Economia

G-22: salário médio da região
desaba com a crise econômica

  DANIEL LIMA - 15/07/2019

Este é o quinto de mais de duas dezenas de indicadores que produziremos com a marca G-22 de Competitividade. E pela quinta vez os resultados são muito ruins para o conjunto dos sete municípios que formam o Grande ABC. Chegamos com esse novo indicador ao mercado de trabalho envolvendo os 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, além de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que completam o time regional. A Capital não integra o Clube dos Maiores Municípios porque distorceria os resultados, tão superlativa que é. 

A média salarial da região caiu consideravelmente no período de recessão seguido de estagnação da economia brasileira, cujos dados oficiais já foram apurados. Qualquer informação em contrário é uma tremenda barrigada jornalística. Caso da manchetíssima do Diário do Grande ABC de ontem. Trataremos disso em outro texto.  

A base da nova pesquisa que produzimos com números oficiais do Ministério do Trabalho para situar sempre de forma inédita o Grande ABC ante os municípios mais fortes do Estado de São Paulo é o ano de 2014, quando a economia nacional começou a entrar em recessão no segundo trimestre, mas o PIB da temporada safou-se com crescimento minúsculo de 0,5%. 

Período preocupante

Por isso, vamos comparar os resultados de 2014 com o da ponta da pesquisa, o ano de 2017. No caso, dispomos dos números do mercado de trabalho com carteira assinada de dezembro de 2014 e de dezembro de 2017. São 36 meses esclarecedores, quando não preocupantes. 

Começamos hoje com a média salarial geral, ou seja, de todas as atividades econômicas. Da indústria ao comércio, dos serviços à agricultora, da construção civil e também da Administração Pública. Nas próximas edições trataremos do contingente de trabalhadores e também da massa salarial, que é a soma de salários.

Nas três dimensões, antecipamos o resultado num voo panorâmico:  o Grande ABC e a maioria dos municípios do G-22 não resistiram ao maior desastre econômico que o Brasil colecionou em quase 100 anos. Mas os dados do Grande ABC são sempre mais dramáticos. 

Quem escreve ou escreveu diferentemente disso precisa ser mais cioso. Informação jornalística é um bem supremo que pode, quando mal formulada, induzir a erros dantescos. A explosão de novos shopping centers na região foi cantada em prosa e verso neste espaço como genocídio. Não deu outra. Como tantas outras coisas que não corresponderam a uma equação simples: em tempos de perdas acentuadas e contínuas, o risco de investir em atividades consumistas é sempre maior. 

Meia dúzia se salva

Apenas seis dos municípios do G-22 salvaram-se nos 36 meses quando se compara a média salarial geral de dezembro de 2014 com a média salarial de dezembro de 2017. Os valores foram deflacionados de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nenhum dos resultados positivos faz parte do Grande ABC.

O melhor resultado foi alcançado por Santos, cujo salário médio dos trabalhadores com carteira assinada superou em 8,64 pontos percentuais a inflação de 21,10% do período. Ou seja: o salário médio de 2014 aumentou em termos nominais, sem considerar a inflação, 29,74%. Os 8,64 pontos percentuais a mais de Santos são bem mais que os 4,67 pontos percentuais da vice-líder Paulínia, do 0,77 da terceira colocada Jundiaí, do 0,34 de Mogi das Cruzes, do 0,23 ponto percentual de Osasco e do 0,11 de Guarulhos. 

A melhor colocação da região no indicador de média salarial dos trabalhadores é de Ribeirão Pires, que acusou a perda real de 0,46 ponto percentual e ficou em oitavo lugar, atrás de Campinas. Mauá, Santo André, Diadema, Rio Grande da Serra e São Bernardo ficaram respectivamente entre o 13º e o 17º lugares. 

São Caetano mais dramática

Capital Econômica do Grande ABC, São Bernardo registrou perda de 5,67 pontos percentuais na média salarial de trabalhadores com carteira assinada em 36 meses -- sempre em comparação com a inflação do período. São Caetano ficou na zona de rebaixamento, reservada aos quatro últimos colocados. Ocupa a 19ª posição com queda de 7,99 pontos percentuais. Piracicaba é a lanterninha com queda de 11,63 pontos percentuais de média salarial.  

