Sociedade
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Um quebra-cabeça para você
montar o prefeito que quiser

  DANIEL LIMA - 17/12/2019

Na próxima segunda-feira, 23 de dezembro, encerro mais uma temporada de jornalismo voltado às múltiplas faces e intestinos do regionalismo do Grande ABC. E lanço um desafio: o leitor vai ter a obrigação moral e ética de, num cantinho qualquer da consciência, e sem fanatismo ou discriminação, esculpir a cara, o corpo e a alma do prefeito que quiser entre os atuais e também, se pretender esticar a corda, colhendo os que já passaram pelo Grande ABC.

São 10 peças conceituais que revelo a seguir, cujos elementos interpretativos só detalharei no último dia útil deste ano. Útil é força de expressão: já programei batalhas culturais que vou enfrentar para exercitar o que mais gosto na vida – botar meu pobre e indomável cérebro para trabalhar.  

Comprei três livros para consumir em 15 dias. Uma biografia de um técnico revolucionário do futebol, as transformações do mundo digital e a obra coletiva dos três tenores filosófico-populares do Brasil, “Cortella&Karnal&Pondé, que tratam de Felicidade.  

Aliás, sobre os três, recuperem na Internet a entrevista que deram a Pedro Bial, semana passada. Espetacular para quem acredita que vale a pena sair da mesmice e extraordinário para quem quer ser desafiado permanentemente a entender a vida.

Antes de explicar as regras do jogo para a montagem do quebra-cabeça, vou apresentar aos leitores as 10 peças com as quais poderão contar, as quais, não necessariamente serão utilizadas --- até porque há elementos contraditórios a especificá-las.

Aliás, esse é o diferencial do quebra-cabeça que acabo de inventar e o quebra-cabeça convencional. Aqui há peças inúteis, de acordo com os conceitos escolhidos pelos leitores. 

 Prefeito predador.

 Prefeito marqueteiro.

 Prefeito omisso.

 Prefeito varejista.

 Prefeito vassalo.

 Prefeito reformista.

 Prefeito carismático.

 Prefeito visionário.

 Prefeito ilusionista.

 Prefeito regionalista. 

Exemplos nas praças

Viram? Essas são as peças do quebra-cabeça. Poderia ter listado mais uma dezena, porque não faltariam justificativas. Mas optei por apenas uma dezena entre outros motivos porque os conceitos que utilizarei para caracterizá-las incorporarão variáveis que, portanto, não teriam porque sobreviverem individualmente. Seriam potencialmente redundantes – e desnecessárias.

Na edição de segunda-feira trato detalhadamente dessas frações que ajudarão no processo de formação de personalidades conhecidas ao longo do tempo nos paços municipais do Grande ABC – e de maneira geral nos paços brasileiros. Afinal, essas são espécies de figurinhas carimbadas das práticas político-administrativas no País.

Ao contrário do que podem imaginar alguns, e diferentemente do que podem sugerir outros, a construção do que chamaria de estrutura de personalidades diversas da ação de chefes de Executivos municipais não exigiu muito neurônio. Distante disso. Basta puxar pela memória de passado político-administrativo pouco brilhante da maioria dos gestores públicos no Grande ABC e correlacioná-los ou não aos atuais. Está formulada a concepção central desse quebra-cabeça.

Mosaico descartado

Inicialmente imaginei outro tipo de metáfora para fazer esse jogo de avaliações. Desisti porque não seria adequada no contexto de integralidade. Pensei em afirmar que formaria um mosaico com características distintas e interdependentes de prefeitos que passaram ou que estão nas prefeituras. Mosaico, na minha cabeça, pressupõe o encaixe de todas as peças. Não seria o caso das 10 peças que me abastecerão.

Quebra-cabeça é melhor

Quebra-cabeça é mais apropriado. As regras do jogo que inventei e vou utilizar permitem o descarte impuro. De que se trata o que chamo de descarte impuro? Ora, um prefeito conceitualmente omisso não pode ser ao mesmo tempo visionário, não é verdade? Se um prefeito omisso pode até ser um prefeito ilusionista, esse mesmo prefeito tem limitações no campo de realizações, até porque não seria um prefeito omisso.

Embaralho intencionalmente as características que utilizarei para organizar de alguma forma o raciocínio crítico dos leitores que se debruçarem nos conceitos na próxima segunda-feira. Quero mesmo provocar estresse em quem me acompanha anos a fio ou apenas circunstancialmente.

Vou ser mais direto e reto, além de transparente e evocativo à provocação dos leitores. Pensei sobretudo nos leitores que têm como fonte inicial de informações presença nas minhas listas do aplicativo Whatsapp, única ferramenta do mundo virtual de que faço uso. Não tenho qualquer outra modalidade de aproximação com os leitores, além do ainda resistente e-mail.

Contenda sem fim

Quero que leitores digitalizados que frequentam o aplicativo mencionado pensem um pouco mais quando se referirem aos prefeitos atuais ou aos que já passaram pela região. Que os 10 pontos listados e a serem escrutinados na próxima segunda-feira não sejam um conjunto descartável, de leitura imprecisa, apressada.

Que os leitores mergulhem em cada tipologia. Que avaliem os conteúdos. Que façam confrontos mentais, por assim dizer, colocando no ringue de avaliações prefeitos que aprovam, prefeitos que desaprovam, prefeitos que não lhes interessam. Façam isso.

A democracia é uma contenda sem fim. Os resultados dependem da capacidade de análise e participação de cada cidadão. Democracia liderada por poucos não é democracia. É pura encenação que sufoca a meritocracia e aprofunda a desigualdade social, peças da mesma engrenagem de cidadania.

Vamos fazer essa experiência a partir da próxima segunda-feira? Vamos lá, gente. Nada de pressa. Não é porque reproduzo os 10 pontos cruciais para a construção do perfil de cada prefeito que o leitor quiser dispor na imaginação de quem enxerga a região da maneira que bem entender que a tarefa de montagem já começou.

Esperem. Isso mesmo: esperem pelos conceitos que vou preparar. Aliás, que já estou preparando. Serão poucos caracteres para cada tipologia. Nada que represente um tratado de individualidades já conhecidas.

Quer ver como vale a pena esperar pela definição dos conceitos previamente revelados? 

O que é visionário?

O que o leitor imagina que seja um Prefeito visionário?  Será que essa tipologia é inteiramente positiva ou carrega condimentos românticos demais para ser catalogada como sonho de consumo de quem espera de gestores públicos comprometimento com um futuro que jamais chega em forma de solução de problemas recorrentes na geografia regional?

Viram que não é fácil nem simples recolher uma característica de individualidade administrativa tendo a superficialidade como sugestão valorativa? Insisto: o que significa no frigir da etimologia público-administrativa a expressão “prefeito visionário”. Vou ser escrachado: dependendo da situação, o visionário pode ganhar tonalidades de extravagante, ingênuo ou algo assemelhado.

Estão ficamos assim: enquanto segunda-feira não chega, vamos exercitar a imaginação do que seja cada um dos 10 pontos listados? Façam esse exercício. Pensem nos prefeitos atuais. Disseque-os. Esprema-os.

Quais são as características que os prefeitos detêm de positivo e de negativo entre as 10 listadas. Cuidado com a incoerência, porque esse quebra-cabeça é diferente, repito. Não permite que se encontrem saídas para o uso de todas as peças.

Não queremos um Prefeito Frankenstein, por assim dizer. Queremos prefeitos de carne, osso e alma. Gente que saia prontinha da imaginação induzida para a materialidade fruída.

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