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São Caetano anuncia o maior
reforço em 10 anos: Saul Klein

  DANIEL LIMA - 15/07/2019

O São Caetano anunciou discretamente no fim de semana a maior contratação da última década: o retorno do empresário Saul Klein. Mentor e incentivador do São Caetano, e também coordenador de patrocínios e doações que sustentam o clube desde os anos 1990, Saul Klein liderou a equipe que se tornou sensação do começo deste século no futebol brasileiro. Ele está de volta fisicamente ao clube. Mesmo fora dos estádios na última década, mas sempre na retaguarda econômico-financeira, Saul Klein pode ser traduzido sem qualquer exagerado e em qualquer idioma como a razão de o São Caetano existir. 

Retorno físico significa que o caçula da família que ergueu um monumento no varejo brasileiro, a Casas Bahia, deverá acompanhar mais de perto a equipe. O longo período de afastamento físico se deve a obstáculos empresariais e problemas de saúde. Ressaltar a ausência física é importante porque Saul Klein jamais deixou de organizar colaboradores para o financiamento da equipe. 

Esse texto tem duas pontas de costuras que se interligam. A primeira, inicial, decorre de uma publicação em redes sociais que coloca Saul Klein, o presidente Narro Ferreira e o Superintendente Genivaldo Leal num flagrante antes do jogo de sábado contra o Santo André, pela Copa Paulista. Uma disputa que reserva aos dois primeiros colocados uma vaga na Copa do Brasil e outra na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem. 

O São Caetano ganhou de dois a zero e se manteve na liderança do grupo. A informação é de que o presidente Nairo Ferreira e Genivaldo Leal convidaram Saul Klein para acompanhar o jogo. 

Mas esse não foi o primeiro encontro dos três dirigentes nos últimos tempos – essa é a outra ponta da costura. Na verdade, foi a terceira vez que Saul Klein acompanhou presencialmente o São Caetano. E foram três vitórias. 

Três vitórias seguidas 

Havia muitos anos o São Caetano não vencia três jogos seguidos. Aliás, antes desses jogos, não somara três vitórias em toda a temporada. Ganhara apenas um jogo entre os 12 da Série A1 do Campeonato Paulista, quando ficou na penúltima colocação, e também um de seis na fase inicial da Série D do Campeonato Brasileiro, quando a equipe foi eliminada. 

Ouvi diferentes fontes do São Caetano. Gente que acompanha o dia a dia da equipe. Saul Klein não só foi aos três últimos jogos como também se dirigiu aos vestiários. Conversou com jogadores e comissão técnica. Passou frases de motivação. Disse, segundo essas fontes, que está de volta para valer ao clube. Estaria atendendo desejo do presidente Nairo Ferreira e do Surpreendente Genivaldo Leal. 

Contar com a presença mais constante de Saul Klein é um salto em direção à esperança de que o São Caetano poderá quebrar para valer série histórica de maus resultados. Empresário especializado em comércio varejista, discípulo do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein, seu pai, Saul estaria vivendo momentos acalentadores. 

Maior reforço 

Saul Klein safou-se, segundo informações, de complicações de saúde. Quem o conhece mais de perto – e são poucos que gozam dessa condição – afirma que ele está empolgadíssimo com as perspectivas que o futebol descortina nestes tempos de grandes transformações, com a adoção de ações mais incisivas de marketing. Para quem abriu o futebol à modernidade de suporte empresarial como mecanismo de fortalecimento das equipes, a retomada do empreendedorismo não seria surpresa.  

Uma experiente integrante da comissão técnica ouvido sob a condição de sigilo afirma que o impacto causado pela presença de Saul Klein nos vestiários antes dos três últimos jogos demarca e consolida novos tempos. “É o nosso maior reforço” – explicou. 

Saul Klein afastou-se durante longo tempo como conselheiro especial da diretoria executiva da agremiação que tem formato jurídico de empresa. Durante o período de atividade mais intensa, quando decidiu imprimir digitais empresariais, retirou o São Caetano do lugar-comum do futebol brasileiro. 

Colaboração intensa

Mesmo durante o afastamento das atividades do clube, Saul Klein manteve a controladoria do fundo de colaboradores e doadores que amealhou durante o período em que a família Klein estava à frente da Casas Bahia. Saul era diretor de varejo. 

O patrocínio longevo da Consul no uniforme da equipe que nos melhores momentos era tratada como “namoradinha do Brasil” simbolizava o pioneirismo de Saul Klein fora do domínio dos grandes clubes brasileiros. A Consul era apenas a marca mais visível de uma ação inovadora muito mais abrangente. 

