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Regionalidade
Lulacá em duas versões
DANIEL LIMA 08/10/2009
Na semana que vem vamos apresentar duas das mais importantes matérias publicadas ao longo dos anos na revista LivreMercado. Sempre repito, para distinguir o passado do presente, a glória da profanação, o profissionalismo do quebragalhismo, o comprometimento do oportunismo, que a revista LivreMercado se divide em dois tempos — durante a gestão deste jornalista e, desde março último, sob o descontrole do recuperador de tributos Walter Sebastião dos Santos.
Mais que aporrinhação, é relevante separar o trigo do compromisso social do joio do jornalismo de negócios. O que temos hoje é um simulacro de publicação. O recall de quase duas décadas do qual se aproveita a revista do complicadíssimo Walter Sebastião dos Santos não se assemelha nem mesmo às ondas do mar, que vão e voltam conforme a maré. O recall dos bons tempos virou espessa cortina de fumaça que se dissipa na velocidade dos ventos do desdém à sociedade.
De que se trata afinal o que chamaria de presente editorial que na próxima semana, depois do feriado desta segunda-feira, postaremos neste site para a eternidade, pelo menos até a eternidade que a Internet permitiria?
Ora, ora, vamos reproduzir integralmente duas Reportagens de Capa que estenderam o tapete vermelho do conhecimento analítico do quadro econômico e social do Grande ABC nas edições posteriores às vitórias de Lula da Silva à presidência da República, em outubro de 2002 e em outubro de 2006.
Relendo aquele trabalho para me impregnar daquele contexto socio-editorial, cheguei à conclusão que os leitores deste CapitalSocial que de fato se preocupam com o futuro devem seguir à risca o mote “leitura para ser impressa”.
O que apresentaremos depois do feriado é um apanhado histórico de um Grande ABC que, naquelas oportunidades, viveu momentos diferentes. Esperamos, sinceramente, que quando o mandato de Lula da Silva se encerrar e um novo texto analítico for preparado para este site, a situação do Grande ABC seja melhor tanto com relação àqueles dois momentos como ao atual também.
Não me venha um ou outro leitor sugerir discrição na apresentação daqueles trabalhos jornalísticos e muito menos a dissimulação da hipocrisia sempre travestida de falsa humildade, porque esse tipo de comportamento não faz parte de meu dicionário.
Se nem a poderosa Rede Globo de Televisão deixa de propagandear feitos com frequentes chamadas ao longo da programação diária, por que haveria este jornalista de sonegar aos leitores o mais completo banco de conhecimentos da mídia regional?
Notem que escrevi banco de conhecimento, não banco de informação. O bom jornalismo transforma informação em conhecimento. Mas isso é demasiadamente contraproducente à maioria das situações.
As mais de duas centenas de edições de LivreMercado (não a Livre Mercado mambembe destes tempos, é sempre bom lembrar) marcaram época porque, decididamente, um pequeno bando de loucos do jornalismo arregaçou as mangas, foi à luta e, rompendo todos os falsos pudores editoriais que recomendam apenas da boca para fora absoluto distanciamento dos fatos — limitando-se a reproduzi-los conforme as fontes de informações — deu a devida interpretação a cada lance dos acontecimentos regionais.
Traduzindo em miúdos: fizemos o melhor jornalismo impresso regional do País ao longo de quase duas décadas e damos sequência ao conceito na virtualidade deste site entre outros motivos porque atiramos ao lixo a bobagem de que jornalista não pode interpretar os fatos, limitando-se à condição dinossáurica de corrente de transmissão de declarações de terceiros.
Tivéssemos seguido essa idiotice, aquele falsário estatístico chamado João Batista Pamplona, que enganou a todo mundo na região, também teria nos enfileirado como otários de credulidade seduzida por diplomas universitários. Sem contar tantos outros agentes públicos e privados notórios que praticam intermitentes estelionatos declaratórios, comprometidos apenas com interesses específicos que, como todos os interesses específicos, passam a quilômetros de distância dos anseios da comunidade.
Apenas para aguçar o apetite dos leitores que vão esperar até a próxima semana pelos dois textos, antecipamos tanto a abertura da primeira matéria, publicada em novembro de 2002, pós-vitória de Lula da Silva sobre José Serra, quanto da segunda matéria, de novembro de 2006, pós-vitória sobre Geraldo Alckmin.
Vamos à primeira matéria, sob de capa “Lulacá, urgente!”.
O ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva vai herdar de Fernando Henrique Cardoso um Grande ABC automotivo cruelmente atropelado pela abertura econômica. Nenhuma outra região brasileira passou pela experiência sadomasoquista de trocar o céu pelo inferno num passe de mágica econômico. A decisão de substituir o autarquismo pelo escancaramento do mercado nacional não tem adeptos em nenhum país do Primeiro Mundo.
Agora, a segunda matéria, sob o título “Lulacá, decididamente?”:
A reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva pode até não ser a melhor notícia para a economia do Grande ABC neste final de temporada, mas, levando em conta o contexto que o confirma no poder central, deve ser recebido com satisfação. Os quatro primeiros anos de Lulacá foram mais prospectivos que os dois mandatos seguidos de Fernando Henrique Cardoso. A comparação chega a ser desproposital e ofensiva porque FHC despejou mísseis que atingiram em cheio o coração industrial da região. Lula também supera largamente os 12 anos do governo estadual de Mário Covas e de Geraldo Alckmin, oito dos quais coincidentes com os mandatos de FHC. Covas e Alckmin privilegiaram o torniquete fiscal e o implacável controle orçamentário mas especializaram-se também no pouco-caso com o Desenvolvimento Econômico de um Estado fortemente atingido pela guerra fiscal.
Agora, é só aguardar por mais de 80 mil novos caracteres que serão incorporados a este site.
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