- Tamanho da fonte: A- | A+
- Envie por e-mail
- Imprimir
Política
Margem de erro
DANIEL LIMA 10/09/2008
Não me peçam para explicar tecnicamente o significado de margem de erro em pesquisas eleitorais.
Os chamados cientistas políticos são especialistas em manipular a semântica por si só já bastante elástica do mundo político. Margem de erro é carro alegórico respeitável quando se pretende carnavalizar análises.
Sei que margem de erro é recurso de comedimento, de cautela, de frenagem, mas também sei que institutos a utilizam em muitos casos como jogada para encontrar sempre uma resposta tecnicamente competente que justifique surpresas nas urnas. É o anteparo da desilusão possível que precisa ser acondicionada num cantinho qualquer para salvar a honra.
Não chegaria ao extremo de dizer que margem de erro é mecanismo de fuga de responsabilidade. Estaria ofendendo o pessoal da retaguarda científica que queima as pestanas para cercar o touro bravio de eleitores nem sempre sinceros que fazem do campo aberto do voto secreto plantação de malandragem.
Convenhamos que uma pesquisa com margem de erro de cinco pontos percentuais não pode ser levada a sério do ponto de vista jornalístico, porque, simplesmente, implodiria qualquer argumentação, mesmo a mais sólida.
Uma pesquisa com margem de cinco pontos pode ser irredutivelmente sólida como argumentação dos especialistas em numerologia eleitoral para justificar a vitória de um candidato que estivesse a 10 pontos percentuais do adversário. Basta fazer uma operação matemática simples: rebaixam-se os cinco pontos percentuais de quem está na frente e eleva-se o mesmo tanto de quem está abaixo. Pronto, é empate técnico.
Sou intransigentemente contrário ao uso descarado da margem de erro por veículos de comunicação. Em determinadas situações a margem de erro é olimpicamente desdenhada quando poderia prejudicar o candidato preferido do dono do negócio da informação, enquanto em outros casos faz-se esforço fenomenal para realçá-la, exatamente por conta de motivo inverso.
Querem saber, por fim, o que faço da margem de erro?
Lanço na coluna do descartável como argumento matemático, embora a respeite como elemento de análise do qual posso, eventualmente, em circunstâncias que exigem mesmo ponderação mais refletida, lançar mão.
Entretanto, nada que represente forçada de barra a ponto de mudar o núcleo do material jornalístico que se resume no chamamento avaliativo de que quem está na frente, em segundo, em terceiro lugar ou em outras posições, é quem aparece respectivamente com mais percentuais de eleitores.
Mais de Política
- Orlando Morando salva Serra na
escada rolante. Nada mais natural - Voto Forasteiro, Voto Regional e
Voto Omisso no Teatro Grande ABC - Não deixe de votar no Grande ABC,
eis uma ideia às próximas eleições - Vicentinho e Morando expõem
linguagem da disputa eleitoral - Será que a onça da Cidade da
Criança não está protestando? - Voltando às eleições
- Recuperando dados e fatos
- Aidan pressionado
- Página virada ou em branco?
- Dib é o Marinho de Serra?
- Aidan e o jogo oposicionista
- Morando vs. Siraque
- Como se explica a zebra de branco?
- Liderança de Luiz Marinho
não pode ser desperdiçada - Muito além de Santo André (4)
- Muito além de Santo André (3)
- Muito além de Santo André (2)
- Quem pariu que embale
- Muito além de Santo André (1)
- Enquete e debate
- Contra malversadores
- Pesquisas dão vitórias aos petistas
- PT pode ficar com 82% do PIB
- Manente dá mais força a Marinho
- Siraque conta com mais votado
- Oswaldo ganha mais impulso com Diniz
- Brasmarket antecipa primeiro turno
- O que faz diferença na escolha?
- Quanto pesa prestígio de Lula?
- Conselho coloca PT nas Prefeituras
- Caindo de quatro
- Derretendo restrições
- Os votos de Lula
- Mesmices eleitorais
- Lula 4 vs. 3 Serra
- Vantagem consolidada
- Lula versus Serra (2)
- Ensaio geral
- Lula versus Serra (1)
- Politicamente correto
- Margem de erro
- Coerências eleitorais
- Bobagens eleitorais
- Virada eleitoral?
- Fera indomável
- A quem interessar possa
- Cinco favoritos e duas dúvidas
no cenário eleitoral da região - Disputa eleitoral
- Missão cumprida
- Fim de caso
- Prova dos nove
- Sabatinas históricas?
- Governo populista?
- Cavalos paraguaios
- Assédio publicado
- Corrida para dois
- Maurício encalacrado
- Assédio prorrogado
- Dia decisivo
- Assédio providencial
- Barraco armado
- Assédio esmiuçado
- Assédio explicado
- Assédio democratizado
- Assédio sexual
- O fator Brandão
- Quantas vias?
- Desmanche geral
- O bicho vai pegar
- Malabarismo verbal
- Replicantes no Paço
- Mais fogaréu
- Paço em chamas
- A Arte da Guerra
- Nome ao boi
- Mistério desvendado
- Bolha de sabão
- Emerge o adversário
- 60% a 40%
- Adversário e concorrente
- Cidadela inexpugnável?
- Passado e presente
- Memória eleitoral
- Siraque avança
- Troféu Parquetina
- Disputa acirrada
- Canonização à vista
- Dib, aliados e adversários
- Ilha da fantasia
- Irmãos siameses
- Original e caricatura
- Proximidade inexorável
- Expiação eleitoral
- Público-público
- Caso Tortorello
- Anatomia eleitoral (IV)
- Anatomia eleitoral (III)
- Anatomia eleitoral (II)
- Anatomia eleitoral (I)
- Celso e Dib
- Fazenda Ramalho (II)
- Fazenda Ramalho
- Capital eleitoral
- Turno rentável
- Voto esquadrinhado
- Seleção eleitoral
- Conselho eleitoral
- Fúria individualista
- Tudo pelo poder
- Calendário travesso
- Pesquisas eleitorais
- Farol trabalhista
- Lições do capitalismo
- O bicho vai pegar?
- Teremos Lula econômico
ou Lula assistencialista? - Grande ABC vai às urnas
para eleger Lula da Silva - Por que São Caetano deu
tantos votos a Enéas? - Vote num Grande ABC de
compromissos assinados - PL usa TV para exigir de
empresas obrigação do Estado

Processando ...