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Regionalidade
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Clube dos Prefeitos sofre novo
golpe com partidarismo tucano

  DANIEL LIMA - 20/02/2018

Descobriram a pólvora de que o prefeito dos prefeitos Orlando Morando, titular do Clube dos Prefeitos, escalou o secretário-executivo Fabio Palacio como ponta de lança político-partidário. Diversas publicações da região deram outro dia a informação de que Palacio anda por Brasília em busca de tudo, menos de eficiência à regionalidade restauradora. Todos os veículos pouparam Orlando Morando, responsável pela indicação. Morando é um homem de sorte. Parece invisível quando o calo aperta. E ganha manchetíssimas ao oferecer respostas supostamente interessantes.

Morando não foge à regra geral de apadrinhamentos políticos. Nada diferente, portanto, de tantos outros espécimes. Aliás, de todos os políticos. Trata-se de ação institucionalizada que comprova a essência da atividade político-partidária. Falta combinar com os interesses da sociedade. Com o bem comum. 

Fabio Palacio não tem um apetrecho técnico sequer para ocupar o cargo de uma instituição que deveria zelar pelo futuro de uma região de passado complexo e de presente desestimulante. 

Fabio Palacio tem uma imensidão de méritos políticos para ocupar o cargo de uma entidade que se prostituiu no sentido objetivo dos pressupostos com que foi concebida.  O Clube dos Prefeitos virou um ramal de marketing dos tucanos, após ter sido, mas de forma menos ostensiva, dos petistas. Trataremos disso outro dia.

Lamentável mesmo nessa história de suposta descoberta de inserção política numa instituição que deveria ser marcantemente técnica é que somente agora se deem conta do que foi feito do Clube dos Prefeitos. Há inteligências na região desprezadas pelos veículos de comunicação, as quais poderiam facilitar o entendimento do jogo dos poderes sem tanto embaraço e atraso. 

Para não dizerem que sou engenheiro de obras feitas (uso essa expressão com certa assiduidade em situações semelhantes porque é a mais popular e inteligível à maioria dos leitores) vou reproduzir na sequência os trechos principais de dois dos muitos artigos que preparei no ano passado. Alertei sobre a politização do Clube dos Prefeitos e sobre a inutilidade da chamada Casa do Grande ABC em Brasília. Leiam com atenção. E estamos conversados. 

A primeira matéria foi publicada na edição de oito de fevereiro do ano passado sob o título “Morando entre Noviça e Nazistas”. O que dará?  

Entre duas fronteiras 

 Depois de apenas um mês como prefeito dos prefeitos da Província do Grande ABC, título que se reserva ao prefeito do Clube dos Prefeitos, o tucano Orlando Morando, titular do Paço Municipal de São Bernardo, me conduz à projeção preliminar que o coloca entre “A Noviça Rebelde” e “As Nazistas Taradas”, filmes inesquecíveis a que assisti nas décadas de 1960 e 1970. Resta saber que tipo de lembrança ficará para sempre. “Noviça Rebelde”, ganhador de cinco “Oscar”, é o melhor filme de minha vida. “Nazistas” é seguramente o pior. Salvou-se exclusivamente pelo ambiente de Hong Kong. Tenho cá comigo, preliminarmente, que o caso de Morando no Clube dos Prefeitos encaixa-se mais à metáfora de “As Nazistas Taradas”. 

Os pés pelas mãos 

 Orlando Morando está trocando os pés pelas mãos e isso é muito preocupante. Parece preocupar-se em jogar para a plateia ao anunciar supostas novidades e subestimar o encaminhamento de soluções sistêmicas, estruturadas, as quais beneficiariam inclusive os compulsórios sucessores no Clube dos Prefeitos. Ao anunciar como está anunciando de forma concreta que montará em Brasília o que o Diário do Grande ABC chama de “Casa do Grande ABC”, mas que prefiro rotular de “Casa da Província”, Orlando Morando vai despender recursos financeiros que poderiam ser utilizados de maneira mais proveitosa. Talvez Morando não saiba, mas a ideia de uma representação regional em Brasília é tão antiga tão antiga que ao ressuscitá-la sem o devido cuidado está cometendo as mesmas falhas de avaliação dos diretores de “As Nazistas Taradas”. 

Lobby é muito pouco 

 Estar em Brasília apenas para fazer lobby em busca de emendinhas que dariam alguma ajuda orçamentária às prefeituras locais é muito pouco. Seremos uma espécie de pedinte de luxo com esse braço que romperia fisicamente o território regional. Ou quem sabe teremos uma extensão do lobby tucano regional para contrabalançar a ausência de um representante no Congresso Nacional, enquanto o deputado federal Alex Manente, adversário de Morando, está ali como ameaça à centralidade de captação de recursos financeiros que, por mais pífios que sejam, ainda surtem efeitos eleitorais porque a Imprensa os transforma em grandes conquistas. Ao mesmo tempo em que gastará dinheiro que afirma não estar mais disponível à Agência de Desenvolvimento Econômico, Orlando Morando simplificará a agenda regional a tal ponto que torna pouco provável a contratação de especialistas em competitividade regional. 

Cadê as propostas?  

