Economia

G-22: São Bernardo lidera
queda do poder de consumo

  DANIEL LIMA - 01/08/2019

Penúltima colocada na classificação geral, São Bernardo lidera a derrocada do poder de consumo do Grande ABC neste século. Os números fazem parte do Ranking G-22 de Competitividade, grupo que reúne as 20 maiores economias do Estado de São Paulo, além de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que completam o Grande ABC, e com exceção da Capital. 

A desindustrialização permanente e irrefreável está na raiz do baixo crescimento do potencial de consumo de São Bernardo e dos maiores municípios do Grande ABC. A indiferença ou o baixo grau de combatividade dos administradores públicos locais ajuda a explicar a situação regional. Não custa repetir sempre que o quadro sugere: a regionalidade do Grande ABC é um fracasso planejado pela ineficiência geradora de provincianismo, sobretudo dos prefeitos que dirigem os sete municípios. E seus respectivos antecessores. 

Os dados são uma especialidade da Consultoria IPC, comandada pelo pesquisador Marcos Pazzini. 

Tradição editorial 

Encomendamos à Consultoria IPC os números deste século (de 2000 a 2019), tendo como base de cálculos a temporada de 1999, a última do século passado. Os resultados não surpreendem. Mais que isso: confirmam dezenas de textos que já produzimos sobre o assunto ao longo das últimas três décadas. 

Desde que fundei a revista LivreMercado, antecessora impressa de CapitalSocial, coloquei o potencial de consumo como ferramenta extraordinária de avaliações. Potencial de consumo é espécie e PIB das famílias brasileiras. E se diferencia do PIB convencional porque consolida a cada temporada novos dados cumulativos. 

O ranking que apresentamos logo abaixo leva em conta valores nominais, sem considerar a inflação de 233,58% do período, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Mais importante que confronto nominal versus inflação é o remelexo entre os municípios que integram o G-22 e, principalmente, dados estaduais e nacionais. Só é possível saber quem avançou mais ou ficou pelo caminho quando se promovem disputas que levam em conta as mesmas regras. 

Caindo pelas tabelas 

São Bernardo cresceu em termos nominais durante os 20 primeiros anos deste século 403,81%? Esse número, deslocado dos confrontos, não quer dizer muito. Mas quando se lembra que avançou menos que os 475,00% da média regional e muito abaixo dos 570,65% da média do Estado de São Paulo (exatamente 16,76% menos) e muito aquém da média nacional, de R$ 672,13% (exatamente menos 29,33%), tudo ganha uma nova configuração. 

Como São Bernardo movida à indústria automotiva tem muita influência no andar da carruagem econômica no Grande ABC, outros municípios locais sentiram as dores da desindustrialização que decepa trabalhadores e negócios privados da indústria, do comércio e de serviços. Tanto é verdade que Santo André está classificada na 18ªcolocação entre 22 participantes do ranking de poder de consumo deste século, com crescimento nominal de 466,58%. 

Do Grande ABC, quem mais se deu bem em valores relativos do poder de consumo neste século foi Rio Grande da Serra, terceira colocada na classificação geral com crescimento nominal de 811,60%. Nesse caso, a influência do programa Bolsa Família tem forte representatividade. Mauá vem a seguir no 11º posto, Diadema em 14º, São Caetano ficou em 16º lugar e Ribeirão Pires em 17º.

Nova vereda estatística 

Potencial de consumo é uma nova vereda de resultados e de análises que CapitalSocial procurará dissecar na composição cada vez mais robusta do Ranking G-22 de Competitividade. Haverá vários desdobramentos a partir da matriz dessa especialidade da Consultoria IPC. 

Uma dessas medidas que virá nos próximos dias cruzará os resultados também desde século com o PIB dos Municípios. Procuraremos mostrar, com essa métrica, o grau de inserção do potencial de consumo em relação à geração de riquezas e serviços, síntese de Produto Interno Bruto. 

A cada nova temporada do novo século aumenta a diferença de participação do poder de consumo dos sete municípios do Grande ABC (G-7) quando confrontado com os resultados dos demais participantes do G-22 (no caso, G-15). Exatamente por isso, ou seja, para contar com dados abrangentes que não se limitam à geografia regional, é possível produzir avaliações mais seguras e confiáveis. 

Perdendo espaço no G-22

Em 1999, base da contagem histórica, o Grande ABC contava com 36,52% do poder de consumo do G-22. Eram em termos nominais R$ 13.864.023 bilhões ante R$ 37.965.210 bilhões. Já nesta temporada, segundo o diagnóstico da Consultoria IPC, a participação do Grande ABC no grupamento caiu para 31,17%. 

Tudo isso decorre da velocidade de avanço do potencial de consumo do G-15. São nada menos que 17,20% superiores. Isso significa que praticamente a cada ano o G-15 ganha um ponto percentual de domínio do bolo geral do poder de consumo no G-22 quando confrontado com o G-7, que simboliza o Grande ABC. 

A queda de velocidade de crescimento do poder de consumo nos municípios do Grande ABC é preocupante também quando a comparação é com a média registrada no País. São 475,00% ante 672,13%. 

