Imprensa

Folha obsessiva dá tiro no
próprio pé com Datafolha

  DANIEL LIMA - 06/04/2020

Completamente insensível com a situação sanitária, como se o Coronavírus fosse uma gripinha qualquer, a Folha de S. Paulo e o Datafolha, irmãos siameses na batalha campal contra o presidente da República, perpetraram uma insanidade no final de semana. Mais especificamente na edição de domingo. A Folha elevou à condição de manchetíssima (manchete das manchetes de primeira página) o resultado da consulta do instituto de pesquisas por telefone. E atirou no próprio pé da estupidez editorial ao ter de engolir Jair Bolsonaro imune à tentativa de uma provocativa opinião pública pró-renúncia.

A Folha e o Datafolha foram os grandes derrotados na consulta: além de não registrarem o que se pretendia (uma maioria favorável a renúncia de Bolsonaro), tiveram o desgaste de apelar para um chute na canela da ética ao atropelar o vírus chinês como grande e quase unânime preocupação dos brasileiros nestes tempos difíceis.

O formulador da proposta de consultar os eleitores a respeito da governabilidade de Jair Bolsonaro e aqueles que o apoiaram no front da Folha de S. Paulo (o Datafolha é um apêndice editorial e politico da publicação) deveriam receber um troféu especial, com o formato de duas grandes orelhas. Com a devida vênia dos burros não-metafóricos.

Endorfina ideológica

O resumo dessa ópera de absurdos é que a Folha de S. Paulo se ombreia ao presidente da República em hostilidade e desrespeito mútuos. Ou seja: Folha e Bolsonaro têm tudo a ver, embora o jornal use de linguagem mais sofisticada que o tosco presidente da República.  Um tosco, é sempre bom complementar, que é exatamente o laxante de que o Brasil precisou (e por isso ganhou as eleições) para eliminar boa parte da podridão refinada que empesteou a República nos últimos 40 anos.

A liberdade de imprensa dá direito a quase tudo, mas, como se vê, também ao excesso de endorfina ideológica que pode levar competidores pelo controle da narrativa à situação vexatória, quando não desrespeitosa, quando não inoportuna, muitas vezes ofensiva.  A manchetíssima de ontem sofreu distensão analítica comprometedora, além da abusividade contextual.

A Folha e o Datafolha perderam o rumo e o prumo. Nada que surpreenda. A linha editorial do jornal, que já foi pluralista (ou se pretendeu pluralista no discurso em tempos em que os extremismos não vigiam e o socialismo de araque dava as cartas sem contestação alguma), é uma sucessão de pancadaria explicita no governo federal, com algum temperozinho maroto de entrevistas que dariam verniz de democracia da informação.

Respaldo científico

É um direito da Folha escrever ou mandar escrever ou permitir que os colunistas só escrevam artigos inseridos nos preceitos de espancamento ao governo federal, mais precisamente ao presidente da República, mas não pode esquecer o custo que isso representa à credibilidade como veículo o de comunicação.

A melhor medida é assumir sem sofisma e truques a condição de publicação em defesa da esquerda do País, ou de algo que não é exatamente de esquerda, desde que seja possível manipular o conceito de esquerda com base em outros interesses. 

Deixo claro que sou leitor da Folha de S. Paulo há muito tempo, mas jamais abdiquei do direito ao consumo crítico das informações rasas, dos artigos encomendados e das análises cuidadosamente orquestradas para sustentar a linha editorial. A Folha tem o melhor marketing da Grande Mídia. Supera inclusive os produtos do Grupo Globo. A Datafolha é uma grande invenção para quem pretende e conta com respaldo supostamente científico. Na maioria dos casos, quando a política entra em campo, o Datafolha é um perna de pau que não resiste a avaliações independentes.

Farsa do pluralismo

A farsa do pluralismo da Folha de S. Paulo ruiu com o governo Bolsonaro. A manchetíssima de ontem é prova viva. Como se já não houvesse desabado durante a campanha eleitoral de nítida partidarização.

