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São Bernardo perde controle
tático e segue fora da Série A

  DANIEL LIMA - 04/04/2018

Não faltam explicações para a derrota do São Bernardo ontem à noite no Estádio Primeiro de Maio contra o Oeste na decisão de uma das vagas à Série A do Campeonato Paulista do ano que vem. O resultado de três a dois completou os dois a um no jogo de ida, em Barueri. Mata-mata é assim mesmo. Os jogos são conjugados. Sabiamente de 180 minutos. Uma coisa está ligada à outra. Por isso é muito pouco provável que o Guarani deixe escapar nesta noite o retorno à Série A Paulista nos 90 minutos que restam contra o XV de Piracicaba. O zero a zero do primeiro jogo dá ao Guarani a vantagem de ditar o ritmo de jogo. Com o suporte psicológico de quem ganhou um ponto fora de casa. 

Perder fora de casa foi decisivo para o São Bernardo sucumbir ao Oeste. Acostumado a manter o controle tático dos jogos, desta vez o time de Wilson Júnior teve de correr do prejuízo. E transferiu ao adversário a letalidade dos contragolpes. Exatamente o que o São Bernardo aplicou na fase classificatória com muita eficiência. 

Tudo poderia ter sido diferente se o centroavante William Lira não desperdiçasse um gol escancarado antes que se completasse um minuto de jogo. O São Bernardo do técnico Wilson Júnior saiu do sistema defensivo da quase totalidade de jogos que garantiram a menor vulnerabilidade em gols e partiu para a ofensiva. Para tanto utilizou uma formação diferente da do primeiro jogo. E abriu ainda mais as porteiras no segundo tempo. Um choque térmico que custou caro, do qual não havia como escapar. A vitória por pelo menos um gol daria a possibilidade de decidir nas cobranças de penalidades máximas. 

Enfrentar um time que está na Série B do Campeonato Brasileiro foi mesmo uma parada indigesta. O Oeste está sendo preparado para uma competição na qual já tem vivência. Por isso é um time organizado e maduro. Tanto que matou as principais alternativas ofensivas do São Bernardo no primeiro tempo. 

Fechando espaços 

O Oeste não deixou o lateral Fernando Júnior livre um só instante. Havia sempre alguém para dar o primeiro combate. É pela esquerda que o São Bernardo construiu as melhores jogadas na fase classificatória. Francismar, que desequilibrou o jogo no segundo tempo em Barueri, foi vigiadíssimo o tempo todo quando atuou como meia-atacante-armador. Os atacantes Alvinho e William Lira foram isolados do restante do time. A defesa do Oeste jogava adiantada e três volantes ocupavam todos os espaços. 

O Oeste deixou que os meio-campistas do São Bernardo errassem passes à vontade no espaço de intermediária que pouco incomoda. Mas o golpe fatal do Oeste foi colher no contrapé a defesa sempre adiantada do São Bernardo. A compactação do avanço dos zagueiros embute sempre o risco de contragolpes longitudinais. Todos os gols surgiram de rápidos contra-ataques. 

Sem o goleiro titular Daniel, o São Bernardo deve ter descoberto que, por mais que o reserva tenha executado a contento a função quase mecânica de líbero, há funda diferença entre eles. Na hora de liderar a defesa em posicionamento, faltou a voz da experiência. O São Bernardo sofreu três gols entre outras razões também porque os zagueiros negligenciaram penetrações sem bola dos executores das finalizações. Esse é o contraponto às costas dos zagueiros adiantados. 

Ainda mais ofensivo 

No segundo tempo o São Bernardo voltou mais ofensivo ainda. Dois atacantes substituíram jogadores de marcação e articulação. Recuou Francismar como segundo volante e o talento do veterano voltou a se expressar, como em Barueri. O Oeste se descuidou novamente do poder de articulação de Francismar mais recuado. O veterano passou a organizar a equipe com saídas de bola sempre clarividentes. 

Como no primeiro tempo, o São Bernardo sofreu o segundo gol nos primeiros minutos da etapa final. Com dois a zero no placar o Oeste se acomodou e o São Bernardo, praticamente a nocaute, descontou numa das raras penetrações centrais. Daí em diante o São Bernardo, mesmo sem sistema ofensivo à altura dos melhores jogos do sistema defensivo, passou a pressionar. Até poderia ter empatado. O Oeste é deficiente nas bolas paradas. O São Bernardo sofreu o terceiro gol em contragolpe. Quando fez o segundo, após cobrança de falta na entrada da área, tudo já havia sido decidido. 

Entrando em convulsão 

O infortúnio de ter de correr atrás de nova engenharia tática para sair do prejuízo registrado em Barueri mostrou que o São Bernardo foi preparado para transformar a marcação forte em contragolpes rápidos.  Quando teve de tomar a iniciativa, entrou em convulsão. 

Disputas de mata-matas muitas vezes estrangulam o perfil tático consolidado exaustivamente ao longo de uma competição. Caso do São Bernardo. Os números globais das 15 rodadas da fase classificatória apontavam um time equilibrado, econômico nos gols feitos e exemplar nos gols sofridos. Ganhava ou empatava quase todos os jogos. Só foi derrotado uma única vez, quando sofreu três a um do Taubaté fora de casa. Fazer gols no São Bernardo era quase uma façanha. Os dois jogos com o Oeste, cinco gols sofridos e três marcados, viraram de cabeça para baixo o desempenho da equipe de Wilson Júnior. 

Prevaleceu uma das alternativas projetadas para os dois confrontos diretos: o Oeste ganhou porque manteve o desempenho crescente das cinco rodadas finais da fase de classificação, quando ganhou o dobro dos pontos disponíveis em relação a um São Bernardo que já dava mostras de que poderia sentir o peso do horizonte próximo de um acesso agora adiado. A região seguirá apenas com o São Caetano no principal campeonato estadual do País. E teremos três representantes na Série B, casos de São Bernardo, Santo André e Água Santa de Diadema.

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