Economia

G-22: Santo André perde
de goleada para Sorocaba

  DANIEL LIMA - 02/08/2019

Me deu uma vontade danada de fazer comparações entre Santo André e Sorocaba com base nos oito primeiros indicadores que compõem o Ranking G-22 de Competitividade, alquimia que visa, como em tantas outras situações, tomar o pulso dos municípios locais e do Grande ABC como um todo em relação a outros territórios. Para não dizerem que estou sendo discricionário, também vou promover embates entre outros municípios da região e integrantes do G-22. Penso em São Bernardo contra a vizinha Guarulhos, em São Caetano contra Barueri, em Diadema contra Mogi das Cruzes. O que acham?

Promovo confrontos baseados em dados sólidos desde sempre. Os idiotas que comparam os municípios locais com os municípios locais só confirmam que são idiotas ou querem mais que isso: travestem-se de espertos para explorar a anomia social destas terras. 

Não será a primeira nem a última vez que coloco Santo André em confronto com Sorocaba. A diferença é que agora ampliei consideravelmente o universo de combate. 

Acho que os dois municípios têm muitas coisas em comum e tantas outras em contraste. O tamanho demográfico e o setor industrial os colocam em patamares semelhantes. 

Crescimento e queda

Confesso que me move na direção dessa dupla a curva de crescimento de Sorocaba ao longo das duas últimas décadas e a curva de definhamento de Santo André. Temos aqui não só Santo André, mas todo um território em derretimento industrial. Sorocaba eleva a capacidade de investimentos privados. 

Fosse prefeito de Santo André (Paulinho Serra é capaz de imaginar que o invejo, vejam só!), escolheria três ou quatro municípios entre os 20 maiores do Estado de São Paulo (dentre os que estão no G-22, claro) e enviaria gente especializada para selecionar políticas econômicas de referência a eventuais aplicações. 

Já que é incapaz de enxergar a utilidade de uma consultoria especializada proposta por este jornalista, Paulinho Serra poderia agarrar essa outra ideia. O problema é saber quem é gente especializada quando não se conta com capacitação técnica à escolha. 

Em matéria de atendimento às necessidades da economia de Santo André Paulinho Serra é um treinador de basquetebol levado à beira de um gramado de futebol num jogo decisivo.

O que não pode é Santo André continuar à deriva com um prefeito analfabeto em economia e, pior que isso, sem a humildade de um Jair Bolsonaro de dizer que é analfabeto em economia.

Vamos aos confrontos 

Vamos então ao confronto entre Santo André e Sorocaba, cujo resultado já antecipo: a cidade do Interior ganha de goleada, de seis a dois. Nada surpreendente. 

Sorocaba está em 13º lugar na classificação geral do Ranking de Competitividade do G-22 com 0,5398 pontos. Temos um time com marca de Segunda Divisão e um time estigmatizado na Quarta Divisão: Santo André está em 18º lugar com 0,3864. 

Quem mais se aproxima de 1,000 goza de melhores condições dentro dos oito quesitos já aplicados. São menos de dois pontos percentuais de diferença entre os contendores. Parece pouco, mas um breve detalhamento dos oito quesitos deve deixar o prefeito Paulinho Serra de cabelos em pé. 

Gol de Sorocaba 

No confronto que coloca de um lado a arrecadação do ITBI (que mede a temperatura dos negócios imobiliários) e do IPTU (que é custo do Poder Público sobre os moradores e a iniciativa privada), Santo André ocupa a 12ª posição no G-22 (Clube das 20 maiores economias do Estado de São Paulo, exceto São Paulo e com a inclusão de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra para completar o Grande ABC). A participação do ITBI em relação ao IPTU é de 19,32%. Uma marca bastante comprometedora, porque o Estado prevalece sobre a sociedade. Já Sorocaba é a quarta colocada, com incidência de 32,17% do ITBI sobre o IPTU. Vai ser difícil Santo André sair dessa desvantagem. Ainda mais que o prefeito Paulinho Serra tem sede de impostos que deixaria qualquer socialista envergonhado. Sorocaba um a zero, portanto. 