O mercado varejista considera Saul Klein imbatível. Recentemente o jornal Valor Econômico tratou da retomada do controle da Casas Bahia (juntamente com o Ponte Frio na composição da marca Via Varejo) em empreitada liderada por Michael, primogênito dos Klein. Num dos trechos da reportagem Saul Klein é tratado como um dos principais responsáveis pelo sucesso do empreendimento iniciado pelo patriarca Samuel Klein no início dos anos 1950, em São Caetano.

Carreira de sucesso 

As habilidades de Saul Klein com fornecedores da Casas Bahia viraram case de sucesso no setor. Alunos da Fundação Getúlio Vargas, uma das mais conceituadas instituições de ensino do País, contaram com os conhecimentos e a experiência de Saul Klein. O aprendizado determinado pelo pai, ao ocupar diversos setores da empresa, abriu as portas à especialização em vendas. Ele diz aos amigos mais próximos que o contato com os clientes, uma das atribuições que exerceu como vendedor, abriu as portas da sensibilidade como interlocutor junto aos fornecedores. 

Por ora não se tem maiores informações sobre o potencial agregado de influência de Saul Klein na vida do São Caetano a partir das aparições nos vestiários e no acompanhamento presencial dos jogos.  Sabe-se que ele não estaria disposto a perder um jogo sequer e que estará no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo, na próxima rodada. Nada, entretanto, é confirmado. 

Conselheiro de novo 

Saul Klein é um homem metódico. Desde que se afastou da Casas Bahia, em 2008, após a aquisição do controle do empreendimento pelo GPA, Grupo Pão de Açúcar, cumpre período extensivo de quarentena. Mas, agora, com a volta do irmão Michael Klein ao comando da Via Varejo, o que mais se ouve entre executivos do setor é que Saul Klein estaria se preparando para retornar à companhia. 

Mas há controvérsias sobre isso. Uma versão dá conta de que a retomada da carreira na Casas Bahia seria praticamente compulsória agora que os Klein passaram a dar as cartas na Via Varejo. Outra versão sustenta que Saul Klein estaria mesmo mais interessado em manter distância do dia a dia de uma companhia que passa por profunda reestruturação. Preferiria cumprir uma etapa pós-enfermidade menos intensa no São Caetano. 

Saul Klein já estaria com os dois pés prontos para, a convite da direção executiva, retomar a função de conselheiro especial.  O empresário acumula trajetória possivelmente sem paralelo no futebol brasileiro. Praticamente no anonimato ainda mais intenso nos últimos 10 anos, segue liderando a sustentação financeira de um clube que, segundo os mais próximos, é sua maior paixão. Incomparável maior que o coração palmeirense que batia mais forte até que decidiu construir o São Caetano ao ser requisitado por amigos de adolescência. 

E a trajetória do São Caetano está acima da expectativa. Desde o título de vice-campeão da Copa Libertadores da América em 2002, de dois segundos colocados do Campeonato Brasileiro em 2000 e 2001, além de um terceiro lugar em 2002, passando pelo título de vice-campeão do Brasileiro da Série B em 1999, antecedido do vice da Série C um ano antes. No Estado, o São Caetano foi campeão da Série A1 em 2004 e vice no ano seguinte. Também ganhou duas vezes o título de campeão da Série A2 e também da Série A3.  

Modelo revolucionário 

Muito se escreveu ou se insinuou sobre a atuação de Saul Klein no futebol brasileiro. O sucesso do São Caetano no começo da primeira década deste século tanto entusiasmou quanto incomodou adversários. Idiossincrasias fazem parte da cultura em geral e o futebol não seria diferente. 

A volta do dirigente aos estádios, depois de anos recluso, mas sempre cooperativo na manutenção do São Caetano, poderá impulsionar outros clubes que também sofreram nos últimos tempos as dores da centralidade dos holofotes na direção das grandes agremiações. 

Possivelmente Saul Klein saiba que repetir a história estrondosa do São Caetano será praticamente impossível. Mas quem o conhece bem diz que é incuravelmente otimista, quase utópico. 

Disseram-lhe algo semelhante quando se meteu no futebol. Eram outros tempos, é verdade, mas outros tempos também pareciam ser aqueles meados de 1990 em relação a tempos já passados. Quem sabe o emergente Red Bull não se tenha inspirado no São Caetano do passado? E o São Caetano no Red Bull do presente?

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