Regionalidade
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Paulinho transforma Clube
dos Prefeitos em fim de feira

  DANIEL LIMA - 06/11/2019

Populismo, oportunismo e tudo que rime nesse sentido, cujo significado seja precariedade de decisões que em nada contribuem para a recuperação econômica e social do Grande ABC, estão na ação do prefeito Paulinho Serra para reunificar o Clube dos Prefeitos. Como se sabe, Paulinho Serra é prefeito dos prefeitos há quase um ano. Praticamente nada fez no âmbito que mais interessa a região – o desenvolvimento econômico. E agora contrata fanfarra midiática para comemorar a volta de Diadema à entidade, após o retorno de São Caetano. 

Tudo isso é embromação pura. O Clube dos Prefeitos piora a cada temporada. Na exata velocidade da corrosão econômica do Grande ABC. Uma similaridade altamente destrutiva. 

Vou mais longe, inclusive para justificar e explicar o título desta análise, mais uma que faço ao longo da história sobre o Clube dos Prefeitos. O retorno de Diadema, como se não bastasse a anterioridade nesse sentido de São Caetano, é a prova provada de que a regionalidade vive estágio de fim de feira. 

A manchetíssima (manchete das manchetes de primeira página) de hoje do Diário do Grande ABC e a reportagem da página interna comprovam a precarização monumental dos conceitos de regionalidade, embora o sentido da reportagem seja o oposto, de salvação da lavoura. 

Pagando como puder 

Parcelar a dívida de Diadema em 200 meses, e, mais que isso, emitir sinais de que está disposto a aceitar qualquer contraoferta da dívida acumulada de R$ 10 milhões (por não pagamento de mensalidades) transforma Paulinho Serra, sem dúvida e sem apelação, em dono de banca de feira-livre. Com todo o respeito aos donos de bancas de feiras-livres cuja legitimidade e necessidade de negociação têm finalidade muito mais nobre, ou seja, de seguir com os negócios a cada nova jornada. No caso de Paulinho Serra, o que está em jogo, apenas isso, é manipular conceitos.  

O prefeito de Santo André é daqueles administradores que atiram para todos os lados e, como a regionalidade é perna de pau abandonado no banco de reservas de prioridades dos gestores públicos do Grande André, o resultado não poderia ser outro. 

Que resultado? Paulinho Serra corre na velocidade de Fórmula-1 para entregar o que prometera assim que assumiu o cargo, no começo do ano. Quer repor a todo custo os fugitivos do Clube dos Prefeitos. Como o tempo se está esgotando, lança mão de orquestração emergencial para colocar em seu currículo o que considerará algo fabuloso, ou seja, o retorno do bicho de sete cabeças. 

A iniciativa de Paulinho Serra é semelhante à do dono de um ferro-velho que, surpreendido com o desaparecimento de parte do estoque, descobre que o material está no quintal do vizinho e, sem pestanejar, recupera-o. A integridade foi restaurada, mas o ferro-velho segue sendo ferro-velho. O Clube dos Prefeitos é um ferro-velho. 

E a grande reforma? 

A grande reforma de que tanto precisa o Clube dos Prefeitos fica para o futuro, se antes de o futuro chegar o passado contaminador de impropriedades não for avassalador a ponto de destruir de vez a instituição.  

Seria demais acreditar que Paulinho Serra, incapaz de dar um pontapé inicial à recomposição econômica de Santo André, executasse reestruturação conceitual do Clube dos Prefeitos. Temos um ex-vereador de ficha nada lustrosa em termos de comprometimento com o Desenvolvimento Econômico de Santo André e um ex-secretário de governo petista cuja principal obra foi criar corredores de ônibus que jamais foram respeitados pelos usuários de veículos simplesmente porque a lei da física não pode ser surrupiada e dois corpos estranhos acomodarem-se nos limites logísticos de ocupação do mesmo espaço. 

Mudando de espelho

A operação tapa-buraco no Clube dos Prefeitos é patética para um prefeito que, antes de ser contaminado pelo partidarismo e o radicalismo político, olhava o retrato de Celso Daniel e sentia vontade de ajoelhar-se, em respeito a tudo o que o petista fez no âmbito da regionalidade, como desbravador histórico. 

Guerra ideológica 

Influenciado por más companhias ideológicas, o ex-secretário do petista Carlos Grana optou pela radicalização. Mas seguiu rotina de baixa capacidade de resolução no terreno que mais interessa a Santo André, porque se trata da centralidade: a construção de balizas que retirem o Município da zona de decadência contínua. 

Como tenho cansado de mostrar com dados estatísticos. Santo André perdeu o rumo e o prumo econômico há muito tempo e o que Paulinho Serra mais faz nos quase 36 meses de mandato e arquitetar fórmulas para aumentar a arrecadação municipal. Não custa lembrar que, neste século, o PIB de Santo André ocupou o 31º lugar entre os 39 municípios que integram a Região Metropolitana de São Paulo. Um pouco menos ruim que o 34º de São Bernardo e o 36º de São Caetano. Diadema ficou em 30º lugar e Mauá em 26º. Rio Grande da Serra em 21º. 

Quem propala aos sete municípios que o Clube dos Prefeitos é um sucesso, provavelmente sofre das bolas. 

Tratamento festivo

O tratamento festivo às negociações com os dissidentes do Clube dos Prefeitos durante a gestão do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, tem um conteúdo muito mais político do que efetivamente de resultados de repercussão social. Paulinho Serra, embora tucano como Orlando Morando, quer provar a todo custo que tem mais habilidade nas relações com os demais prefeitos. Como se estivesse em disputa um concurso de simpatia. 

Mesmo com todos os defeitos demonstrados como prefeito regional, Orlando Morando, titular do Paço de São Bernardo, carrega no DNA uma clareza de raciocínio, uma transparência deliberativa, uma vocação à resolutividade, que não se encontram em Paulinho Serra. 

Em termos municipais, de gestão, não há comparação possível que deixe de colocar Paulinho Serra sempre em situação de inferioridade. A gestão de Orlando Morando, goste-se ou não de seus métodos, é muito mais efetiva e objetiva que a de Paulinho Serra. E isso se reflete no Clube dos Prefeitos. 

Tempo e oportunidade 

A Orlando Morando faltou sensibilidade na condução da regionalidade, avessa ao municipalismo exacerbado que carrega. A Paulinho Serra falta maturidade inclusive para contrapor aos pecados individuais virtudes que jamais poderiam ser negadas. 

Talvez o tempo seja providencial para corrigir o percurso de ambos os prefeitos. Eles e os demais que ocupam os paços municipais contabilizam o maior déficit de participação na instituição. Quem ainda tem direito a disputar a reeleição pode, quem sabe, mudar esse enredo. 

Exceto José Auricchio Júnior e Lauro Michels, os demais prefeitos têm o tempo a favor para apagar o passado de passividade, quando não de desinteresse, às questões regionais. E não existe prova mais provada de que o Clube dos Prefeitos é um fracasso ainda maior durante a gestão de Paulinho Serra do que a submissão às vontades dos retirantes que condicionam retorno à desfaçatez de negociarem as dívidas em suaves prestações mensais, depois de abatimentos monstruosos. 

Quem comemora tamanha fragilidade honra com louvor o título de provinciano. E não será com provincianos em instâncias importantíssimas da região, inclusive na mídia, que daremos uma reviravolta no placar de produção de riqueza, desfiladeiro- abaixo neste século mais que preocupante para quem faz do Grande ABC a morada de esperança.

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