Gol de Sorocaba

No confronto entre ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPTU (ou seja, dinâmica econômica versus voracidade fiscal), de novo a vantagem é de Sorocaba, que se classifica em terceiro lugar enquanto Santo André está em 11º. Sorocaba conta com participação de 47,48% do IPTU em relação à arrecadação com o ISS, enquanto Santo André conta com participação de 84,08% do IPTU em relação ao ISS. Traduzindo: enquanto Sorocaba valoriza muito mais a iniciativa privada na geração de um imposto que é consequência da dinâmica econômica, Santo André coloca o IPTU no altar do sacrifício. Dois a zero no placar para Sorocaba.

Gol de Santo André

No confronto que coloca a produtividade do trabalhador industrial, considerando-se como linha de corte o ano de 2016 (os dados de 2017 ainda não foram divulgados pelo IBGE), temos a primeira vitória de Santo André, que aponta produtividade de R$ 171.282 mil, enquanto Sorocaba chega a R$ 148.490 mil. Não é lá essa diferença. Tanto que Santo André ocupa a 12ª colocação e Sorocaba a 15ª posição no G-22. Agora está dois a um para Sorocaba. 

Gol de Sorocaba

No confronto que tem como indicador o PIB per capita medido no período mais recente da recessão seguido de estagnação, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016, Sorocaba faz três a um no placar parcial, classificando-se em 13º lugar. Obteve o resultado de R$ 48.260 mil de PIB per capita, com queda real de 20,19% quando se atualizam os valores pela inflação. Santo André foi lá para baixo no período: registrou queda do valor per capita de 31,33%, registrando o valor de R$ 39.192 mil (muito abaixo de Sorocaba, portanto). Só não foi superada na desgraça por São Bernardo e São Caetano, nas duas últimas posições do G-22. 

Gol de Sorocaba

No confronto que define o comportamento da média salarial dos trabalhadores em geral com carteira assinada no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2017, também a vantagem é de Sorocaba, que faz quatro a um. A cidade do Interior ficou em 10º lugar no G-22 com salário médio de R$ 3.054,89, enquanto Santo André registrou na 14ª colocação o salário médio de R$ 2.841,97. No período, os trabalhadores de Sorocaba perderam apenas 0,70 ponto percentual na remuneração quando se inflacionam os números. Já em Santo André foram 3,62 pontos percentuais. Cinco vezes mais. 

Gol de Sorocaba

No confronto do G-22 que compara a massa salarial de dezembro de 2014 à massa salarial de dezembro de 2017, Sorocaba não alcança resultado lá essas coisas, como 13ª colocada, ao perder 10,78%. Uma grande oportunidade para Santo André diminuir a goleada, mas quem disse que o resultado foi o desejado? Santo André ficou em 16º lugar, com perda de 11,99% da massa salarial. Quase empate técnico com Sorocaba, é verdade, mas nova derrota. Seis a um para Sorocaba.

Gol de Santo André

No confronto que mede outro indicador do mercado de trabalho entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017, Santo André faz o segundo gol contra Sorocaba: ficou em 12º lugar com perda líquida de 8,09 % de trabalhadores em geral, enquanto Sorocaba classificou-se um pouco abaixo, em 14º lugar, com perda líquida de 9,45% do estoque de carteiras assinadas. Um gol mascado, como se nota. Cinco a dois para Sorocaba

Gol de Sorocaba

No confronto final de um ranking que vai muito mais longe porque há muita coisa a ser perscrutada, o sexto gol de Sorocaba, 17ª colocada no indicador do G-22 que tratou do comportamento do emprego industrial com carteira assinada entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017: sofreu uma queda líquida de 13.988 trabalhadores, que representavam 27,41% do estoque. Santo André ocupou a 19ª posição, com perda líquida de 8.979, correspondente a 33,10% do estoque.

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