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Regionalidade
Agência não pode ter a cara
individualista como agora
DANIEL LIMA 12/03/2002
A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, herança institucional do prefeito regional Celso Daniel, precisa passar por transformações. Entre o modelo atual de gestão político-técnica sob as asas do Poder Público e a alternativa de o setor privado assumir o comando com visão pragmática de mercado, o bom senso indica que a solução está no meio termo — como sugeriu o consultor espanhol Francisco Albuquerque, economista que visitou o Grande ABC como interlocutor do Banco Mundial.
Entretanto, antes mesmo de enveredar por esse caminho menos sinuoso, convém realçar a necessidade de, de imediato, o prefeito João Avamileno, novo diretor-geral da entidade, tomar medidas para acabar com a farra do boi de interpretações estatísticas do pesquisador João Batista Pamplona. Há entre vários membros da Agência de Desenvolvimento irritação profunda com o estatístico e muitos já não o querem mais isoladamente à frente de avaliações que fazem do Grande ABC laboratório de notícias exageradamente otimistas. Sem meias palavras, João Avamileno terá de fazer alteração na rota da descentralização com responsabilidade e conhecimentos que Celso Daniel sempre preservou: João Batista Pamplona ou quem venha a ocupar seu lugar no futuro precisa ser colocado como integrante de uma equipe regional, e não como supra-sumo de análises.
Por mais que eventualmente esgrima a subjetividade, João Batista Pamplona tem histórico imperialista e ditatorial como coordenador de pesquisas da Agência. Não é por outra razão que a imagem da instituição é negativa quando se trata de interpretar o quadro socioeconômico regional. Entre outros motivos, além dos já conhecidos, porque Pamplona é um fantasioso estatístico cujos olhos estão voltados apenas para os numerais. Os animais racionais que estão por trás de cada operação matemática ou aritmética nem lhe passam pela cabeça.
Os chamados Cadernos de Pesquisa que a Agência de Desenvolvimento Econômico apresentou ao longo dos últimos anos são uma prova provada do autoritarismo de Pamplona como representante da entidade. Embora utilizasse roupagem democrática de encontros com duas ou três dezenas de convidados, o trabalho impresso não guardava qualquer relação com a multiplicidade de avaliações preliminares para produção de documento coletivo. Os cadernos já vinham passados e engomados, gostassem ou não os interlocutores da farsa democrática. Havia a premissa conceitual de que os números deveriam ser temperados de otimismo irresponsável.
A ação de João Batista Pamplona na região comprova o Complexo de Gata Borralheira de que somos vítimas. E também o reverso desse quadro psicossocial — de que quem vem da Capital geralmente se sente a Cinderela. Com seus canudos universitários no bolso e nada de realidade social e econômica do Grande ABC na cabeça, o estudioso dos números cometeu a insanidade avaliativa de repetir à exaustão, rodadas após rodadas de eventos da Agência, que o Grande ABC não passou por processo de evasão industrial. Insiste numa terminologia canhestra de “reestruturação” que esconde uma dura realidade que precisa ser combatida: a região passa por coquetel de situações que envolve reestruturação industrial, evasão industrial, esvaziamento econômico e desindustrialização.
É possível, dada a liberalidade com que foi gratificado, que qualquer um que ocupasse o posto de João Batista Pamplona agiria de forma semelhante, provavelmente sem a mesma empáfia e ojeriza ao debate franco, democrático, construtivista. Esperamos que o prefeito João Avamileno não tenha constrangimento em alterar o enredo de individualismo da entidade que herdou do ex-prefeito Celso Daniel. Ficar preso a determinadas situações contraproducentes aos princípios de democracia participativa seria a pior das soluções que João Avamileno patrocinaria em nome da memória de seu antecessor. Celso Daniel, por mais que tenha sido o melhor gerenciador público da história do Grande ABC, não era infalível. O modelo imperialista da Agência de Desenvolvimento Econômico exige medidas drásticas.
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