Economia

Sindicalista esconde pecados
capitais da desindustrialização

  DANIEL LIMA - 11/12/2019

Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC (e, portanto, com culpa no cartório por tudo que se deu em forma de desindustrialização da região) e atual presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), braço armado do trabalhista petista, Sérgio Nobre acumulou respostas de arrepiar na entrevista de segunda-feira ao Diário do Grande ABC.

E como fazemos quando o assunto ultrapassa o meio de campo da criação e invade a grande arma da definição, eis que apareço como penetra.

Participo da entrevista para fazer contrapontos aos argumentos mais que esfarrapados do sindicalista sobre a situação econômica e social do Brasil nestes tempos de entreveros extremistas.

Tomo mais uma mais vez a liberdade de me manifestar porque não se pode deixar impune, por assim dizer, as declarações do sindicalista ao Diário do Grande ABC.

Tivemos no caso mais um exemplar de Entrevista Desejada. Torno Entrevista Indesejada aquele trabalho jornalístico, na cota que me cabe. Claro que indesejada a todos que preferem o morno ao aquecido, o manipulado ao contraditório fértil.

A personalidade editorial de CapitalSocial, assim como as duas décadas da revista impressa LivreMercado, não me permite e jamais me incentivou à omissão. E Sérgio Nobre precisa ser contraditado sim.

O título utilizado pelo Diário do Grande ABC (e que reproduz fielmente as declarações do sindicalista Sérgio Nobre) é um escárnio: “Tema central é desindustrialização do Brasil”. Não o seria se o cutista admitisse o óbvio histórico, tendo os campos de batalha entre capital e trabalho do Grande ABC como prova indiscutível: o modelo sindical aplicado na região ao longo dos tempos criou uma sociedade mais desigual, antagônica e improdutiva do que aparece nos almanaques esquerdistas.

Um sindicalista com raízes na região que tem o desplante de oportunisticamente desfraldar uma reforma de conceitos e de medidas sem penitenciar-se pelos crimes cometidos, crimes no sentido metafórico, não é um sindicalista que deva ser levado a sério como agente transformador.

No fundo, Sérgio Nobre quer mesmo a volta dos que se foram porque os que se foram não souberam contribuir para mudar o País. Exceto para pior. Só o pioraram.

Diário do Grande ABC -- Há projeto em andamento que trata da reestruturação sindical. Qual a atuação da CUT em relação a esse ponto?

Sérgio Nobre -- Na verdade, nenhuma central sindical queria debater estrutura sindical neste momento. Os problemas do País são o desemprego, exclusão social, desmonte das políticas públicas e, principalmente, na nossa região isso é visível, famílias dormindo nas calçadas. O que o País precisa discutir urgente são retomada do crescimento econômico, reindustrialização do País, fortalecimento das políticas sociais. Esses eram temas centrais. O governo Bolsonaro vai na linha contrária. Paulo Guedes (ministro da Economia) diz que vai fazer maior abertura econômica. E sabemos que o Brasil não consegue competir na indústria com países centrais. Ele está dizendo que irá privatizar todas as estatais. Já desestruturou o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Na história econômica, nunca houve ocasião em que o Brasil cresceu que não foi impulsionado pelo Estado. A iniciativa privada nunca teve condições de fazer os investimentos que o País necessita. Na época do (ex-presidente) Getúlio Vargas havia programa do Estado para construir indústrias de base, começar siderúrgicas e processo de industrialização. Até na própria ditadura militar foi assim, quando o Estado resolveu substituir importação e produzir aqui dentro, dirigido e financiado pelo Estado. Foi assim no governo do presidente Lula, com os bancos públicos fornecendo crédito barato. Se desestruturar o Estado, acabou. A chance de crescer, gerar emprego e não cair numa crise social do tamanho da do Chile é zero.

