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Regionalidade
Clausura complicadora
DANIEL LIMA 04/10/2007
É isso que dá manter o Clube dos Prefeitos fechado ao distinto público regional. Está no Diário do Grande ABC de ontem uma matéria sem a profundidade necessária mas que, com esforço de interpretação pessoal, pode ser razoavelmente desvendada. Diz o título: “Montorinho quer discutir pedágio no Rodoanel; Kiko diz que é oportunismo”.
Montorinho, no caso, é o presidente da Câmara Municipal de Santo André, o petista José Montoro Filho. Kiko, como se sabe, é prefeito de Rio Grande da Serra e, por força de rodízio, presidente do Clube dos Prefeitos, também conhecido como Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Kiko é tucano.
Basta a enunciação dos vínculos partidários para se exigir dos leitores cautela redobrada na avaliação do bate-boca. Quando se colocam interesses partidários em jogo, tudo pode acontecer.
Li a matéria, repito, com extremo cuidado e, apesar da dificuldade de compreendê-la, porque redigida de forma imprecisa, provavelmente quer dizer o seguinte:
a) Montorinho quer da direção do Consórcio informações sobre a construção das praças de pedágio nos 61,4 quilômetros da obra, que ligará o Grande ABC ao trecho oeste, que tem Osasco como principal beneficiário logístico. Francamente, foi difícil decifrar a intenção subjacente de Montorinho. Pode ser alguma coisa contra os pedágios tanto quanto algo em relação à localização. Ou às duas situações. O vereador de Santo André afirma que Mauá, de governo municipal ligado ao PSDB, teria sido beneficiado com a garantia de um posto de pedagiamento, recolhendo dali, quando inaugurado o Rodoanel, nacos de ISS (Imposto Sobre Serviços). Montorinho perguntou: “Qual foi a audiência pública que o Consórcio fez no que diz respeito ao Rodoanel, principalmente na questão do pedágio? Como ninguém tem informação sobre o trecho sul, estamos tentando ter acesso a esses dados. Isso não pode ser tratado como oportunismo”.
b) Montorinho só falou em oportunismo porque Kiko Teixeira respondeu na mesma reportagem que o vereador do PT “está querendo é platéia. Essa atitude é oportunista”. Mais adiante na matéria, Kiko afirma: “Se for necessário o pedágio e o valor for justo, não tem o que questionar. Se algum vereador for contra neste momento, vou rechaçar na hora”.
O que salta à vista além da dificuldade de compreensão do eixo da matéria são duas questões.
Primeiro: o modelo enclausurador de definições do Clube dos Prefeitos enseja todo tipo de interpretação e de dúvidas. Daí nossa luta pela abertura das portas institucionais da entidade para a comunidade como um todo. Já a capacidade individual de Kiko Teixeira comandar o organismo é outra história.
Segundo: a linguagem do presidente Kiko Teixeira segue ritual de beligerância, de intolerância, que não cabe numa instituição multipartidária. Por mais que venha a ter razão sobre a possibilidade de defender a cobrança de pedágio, porque não existe almoço de graça e o Poder Público está quebrado para sustentar obras de infra-estrutura de tamanha envergadura, Kiko Teixeira perde pontos preciosos quando parte para o ataque de forma gratuita. Ou seja: Kiko não sabe ganhar um jogo nem mesmo quando esse jogo é impossível de perder.
Aliás, foi assim a resposta de Kiko Teixeira nos bastidores da reivindicação de abertura do Clube dos Prefeitos, solicitada pelo Conselho Editorial da revista LivreMercado, enquanto oficialmente se manteve arrogantemente distante de uma resposta, mesmo que fosse contrária aos interesses da comunidade.
O Clube dos Prefeitos cometeu um grave erro ao eleger Kiko Teixeira. Ele não está preparado para relacionamentos multifacetados que eventualmente fujam do espectro concentrador que destila em cada intervenção.
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