Deixo claro de novo que leio com avidez a Folha de S. Paulo, até para ter o direito de questioná-la diariamente, como faço em minhas reflexões. Conheço de cor e salteado a linha matricial de análises de cada um dos colunistas. Respeito-os quase todos, mesmo que não concorde com muitos deles.

Há um e outro terrorista entre os colunistas. Iletrados em jornalismo, porque saídos de bancos acadêmicos com ranços ideológicos fossilizados, não têm arranjo intelectual para se manifestarem, embora o façam com algum verniz de frases feitas. Usam viseiras ideológicas. A Folha os prestigia porque comunga dos mesmos propósitos.

Nos braços da semântica

A Folha aderiu ao jornalismo de centro-esquerda internacional. Ao não se referir mais ao decantado pluralismo com que temperava uma doutrina de suposta neutralidade, a Folha pelo menos tem a honestidade intelectual de assumir-se irrevogavelmente contrária ao presidente de plantão. Comete, entretanto, o erro de atribuir exclusivamente a Jair Bolsonaro os anunciados rompantes de autoritarismo. Antecessores aparelhados, organizados e bem nutridos de dinheiros públicos, sempre foram tolerados. Eles souberam substituir a explicitude de Bolsonaro pela dissuasão financeira e verborrágica de dominação semântica.

Não bastassem os desarranjos éticos da publicação de uma pesquisa sob encomenda, o resultado foram péssimos. É verdade que imperou como forma de subsistência do Projeto Tabajara um ponto que norteou a programação da numeralha toda: desgastar a presidência da República, dentro da logística do que chamo da Grande Mídia.

Folha, Estadão, O Globo, Valor Econômico, Rede Globo e Globo News, além do jornal Extra, formam o esquadrão de combate ao governo federal que, à parte a fartura de munição aos opositores da Imprensa, advém do profundo corte da ração publicitária que engordava as burras principalmente do conglomerado dominado pelas Organizações Globo.

Por isso e tantas outras coisas mais se explica a tentativa de desgaste, que é subliminar e sobrevive mesmo com o fracasso dos números da pesquisa.

Tiro pela culatra

Que fracasso? Mesmo considerando que uma coisa (eleição presidencial) é uma coisa e outra coisa (pesquisa para tomar o pulso de demanda por renúncia do eleito) é outra coisa, Jair Bolsonaro saiu no lucro: eleito com 55% dos votos válidos no segundo turno, em 2018, alcançou agora 59% do eleitorado contrário à própria renuncia. E os 44% que optaram por Fernando Haddad no segundo turno de 2018, viraram 37% que querem a renúncia de Bolsonaro.

Alguém é capaz de provar que opositores de Bolsonaro não lhe infligiram um sonoro sim favorável à renúncia? Quem não o fez defende o governo federal ou considera que não há motivos para tanto. Em suma, a pesquisa fora de hora e obsessiva do Datafolha foi uma espécie de plebiscito para desgastar Jair Bolsonaro. O tiro saiu pela culatra, mas é provavelmente o primeiro de vários assaltos de um processo que tem finalidade precípua, não importa quanto tempo seria utilizado. Desde que não corresponda aos quatro anos constitucionais do mandato.

Quem controla o Datafolha?

Repito que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Entretanto, num País polarizado politicamente como o Brasil, e levando-se em conta o que parecia e ainda parece o pior momento da presidência de Jair Bolsonaro, ter a maioria da opinião pública favorável ao mandato obtido nas urnas é um resultado e tanto.

E como a Datafolha não é exatamente o que entendo como a fina flor da confiabilidade, e a Folha de S. Paulo é inimiga pública do presidente da República, não duvidaria se Jair Bolsonaro somasse mais apoio e tolerância do que os resultados divulgados. Quem controla o Datafolha? Quem garante que os números são verdadeiros? Por que o Datafolha não publica o questionário inteiro? Quem conhece pesquisa sabe que a formulação da pergunta é um caminho aberto à resposta que mais interessa;

Ainda trafegando superficialmente pelos resultados do Datafolha da manchetíssima de ontem da Folha de S. Paulo (“Maioria é contra renúncia de Bolsonaro, aponta Datafolha”) vou à página interna e reboco um dos enunciados da interpretação da pesquisa. Vejam o que escreveu o jornalista Igor Giolow:

M A título ilustrativo, na mesma altura de seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT) tinha sua renúncia pedida por 60%, ante 37% que a queriam no cargo em abril de 2016. Os dados não são diretamente comparáveis porque aquela pesquisa foi presencial, com outra metodologia. A crise era de outra natureza também. Naquele ponto, Dilma estava a dias de sofrer a abertura do processo de impeachment e ser afastado, o que ocorreu em maio.

