Imprensa

Destrinchando a Entrevista
Especial com Bruno Daniel (4)

  DANIEL LIMA - 18/09/2019

No destrinchamento da quarta resposta do candidato do PSOL à Prefeitura de Santo André, o resultado que os leitores acompanharão em seguida não foi dos melhores para quem quer apear do Paço Municipal o prefeito Paulinho Serra. 

Bruno Daniel respondeu à questão relativa à competitividade de Santo André e do Grande ABC no campo econômico sem a consistência esperada. 

Seria um sinal de que o Desenvolvimento Econômico não seria a prioridade das prioridades de que Santo André tanto exige?  Acompanhem a reprodução da pergunta da Entrevista Especial publicada em 11 de setembro, a resposta de Bruno Daniel e, na sequência, minhas intervenções.  

Temos reunido série de estatísticas que colocam o Grande ABC e também Santo André entre os piores indicadores de vitalidade econômica e de gestão pública frente à maioria dos maiores municípios do Estado, reunidos no G-22. O senhor pretenderia administrar a cidade de olho num ranking exclusivamente voltado ao próprio umbigo ou, diferentemente dos prefeitos atuais e de tantos outros, se dedicaria a vasculhar e aplicar políticas públicas que incluíssem o Município num contexto de competitividade mais ampla?

Bruno Daniel – Não há preocupação com ranking, e sim com a combinação de ações estratégicas, mesmo que tenham prazo de maturação mais longo, e ações de curto e médio prazo. Um exemplo é a construção de uma educação infantil que permita o desenvolvimento pleno das crianças, articulando-se a ela atividades esportivas, culturais e de lazer, envolvendo famílias no processo. A aquisição de capital cultural desde cedo permitirá a elas melhor desempenho nas etapas subsequentes do ensino e posteriormente no mercado de trabalho, que exige trabalhadores preparados para a economia do conhecimento. Isto representará pré-requisito para o desenvolvimento econômico do município e para sua maior competitividade. Esse tipo de política exige um tempo que vai além de uma gestão. Produz resultados no curto prazo também, especialmente para os responsáveis pelas crianças. Mas é tarefa inadiável. Por outro lado, há ações que devem alterar a vida dos munícipes no curto e no médio prazo, como por exemplo aquelas nas áreas da saúde, mobilidade urbana e habitação popular, entre outras.

 Observações pertinentes

Bruno Daniel confundiu as bolas ao entender que monitoramento estratégico e amplo com base no ranqueamento dos principais municípios do Estado de São Paulo implicaria em renúncia a ações estratégicas de maturação mais longa, e ações de curto e médio prazo. 

Os referenciais de gestão pública e de desenvolvimento econômico que o Ranking G-22 de Competitividade Municipal, iniciativa deste jornalista, são imprescindíveis a qualquer medida com olhos voltados a qualquer que seja o movimento das pedras de uma gestão pública.

Como ignorar que o custo do empreendedorismo em Santo André, expresso no G-22, é muito superior ao da maioria das localidades semelhantes? Um exemplo: a arrecadação do IPTU em relação à arrecadação do ISS é extravagantemente desequilibrada em Santo André, numa das muitas nuances de descaminhos históricos da máquina pública ante a retração de receitas produtivas, sobretudo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). 

Alguns princípios básicos do empreendedorismo privado precisam não só ser observados, mas, principalmente, introduzidos nos planos de ação da gestão pública. 

Há inúmeras métricas cada vez mais esmiuçadas por investidores na busca por endereços que ofereçam, entre os muitos quesitos de um feixe de atratividade, a garantia de que o ambiente econômico e social será aliado do empreendedorismo. 

Quem, como gestor público, se afastar dessa mecânica do mercado, como vimos ao longo de décadas no Grande ABC, vai ver a galinha dos ovos de ouro de atividades centrais murcharem gradual e irreversivelmente. Como é o caso regional da indústria automotiva a espalhar danos colaterais devastadores. 

Qualquer gestor público atento às novas configurações de políticas de competitividade econômica não pode abrir mão de um comitê de especialistas. Mais que monitorar, esse grupo atuaria na construção de balizas técnicas e estratégicas para reverter o processo de desindustrialização mais que latente, insidioso, que ataca o organismo regional. 

Bruno Daniel não pode prescindir do sentimento de urgência de que Santo André e a região como um todo são cartas fora do baralho da maioria dos empreendimentos privados. O desempenho do PIB Industrial e do PIB Geral do Grande ABC neste século, com crescimento médio anual de apenas 0,25%, revela, por si só, o prolongado percurso de tropeços sobre tropeços. Quando se aplica o critério de PIB por habitante, o desastre é ainda maior. 

Desta forma, repetir os antecessores e o atual prefeito que jamais compreenderam o enxadrismo de investimentos privados, optando sempre e sempre pelo facilitarismo cada vez mais inviável de supostas generosidades fiscais para atrair empresas, seria uma tremenda burrada. 

Leia mais matérias desta seção: