Entrevista Especial

Conheça todas as respostas
omitidas por Paulinho Serra (6)

  DANIEL LIMA - 10/06/2021

Esta é a última etapa da Entrevista Especial com o prefeito Paulinho Serra. O tucano fugiu da raia porque sabe que a raia não era propícia a proselitismos que desfila cotidianamente na mídia regional. Paulinho Serra faz parte da grande maioria dos políticos brasileiros que preferem a mistificação em detrimento da realidade dos fatos. Respondemos por ele as respostas que ele jamais formularia com assessores que o apoiam irrestritamente, porque é assim que funciona a gestão pública no País.   

CapitalSocial – O senhor está muito preocupado com o que vai fazer depois que terminar seu segundo mandato. Tanto que está construindo articulação política par a disputar algum cargo supostamente importante. Para tanto, busca e confirma aliados de vários matizes, muitos ligados a Gilberto Kassab, cuja influência na Administração de Santo André é cada vez maior. Afinal, o que pretende depois de virar prefeito? 

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – O que o prefeito Paulinho Serra quer após deixar a Prefeitura de Santo André é chegar a algum posto de destaque na hierarquia paulista. Nada mais natural para quem está na arena pública. O que frusta a expectativa dos eleitores e dos contribuintes de Santo André é que Paulinho Serra tem feito tantas concessões para arrumar alguma brecha. Seu sonho dourado seria o cargo de vice-governador na chapa que seria de Geraldo Alckmin, que está fora do PSDB de João Doria. Pegar carona é uma saída interessante para quem não teria a menor possibilidade de ir além de eventual vaga na Assembleia Legislativa e, quem sabe, como mais um deputado federal frustrado do Grande ABC.  

CapitalSocial -- Como se explica a relação aparentemente tumultuosa com o governador do Estado, João Doria, já que nos primeiros anos de primeiro mandato o senhor o colocou no altar de certo deslumbramento? 

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – O futuro de Paulinho Serra é a maior preocupação de Paulinho Serra. Não só de Paulinho Serra, mas do entorno próximo que o apoia e o embala rumo a qualquer coisa que signifique poder político. Como todo prefeito de plantão, Paulinho Serra teme entrar em zona de esquecimento temporário ou mais que isso após completar o segundo mandato. Por isso tem se aproximado de medalhões da política nacional para garantir espaço no futuro. Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, comandante do PSD e um articulador com ramificações em várias agremiações, tem o controle de parte da máquina pública de Santo André. Colocou gente de sua confiança inclusive no centro do poder. Paulinho Serra está no PSDB, mas a qualquer momento pode escafeder-se. Sobremodo porque não suporta a ideia de ser a segunda figura tucana na região, já que o prefeito Orlando Morando, de São Bernardo, é considerado muito acima dele na cúpula paulista do partido.     

CapitalSocial -- O que representaram de forma prática aqueles encontros esparsos no Teatro Municipal a pretexto de motivação do empresariado para investir em Santo André?   

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – Tudo não passou de uma tentativa de dourar a pílula de pretensa recuperação econômica de Santo André. Aqueles encontros reuniram mais gente ligada ao Executivo e a integrantes do PSDB e aliados em Santo André do que presença para valer do empresariado. A gestão de Paulinho Serra é de baixa aderência da sociedade produtiva. Não existe o que poderia ser chamado de interação com lideranças do setor.  

CapitalSocial -- O senhor entende que os legislativos do Grande ABC deveriam ter lugar garantido nas tomadas de decisão do Clube dos Prefeitos, considera que seriam mais úteis como integrantes de uma espécie de Conselho Consultivo ou a instância de cunho executivo não pode abrir brechas a novos integrantes?   

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – Não se tem notícia alguma de qualquer movimento do prefeito de Santo André, também prefeito temporário do Clube dos Prefeitos, direcionado a dar mais densidade aquela instituição. Paulinho Serra não difere, portanto, dos antecessores. Apenas Celso Daniel, pouco antes de ser assassinado, demostrou publicamente interesse em abrir o Clube dos Prefeitos, sabedor dos limites dos titulares do Paço Municipal.   

CapitalSocial -- Recentemente o senhor reclamou do governador do Estado de algo como falta de humildade e lealdade por causa de assuntos que impactam a região, caso do BRT e do anúncio de antecipação da vacinação nos municípios. Qual foi o resultado do desabafo?   

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – Paulinho Serra só partiu e mesmo assim circunstancialmente para cima do governador João Doria porque era preciso demarcar terreno e mostrar aos próximos que estava disposto a romper com o PSDB e, com isso, ganhar um lugar em algum projeto de poder quando terminar o mandato. Foram estridências que não avançaram além do que poderia ser relacionado à pressão natural que despertou solidariedade de alguns emissários do Palácio dos Bandeirantes. Paulinho Serra não é um Executivo público listado como prova de independência, de autonomia. Como está à frente de Santo André com o suporte de agentes de várias áreas, seus passos são sempre limitados ao grupo.     

CapitalSocial -- O senhor tenderia a dizer que é um prefeito melhor que o mandato de Jair Bolsonaro e de João Doria?    

Paulinho Serra – 

CapitalSocial – A pergunta é mesmo espécie de pegadinha da qual Paulinho Serra também fugiu porque fugiu das demais. Trata-se de comparação que somente tem sentido como provocação construtiva, algo para saber até que ponto supostamente o prefeito de Santo André se autoavalia no ambiente político depois de reeleito com folga. Afinal, o que mais se alardeia na política regional é que o sucesso eleitoral subiu à cabeça de Paulinho Serra a ponto de abrir de vez as comportas a terceiros que o embalariam rumo a uma disputa eleitoral estadual ou nacional que o manteria ocupado na política os quatro anos seguintes ao fim do ao atual mandato. É muito difícil, exceto como subproduto de arrogância, Paulinho Serra confrontar a gestão com a do governador do Estado e do presidente da República. São espaços distintos demais, com especificidades que tornam cada empreitada única e exclusiva. Mas em matéria de percepção da sociedade no combate à pandemia, como registrou o Instituto ABCD Dados, Paulinho Serra muito se assemelha negativamente a Doria e a Jair Bolsonaro.    

CapitalSocial -- Como o senhor avalia a disputa pela Central de Convênios da Fundação do ABC, território onde seu grupo pretende controle total e em desacordo com o estatuto daquela instituição, que reserva à presidência a definição de ocupantes de cargos de diretoria? Todos sabem que a Central de Convênios é o mapa da mina dos recursos financeiros da Fundação do ABC. Foi exatamente sob a gestão de um dirigente indicado pela Prefeitura de Santo André, durante sua gestão, que se deram escândalos de compras de produtos e serviços durante a pandemia sem fim do vírus (geograficamente) chinês.   

Paulinho Serra --  

CapitalSocial -- Nem pensar, nem imaginar, nem acreditar, nada disso, quando se trata de tirar o prefeito de Santo André da toca da Central de Convênios. Trata-se de um terreno minado que só o colocou em situação desagradável. Perdeu duas vezes na indicação do chefe da casa da moeda chamada Central de Convênios, inclusive por imposição da Promotoria de Justiça de Fundações, divisão do Ministério Público Estadual --- que move caça a malfeitores de dinheiros públicos. Paulinho Serra tem o apoio de forças estranhas para derrubar a presidente da instituição, Adriana Berringer, ponto fora da curva de obscuridades da Fundação do ABC entre outras razões porque encomendou uma auditoria externa durante a pandemia e flagrou movimentações atípicas de compras de produtos e serviços na Central de Convênios. Daí a intervenção do Ministério Público Estadual. 

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