Oposto de Dilma Rousseff

Parem as máquinas: está aí provavelmente um dos pontos que alimentaram a formulação da pesquisa do Datafolha para aferir o potencial de brasileiros que pretendem apear Bolsonaro da presidência. Ou seja: não tem sentido algum a execução da tarefa porque eram situações diferentes no campo político e social.

Se a pesquisa que aferiu o ambiente de cassação de mandato de Dilma Rousseff se justificava conforme mostra o texto da reportagem da Folha (o impeachment se aproximava para valer por causa de processo que começou com as roubalheiras do PT e coligações partidárias e se estendeu às travessuras fiscais e eleitorais de Dilma Rousseff) agora não há nada que tenha consistência de emparelhamento de gravidade dos casos.

Tanto é verdade que o resultado final da pesquisa do Datafolha foi praticamente o mesmo do ambiente de impeachment de Dilma Rousseff, com a distinção de que, desta vez, a vantagem é do alvo pretendido pelo Datafolha. Os números favoráveis a Bolsonaro hoje são os números pelo impeachment de Dilma Rousseff ontem. Ou seja: um quadro diametralmente oposto.

Que será da crise?

O terraplanismo de Bolsonaro no caso do Coronavírus é grave, claro que é grave, mas quem garante que, na reta de chegada, tudo não se altere? Ninguém sabe por onde anda o destino do vírus chinês. Além disso, e isso é atenuante, o governo de Bolsonaro não é autoritário na questão-chave, porque a maioria dos principais ministros se opõe à opinião do chefe. Basta dar uma espiadinha no que anda fazendo Nicolás Maduro na Venezuela e Daniel Ortega na Nicarágua para se compreender o que é autoritarismo no tratamento político-social de combate ao vírus.

A bem da verdade e dos fatos, os embates entre o conglomerado Folha de S.Paulo/Datafolha e o presidente da República começaram muito antes de Bolsonaro ganhar as eleições. Faz parte do jogo democrático a imprensa livre, como deve ser mesmo, mas a imprensa livre sempre está condicionada à inviolabilidade da imprensa livre como espécie de paradoxo: a liberdade virará prisão no sentido de interdição das próprias mensagens quando o grau de desconfiança dos leitores superar os níveis de credibilidade.

A máxima de que quem exagera na argumentação perde a razão é, portanto, uma extensão de débito do comportamento da Folha de S. Paulo e do Datafolha nos embates com o presidente da República. Um presidente da República, que, por sua vez, também perde pontos na medida em que estica o confronto e as hostilidades ao conglomerado Folha.

Para provar que esse embate vem desde muito tempo, reproduzo a análise que preparei para esta revista digital logo após o incidente que impulsionou a vitória de Jair Bolsonaro, em setembro de 2018. E lembrar que houve colunistas na Folha, extremistas, que manifestaram a desfaçatez de que o candidato do PSL não seria beneficiado em nada com o incidente. Ou seja: a facada morreria por si só. Nada melhor que a liberdade de imprensa para enjaular a cretinice descabida. Celso Rocha de Barros é o colunista da Folha que cometeu essa sandice. Rocha Barros é sociólogo formado pela Universidade de Oxford, Inglaterra, além de funcionário público federal.  Faz parte dos guerrilheiros que todas as semanas desfilam horrores contra a presidência da República. 

Datafolha força a barra e

vai para o paredão eleitoral 

 DANIEL LIMA - 18/09/2018

Vou ser rápido no gatilho na análise que explica o título deste artigo. Só me pergunto a título de descargo de consciência se a expressão “rápido no gatilho” não seria politicamente incorreta em todos os sentidos, principalmente na tentativa de me jogarem nos braços do presidenciável Jair Bolsonaro, embora não negue que o quadro geral possa levar mesmo a isso, já que João Amoêdo é carta fora do baralho. 

