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Regionalidade
Kiko e Chaves
DANIEL LIMA 06/09/2007
Longe de mim imaginar que o presidente do Consórcio dos Prefeitos do Grande ABC, Adler Kiko Teixeira, esteja mais para o personagem homônimo do programa humorístico mexicano que tem Chaves como protagonista principal do que para comandar a principal instituição pública regional.
Como acreditar que Kiko esteja mais próximo de Quico do que de Adler Teixeira, seu nome de batismo?
Dizem que o codinome é por conta da semelhança física com o personagem televisivo. Adler teria adotado Kiko porque lhe seria benéfico como marketing político. Um golpe de mestre na bucólica Rio Grande da Serra, tanto quanto o dos palmeirenses que adotaram o “porco” e acabaram com a gozação dos adversários.
Adler Kiko Teixeira é um moço, dizem, com lastro. Tomara que seja, mas não foi o que transmitiu aos leitores do Diário do Grande ABC de domingo, numa entrevista que serviu para algumas conclusões:
a) Ele está raivoso porque a revista LivreMercado defende a abertura do que chamo de Clube dos Prefeitos, acabando-se de vez com o perfil de resoluções restritas aos sete executivos da região. Com as mudanças, os prefeitos formariam o Conselho de Administração ou de Gestão, instância estratégica e suprema. Sairiam, portanto, de reuniões-penduricalhos.
b) Ele não entendeu aquela reportagem-análise e por isso não compareceu à festa do Prêmio Desempenho Empresarial, em julho no Primeiro de Maio, depois de ter prestigiado a festa do Prêmio Desempenho Social, em maio. Boicotou a festa. Será novamente convidado para participar da terceira etapa do evento, o Prêmio Desempenho Cultural, neste 18 de setembro. O convite é para o presidente do Clube dos Prefeitos. Independentemente de quem seja. A responsabilidade de representar a instituição num evento de comprovado compromisso da cidadania regional é dele. Se abdicar outra vez, demonstrará o quanto individualiza algo que é coletivo.
c) Ele também não entendeu a expressão “Clube dos Prefeitos”. Derivou-a maliciosamente para “Clube do Bolinha”, deturpando expressão que utilizei naquela matéria. Pretendeu, com isso, desclassificar um movimento colaborativo, que provavelmente observou como ameaça ao individualismo temporário com que conduz a entidade.
A entrevista de Kiko Teixeira é de uma pobreza franciscana. Avoca para si e para os demais prefeitos o mérito da liberação de recursos federais para o trecho sul do Rodoanel. Nada mais falso. Nenhum prefeito batalhou tanto pelo dinheiro como William Dib durante os dois anos de gestão no Clube dos Prefeitos. Kiko pegou a rabeira de uma liberação contida no PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento, que independeu do movimento de peças dos últimos meses. A batalha foi decidida lá atrás.
Alardeou também o prefeito de Rio Grande da Serra como grande obra de seu mandato o acordo para o governo do Estado bancar os custos de manutenção dos piscinões. E também os R$ 400 mil prometidos pela ministra Marta Suplicy para um plano estratégico de desenvolvimento do turismo na região. E que também integra o PAC, é bom que se diga. Mais nada disse Kiko, além, é claro, de demonstrar desprezo pela críticas ao Clube dos Prefeitos as quais, como se sabe, são a constatação de que o volume de problemas agregados do Grande ABC é muito maior que as condições resolutivas das prefeituras locais e, também, dos recursos humanos disponíveis naquela instituição.
Kiko é hilariante quando sacraliza o Clube dos Prefeitos. Nenhum comandante de qualquer Paço Municipal do Grande ABC negará dificuldades de organização da entidade. Em vez de plano para o turismo, o que falta como ação básica da entidade é um Plano Estratégico Regional, para colocar ordem na casa de solteiro em que se transformou a região que não soube se preparar, no passado de prefeitos incautos, para a virada do século.
Kiko quer fazer crer que, como num passe de mágica, o Clube dos Prefeitos encontrou o eixo. Não encontrou. Os prefeitos atuais são muito melhores em suas respectivas cidades. A soma deles não é melhor que as partes. Muito pelo contrário.
Kiko só não me faz rir porque não zombo de coisas sérias. Como é o caso de uma região que perdeu por ano em média mais de 1% do PIB nos últimos 12 anos. Torço também para que ele não se inspire em outra troupe chavista — o presidente venezuelano.
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