Política
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Ailton-Aidan pode ser melhor
que Ailton Lima e Aidan Ravin

  DANIEL LIMA - 17/02/2020

Um dos desdobramentos da dupla Ailton Lima-Aidan Ravin como concorrentes unidos para chegar à Prefeitura de Santo André é um ponto de interrogação que exige reflexões. Trata-se do seguinte: por que não Ailton Lima e Aidan Ravin em raias separadas? Não tenho a menor ideia do que foi acertado em termos estratégicos para que chegassem ao dueto Ai-Ai. Mas decidi fazer especulação teórica que talvez atinja o centro do alvo.

O Instituto DataDaniel, ficção que criei para dizer aos leitores que transformo percepções em dados numéricos, ainda não vai sair a campo para projetar o resultado dessa operação em relação ao conjunto da obra eleitoral em Santo André.

Em São Bernardo o segundo turno (é disso que trato de forma efêmera, até que se aproximem para valer as disputas) o placar atual é de 60% a 40% de Orlando Morando ante o petista Luiz Marinho. Mas nesta semana vou atualizar o quadro.

Destrinchando portais

Nem sei de fato se tanto Ailton Lima quanto Aidan Ravin e seus respectivos entornos chegaram ao que chamaria de sofisticação teórica que produzo em seguida. Coloco “sofisticação” de forma constrangida, porque pode parecer cabotinismo. Mas é o que tenho para o momento sem me lixar para o politicamente correto.  

Não vou avançar na análise além de pouco mais de mil e poucos caracteres, como é a maioria dos meus textos nesta revista digital. Coloco à observação seis portais à discussão dos leitores.

As redes sociais não abordaram alguns; outros foram objetos de interpretações aparentemente lógicas, mas, mesmo assim, pouco flexíveis. São reflexões mais de torcedores do que de analíticos. Normal em se tratando de redes sociais, onde a bílis é acentuadamente mais contundente do que o juízo. Vamos aos pontos cruciais que teriam levado à parceria. 

1. Votos em 2016

2. Votos em 2018

3. Ativos individuais

4. Passivos individuais

5. Concorrência 

Parto agora para um diagnóstico preliminar que procurará aclarar o horizonte eleitoral. Recomendo observação de que tudo o que vem a seguir tem e precisa ser avaliado com cautela. Eleição é um corpo sempre tomado pela metamorfose ambulante, mais que ambulante, agora metamorfose tecnológica.

 Votos em 2016

Defensores do acerto da junção dos dois candidatos argumentam que a soma de votos de Aidan Ravin e Ailton Lima no primeiro turno das eleições municipais em Santo André, em 2016, é uma garantia de que, unidos, estarão no segundo turno, embalados pela soma geradora de uma fortaleza de mais de 100 mil votos.

É muito arriscado previsão que não comprometa a sanidade mental do autor tendo como base números expostos. Aidan Ravin contava com a memória eleitoral mais presente, prefeito que fora quatro anos antes da vitória do petista Carlos Grana. Esse é um diferencial e tanto.

Ailton Lima foi carregado no segundo turno pelas promessas do outro finalista, Paulinho Serra. O PT de Carlos Grana foi para um segundo turno carregando os estragos da Operação Lava Jato e não resistiu como os demais candidatos do partido na região naquela disputa.

Convém manter temporariamente o foco no ano 2016. Não custa lembrar que o PT foi arrasado nas urnas locais. Apenas 11,79% dos eleitores habilitados votaram no PT. A derrocada econômica do governo Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato aniquilaram o partido.

O então prefeito Carlos Grana foi para o segundo turno com vantagem mínima sobre Aidan Ravin. Pouco mais de três pontos percentuais (e menos de nove mil votos) separaram os dois concorrentes. Paulinho Serra, primeiro colocado, obteve 35,85% dos votos válidos e apenas 20,98% dos votos cadastrados. Os votos sucateados no primeiro turno em Santo André foram 41,46% do eleitorado. De cada 100 votos disponíveis, os concorrentes só foram escolhidos por 58,59% dos eleitores.

Paulinho Serra somou 119.540 votos, contra 67.628 de Carlos Grana. Ailton Lima ficou em quarto lugar com um quarto dos votos do vencedor.  

Paulinho Serra ganhou a disputa no segundo turno após fechar série de acordos político-partidários, inclusive com Ailton Lima. O resultado final de 78,21% a 21,79% dos votos válidos era mais que esperado. A maior distância entre concorrentes finalistas em Santo André desde a democratização, mas não necessariamente a maior votação relativa, por assim dizer: Celso Daniel ganhou em 1996 no primeiro turno com 61% dos votos válidos contra um exército de oposicionistas.

Paulinho Serra obteve 48.55% dos votos disponíveis em Santo André. Carlos Grana ficou com 77.069. Entre votos brancos, nulos e abstenções foram 37,92% do eleitorado. Quase três vezes a votação registrada pelo petista.

Quatro anos depois, em outubro deste ano, não há nada no horizonte que coloque sobre os ombros do segundo colocado em eventual novo turno algo que se compare ao desmonte petista. Isso quer dizer que a tarefa à reeleição de Paulinho Serra será muito mais árdua. Há uma oposição muito mais aguerrida e viável a complicações. 