 (...) Ir à Brasília sem um conjunto de propostas e medidas pré-definidas para aplicação no curto, médio e longo prazos, é desperdício de dinheiro. É espécie de marketing do estilo João Doria. Não duvido, também, que o provincianismo regional será facilmente manipulado ao transformar eventuais atendimentos do governo federal em salvação da lavoura. Ou seja: a incursão no Planalto Central não é uma alternativa descabida, estúpida, gataborralheiresca. Muito pelo contrário. Entretanto, sem uma base sólida ditada pela racionalidade de estudos técnicos ganha foro de espetacularização da pauta regional. Tanto quanto a participação já definida e empossada de um representante do governo do Estado como convidado especial do Clube dos Prefeitos. Fórmula igualmente repetida. No passado assim se fez, inclusive com a intermediação do então secretário particular do governador Geraldo Alckmin, Fernando Leça, de ramificações pessoais e profissionais em São Bernardo. 

Mundo é o limite 

 (...) Tenho enorme vantagem sobre os atuais prefeitos da região (e essa vantagem tenderá a avançar na medida em que me mantenho vivo e lúcido, enquanto o rodízio de prefeitos nos respectivos paços vai-se consumar a cada eleição) e também sobre o entorno sempre escasso de agentes públicos que lhes dão sustentação na área econômica: a Província é minha pátria jornalística, sobre a qual me lanço diariamente em profundos estudos. Além disso, para que não me transforme em provinciano como tantos, o mundo é meu limite de conhecimento. É impossível projetar a Província dos próximos anos sem estar atento, por exemplo, às estripulias nacionalistas de Donald Trump e seus efeitos multilaterais e multigeográficos. 

Filmografia mequetrefe 

 (...) Assisti tantas vezes ao filme mequetrefe da regionalidade da Província do Grande ABC patrocinado pelo Clube dos Prefeitos e pela Agência de Desenvolvimento Econômico que descarto a possibilidade de algo semelhante a “Noviça Rebelde” nos próximos tempos. Vou ter mesmo de suportar “As Nazistas Taradas”, sem a compensação das tomadas encantadora de uma Hong Kong espetacular. 

O segundo artigo 

Na edição de julho do ano passado, entre outras matérias, voltei a escrever sobre a Casa do Grande ABC em Brasília, sob o título “Passado prova: tática do Clube dos Prefeitos fracassará de novo”. 

 Não adianta tentar tapar o sol das dificuldades estruturais com a peneira de um marketing rastaquera circunstancial: a tática adotada pelo Clube dos Prefeitos de instalar a chamada Casa do Grande ABC em Brasília é um tiro que vai sair novamente pela culatra. É claro que esse raciocínio fundamenta-se na responsabilidade social de encaixar a perspectiva de desferir pontapé bem dado no passado de enrolações que, metabolizadas, agudizariam o estado degenerativo da economia regional. Se a finalidade do Clube dos Prefeitos for puramente o trololó do “discurso da regionalidade”, como confessou inadvertidamente o secretário-executivo da entidade, Fabio Palacio, são outros quinhentos. Até porque não faltarão mídias a bater palmas para malucos supostamente gestores. 

Porta-estandarte 

 O anúncio de página inteira no Diário do Grande ABC em forma de porta-estandarte, que levou a Província do Grande ABC ao estrelato nacional em competitividade, resumiu as pretensões edulcoradas. Notaram os leitores que utilizei o verbete “tática” e não “estratégia” para definir o que está posto pelo Clube dos Prefeitos com o lobby instalado em Brasília? Tática diz respeito a algo específico, como vencer uma batalha. Estratégia se refere a algo mais grandioso, mais duradouro, como uma guerra. 

Político-partidário 

 (...) O Clube dos Prefeitos é um time de uma tática econômica fragilíssima que se associa a uma também tática político-partidária pronta a se dissolver na medida em que os resultados se confirmarem medíocres ante a demanda exacerbada de uma região em transe. Em termos estratégicos talvez o único vestígio se restrinja mesmo ao campo eleitoral. Um direito dos prefeitos de plantão, esmagadoramente azuis e assemelhados. Diferentemente dos antecessores, vermelhos em todos os sentidos ou com alguns tons conciliatórios. 

Pechas de sempre 

 (...) Os mal informados, os desatentos, os ignorantes e os que adoram flertar com a maledicência me acusam nos bastidores de estar manifestando má-vontade com o Clube dos Prefeitos. São bandos de indecentes e desmemoriados, quando não alienígenas regionais. Querem uma prova contundente disso? Aleatoriamente busquei no acervo desta revista digital algo que me remetesse a um passado suficientemente distante para provar que a linha de coerência regionalista deste profissional não é montanha-russa monitorada por circunstâncias específicas como mais se identifica na Imprensa de maneira geral. 

Histórico comprovador 

 Temos engatilhadas na memória cláusulas pétreas do que esperamos ver no futuro da Província do Grande ABC que jamais nos deixarão bandear a posições de ocasião. A maior facilidade de manter a coerência é carregar o peso da responsabilidade de não mentir, de não sofismar, de não tentar enganar o distinto público. (...) Para encurtar a história e mostrar aos leitores que o que escrevemos nesta temporada não é nada diferente do que, por exemplo, escrevemos na revista LivreMercado naquele outubro de 2003 (portanto há quase14 anos) está no artigo “Migalhas não interessam: buraco é bem mais embaixo”. 

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