Esportes

Rebaixamento é risco zero para
o Santo André; agora é mata-mata

  DANIEL LIMA - 10/02/2020

O Santo André não corre nenhum risco de voltar à Série A2 do Campeonato Paulista na próxima temporada depois de chegar a surpreendentes 12 pontos em 15 disputados. E conta com praticamente outras duas companhias da lista de sete condenados ao rebaixamento: o Novorizontino e o Mirassol, cada um com nove pontos ganhos. Agora a lista da degola está entre os quatro condenados por força de desigualdades econômico-financeiras, além do Botafogo de Ribeirão Preto e do Oeste de Barueri, que integram a Série B do Campeonato Brasileiro.

Depois de cinco rodadas (e restando sete para o encerramento dessa etapa), ninguém poderia ao menos sonhar que o Santo André, principalmente o Santo André, estivesse onde está: líder da competição com 12 pontos em 15 disputados. O Novorizontino e o Mirassol têm nove.

Distribuída em quatro grupos de cinco equipes cada, a Série A1 é inapelável: os dois últimos colocados na classificação geral (ou seja, desconsiderando as divisões de grupos) serão rebaixados automaticamente.

Estatisticamente fora

Vasculhei os dados da competição neste século e, desde que o sistema de grupos foi implantado, nenhuma equipe que tenha somado 12 pontos foi rebaixada. Nem mesmo quando o campeonato contava com 20 equipes. Ou seja: o Santo André só tem de se preocupar agora com a chegada ao mata-mata.

Exceto o Botafogo de Ribeirão Preto e o Oeste de Barueri, que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro e, portando, estão entre os privilegiados da Série A1 do Campeonato Paulista (os demais são Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Bragantino, Botafogo, Oeste de Barueri, Ponte Preta e Guarani), os demais quatro condenados seguem a correr risco de queda na hierarquia paulista. Como se sabe, fazem parte da lista os times que não disputam nenhuma das duas principais competições do País, a Série A e a Série B do Brasileiro.

A pior situação é do Botafogo de Ribeirão Preto, com apenas um ponto ganho e que hoje enfrenta o Santos na Vila Belmiro. Mas os números também atormentam o Ituano com três pontos, a Ferroviária de Araraquara, o Oeste de Barueri e o Água Santa de Diadema com quatro pontos cada. O Bragantino tem cinco pontos apenas, mas não deve sofrer maiores dramas.

De líder a rebaixável

A vitória do Santo André contra o São Paulo por dois a um contou com alguns componentes que confirmam o perfil da equipe da região. O primeiro tempo em que estabeleceu a vantagem de dois a zero reafirmou um Santo André dinâmico com e sem a bola. Um time forte na marcação e rápido na ocupação de espaços ofensivos. Contragolpes mortais que persistiram mesmo com a ausência de dois atacantes, Branquinho gripado e Douglas Baggio contundido.

Já no segundo tempo o Santo André foi um time excessivamente recuado. Jogou como quem fugisse do rebaixamento, não como quem lidera o campeonato. Não se deve colocar tudo na conta de virtudes de jogo denso do São Paulo de Fernando Diniz, um especialista no assunto.

O Santo André cansou terrivelmente depois de completar três jogos em oito dias por conta do confronto com o Criciúma no meio da semana pela Copa do Brasil. A equipe de Paulo Roberto dos Santos não jogou no segundo tempo mais que 10 minutos como capacidade de equilibrar com o São Paulo. De resto foi amplamente dominada. Sorte que o time de Diniz tem como marca a baixa infiltração. E se excede nos cruzamentos que o Santo André não soube minimizar porque não tinha mais fôlego para marcar em todos os cantos defensivos, principalmente nas extremas.

Quem demorou para avaliar o potencial do Santo André no campeonato deve estar arrependido. Quem preferiu acreditar num time de operários com boa qualificação e, principalmente, motivadíssimo a se mobiliar em todos os espaços do gramado agora está convencido de que não se trata de um grupo qualquer de jogadores. Não é o mesmo Santo André vice-campeão paulista de 2010, mais criativo e ofensivo, mas é um time marcante pela capacidade de transformar baixo investimento em alta rentabilidade. Tudo sob o comando de Paulo Roberto dos Santos, um mago à beira do gramado.

Água começa a reagir

A outra equipe da região que disputa a Série A1 do Campeonato Paulista, o Água Santa de Diadema, saiu parcialmente do atoleiro numérico ao vencer a Ferroviária de Araraquara com um gol de pênalti aos 36 minutos do segundo tempo no Estádio Distrital do Inamar. Agora sob os cuidados de Pintado, um técnico que faz parte do seleto grupo de quimioterapia tática, voltado a dar choque emocional e motivacional nos atletas, o Água Santa despertou da soberba das primeiras rodadas. Decidiu correr com e sem a bola. Está longe de honrar os investimentos, porque carrega muitas deficiências coletivas, mas respira levemente aliviado para encetar uma corrida contra o rebaixamento.

O que mais pesou na vitória do Água Santa foi uma besteira do meio-campista Pablo, da Ferroviária. O jogo estava controlado e correndo em direção ao empate quando Pablo segurou o centroavante Dinei após cobrança de escanteio. O árbitro, que não dera penalidade máxima no primeiro tempo para o Água Santa, quando o zagueiro Carlão enfiou o braço na bola que ia em direção ao gol, não vacilou. Robinho, meio-campista que entrou no segundo tempo e passou a construir jogadas, bateu de forma inapelável.

Ao restarem sete rodadas para o fim da fase classificatória o que se vislumbra no horizonte do futebol da região é um Santo André cada vez mais perto da consagração de integrante de mata-mata e um Água Santa correndo desesperadamente para não voltar à Série A2, de onde só saiu por conta de uma resolução da Federação Paulista de Futebol que feriu de morte os critérios de legalidade e moralidade. Menos, claro, para os bandoleiros do futebol, uma turma que está em todos os cantos, dos gabinetes oficiais às tribunas de imprensa.

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