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30ANOS: mais sinais de
perdas metropolitanas

  DANIEL LIMA - 06/08/2020

O desempenho econômico e social da Região Metropolitana de São Paulo começou a declinar na esteira da desindustrialização, que também pode ser chamada de interiorização industrial. Em novembro de 1999 a revista LivreMercado mostrava, novamente, o andar da carruagem das transformações no território paulista. Inclusive ou principalmente do Grande ABC. 

Esta é centésima-quinta matéria da série 30ANOS do melhor jornalismo regional do País – de LivreMercado a CapitalSocial.   

Grande São Paulo

fica em quarto lugar 

 DA REDAÇÃO - 05/11/1999 

Continua a queda da qualidade de vida na Grande São Paulo, incluído o Grande ABC, em relação ao restante do Estado. Dados da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado, relativos à performance de São Paulo entre 1991 e 1996, diagnosticaram que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) paulista apresentou melhora significativa. Entretanto, a Grande São Paulo continuou despencando no ranking estadual: de primeira colocada em 1991, caiu para o quarto lugar em 1996.  

O estudo confirma que o Interior continua a atrair mais investimentos e apresenta melhoria mais acentuada na qualidade de vida, segundo o secretário estadual André Franco Montoro Filho.  

O estudo da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado constatou que todas as regiões, à exceção de Registro, passaram de um IDH médio para alto. O IDH foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e representa a média aritmética de três indicadores -- renda per capita, longevidade e escolaridade.   

O melhor IDH da Grande São Paulo continua sendo o de São Caetano. No ranking estadual, entretanto, São Caetano está em quinto lugar, logo depois de Águas de São Pedro, Tupi Paulista, Cruzália e Ilha Solteira, as quatro primeiras colocadas, pela ordem. Dumont, Sales Oliveira, Buritizal, Pedrinhas Paulistas e Saltinho ocupam, respectivamente, o ranking das 10 melhores. Os demais municípios do Grande ABC estão em posições secundárias: Santo André está em 28º lugar, São Bernardo em 41º, Ribeirão Pires em 102º, Diadema em 239º, Mauá em 245º e Rio Grande da Serra em 458º.  

Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto são, pela ordem, as regiões com IDH mais elevado. Na sequência estão as regiões da Grande São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, Região Central, Franca, Bauru, Barretos, Marília, São José dos Campos, Sorocaba, Santos e Registro. Estudos do governo paulista identificam apenas 10 países no mundo com IDH superior ao apontado na região de Araçatuba. A maior parte das regiões administrativas do Estado (12 entre 15) apresenta IDH entre a Argentina e a Venezuela. Registro tem indicadores semelhantes aos da África do Sul e do Estado do Pará.   

Salários em baixa 

A perda relativa de qualidade de vida da Grande São Paulo tem origem em evidentes implicações econômicas. Segundo outro estudo divulgado em outubro pelo Dieese/Seade (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas e Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados), a distância entre os maiores e os menores rendimentos na Região Metropolitana de São Paulo foi intensificada nos últimos 10 anos. Nesse período, todas as faixas de renda diminuíram, mas os 10% que estão na base da pirâmide foram mais atingidos: perderam 29,9%. Já os 10% de maior poder aquisitivo tiveram rendimentos reduzidos em 19,8%.   

O Grande ABC, que há quase duas décadas passa por processo de esvaziamento econômico, contabilizou pelo menos um resultado positivo no mês passado, quando pesquisa realizada pela Fundação Seade, Dieese e Consórcio Intermunicipal de Prefeitos constatou que a taxa de desemprego diminuiu de 23,1% para 22,1% entre agosto e setembro.  

A marca interrompeu trajetória de alta iniciada em dezembro do ano passado. Estima-se a existência de 260 mil desempregados no Grande ABC, o que equivale à soma dos moradores de São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.  

O nível ocupacional aumentou 1,1% em setembro como resultado da geração de novos postos de trabalho no comércio e nos serviços. O setor industrial, carro-chefe da economia regional, manteve pelo terceiro mês consecutivo tendência de diminuição de empregados -- foram 16 mil postos a menos em setembro, contra aumento de 10 mil vagas no comércio e sete mil nos serviços. A mesma pesquisa, válida para a Região Metropolitana de São Paulo, manteve a taxa de desemprego praticamente estável, variando de 19,6% para 19,7%.  

Nos últimos 12 meses, o nível de ocupação no Grande ABC diminuiu 0,8%, com saldo negativo de sete mil postos de trabalho. A indústria reduziu o quadro de profissionais em 17,5% no período, enquanto comércio e serviços apresentaram saldo positivo de 7,6% e 4,7%, respectivamente. Tradicionalmente, comércio e serviços pagam salários menores. 

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