Economia

G-22: primeiro balanço é um
desastre para o Grande ABC

  DANIEL LIMA - 29/07/2019

O primeiro balanço do Ranking de Competitividade do G-22 é um desastre para o Grande ABC. Somente Mauá fortemente influenciada pelo Polo Petroquímico que divide com Santo André escapou das últimas colocações. Nessa competição que reunirá mais de duas dezenas de indicadores de forte influência econômica e de gestão pública, seis dos sete representantes da região que constam do grupamento dos maiores municípios do Estado de São Paulo estão muito mal posicionados. 

Tanto que ocupam as seis últimas colocações após a apuração de oito índices. O G-22 conta com as 20 maiores economias paulistas, exceto a Capital. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra completam o Grande ABC apenas para que a região seja dimensionada nesse espectro mais abrangente do que olhar para o próprio umbigo. 

Olhar para o próprio umbigo é uma expressão que pode ser traduzida também como provincianismo. Já imaginaram os leitores se construíssemos ranqueamentos que levassem em conta única e exclusivamente os municípios do Grande ABC? 

Provincianismo descartado 

É claro que não teríamos a menor ideia do que se passa fronteira afora -- e os embaraços que esse mundo à parte nos causa historicamente. O G-22 é uma das variáveis de uma regionalidade que ultrapasse os limites do Grande ABC entre outras razões porque somente confrontos extra-territórios, sobretudo no Estado de São Paulo, podem permitir avaliações mais consistentes sobre desenvolvimento econômico e social. 

CapitalSocial tem tradição de ir muito além dos limites do Grande ABC porque carrega o DNA editorial da revista LivreMercado, que fundei em março de 1990. O escopo principal de LivreMercado, inédito no jornalismo regional brasileiro, foi esmiuçar estatísticas e interpretações relacionadas às atividades econômicas. Em seguida, LivreMercado enveredou por outros campos, inclusive sociais. 

CapitalSocial segue a mesma trilha. O ranking do G-22 é um desdobramento das ações que realizamos à frente do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), que mediu mais de uma dezena de indicadores econômicos, sociais, fiscais e criminais envolvendo mais de meia centena dos principais municípios paulistas. 

Predomínio do Interior 

Contando com 11 municípios (sete do Grande ABC mais Osasco, Barueri, Guarulhos e Mogi das Cruzes), a Região Metropolitana de São Paulo colocou apenas um representante entre os 10 primeiros – Barueri, que ocupa a sexta posição. O Interior, notadamente as áreas metropolitanas, domina o ranking do Clube dos Municípios Mais Importantes do Estado. 

É preciso compreender que o Ranking G-22 de Competitividade ainda está longe de ser concluído. Oito indicadores são muito pouco perto do que será o conjunto, mas indicam a situação complicada em que está particularmente o Grande ABC. 

A distância que separa os municípios locais dos primeiros colocados é muito ampla. Nem se deve comparar com o caso de Paulínia, potentado químico-petroquímico disparadamente à frente dos demais. Paulínia é uma exceção de especificidade no G-22. Os demais municípios da lista contam com perfil completamente diferente, ou seja, não está restrito de forma tão dependente a uma massacrante identidade produtiva.  

Os oito indicadores 

Os oito índices já esmiuçados por CapitalSocial envolvem a gestão pública de impostos municipais e o mercado de trabalho. Os municípios foram hierarquizados em cada um desses indicadores. O resultado parcial indica a soma de pontos alcançados e o índice de competividade. Quanto mais próximo de 1,000, mais os municípios estão em condições de se tornarem referências. Vejam os indicadores já contabilizados: 

 Confronto entre a arrecadação do ITBI (imposto que mede a temperatura de negócios imobiliários) e o IPTU (imposto que penaliza os proprietários de imóveis). Quanto maior a arrecadação do segundo em relação ao primeiro, menor a pontuação individual dos municípios.

 Confronto entre a arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços) e receitas do IPTU. Quando maior a diferença do primeiro sobre o segundo, mais pontos são contabilizados. Quanto menos, também menos pontos. 