A Folha de S. Paulo resiste a admitir o que os demais institutos de pesquisas confirmam o que antecipei ao tomar conhecimento do atentado contra o capitão reformado que quer chegar ao Palácio do Planalto: os efeitos daquele incidente foram contundentes à definição de votos até agora no primeiro turno. 

Abro um parêntese antes de voltar ao que interessa: quando soube do atentado estava no volante e esperei chegar ao escritório para tomar conhecimento de mais detalhes. Missão cumprida, não tive dúvidas em dizer que a eleição acabara ali.  Ou seja, já estava decidida. Simples, muito simples: se Bolsonaro já era um fenômeno eleitoral mesmo descartada de mídias de massa, como rádio e televisão da propaganda eleitoral, imaginem então ao saltar para as manchetes como vítima. Somente uma grande bobagem o retiraria do segundo turno e da vitória final. 

Mais que 2%, claro

Agora, voltamos ao Datafolha. A manchete e o texto de página interna da Folha de S. Paulo de sábado, um dia após todos os noticiários da grande mídia fazerem coro à antecipação dos dados, revelam uma mensagem subliminar, quando não explicita, de que o atentado não teria mudado praticamente nada. Seria essa uma maneira de o Datafolha imaginar que poderia arrefecer o que os radicais de esquerda chamariam de vitimização de Bolsonaro em oposição aos extremistas de direita que garantem tratar-se de um plano maquiavélico para retirá-lo da competição? Querem ver?

O título da Folha de S. Paulo é o seguinte: “Apenas 2% afirmam que atentado contra Bolsonaro mudou voto”. 

Leram, releram, analisaram? Tomei essa iniciativa várias vezes até que cheguei ao resultado final que certamente a maioria não chegou porque a maioria foi induzida a raciocinar com simplicidade entre outras razões porque não é pentelha e muito menos jornalista. 

Leitura apressada

Qual é a leitura dos comuns dos mortais ao passar os olhos no título exposto? Resposta: que praticamente nada mudou nas tendências e nos resultados eleitorais mais de uma semana após um atentado. Mas, como é possível tamanha sandice?  Afinal, todos os institutos, inclusive o Datafolha, publicaram nos dias seguintes à tentativa de assassinato que houve mudanças nos números eleitorais. Os 2% do Datafolha não são praticamente nada, convenhamos. Está na margem de erro, para ser mais preciso. 

O que o Datafolha escondeu intencionalmente ou porque é descuidado, é que o fato de que apenas 2% dos eleitores terem mudado o voto não responde à demanda sobre os efeitos eleitorais da tentativa de assassinato. Esperar que mais de 2% mudassem a direção de voto já decidido seria demais nestes tempos em que aqueles que já se definiram por um dos candidatos estão polarizados, quase impermeáveis a pressões. 

O que o Datafolha deveria ter respondido com clareza seria o volume percentual e de pontos percentuais que o candidato Jair Bolsonaro amealhou após ser atingido, levando-se em conta principalmente os indecisos, os céticos e mesmo os votos menos convictos.

Mudanças evidentes 

Esse encaminhamento é tão óbvio que foi respondido em linhas gerais, não especificamente, pelos demais institutos de pesquisa, inclusive o Datafolha. Todos apontaram, em investigações anteriores, avanço numérico e comparativo na liderança do candidato do PSL. E não foram poucos os avanços. 

