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Destrinchando a Entrevista
Especial com Bruno Daniel (5)

  DANIEL LIMA - 19/09/2019

Decidimos englobar neste capítulo de análise da candidatura de Bruno Daniel à Prefeitura de Santo André em 2020 duas questões enviadas e na sequência respondidas. Quebramos, portanto, a rotina de comentar apenas uma das 15 respostas do candidato do PSOL. A medida se deve às duas respostas bastante restritas de Bruno Daniel. 

Primeira pergunta

Fala-se muito em Polo Tecnológico do Grande ABC e também de Santo André. O senhor entende que sairemos da pasmaceira econômica em que nos metemos ao longo dos tempos com essa espécie de nicho de modernidade? Explico: entendemos que um Polo Tecnológico, seja municipal, seja regional, é apenas um caminhão de areia no contexto de desindustrialização de décadas, enquanto precisávamos é de uma frota de fertilidade produtiva.

Bruno Daniel -- Um Polo Tecnológico Regional talvez seja a melhor alternativa, dada a presença no ABC de importantes instituições de Ensino Superior. Ele poderá compor ações que exigem maior prazo de maturação, como dito em relação à educação. O mesmo vale em relação à mobilidade urbana e a obras de infraestrutura correlatas, à saúde e habitação: a força de trabalho deve estar em condições de enfrentar os desafios que se apresentam. 

 Observações pertinentes

De novo, Bruno Daniel não transpirou e inspirou confiança no quesito Economia. Foi reticente demais no capítulo envolvendo o Polo Tecnológico no Grande ABC e em Santo André, este agora na alça de mira eleitoral do prefeito Paulinho Serra. Talvez porque não tenha em eventual plano preliminar de governo nada nesse sentido, Bruno Daniel preferiu sair pela tangente de generalidades. 

Como no caso anterior, em que o Desenvolvimento Econômico é o ponto de partida inexcedível à recuperação estrutural de Santo André e do Grande ABC, uma eventual gestão de Bruno Daniel precisa romper a argamassa mais que frustrante de mesmices que se repetem desde sempre e, a partir daí, entregar a especialistas em competitividade municipal e regional a função de cavoucar as mudanças necessárias. 

Segunda pergunta 

Agora a sexta pergunta das 15 centrais encaminhadas a Bruno Daniel e a resposta na sequência. 

O senhor teve 17% de intenções de voto numa pesquisa do Instituto ABC Dados, aparentemente o ponto de largada de sua decisão de candidatar-se a prefeito de Santo André. Há duas maneiras de observar os dados. O primeiro, negativo, que o coloca distante dos 77% destinados a Celso Daniel como o maior prefeito da história de Santo André. O segundo, positivo, de que o senhor deu um salto inicial considerável, com potencial de mais avanços. Qual sua avaliação?

Bruno Daniel -- Trata-se de parâmetros diferentes: uma coisa é a consideração de quem foi o melhor prefeito da cidade. Outra é uma pesquisa de intenção de votos para a próxima gestão, que num dos cenários me atribui os 17%. Isto representa, para quem nunca se candidatou a nada, um bom ponto de partida. Não leio, portanto, tais números como negativos.

 Observações pertinentes

É claro que não se poderia esperar outra resposta de Bruno Daniel senão a separação de corpos entre uma situação e outra, ou seja, as indicações que colocaram Celso Daniel como o prefeito mais importante da história de Santo André e, de outro, o contágio de indicações a prefeito do irmão mais novo. 

Mas é impossível separar uma coisa da outra. Quem o faz tem o claro objetivo de negar o óbvio porque o óbvio pode sugerir um certo grau de aderência excessiva de imagem que possivelmente retiraria o mérito de quem está no mercado de votos. Mas a realidade é clara: a ordem das perguntas da pesquisa abriu espaço suficiente para que se engatasse uma primeira marcha, quando não uma segunda, favorável a Bruno Daniel.

Ou seja: quando numa pergunta se coloca a questão de quem foi o melhor prefeito da história de Santo André, relacionando-se várias identidades, e, na sequência, pergunta-se, também com identificação de candidatos, em quem o eleitor votaria para prefeito do Município em que Celso Daniel se consagrou, é irreversível a conexão familiar e política.

A única dúvida que persiste é até que ponto os 17% de indicações obtidos por Bruno Daniel são um índice elevado ou ainda modesto quando se consideram os 77% do universo amealhado por Celso Daniel na pergunta anterior. 

Aliás, essa dúvida, se manifestada por quem quer que seja, não pode ser neutralizada ou colocada em ambiente de desconfiança. Trata-se mesmo de um ponto de interrogação respeitável.  Afinal, 17% são uma decepção ou são um acalento e tanto? 

Considerando-se o contexto político-eleitoral da pesquisa realizada pelo Instituto ABCD Dados, os números de Bruno Daniel trafegam por território denso de mistérios sobre a prevalência positiva ou negativa de competitividade futura. 

Mas um olhar agudo sobre os dois números correlatos torna uma constatação menos polêmica: Bruno Daniel teria aparentemente enorme possibilidade de reduzir a distância que o separa da aclamação dos entrevistados ao irmão famoso e, com isso, como já se viu, concorreria em princípio com cacife forte o suficiente para incomodar tanto o prefeito de plantão como concorrentes que querem chegar ao Paço Municipal. 

Outra situação que se apresenta, agora como aparentemente consolidada: os 17% destinados em princípio a Bruno Daniel transfeririam automaticamente a disputa ao segundo turno, porque aumenta o naco dos opositores de Paulinho Serra. 

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