Velocidade bem menor 

Se corresse na mesma velocidade do Brasil, o poder de consumo das famílias do Grande ABC nesta temporada registraria R$ 93.184 bilhões. Entretanto, como está muito aquém, alcançou R$ 79.717 bilhões. Uma diferença de R$ 13 bilhões, equivalente ao potencial de consumo de Santos. Ou seja: para que mantivesse relativamente no País o poder de consumo registrado em 1999, o Grande ABC teria que ter somado uma Santos inteira. Para ser mais preciso ainda: perdemos uma Santos de potencial de consumo diante do crescimento nacional. 

No caso específico de São Bernardo, última colocada da região no ranking do G-22, e penúltima na classificação geral, a perda do potencial de consumo ante o crescimento médio do Brasil é bastante inquietante. Os R$ 4.953 bilhões registrados em 1999 deveriam ser R$ 33.290 bilhões este ano, mas o registrado é de R$ 24.956 bilhões. Ou seja: dos R$ 13 bilhões desperdiçados pelo Grande ABC, São Bernardo incidiu com buraco de R$ 9 bilhões – quase 70% do total. 

Os números não deixam de ser uma contradição política consolidada no século. Afinal, em 13 dos 20 anos já consumidos pelos números da Consultoria IPC, quem governou o País foi o Partido dos Trabalhadores, Lula da Silva à frente. O mesmo Lula da Silva egresso dos embates sindicais em São Bernardo. 

Como está a classificação 

Veja o ranking do G-22 de Competividade no potencial de consumo deste século:

1. Paulínia contava com R$ 265.950.550 bilhões em 1999 e passou para R$ 3.096.989.986 bilhões em 2019. Crescimento nominal de 1.064,50%.

2. Sumaré contava com R$ 784.134.150 milhões em 1999 e passou para R$ 7.508.791.257 bilhões em 2019. Crescimento nominal de 857,59%. 

3. Rio Grande da Serra contava com R$ 137.643.100 milhões e passou para R$ 1.254.759.374 bilhão. Crescimento nominal de 811,46%.

4. Ribeirão Preto contava com R$ 3.004.924.550 bilhões e passou para R$ 27.118.207.423 bilhões. Crescimento nominal de 802,46|%.

5. Sorocaba contava com R$ 2.569.642.700 bilhões e passou para R$ 21.499.911.887 bilhões. Crescimento nominal de 736,69%.

6. São José do Rio Preto contava com R$ 2.009.327.750 e passou para R$ 17.427.151.663. Crescimento nominal de 730,13%.

7. São José dos Campos contava com R$ 2.944.345.900 e passou para R$ 24.139.810.834. Crescimento nominal de 719,87%.

8. Taubaté contava com R$ 1.163.682.650 bilhão e passou para R$ 9.471.726.738 bilhões. Crescimento nominal de 713,94%.

9. Jundiaí contava com R$ 1.772.665.250 bilhão e passou para R$ 14.082.135.346 bilhões. Crescimento nominal de 694,40%.

10. Piracicaba contava com R$ 1.813.548.050 bilhão e passou para R$ 14.281.970.474 bilhões. Crescimento nominal de 687,52%.

11. Mauá contava com R$ 1.717.305.450 bilhão e passou para R$ 11.999.910.243 bilhões. Crescimento nominal de 598,76%.

12. Mogi das Cruzes contava com R$ 1.637.637.000 bilhão e passou para R$ 11.440.791.306 bilhões. Crescimento nominal de 598,62%.

13. Barueri contava com R$ 1.075.886.000 bilhão e passou para R$ 7.149.001.544 bilhões. Crescimento nominal de 564,48%.

14. Diadema contava com R$ 1.521.830.300 bilhão e passou para R$ 9.998.965.319 bilhões. Crescimento nominal de 557,04%.

15. Guarulhos contava com R$ 5.522.002.100 bilhões e passou para R$ 32.096.426.249 bilhões. Crescimento nominal de 481.25 %. 

16. São Caetano contava com R$ 1.033.637.650 e passou para R$ 6.001.736.614. Crescimento nominal de 480,64%.

17. Ribeirão Pires contava com R$ 534.632.200 milhões e passou para R$ 3.038.747.975 bilhões. Crescimento nominal de 468,38%.

18. Santo André contava com R$ 3.955.444.050 bilhões e passou para R$ 22.467.351.643 bilhões. Crescimento nominal de 466,58%.

19. Campinas contava com R$ 6.661.365.250 bilhões e passou para R$ 34.275.913.988 bilhões. Crescimento de 414,55 %. 

20. Osasco contava com R$ 3.512.633.250 bilhões e passou para R$ 17.985.718.424 bilhões. Crescimento nominal de 412,03%.

21. São Bernardo contava com R$ 4.953.530.300 e passou para R$ 24.956.247.333 bilhões. Crescimento nominal de 403,81%.

22. Santos contava com R$ 3.137.465.050 bilhões e passou para R$ 14.192.072.040 bilhões. Crescimento nominal de 352,34%.

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