Economia

G-22: Barueri faz extravagante
oito a zero contra São Caetano

  DANIEL LIMA - 09/08/2019

Uma vergonha que tende a ficar ainda mais vergonhosa, com perdão da redundância ou de algo parecido: São Caetano perdeu de goleada, uma goleada maior que a da Alemanha contra o Brasil na Copa do Mundo. É oito a zero o resultado parcial (novos indicadores virão) que colocam dois campos de competitividade municipal em jogo: a gestão econômico-fiscal da Administração Municipal e o mercado de trabalho. 

Barueri, na Grande São Paulo, massacrou São Caetano dentro do G-22, o Clube dos Maiores Municípios do Estado de São Paulo. 

O Grande ABC participa do G-22 com sete municípios, mas dois não configuram grandeza econômica, casos de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra: entram apenas para que se tenha visão mais integrada do grupamento. São Paulo, Capital do Estado, também não participa. São Paulo e o G-22 são praticamente do mesmo tamanho econômico. Ou seja: o potencial de distorções da Capital é imenso.  

O extravagante resultado entre uma Barueri muito mais dinâmica que uma São Caetano decadente não surpreende quem acompanha o desenvolvimento econômico da Grande São Paulo e também do Estado de São Paulo. 

Empobrecimento latente

O Grande ABC empobrece a cada temporada e como empobrece a cada temporada mais os prefeitos de plantão lançam mão de impostos municipais para compensar perdas com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), entre outros produtos geradores de fome fiscal. 

A classificação geral do G-22 de Competitividade, após a consumação de oito indicadores que produzimos nos últimos dois meses, já encaminhava o resultado dilatado de agora. Afinal, Barueri ocupa a sexta posição na classificação geral, com 0,6193 ponto (quanto mais próximo de 1,000, melhor), enquanto São Caetano é a penúltima colocada, à frente apenas de Diadema, com 0,2443. 

É descomunal a diferença entre Barueri e São Caetano, principalmente na Administração Pública. O confronto entre impostos que poderiam ser chamados de produtivos e impostos improdutivos retrata o quando os gestores públicos do Grande ABC estão muito aquém das necessidades imperiosas de competitividade. E isso não é de agora, claro. Tanto que no confronto entre São Bernardo e Guarulhos e de Santo André contra Sorocaba perdemos também de goleada: seis a dois em ambos os casos. 

Ou seja: mais que qualquer outro condimento de gestão pública, falta aos prefeitos de agora o que faltou os prefeitos que os antecederam: visão estratégica e planejamento econômico municipal e regional. Vamos ao placar detalhado dos oito a zero de Barueri contra São Caetano. 

Gol de Barueri

No quesito que trata do confronto entre receitas com o ITBI (que mede a temperatura dos negócios imobiliários) e o IPTU (que mede a gulodice do Poder Público na arrecadação do imposto imobiliário), Barueri faz o primeiro gol, um gol de placa, contra São Caetano. A cidade à Oeste da maior metrópole do País classificou-se em primeiro lugar entre os 22 municípios. As receitas com IPTU são bem menores: representam 36,76% do que se arrecada de ITBI. Em São Caetano, 17ª colocada, há inversão de valores: o ITBI é inferior ao IPTU porque representa 14,66% de tudo que se obriga população e investimentos a pagarem de IPTU.  Uma situação praticamente irreversível na próxima década quando se comparam os dois municípios.

Gol de Barueri

De novo, gol de Barueri. Agora o placar aponta dois a zero no confronto. E nada que seja reversível na próxima década. Barueri ficou em primeiro lugar no G-22 que mediu a diferença entre o que se arrecadou de ISS (Imposto Sobre Serviços) e de IPTU. Não é preciso dizer que ISS tem significado de dinâmica econômica. E que IPTU é imposto desacelerador da economia. Barueri ficou em primeiro lugar na classificação no quesito com participação ínfima (apenas 3,18%) do IPTU frente ao ISS. São Caetano, 12ª colocada, registrou participação de 85,56% do IPTU em relação ao ISS. Uma distância mais que quilométrica. 

Gol de Barueri

Agora o placar está três a zero para Barueri. O novo gol está no quesito que mede a produtividade industrial no G-22. Barueri tem uma vantagem não muito expressiva sobre São Caetano ao ocupar o 13º lugar contra o 16º. Barueri contava com PIB Industrial de R$ 4.212.889 bilhões e 26.384 trabalhadores industriais em 2017. Media por trabalhador de R$ 159.67 mil. São Caetano registrou média por trabalhador de R$ 146.739 mil, resultado da divisão de PIB Industrial de R$ 2.950.110 bilhões por 20.106 trabalhadores. É possível reverter esse resultado nos próximos anos. 

Gol de Barueri

Goelada vai se desenhando. Agora o jogo está quatro a zero para Barueri. O quesito analisado no G-22 de Competitividade é a perda relativa do PIB per capita no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2016. Barueri foi muito mal e com isso ficou em 16º lugar na classificação geral. Barueri sofreu perda real, descontada a inflação, de 20,83%, enquanto São Caetano chegou ao fundo do poço ao ocupar a lanterninha com queda de 51,96%. Uma situação provavelmente irreversível na próxima década. 

Gol de Barueri

Por diferença mínima, Barueri faz novo gol no confronto com São Caetano, agora no quesito que mede a média salarial dos trabalhadores com carteira assinada de todos os setores. O cinco a zero no placar é resultado do 18º lugar de Barueri, que apresentou queda de 8,86 pontos percentuais em relação aos valores atualizados entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017, e do 19º lugar de São Caetano, com queda de 7,99 pontos percentuais no mesmo período. 

Gol de Barueri

Mais um gol de Barueri. Agora o placar está seis a zero. O quesito do G-22 de Competitividade também envolve o período de dezembro de 2014 e dezembro de 2017. Trata-se da massa salarial de trabalhadores em todas as atividades. Barueri ficou em 11º lugar com queda de 10,69% no período. São Caetano desabou: ficou em 20º lugar (antepenúltimo) com perda de 16,57%. Ou seja: mais de 60% acima do resultado de Barueri. Uma perspectiva de reversão bastante improvável. 

Gol de Barueri

Mais um gol, e desta vez um gol de placa em relação a São Caetano, e a consumação da goleada de oito a zero: Barueri ficou em terceiro lugar no G-22 no quesito que trata do mercado de trabalho no período de 36 meses entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017. Sempre referente a trabalhadores com carteira assinada. Barueri contava com 262.968 mil trabalhadores em 2014 e passou para 251.834 em 2017. Perdeu o equivalente a 4,23% do estoque. Já São Caetano, 13ª colocada, contava com 112.826 trabalhadores e caiu para 103.620. Uma queda de 8,16 no estoque. Ou seja: o dobro de Barueri. 

Gol de Barueri

Completando a goleada de oito a zero, Barueri superou São Caetano no indicador de emprego industrial também no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2017. Barueri classificou-se em 12º lugar com rebaixamento de 19,35% do efetivo durante o período. Menos de um terço dos extravagantes 66,69% registrados por São Caetano. Uma situação aparentemente irreversível entre os dois municípios. 

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