CapitalSocial – O sindicalista tem toda razão quando afirma que o Brasil não consegue competir com indústrias de países centrais. Trata-se de efeito. A causa vem de longe, de protecionismo do Estado em associação com interesses corporativos de sindicalistas tanto trabalhistas quanto empresariais. Há um caldo de costura histórico que amarra o desenvolvimento econômico a uma armadilha nacionalista que parece se perpetuar e por isso mesmo coloca a produtividade no chão. E sem produtividade não há saída possível. A afirmativa de que a iniciativa privada nunca teve condições de fazer investimentos que o Brasil necessita é, por conta disso, uma meia-verdade que, contextualizada, não resiste, exceto no caso de algumas atividades que prescindem mesmo e para valer da força de um Estado de musculatura ao invés de obesidade. O exemplo do Regime Militar se encaixa entre os acertos mencionados pelo entrevistado, mas no caso do governo Lula da Silva e do PT em geral o que tivemos foi intervencionismo protetor delituoso porque arrebentou as premissas de equilíbrio entre os setores produtivos, inclusive internos, caso do automotivo. As cadeias produtivas foram aceleradamente destroçadas e abriram um vácuo de produtividade e desenvolvimento industrial. As montadoras sempre foram privilegiadas nas relações com os sindicalistas. Formou-se uma casta de empresas, trabalhadores e sindicalistas em oposição ao restante das áreas econômicas e da sociedade como um todo. As fundas desigualdades sociais no Grande ABC têm como explicação essa distorção histórica, cujos dados foram e são permanentemente explorados nesta revista digital. Por exemplo: os custos salariais dos trabalhadores industriais de São Bernardo, sobretudo das montadoras e grandes autopeças, estão em desacordo com a baixíssima produtividade e, perversamente, com o entorno de pequenas e médias empresas. Tudo devidamente metrificado neste espaço. 

Diário do Grande ABC -- Há receio de o governo Bolsonaro emplacar texto de reestruturação sindical e trabalhista?

Sérgio Nobre -- Como o Bolsonaro está falando que vai apresentar projeto que mexe na estrutura sindical e na legislação trabalhista ainda em dezembro, a gente já sabe o que vem (pela frente). Ele manda MP 905, que já mostra o cenário. Retira o sindicato da negociação de PLR, mexe na jornada de trabalho de categorias importantes. Ele monta programa para fornecer trabalho precário, reduzir o custo das empresas, taxa os desempregados. Para o governo, esse programa vai custar R$ 10 bilhões em cinco anos. E a taxação dos desempregados vai reverter R$ 12 bilhões. Ao mesmo tempo, eles querem destruir o movimento sindical. Diante disso, fizemos reunião nas centrais para definir o que seria escopo de estrutura que fortaleça os sindicatos e não o contrário. O argumento que ele usa para desorganizar é o mesmo que usa para atacar o Congresso. Dizem que os sindicatos têm pouca representatividade, que vivem de imposto sindical. E sobre o Congresso, que os partidos não representam, que são criados para abocanhar fundo partidário. Aliás, em todo regime totalitário é assim: primeiro eles arrebentam com os sindicatos. Em seguida, o Parlamento e depois imprensa e Judiciário. Não temos dúvida de que o Bolsonaro tem projeto totalitário. Ele fala isso, até em AI-5.

CapitalSocial – O discurso do sindicalista entrevistado pelo Diário recorre a velhos e desgastados chavões de quem sabe que benesses do Estado precisam passar por cirurgias drásticas que, longe de ameaçarem a democracia, como pretende fazer crer, estabeleçam regras mais justas. E regras mais justas devem contemplar toda a sociedade, reconfigurando conceitos de meritocracia, e não se submeterem a corporações que há muito tempo usufruem de combinações que se fingem democráticas, mas no fundo são distribuidoras de vantagens entre grupos de interesse. As arremetidas do governo Jair Bolsonaro contra a herança maldita de representações sindicais não podem, entretanto, ultrapassar os limites do bom senso. Mas não existe dúvida quanto à preguiça siamesa que liga o sindicalismo ao imposto sindical. Os números estão evidentes em todas as organizações de trabalhadores, principalmente, com perdas gigantescas de receitas compulsórias. A representatividade sindical se esfarela porque os sindicalistas, de maneira geral, jamais precisaram recorrer à construção de receitas que fugissem da automaticidade estatal getuliana. 

Diário do Grande ABC -- Quais são as propostas defendidas pelas centrais, o que há de necessidade de mudança?

