Imprensa

Nove meses de cinco anos que
transformariam o Diário (21)

  DANIEL LIMA - 19/12/2019

Naquela edição de 9 de novembro de 2004 (portanto, há mais de 15 anos) da newsletter Capital Digital Online fiz uma breve abordagem sobre a importância de a Redação do Diário do Grande ABC ter o controle da pauta. O conceito integrava uma das cláusulas pétreas do Planejamento Estratégico Editorial, proposta que formulei meses antes de assumir o cargo de Diretor de Redação do jornal.

Antecedendo a isso, por conta de um desvio estratégico de percurso, atuei como ombudsman da publicação. Preparava naquela função inédita no jornal o campo de atuação para liderar a reformulação de que a publicação tanta precisava. Vejam o que escrevi naquela data de novembro. 

 Edição número 28 

Por um jornalismo que não pode

se deixar dominar pela demanda 

Não consigo entender produção jornalística senão como rompimento sistemático de barreiras de qualidade. Por isso, insisto tanto no assunto. Temos de superar as expectativas. Temos de encarar os desafios. Contabilizamos nestes pouco mais de 100 dias de trabalho muitos pontos positivos. Mas precisamos acelerar o ritmo onde for preciso. 

Como tenho sistematicamente afirmado, nosso jornal não pode ser objeto de controle externo de qualquer que seja a fonte de informação. Essa história de dizer que jornal é feito para atender aos leitores tem limites conceituais, éticos e operacionais. Há leitores bons e leitores oportunistas. Temos de saber distingui-los. E a melhor maneira, até prova em contrário, é saber o quanto o bom leitor acrescenta ao nosso Planejamento Estratégico Editorial. E o quanto o mau leitor é nocivo. 

Digo e repito à exaustão, porque esse mantra precisa penetrar na alma de cada profissional de comunicação: não podemos, não devemos e não seremos vítimas de demandas externas sobre as quais há provas fundadas de malandragem semântica ou objetivamente clara. E não podemos ter medo de cara feia. 

Por isso, temos que nos preparar cada vez mais e melhor para o enfrentamento da pauta diária que devemos elaborar e executar, e não deixar que nos pautem e, com isso, tomem conta de nossas páginas. 

Tenho afirmado e reafirmado que não posso abdicar da posição de observar a redação sob o ângulo de um piloto que reconhece o terreno. De vez em quando salto do paraquedas, me enfio nas veredas específicas de cada editoria e da Secretaria para avaliar detalhes das operações. Associar o voo panorâmico e o voo rasante é excelente maneira de manter a sensibilidade de olhar a floresta sem se descuidar de cada árvore. A imagem pode até ser gasta, mas talvez seja a mais representativa para a compreensão dos princípios que me movem. 

E vamos enfatizar também à exaustão que nosso território é o Grande ABC. Que devemos tratá-lo como nosso campo de batalha. Que devemos ter o domínio completo das informações, dos personagens, dos problemas. Ninguém pode nos superar. Pelo contrário: devemos impor o agregado de conhecimentos para tornar o jornal melhor, mais respeitado. 

Olhemos nossa atividade como desafio globalizado, como persistente busca do cosmopolitismo, mas, por força das características de nossa realidade regional, tratemos de nos locomover pelos 840 quilômetros quadrados de área e 2,5 milhões de habitantes. Nenhuma outra publicação é tão expressivamente líder em situação geoeconômica como a nossa. Pois tratemos de nos aperfeiçoar. 

Temos de acabar definitivamente com a farra do boi do controle externo de nossa pauta. A demanda externa deve nos interessar sim, repito, mas quando não colide com as diretrizes de nossa publicação. E o suprassumo dessas diretrizes é um jornalismo independente, comprometido com a regionalidade, preocupadíssimo com a exclusão social, inquieto com o esvaziamento econômico, irritado com a letargia de autoridades públicas, privadas e sociais, entre tantos outros pontos que listamos e dissecamos no Planejamento Estratégico Editorial.

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