não faltasse quem, internamente, em princípio, assim o pretendesse. Sabia que precisava construir barreiras contra a volúpia do Departamento Comercial, contra o qual, repito, tratei de fechar as portas com a atuação do Conselho Editorial.
Tivemos casos históricos de ceticismo de representantes de cases Destaques do Ano. Entretanto, resultados divulgados, deu-se lugar ao encantamento. O troféu de Destaque do Ano era entregue a todos os cases finalistas, escolhidos pela coordenação-geral da premiação. Entretanto, a definição hierárquica era atribuição exclusiva do Conselho Editorial com base na média de notas atribuídas.
Uma das muitas provas para exemplificar a grandeza do Prêmio Desempenho é que a Bridgestone Firestone, multinacional com unidade em Santo André, tornou-se patrocinadora durante mais de uma década. E se manteve mesmo com a concorrente Pirelli a perfilar entre as Melhores do Ano. A decisão do Conselho Editorial foi soberana. A Bridgestone Firestone não fez qualquer reparo ao resultado.
Querem outro exemplo que afasta o Prêmio Desempenho da zona cinzenta da Folha de S. Paulo? Realizamos uma das edições no Teatro Paulo Machado de Carvalho, em São Caetano. Lotadíssimo, esperava-se que o título de Melhor das Melhores fosse entregue ao prefeito José Auricchio Júnior. O case da política de inclusão social num Município cantado em verso e prova como rico parecia imbatível.
O case do Profamília, espécie de Bolsa Família de São Caetano, foi redigido por este jornalista. Acreditava, sinceramente, que nada o superaria. Me enganei, porque arrebatou o título de Melhor dos Melhores Governamental, mas perdeu o de Melhor dos Melhores Geral para um grupo de voluntários sociais que, travestidos de palhaços, minimiza o ambiente hospitalar para crianças e adolescentes.
Provavelmente escreveria um livro sobre uma década e meia de Prêmio Desempenho. Foram momentos inesquecíveis, principalmente com a criação do título de Madres Terezas. Foram situações que me retiravam da discrição de raramente participar de eventos sociais. Tinha dois compromissos presenciais com a sociedade do Grande ABC, sempre como responsável pelo evento. Entregamos 1.718 troféus durante esse período. Muitos empreendedores que jamais fizeram sequer uma inserção publicitária na revista LivreMercado saíram ovacionados dos eventos. A autonomia do Conselho Editorial era absoluta. O testemunho de cada conselheiro é o atestado de idoneidade da premiação.
Moralizamos a modalidade de premiação no Grande ABC, dominada por cumplicidades asfixiadoras da meritocracia. O conceito de pagou, levou, era empregado à exaustão, num jogo manjadíssimo.
Por isso, os prêmios denunciados pela Folha de S. Paulo (Cruz do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek, Prêmio Qualidade São Paulo), Top of Quality, Top of Business, Diploma do Mérito Educacional e Prêmio Incentivo à Qualidade) não passam mesmo de entupimento das coronárias éticas.
O Prêmio Desempenho sempre foi o desaguadouro dos esquecidos. Uma grande maioria de pequenas e médias empresas foi contemplada ao longo dos tempos. Gente humilde, como Madres Terezas e Freis Galvão, saíram do anonimato. Personagens de vários campos de atividades foram laureadas em vida ou em memória com títulos de Imortais.
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