Sérgio Nobre -- Eles querem trazer ao Brasil modelo chileno. Lá não há regras para criação de sindicatos. Ideia é retirar da Constituição o artigo 8º, que regula direitos da classe trabalhadora e a estrutura sindical, e que a organização é livre. Se isso acontecer, cada dez pessoas podem se juntar e criar um sindicato. Pode criar o sindicato dos trabalhadores do Diário do terceiro andar, do segundo andar. Objetivo é desorganizar. Esse modelo também foi implementado no México, que hoje está revendo porque tornou impossível a vida das empresas. Virou entrave para o desenvolvimento. Nossa estrutura sindical tem problemas, mas construiu muita coisa boa. Bancários têm negociação nacional, acordo de dois anos e é válido para o País inteiro. Se o Guedes fizer isso, cada agência pode ter um sindicato. Temos que ir no caminho inverso. Sindicatos por local de trabalho é desastre. No mundo onde ele existe não funciona. Muitas vezes são montados e controlados pelas empresas. Precisamos de agregação maior de sindicatos. Hoje temos 12,5 mil sindicatos de trabalhadores, em sua maioria com base pequena. Necessita promover mudança que leve agregação. Estamos propondo que haja liberdade sindical, livre a sua criação, mas liberdade não pode levar à pulverização. Tem que ser criado por ramo ou setor econômico e com base mínima de um município. Isso impede a criação por local de trabalho.

CapitalSocial – O discurso contrário a criação de sindicatos por empresas é um bólido que impacta diretamente a coerência do sindicalista ouvido pelo Diário do Grande ABC, há flagrante contradição que o pega de calças curtas de incoerência. Trata-se do seguinte: se a medida proposta pelo governo federal tem efetivamente o condão de desorganizar a classe trabalhadora, por que então no Grande ABC, sobremodo em São Bernardo e em Diadema, os metalúrgicos da CUT registram mais de uma centena de comitês de fábricas que, numa analogia com razoável poder de compreensão, são, sem dúvida, sindicatos instalados nas fábricas, todos sob a coordenação da central metalúrgica em São Bernardo? A pergunta que vale um milhão de dólares é a seguinte: se os trabalhadores podem se organizar dentro de cada uma das fábricas sob a tutela cutista, tomando o pulso da realidade do local de trabalho, por que o mesmo processo não pode ganhar amplitude e versatilidade? Porque o sindicato perderia o poder de persuasão, ou de pressão. Ora, tudo isso faz parte do jogo democrático. Avocar direitos de atuar por empresa em situações específicas em que o controle jamais fugira ao controle, com perdão da redundância, é um direito unilateral e totalitário. 

Diário do Grande ABC -- O senhor fala que essa discussão não deveria ser a prioridade. Qual a sua análise da pauta econômica do Planalto, em momento com juros e inflação baixos? Quais propostas poderiam inverter rota de crise?

Sérgio Nobre -- Estão baixos (os juros) porque a economia está parada. É sinal de recessão. Para nós, fundamental é reindustrialização do País. País do tamanho do Brasil não vai sobreviver exportando matéria-prima, minério e verdura. Isso é histórico. A origem da pobreza na América Latina é isso. Exporta minério e compra máquina de alta tecnologia. Reindustrializar é muito importante. Temos que colocar no centro (do debate) essa necessidade. E a gente só reindustrializa se tiver indução do Estado. E essas medidas que o Guedes toma vão na linha contrária. Quanto mais abre a economia, menos consegue competir. As grandes empresas no Brasil são multinacionais. Isso é problema. Elas têm interesse maior de produzir produto na matriz, não aqui. Eles sempre quiseram importar, trazer produto da matriz para cá. As multinacionais estão importando das suas matrizes sem desenvolver nada no Brasil. Teria que ser garantida produção aqui. Isso acabou. A participação das indústrias no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro está decaindo. O que já foi de 30%, hoje está em 10% e daqui a pouco pode chegar a 8%. Quando chegar (em 8%) é porque morreu. Isso é desafio. Temos que recuperar a capacidade de financiamento do BNDES. Não permitir privatização das estatais. São indutoras do crescimento. Existem 13 milhões de desempregados. Para piorar estão retirando da saúde e educação. O que aconteceu no Chile levou 30 anos. Aqui não leva isso. Tudo isso vai explodir, com risco de convulsão social. Em um ano ou dois anos podemos viver crise social sem precedentes. O grande desafio é impedir isso. Crise econômica já estamos vivendo. Juntar crise social é terrível, leva anos para superar.

