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PT Futebol Clube é besteira que
cobra um preço muito elevado

  DANIEL LIMA - 05/06/2018

Li outro dia nas páginas de esportes do Diário do Grande ABC uma notícia que não me causou nenhuma surpresa. Longe disso. Trata-se das dificuldades do São Bernardo Futebol Clube em superar série de problemas comuns aos clubes pequenos, banidos do calendário nacional e da distribuição de dinheiro de patrocinadores, sobretudo da televisão. Disse o Diário numa matéria puramente esportiva que o São Bernardo está em maus lençóis financeiros. A ressaca pós-administração petista em São Bernardo (e pós tantas outras coisas) era mais que esperada mesmo. Antes de partir para algumas considerações atuais, por dizer assim, reproduzo alguns trechos da matéria que escrevi há quase seis anos (em outubro de 2012) e que consta do acervo desta revista digital, sob o título “Teixeira politiza ainda mais o futebol e São Bernardo vira PT Futebol Clube”. Acompanhem: 

Partidarismo contraproducente 

 Alguém precisa recomendar ao presidente Luiz Fernando Teixeira certos cuidados para que o São Bernardo Futebol Clube não se descaracterize ainda mais. Deslumbrado como dirigente esportivo e audacioso como arrecadador de dinheiro em campanhas eleitorais, Luiz Fernando Teixeira ultrapassa os limites e conduz o futebol de São Bernardo ao separatismo esportivo ao aprofundar a divisão da cidade entre torcedores e não torcedores de algo que se encaminha para PT Futebol Clube. Nada pior para um clube empresarial, porque reduz o mercado do ponto de vista econômico e o estigmatiza como elemento social.  

Presidente agenciador  

 A mais recente trapalhada de Luiz Fernando Teixeira foi anunciada sem o menor pudor na edição de sábado do Diário do Grande ABC. Ele vai recorrer aos préstimos do ex-presidente da República, Lula da Silva, a quem não cansa de estender o tapete, para atuar como empresário de futebol. Quer que Lula vá aos grandes clubes paulistas, Corinthians do coração entre eles, para garantir reforços subsidiados de que o São Bernardo precisaria na Série A do Campeonato Paulista do próximo ano. O PT Futebol Clube seria, no ensaio do presidente Luiz Fernando Teixeira, uma colcha de retalhos dos grandes clubes do Estado.  

Até camisa partidarizada  

 Lula da Silva não é apenas ex-presidente da República e amigo do peito do prefeito Luiz Marinho, a quem o São Bernardo Futebol Clube, ou PT Futebol Clube, serve como alavanca na área esportiva. Lula da Silva também é presidente de honra ou algo parecido do representante de São Bernardo no futebol profissional e imortalizou a camisa de número 13 sem sequer jamais ter atuado um minuto sequer. A camisa 13 do Tigre jamais será utilizada por ninguém, porque o PT Futebol Clube decidiu em reunião de cúpula que é uma homenagem ao ex-presidente. Qualquer semelhança com o número que identifica eleitoralmente o partido não é mera coincidência. 

Correia de transmissão  

 Até parece que o julgamento do mensalão não provoca a mais ínfima preocupação ao presidente Luiz Fernando Teixeira. Atrevido, vai em frente com o projeto do PT Futebol Clube que causa horror a quem, como este jornalista, caiu na besteira de acompanhar alguns dos jogos da equipe do setor de arquibancadas e, ante uma chuva torrencial, dirigiu-se às cabines de Imprensa e de autoridades e verificou que ali se instalava um QG partidário. A politização do São Bernardo é acintosa, a confirmar as suspeitas de que seja, no mínimo, uma correia de transmissão de objetivos igualmente políticos do presidente Luiz Fernando Teixeira, de olho no Paço Municipal de São Bernardo em 2016. Nada que a ambição não lhe seja de direito, desde que não misture as estações de forma tão abusada. 