No dia seguinte à notícia maltrapilha da Folha de S. Paulo, o Estadão publicou mais dados sobre a pesquisa do Ibope Inteligência realizada nos dias 8, 9 e 10 de setembro, logo após, portanto, ao atentado de 6 de setembro. E o que diz o Estadão sob o título “Bolsonaro tira do PSDB domínio do voto anti-PT”. Alguns trechos da matéria: 

 Os números confirmam o que as ruas já indicavam: depois de polarizar por um quarto de século a política nacional com o PT, o PSDB perdeu para Jair Bolsonaro (PSL) o protagonismo no eleitorado antipetista. Nesse contingente, que abrange cerca de 44 milhões de brasileiros, ou 30% do total de eleitores, Bolsonaro tem apoio da maioria absoluta, e sua taxa de intenção de votos equivale a seis vezes a do tucano Geraldo Alckmin.  Segundo o Ibope, entre os antipetistas, o deputado e militar da reserva tem 53% das preferências – é o dobro de sua média nacional. Já Alckmin, com apenas 9%, fica em um distante segundo lugar. (...) Os dados são de levantamento do Ibope (...), depois de Bolsonaro ter sido esfaqueado (...) fato que provocou comoção e aumento expressivo da exposição do candidato do PSL nos meios de comunicação. (...) Após o atentado, Bolsonaro ganhou forte impulso entre os antipetistas. Nesse segmento ele subiu 12 pontos percentuais em relação à pesquisa feita antes da agressão, o triplo do que cresceu no eleitorado total – escreveu o Estadão. 

Marcação cerrada 

O Datafolha merece marcação cerrada de quem leva a sério jornalismo porque, como tanto outro instrumento importante no jogo eleitoral, faz parte das emoções e intenções sérias ou manipuladas. Já se foi o tempo em que pesquisas eleitorais eram intocáveis. Agora, não só pela tecnologia de democratização que sustenta as redes sociais, tudo passa por transformações. 

Há novos atores no mercado nacional. Surgem consultorias financeiras e instituições bancárias a contratar empresas especializadas. E todas, até agora, convergiram no sentido específico desde o atentado: Bolsonaro acentuou progressivamente o estoque de votos de indecisos, dos pouco sólidos e mesmo dos céticos. Tanto que avançou numericamente e proporcionalmente na contagem geral. 

Também é intrigante a metodologia adotada pelo Datafolha (e igualmente pelo Ibope) na quantificação do eleitorado que mantém restrições a Jair Bolsonaro. O nível de rejeição a Bolsonaro está em desequilíbrio acentuado quando comparado aos demais concorrentes. 

Já o Instituto Paraná e o BTG Pactual apresentaram dados menos contrastantes. Questão de metodologia, claro, mas isso não resolve o problema. Aliás, só o torna mais desafiador. Afinal, como é possível Bolsonaro ganhar cada vez mais a dianteira em números percentuais se a contabilidade restritiva do Datafolha e do Ibope o coloca mais que duplamente renegado pelo eleitorado em relação aos principais competidores? 

A caminho do Planalto

Sei que os detratores de sempre deverão fazer ilações pecaminosos a essas observações. Pouco estou me lixando. Sempre os enfrentei em questões que exigem principalmente honestidade intelectual e desapego ideológico. Gostem ou não os opositores de Jair Bolsonaro (e a maioria o é por razões bastante sólidas, embora não o façam no mesmo sentido a outros candidatos que também acumulam pecados), o fato é que o capitão reformado deverá ser consagrado novo presidente do País (é isso que o andar da carruagem eleitoral sugere, quando não estimula) porque é um fenômeno social com repercussão eleitoral. E só o é porque opositores, todos do mesmo perfil que já cansou a maioria da sociedade, têm muito menos a oferecer. 

A sacralização de institutos de pesquisa, sobretudo às mais vinculadas à grande mídia, caso do Datafolha e do Ibope, entrou em parafuso com a difusão de novas fontes de informações, especialmente do mercado financeiro. Até prova em contrário não creio que esses novos players estariam decididos a criar falsificações estatísticas que o levariam a dar um tiro no próprio pé de desempenho futuro da economia nacional. 

Mesmo que assim o seja, entretanto, trata-se de novos ingredientes que de alguma forma afetarão o modus operandi dos mais tradicionais institutos do mercado de votos. Nada é melhor para a sociedade consumidora de informações que desfrutar do direito de contar com várias alternativas à consulta em qualquer campo da atividade humana. Quanto mais choques numéricos melhor, porque será possível extrair certezas e dúvidas de acordo com o juízo de valor que temos o direito de expressar. A obscuridade fomentada por poucas fontes de informações deve ser combatida sempre.

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