Veja como ficou o novo ranking do G-22 de Competitividade. O próximo, que também tratará do mercado de trabalho nos 36 meses analisados, definirá posições conforme o percentual de demissões em relação ao estoque. 

1. Santos contava com salário médio de R$ 2.552,01 e passou para R$ 3.310,89. Evolução nominal de 29,74%. Aumento de 8,64 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

2. Paulínia contava com salário médio de R$ 3.707,64 e passou para R$ 4.662,83. Evolução nominal de 25,76%. Aumento de 4,67 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

3. Jundiaí contava com salário médio de R$ 2.692,66 e passou para R$ 3.281,51. Evolução nominal de 21,87%. Aumento de 0,77 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

4. Mogi das Cruzes contava com salário médio de R$ 2.100,04 e passou para R$ 2.550,29. Evolução nominal de 21,44. Aumento de 0,34 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

5. Osasco contava com salário médio de R$ 2.564,50 e passou para R$ 3.111,46. Evolução nominal de 21,33%, contra inflação de 21,10%. Aumento de 0,23 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

6. Guarulhos contava com salário médio de R$ 2.596,24 e passou para R$ 3.147,02. Evolução nominal de 21,21%. Aumento de 0,11 ponto percentuais em relação aos valores atualizados. 

7. Campinas contava com salário médio de R$ 3.068,54 e passou para R$ 3.709,81. Evolução nominal de 20,90%. Queda de 0,20 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

8. Ribeirão Pires contava com salário médio de R$ 2.094,75 e passou para R$ 2.527,09. Evolução nominal de 20,64%. Queda de 0,46 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

9. Taubaté contava com salário médio de R$ 2.533,95 e passou para R$ 3.054.89. Evolução nominal de 20,59%. Queda de 0,51 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

10. Sorocaba contava com salário médio de R$ 2.536,56 e passou para R$ 3.054,15. Evolução nominal de 20,40%. Queda de 0,70 ponto percentual em relação aos valores atualizados.

11. São José do Rio Preto contava com salário médio de R$ 2.216,46 e passou para R$ 2.662,51. Evolução nominal de 20,12%, contra inflação de 21.10%. Queda de 0.98 ponto percentual em relação aos valores atualizados. 

12. São José dos Campos contava com salário médio de R$ 3.036,88 e passou para R$ 3.603,51. Evolução nominal de 18,66%. Queda de 2,44 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

13. Mauá contava com salário médio de R$ 2.549,79 e passou para R$ 2.998,30. Evolução nominal de 17,59%. Queda de 3,51 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

14. Santo André contava com salário médio de R$ 2.419,08 e passou para R$ 2.841,97. Evolução nominal de 17,48%. Queda de 3,62 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

15. Diadema contava com salário médio de R$ 2.721,73 e passou para R$ 3.196,59. Evolução nominal de 17,45% contra inflação de 21,10%. Queda de 3,65 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

16. Rio Grande da Serra contava com salário médio de R$ 2.008,16 e passou para R$ 2.337,90. Evolução nominal de 16,42%. Queda de 4,68 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

17. São Bernardo contava com salário médio de R$ 3.195,81 e passou para R$ 3.688,93. Evolução nominal de 15,43%. Queda de 5,67 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

18. Barueri contava com salário médio de R$ 3.573,71 e passou para R$ 4.082,74. Evolução nominal de 14,24%. Queda de 6,86 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

19. São Caetano contava com salário médio de R$ 2.762,38 e passou para R$ 3.124,67. Evolução nominal de 13,11%, contra inflação de 21,10%. Queda de 7,99 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

20. Sumaré contava com salário médio de R$ 3.361,27 e passou para R$ 3.744,53. Evolução nominal de 11,40%. Queda de 9,70 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

21. Ribeirão Preto contava com salário médio de R$ 2.367,35 e passou para R$ 2.865,74. Evolução nominal de 8,79%. Queda de 12,31 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

22. Piracicaba contava com salário médio de R$ 2.703,00 e passou para R$ 3.261,96. Evolução nominal de 9,47%. Queda de 11,63 pontos percentuais em relação aos valores atualizados. 

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