Encabrestamento político  

 (...) O que causa surpresa é a sem-cerimônia com que o presidente Luiz Fernando Teixeira se manifesta sobre o suporte logístico oferecido por Lula da Silva. É verdade que não é a primeira vez. Ele se coloca em cena com alguma constância de forma ostensivamente ingênua ou declaradamente egocêntrica e, com isso, arrisca muito do arrojadamente construtivo desenvolvido nos últimos anos. Caso da tomada do Estádio Primeiro de Maio por milhares de aficionados de futebol, uma parcela dos quais está se convertendo em torcedores do Tigre. É verdade que em grande escala é uma torcida de cabresto político, tangida por interesses que vão além das quatro linhas, mas de qualquer forma algo sem precedentes na história da Província do Grande ABC. 

Mensalão indevido  

 Não sei exatamente por que penso no julgamento do mensalão quando leio no Diário do Grande ABC a notícia sobre o reforço de Lula da Silva para a contratação de jogadores ao São Bernardo. Trata-se possivelmente de uma bobagem deste jornalista, porque provavelmente uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Entretanto, como minha intuição não costuma falhar, até porque está mais ou menos sempre respaldada por conhecimentos acumulados, sugiro ao presidente do São Bernardo Futebol Clube, ou PT Futebol Clube, que dê uma ajeitada na gravada do exibicionismo porque a notícia só atrapalha o próprio Lula. Afinal, como se sabe, o PT é uma agremiação política de abrangência estadual (e também nacional) e seus correligionários, dirigentes e apaniguados de outras praças podem requisitar os mesmos préstimos ao ex-presidente. Ou seja, se a moda pega, faltarão jogadores aproveitáveis dos grandes clubes paulistas para atender às demandas petistas. 

Pratos limpos 

Agora vamos ao contexto indispensável: exceto este jornalista, durante todo o percurso partidário do São Bernardo Futebol Clube, ninguém da mídia em geral fez qualquer tipo de contraposição ao lado esportivo da equipe. Isso quer dizer o seguinte: por mais que fosse descaradamente partidário na investida esportiva, o então presidente Luiz Fernando Teixeira não mereceu um alinha sequer advertindo-o sobre o risco de colocar o clube numa enrascada de empatia da população. 

Teríamos durante todos os anos de glória efêmera do São Bernardo aquilo que chamaria de unanimidade burra, não fosse CapitalSocial alertar sobre os riscos. O PT, como o PSDB no período de Fernando Henrique Cardoso, imaginava-se no poder federal durante pelo menos 20 anos, o hoje deputado estadual. Luiz Fernando Teixeira sempre tratou o clube como objeto de interesse eleitoral, com fartura de dinheiro que, muito provavelmente, o tempo vai desvendar. Os borderôs dos jogos insinuavam irregularidades. Havia sempre menos público presente, muito menos mesmo, que o público anunciado.  

É dispensável dizer que a relação profissional com Luiz Fernando Teixeira foi para o chapéu a partir do momento em que lhe chamei a atenção, neste espaço, sobre a bobagem de associar futebol e política. Como tantos outros personagens da vida regional, há estremecimentos quando percebem a linha divisória entre pessoa física e a pessoa jurídica. O que a pessoa física tem conhecimento antes da pessoa jurídica, é uma coisa. Quando a pessoa jurídica toma a dianteira, tudo se modifica.  

A diretoria que vem comandando o São Bernardo nos últimos tempos, pós-Luiz Fernando Teixeira, tem feito muito esforço para sustentar um projeto de sucessos e tropeços em campo. Mas parece que já não suporta mais. De qualquer maneira, desde o ano passado a camisa 13 reservada ad perpetuam a Lula da Silva foi colocada em jogo. Quem a vestiu inicialmente e durante muitos jogos foi Dogão, zagueiro que caberia bem entre os seguranças do ex-presidente da República.  O presidente de honra Edinho Montemor, que restaurou a esportividade da camisa 13, deve ao público uma prestação de contas (em todos os sentidos) desde a saída de Luiz Fernando Teixeira. A sociedade (inclusive a sociedade petista) merece saber como está o São Bernardo nestes tempos de predomínio esportivo. 

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