 Votos em 2018

Já fiz avaliação tangencial sobre os votos individuais de Aidan Ravin a deputado estadual e de Ailton Lima a deputado federal no ano passado. Disputas proporcionais não servem de referencial a disputas majoritárias pela simples razão, entre tantas, de que há um enxame de concorrentes, muitos dos quais parceiros de jornadas no passado e potenciais aliados no futuro.

Isso quer dizer que a pretensão de colocar votos destinados a Ailton Lima e Aidan Ravin num compartimento cujo resumo da ópera seria o emagrecimento do eleitorado em relação a disputas majoritárias anteriores não cola como sustentabilidade prática. Tanto quanto, até prova em contrário, da situação anterior, de soma irretocável de votos no pleito de 2016 para o Executivo de Santo André.

Quem usa argumentos supostamente estruturados na matemática eleitoral de disputas inconciliáveis sob o ponto de vista empírico quer mesmo é encontrar uma maneira de chamar Ailton Lima e Aidan Ravin de teimosos, quando não de energúmenos. Os votos de Ailton Lima e Aidan Ravin na disputa municipal de 2016 não são a expressão de canibalismo quando catapultados a outubro deste ano tanto quanto, até prova em contrário, de multiplicação dos pães. Da mesma forma que os votos proporcionais que obtiveram individualmente em 2018 estão longe de significar debilidade frente a 2016.

 Ativos individuais

Talvez não seja um erro afirmar que os ativos individuais dos dois parceiros em Santo André estabeleçam matematicamente um jogo de aditivos, de soma. Eleitores de um e de outro que não querem saber de concorrentes teriam motivos de sobra para entender que eventuais diferenças no passado, de antagonismos, podem ser superadas com o pragmatismo de que existe algo maior em disputa – o cetro municipal.

Ou seja: o eleitor de Aidan Ravin e o eleitor de Ailton Lima não se desgarrariam em proporções preocupantes da aceitação do ajuntamento eleitoral. Eles estariam, portanto, dispostos a relevar embates anteriores que os colocaram não necessariamente como complementares, mas também distantes de algo que possa ser chamado de inimigos. A soma dos votos, portanto, é mais provável que a subtração mútua. Mas a multiplicação dos fatores positivos cumulativos é exagero.

 Passivos individuais

Quanto a passivos de ambas as partes, notadamente que correligionários de um teria em relação ao outro, prevaleceria a natural mitigação do peso negativo em relação aos fatores determinantes de ativos.

Somente uma pesquisa qualitativa insuspeita definiria o poder de contaminação ou de benção da medida que uniu duas candidaturas potencialmente individuais. Mas tenho a intuição, fruto de observações e sensibilidade, que os pontos negativos de Ailton Lima e de Aidan Ravin tenderiam a perder de longe para os pontos positivos que o eleitorado dos dois políticos enxerga em cada um deles.

 Concorrência

De todos os pontos costurados que procuram encontrar motivos que levaram Ailton Lima e Aidan Ravin a buscarem o mesmo endereço eleitoral, o que provavelmente mais os incentivaram à medida seria a concorrência em busca do segundo lugar no turno final.

Se Ailton e Aidan concorressem individualmente, poderiam correr um risco acima do natural de perder a corrida para a esquerda, representada pelo PT de Bete Siraque e o PSOL de Bruno Daniel. Ou seja: a centro-direita personalizada na parceria e que ocupará espaço eleitoral não necessariamente igual ao do prefeito Paulinho Serra, optou pelo adensamento em torno de uma dupla ao invés de, como os esquerdistas, abrirem o flanco numa corrida inglória, de dividir o eleitorado.

Talvez uma candidatura igualmente fruto de parceria entre Bruno Daniel e Bete Siraque pudesse atrapalhar os planos de Ailton Lima e Aidan Ravin ao racionalizar os votos à esquerda do espectro eleitoral de Santo André.

Quem ficaria feliz com essa possibilidade e, mais ainda, caso os esquerdistas fossem ao segundo turno, seria o prefeito Paulinho Serra. Ele sabe que um jogo jogado contra PT e assemelhados seria menos dramático e levaria muitos especialistas de verdade ou de araque a colocar em dúvida o conceito de que o returno de uma disputa eleitoral começa zero a zero.

Os passivos da esquerda no País, e por consequência em Santo André, sobretudo em Santo André, são maiores que os ativos, pela simples razão de que o eleitorado local é menos elástico à esquerda do que, por exemplo, São Bernardo e Diadema.

Não há margem de erro a desgastes maiores do PT e dos esquerdistas em Santo André. A salvação da lavoura seria um Bruno Daniel visto como Celso Daniel. Há dois obstáculos nesse sentido: massificar Bruno Daniel como se Celso Daniel fosse é algo que mereceria um Prêmio Nobel; além disso, o PSOL extremista de esquerda desfila figurino ideológico em confronto bastante desfavorável ao se converter em espécie de PT do passado, antes de chegar a Brasília, associado ao PT atual, de retórica antilavajatense.

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