CapitalSocial – A inflação está baixa também porque a economia ainda não está em fase de aceleração, mas não apenas por isso. No governo petista, que o sindicalista tanto apoia, tivemos uma combinação perversa de recessão, inflação elevada e juros estratosféricos. Nada mais comprometedor para o currículo de uma agremiação partidária que vira governo. Tudo porque a gastança do período de ouro de exportação de commodities chegou às raias da irresponsabilidade fiscal. Já o discurso em defesa de um projeto de reindustrialização do País, processo que se acentuou fortemente durante os 14 anos de gestão federal petista, chega a ser um escárnio. Afinal, foi o sindicalismo que o entrevistado representa a maior fonte de esvaziamento econômico industrial do Grande ABC. Notadamente de São Bernardo, de tratamento quimioterápico ao capital, exceto nas combinações ultralucrativas com as montadoras de veículos. O estágio que persiste de desemprego no País vem dessa infernal orquestração de fatores legados pelos petistas, mas o entrevistado parece viver em outro mundo porque não faz um registro mesmo que de passagem a essa intocável verdade dos fatos. As recorrentes citações que faz ao Chile são quase anedóticas. Mesmo com todos os problemas de desigualdade naquele País, o que não é novidade alguma no mapa mundi, principalmente onde o Estado, como no Brasil, é avassaladoramente incompetente, não há termos de comparação entre os dois países. Enquanto o Brasil patina no IDH, como ficou mais uma vez notório nesta semana de novos dados, consolidando entre outros pontos o segundo maior nível de desigualdade mundial, o Chile é o mais bem colocado no ranking sul-americano. Está dezenas de casas à frente do Brasil. Diferentemente de Venezuela e outros países tão preservados pelo esquerdismo infantilizado. 

Diário do Grande ABC -- Em visão macro da política na América Latina, há efervescência popular nas ruas. O que na sua visão tem levado a isso?

Sérgio Nobre -- Chile é bom exemplo. Eles privatizaram tudo, introduziram a capitalização na previdência. No Chile, estimularam o trabalhador a ter conta própria. E não foi só a previdência, desregulamentaram a legislação trabalhista, precarizaram os contratos de trabalho, privatizaram a educação, saúde. E agora essa explosão da crise social. O presidente (Sebastián Piñera) teve que pedir desculpa. Vão fazer nova Constituinte para recuperar o papel do Estado e dar proteção ao povo, senão não tem saída. E não vai sair no curto prazo. O liberalismo parece uma doença, não deu certo em lugar nenhum do mundo. Onde foi implementado foi tragédia. As políticas neoliberais encampadas na Argentina levaram ao desemprego (em massa). Por isso, foram derrotados (na eleição). Precarizar trabalho está provocando tragédias. Aqui o governo alega que o trabalhador é caro. Não é verdade. Pode ser até contrato de trabalho escravo, se não tiver demanda e a economia não crescer, não tem emprego. As empresas contratam quando tem demanda. O que gera emprego é crescimento econômico. Investimento e crescimento, não precarizar as relações.

CapitalSocial – A doutrinação extremista que condena o liberalismo às profundezas da incompetência é típica de quem só enxerga o Estado como empacotador de soluções. Provavelmente Sérgio Nobre desconhece nuances do liberalismo que, como o socialismo, reúne vertentes distintas. O liberalismo passa por reconfigurações que buscam maior harmonia nas relações econômicas e sociais. Algo que os socialistas empedernidos jamais reconheceriam. A simplicidade com que Sérgio Nobre exercita o conceito de que o que gera emprego é crescimento econômico não resiste à primeira contraposição. O que gera desenvolvimento econômico sustentado, não simplesmente emprego sujeito a ciclos de crises permanentes, caso do Brasil, são critérios de competitividade internacional. E essa equação só se fecha de verdade quando há modulações sobre direitos e deveres tanto da classe empresarial quanto dos trabalhadores. E menos corrupção de governos bandidos. 

Diário do Grande ABC -- Sobre o fechamento da Ford, eram possíveis medidas do governo para barrar a saída da empresa desse porte?

