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O que o São Caetano deve tirar
de lição da queda contra XV?

  DANIEL LIMA - 30/10/2017

A derrota para o XV em Piracicaba por dois a zero com consequente eliminação das semifinais da Copa Paulista deve ser mensurada pelo comando técnico e diretivo do São Caetano como uma grande lição à próxima temporada, quando a equipe estará de volta à Série A do Campeonato Paulista. 

Talvez o melhor mesmo tenha sido a eliminação. O São Caetano poderia inocular a ideia de que estaria pronto para a Série A caso chegasse à final da competição que vale uma vaga à Série D do ano que vem. Entretanto, como caiu nas quartas de final, também não pode ser rifado como um time ou elenco sem apetrechos. A razão está no meio do caminho. 

Possivelmente o tempo confirmará – e nesse caso o tempo não supera dois meses e meio e uma competição que não se prolongará por mais que três meses – que o São Caetano acertará em cheio se analisar criteriosamente os ganhos e as perdas na temporada. Um balanço geral que coloque à escanteio tanto euforia pelo título da Série B quanto a queda na Copa Paulista é a melhor resposta. 

Trocando em miúdos: o título da Série B no primeiro semestre, que valeu uma das duas vagas à Série A, não pode ser desprezado ante o insucesso na Copa Paulista. Mas também não é atestado de intocabilidade. 

Conjunto revelador 

O conjunto da obra de resultados na temporada tem muito a revelar. Separar as duas competições em qualquer tipo de análise seria um erro crasso. Sugeriria rendimento irremediavelmente em queda. Não é o caso. 

O São Caetano precisa de cuidadosa reestruturação para a próxima temporada. Outros concorrentes do mesmo tamanho orçamentário que disputarão a Série A precisarão de muito mais. 

No caso do Santo André, por exemplo, desativado após a disputa da Série B, uma equipe inteira e o banco de reservas terão de ser agrupados, treinados, preparados e colocados nas arenas. As probabilidades de contratações em massa derem certo são sempre frustrantes. O futebol está recheado de times que não saem do papel. E de outros que aparentemente seriam fracassos e se convertem em sucesso. 

Outros times da Série A estão na mesma situação do Santo André. O São Caetano comportaria talvez um máximo de oito substituições, entre titulares e banco de reservas. Nada traumático ou dispensável.  Mais que isso: nada mais providencial. É esse o resultado mais comum entre as equipes que têm calendário anual a disputar. 

Talvez a questão principal a mover inquietações no São Caetano seja a manutenção do técnico Luiz Carlos Martins. Até que ponto esse treinador que completa três temporadas na equipe e que cuidou de completa reformulação do elenco teria perdido crédito na Copa Paulista? A campanha não foi mesmo das melhores. Houve oscilações demais. Mas nada alarmante. Critica-se Luiz Carlos Martins pelos métodos conservadores e pela previsibilidade de atuação da equipe. 

Três em um deficiente 

Luiz Carlos Martins propaga que tem três sistemas táticos a explorar numa mesma partida, caso necessário. O time tanto pode pressionar, avançando o meio de campo, ser pressionado para jogar em contragolpes, sempre recorrendo à força e à velocidade, como também pode trocar mais passes e triangulações. O problema é que a terceira alternativa sempre é escassa. E é a melhor de todas entre as grandes equipes do futebol mundial.  

O São Caetano é um time que ainda não associa posse de bola e infiltrações. Recorre demais a bolas longas sem ter um centroavante de ofício. Essa peça não pode faltar no elenco do ano que vem, sob pena de desperdício de munição. A derrota para o XV de Piracicaba mostrou um time apressado demais, incapaz de segurar o ímpeto do adversário nos primeiros minutos e excessivamente preocupado em alçar bolas na área. Quase 80% dos gols do São Caetano na temporada tiveram a bola parada como origem. O time parece cultivar demais a expectativa de que deve procurar os entrechoques para chegar ao gol. 

Tanta dependência é mais exagero que eficiência.  Poderá dar com os burros nágua  na Série A de muita visibilidade, além de nível superior de qualidade da média dos concorrentes. Não faltam especialistas, os chamados analistas de desempenhos, que atuam como caça-virtudes e caça-pecados dos concorrentes. O Água Santa de Diadema começou bombando o campeonato do ano passado, mas logo foi decifrado e esquartejado. Acabou rebaixado.

Paradoxalmente, são as dificuldades individuais e coletivas que o São Caetano apresentou na temporada as melhores armas para a próxima temporada. Um exame cuidadoso das deficiências e a busca meticulosa de reforços que interrompam o circuito de improdutividades se colocam como situações favoráveis em relação a concorrentes que não sabem nem com quem contar na Série A do Paulista que começa em 17 de janeiro próximo. 

Reflexões valem ouro 

Tudo isso quer dizer que o São Caetano vive pós-eliminação que deve ser encarada com carga de reflexões imunes à toxidade natural da derrota. Uma derrota emblemática do estado geral da equipe. E nesse ponto se trata de outra contradição: a regularidade do São Caetano em competições de pontos corridos encontra obstáculos à continuidade de bons resultados nos mata-matas. 

Somente no título desta temporada da Série B Luiz Carlos Martins superou as armadilhas de jogos de ida e volta. Nada mais natural: o treinador transfere para o gramado uma espécie de funcionalidade de relógio quando se observa a competição como um todo e, sobretudo, todos contra todos. Quando é preciso surpreender em jogos eliminatórios, as probabilidades de decepção aumentam. O São Caetano atua como se não houvesse uma nova narrativa a desafiá-lo. 

Sorte do São Caetano que a Série A do Paulista será disputada na primeira etapa (a etapa que mais interessa para quem precisa fugir do rebaixamento e também, quem sabe, obter uma vaga à Série D do Campeonato Brasileiro) sem o fantasma de mata-matas. Ou seja: o desempenho em 12 jogos determinará a ordem das coisas. Nenhum jogo, em princípio, terá características de vida e morte. Exceto em eventual reta de chegada mais equilibrada para fugir do rebaixamento.  

Espera-se mesmo que o esquema três-em-um tão alardeado por Luiz Carlos Martins se apresente em campo com equilíbrio de uso e não necessariamente num mesmo jogo. Talvez Martins devesse repensar a melhor maneira de o São Caetano jogar na Série A sempre mais qualificada. Um time com mais posse de bola produtiva, com triangulações centrais e laterais, e penetrações rápidas, parece mais apropriado. E é exatamente esse o ponto frágil da equipe. Ou um vértice do tripé tático em desacordo com os objetivos. 

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