 Produtividade do trabalhador industrial, que é a divisão do PIB Industrial pelo total de empregados da atividade. Os números são de 2016, conforme informações do Ministério do Trabalho. Os números de 2017 só serão conhecidos oficialmente em dezembro próximo. 

 PIB per capita, medido no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2016, também com base nos dados do Ministério do Trabalho. O resultado leva em conta avanços e quedas nos 24 meses da maior crise econômica do País. 

 Média de salários de todas as atividades econômicas no período de dezembro de 2014 e dezembro de 2017, também com o sentido de medir os estragos da crise econômica. 

 Massa salarial (também de todas as atividades) no período de dezembro de 2014 e dezembro de 2017. 

 Saldo líquido de empregos em todas as atividades no período de dezembro de 2014 e dezembro de 2017.

 Saldo líquido de empregos industriais com carteira assinada no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2017. 

Paulínia lidera com facilidade 

Apenas um dos 22 municípios do grupamento pode ser considerado de primeira classe no ranking: Paulínia conta com índice de 0,9716; portanto bem próximo do máximo de 1,000.  Sete estão numa espécie de Série B, com índices superiores a 0,6001, casos de Mauá, São José dos Campos, Jundiaí, Barueri, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes e Santos. Já na Série C, com índices entre 0,400 e 0,600, estão Rio Grande da Serra, Sorocaba, Piracicaba, Taubaté, São José do Rio Preto e Osasco. Na Série D estão municípios que não alcançaram 0,4000 na pontuação final, casos de São Bernardo, Santo André, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires. 

Nos próximos dias vamos abordar novo vértice de dados. Utilizaremos dados da Consultoria IPC, do pesquisador Marcos Pazzini, maior especialista em potencial do consumo do País. O banco de dados da consultoria novamente está sendo colocado à disposição de CapitalSocial. Estamos definindo métricas que serão usadas para enquadrar os municípios do G-22 nos conceitos de competitividade. 

O primeiro ranking que saltará das planilhas já envidadas pela Consultoria IPC refere-se ao comportamento do potencial de consumo neste século, tendo como base os resultados de 1999. 

Potencial de consumo 

Tudo indica que os resultados serão bem melhores comparativamente a qualquer um dos oito indicadores já apurados. Afinal, potencial de consumo é insumo estatístico que conta com carregamento ao longo dos anos; ou seja, o acúmulo de resultados anuais sofre menos efeitos deletérios do que os critérios que medem o PIB (Produto Interno Bruno) a cada temporada. 

Em resumo, potencial de consumo é espécie de PIB mais completo, sem as mesmas oscilações graves como a deste período de recessão seguida de estagnação. Há impactos no que se poderia chamar de soma de rendas e aplicações financeiras disponíveis ao consumo, mas em menor escala em relação ao PIB.  

No caso do Grande ABC, o potencial de consumo não segue rigorosamente o ritmo do PIB porque um quarto da população trabalha na Capital. Os valores auferidos são contabilizados em cada Município da região. Diferentemente do PIB, estritamente de apuração local. 

Acompanhem o Ranking G-22 de Competitividade após a conclusão de oito rodadas de indicadores: 

1. Paulínia com 0,9716

2. Sumaré com 0,6534

3. Mogi das Cruzes com 0,6420

4. Jundiaí com 0,6307

5. Mauá com 0,6250

6. Barueri com 0,6193

7. Santos com 0,6193

8. Ribeirão Preto com 0,6136

9. São José dos Campos com 0,6079

10. Taubaté com 0,5852

11. Piracicaba com 0,5682

12. Campinas com 0,5625

13. Sorocaba com 0,5398

14. São José do Rio Preto com 05341

15. Osasco com 0,5227

16. Guarulhos com 0,4204

17. Rio Grande da Serra com 0,4148

18. Santo André com 0,3864

19. Ribeirão Pires com 0,3295

20. São Bernardo com 0,2614

21. São Caetano com 0,2443

22. Diadema com 0,1477

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