Sérgio Nobre -- As multinacionais não têm intenção de produzir no Brasil. Eles fazem o mínimo aqui. Compromisso é com a matriz. Só não fizeram antes porque todos os governos forçaram para que eles produzam ao menos parte no País. Não se permitiu deixar virar importador, inclusive, no governo FHC. Então, se o governo não atua, eles fazem o que fizeram. Empresa como a Ford não pode sair do Brasil. No início do ano, fomos conversar com o (vice-presidente) General Mourão sobre a Ford. O Bolsonaro foi fazer visita ao (Donald) Trump (presidente norte-americano) e nós pedimos para ele colocar o fechamento na agenda com Trump, era papel de um presidente e dizer que se saísse não teria mais nada, não permitir entrada de carros. Se tivesse feito isso, a Ford não tinha fechado as portas. Mas ele foi visitar a CIA, considerou mais importante. Se tivesse pressão do governo, não teria fechado.

CapitalSocial – O que Sérgio Nobre defende é a velha confraria entre corporações sindicais e corporações empresariais que se aliam, embora sugiram confrontos que não passam de marmelada, em detrimento de consumidores de produtos e serviços. A política do ministro Sérgio Guedes caminha na direção de um liberalismo competitivo que visa, mais adiante, reduzir a desigualdade que mandachuvas federais antecessores deixaram para a geração atual e que só será revertida, e mesmo assim de forma bastante gradual, ante a persistência de se praticar algo que sindicalistas com Sérgio Nobre detestam. Ou seja: qualquer coisa que lembre competitividade. É mais cômodo a velha e surrada comodidade de proteger os próximos, somente os próximos, embora a retórica seja populista em defesa dos pobres e miseráveis. Empresas como a Ford não só podem como devem fechar as portas, caso o preço da manutenção seja o desvio de recursos públicos para sustentar privilégios de trabalhadores e representantes do capital. 

Diário do Grande ABC -- Quais os principais pecados durante os 14 anos de governo do PT, que contribuíram, inclusive, para se chegar hoje a modelo antagônico como Bolsonaro?

Sérgio Nobre -- Já na metade do primeiro mandato da presidente Dilma, os efeitos da crise (internacional) de 2008 chegaram aqui. Foi muito forte. Ela tentou conter a crise incentivando a indústria, mas a indústria não investiu. Recebeu os subsídios e não fez os investimentos necessários. E, na reeleição dela (em 2014), como o resultado foi apertado, resolveram boicotar o mandato dela, tanto o Parlamento como o mercado. Isso inviabilizou o governo. Foi criado ambiente de ódio no País. Tudo era culpa da Dilma, culpa do PT, demonização da política. E quando demoniza a política é isso o que acontece: cria um Bolsonaro. Ele é fruto da demonização da política. As grandes democracias do mundo atingiram esse patamar porque valorizaram a política. Ouvimos coisas deste governo que nem Hitler no auge teria coragem de falar publicamente. O que está acontecendo é muito grave. Para mim, a democracia está em risco.

CapitalSocial – A leitura de Sérgio Nobre sobre a derrocada federal do PT segue a cartilha de vitimismo que somente autistas sociais e econômicos proclamam sem enrubescimento. São farsas argumentativas que descartam a destruição do tecido econômico do País por conta da convergência de erros clamorosos na destinação de dinheiros públicos a grupos de pressão em associação com esquema fluvial de corrupção envolvendo amplos setores do Estado. A narrativa do sindicalista é a negação do óbvio. É um chamamento à inquietação quanto à manipulação dos fatos, cujos desdobramentos as urnas trataram de punir. Inclusive com a eleição de um candidato que rompeu, goste-se ou não, com a mesmice modorrenta de cinismo e hipocrisia da sociedade brasileiro. Jair Bolsonaro veio mais para confundir do que para esclarecer. Mas é dessa balbúrdia, principalmente na área de costumes e da criminalização dos políticos que se espera um Brasil diferente de tudo que não deu certo desde a chamada redemocratização. Quem tem dúvidas sobre o espólio de velhas práticas políticas, basta ler os jornais do dia a dia. Cada manchete (como a do IDH, da criminalidade, da logística, do saneamento básico) é um flash de vergonha nacional.

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